sábado, 7 de fevereiro de 2026

A construção da maldade*

 J.J. Camargo 

“Pode-se confiar nas pessoas más:

elas nunca mudarão.” 

(William Faulkner)


(...) 

A descrição das atrocidades cometidas contra um cão de rua, ainda mais vulnerável porque estava acostumado com carinho da comunidade que o alimentava e protegiam, é mais do que uma covardia coletiva de adolescentes estúpidos: é reflexo de como foram educados para chegar a esse extremo de crueldade. E uma certeza: nenhum deles viveu o encanto de ter na infância um cachorrinho para cuidar. Ninguém que já conviveu com a alegria espontânea de um bichinho carente de afeto ao ser chamado pelo nome seria capaz de assistir indiferente à chacina de um cão velho, já sem condições de se defender, que na boa-fé dos inocentes atendeu, abanando o rabo de alegria, ao chamado para a morte. 

Nada revolta mais do que a crueldade, gratuita e covarde, contra os indefesos. E não se iludam, a maldade não seleciona suas vitimas, desde que naturalmente sejam incapazes de revidar. Uma condição que diverte a covardia. 

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* Parte da crônica “Construção da maldade”, do Dr. J.J. Camargo, no caderno Vida, do jornal Zero Hora, fevereiro de 2026.

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