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“Tenho orgulho de você” é o que um filho mais deseja ouvir de seus pais. Representa a glória doméstica de um filho, que se vê pela primeira vez como um exemplo dentro de casa. É como se fosse uma bênção pelo caminho adotado, é como se fosse uma autorização para o exercício integral da personalidade.
É orgulho de quem o filho se tornou, de quem o filho decidiu ser.
Significa o fim das restrições, da censuram, dos preconceitos. Ainda mais quando o filho é tão diferente dos pais nas escolhas e na aparência.
É um segundo “eu te amo”, a crisma após a comunhão do “eu te amo”. Trata-se de um fechamento do ciclo do cuidado, quando o tutor reconhece a autonomia do seu rebento, a liberdade do seu rebento, e deixa que ele aja de acordo com as suas vontades.
É uma porta aberta contra a dependência, e a favor da admiração adulta.
Em contrapartida, “tenho orgulho de você” jamais deve ser confundido com pedido de desculpa. Há essa exceção. É possível ter orgulho desprovido de qualquer intenção de remissão.
É no orgulho que a pessoa esconde a falta de humildade, transformando-o num pretexto para achar que nunca errou com o outro.
O orgulho funciona como um impulso do amor, um coroamento do amor, quando não predominam feridas visíveis e desavenças fundas. Quando não há algo a ser resolvido, nenhuma carência extrema.
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Parte da crônica “Orgulho redentor”, de Carpinejar,
no jornal Zero Hora, janeiro de 2025.

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