segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

O Peixe e a Peixinha

 

O peixe disse para a peixinha:

‒ Peixe-me, eu estou apeixonado por você...

‒ Jamais! Você jamais será meu marisco! Eu sei que você tem ostra! E, depois, o que é que o polvo vai falar?

‒ Não se faça de engrasardinha, todo o mar sabe que você traíra o seu outro namorado!

‒ Ah é?... Pois fique sabendo que eu já fui garoupa de Ipanema. Eu moro aqui na Vieira Souto!

‒ Traíra uma coisa em que eu não havia pensado. Só que corre pela arraia miúda, que você tá meio baiacu. Sereia melhor que você se cuidasse!

‒ Com esta, eu levei um bagre! Nunca poderia pensar que você diria isso.

‒ Bem, eu anchova melhor a gente depor as armas... Espadas baixas... OK?

‒ OK. Eu também fui meio cavalinha. Sabe, a mamãe está fazendo o meu anchoval. Já começou a minha concha de retalhos.

‒ E você não a ajuda?

‒ Não dá. Elagosta de fazer tudo sozinha. Mas eu já vi como vai ficar. Tem duas partes. A de lá é verde, e a de cá, marão.

‒ Mas deve haver alga que você possa fazer.

‒ Ela não sabe, mas eu já bordei atum-alha de mesa.

‒ Ah bom! Então posso crer que tatuindo de acordo com os nossos planos?

‒ Nem tanto ao mar, nem tanto a terra! Lembre-se: quem siri por último, siri melhor!

‒ Acho melhor rever tudo, para que não haja enganos. Na última hora é um tal de mexilhão na papelada, você sabe como é...

‒ Você vai querer que o padre diga algum salmão?

‒ Não será preciso. Você sabia que o salão foi todo pintado?

‒ De que cor?

‒ De Dourado!

‒ E as corvinas? Estão com os babados que eu pedi?

‒ Está tudo como você pediu.

‒ Tudo certo então?

‒ Tudo bem. Vamos para o motel dar umazinha, vamos no seu caracol, você enguia...  

(Autor desconhecido)

Nenhum comentário:

Postar um comentário