sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

Funeral Blues

 

W. H. Auden 

Wystan Hugh Auden → 21 de fevereiro de 1907, York, Birmingham; 29 de setembro de 1973, Viena. Foi um poeta e crítico inglês. 

No poema abaixo, W.H. Auden descreve o luto que se segue à morte do amado  como o fim de toda a esperança. 

Funeral Blues 

Stop all the clocks, cut off the telephone,

Prevent the dog from barking with a juicy bone,

Silence the pianos and with muffled drum

Bring out the coffin, let the mourners come.

 

Let airplanes circle moaning overhead

Scribbling on the sky the message She Is Dead

Put crêpe bows around the white necks of public doves

Let the traffic policemen wear black cotton gloves

 

She was my North, my South, my East and West,

My working week and my Sunday rest,

My noon, my midnight, my talk, my song;

I thought that love would last for ever: I was wrong.

 

The stars are not wanted now; put out everyone,

Pack back the moon and dismantle the sun

Pour away the ocean and sweep up the wood;

For nothing can ever come to any good. 

April 1936 

Funeral Blues 

Pare os relógios, cale o telefone,
Evite o latido do cão com um osso,
Emudeça o piano e que o tambor surdo anuncie
a vinda do caixão, seguido pelo cortejo.

Que os aviões voem em círculos, gemendo
e que escrevam no céu o anúncio: ele morreu.
Ponham laços pretos nos pescoços brancos das pombas de rua
e que guardas de trânsito usem finas luvas de breu.

Ele era meu Norte, meu Sul, meu Leste e Oeste,
Meus dias úteis, meus finais-de-semana,
meu meio-dia, meia-noite, minha fala e meu canto;
Eu pensava que o amor era eterno; estava errado.

As estrelas não são mais necessárias; apague-as uma por uma,
Guarde a lua, desmonte o sol.
Despeje o mar e livre-se da floresta;
pois nada mais poderá ser bom como antes era.
 

Abril, 1936

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