sexta-feira, 29 de agosto de 2025

O psicanalista ao alcance de todos

 

Imagem da internet 

‒ Sonho sempre em inglês, mas o sonho vem sem legenda e não entendo patavina, doutor. 

‒ O senhor é muito vivo, doutor, no Carnaval só se fantasia de paciente. 

‒ Minha mulher cismou que é automóvel, doutor, e o pior é que foi rebocada ontem por estacionamento proibido. 

‒ Sempre conto carneirinhos na hora de dormir, mas ontem foi o diabo, doutor: quando cheguei a dezenove foi que percebi que tinha deixado a outra porta do quarto fechada. 

‒ Aquele doente mental está ficando louco, meu caro, temos de lhe dar alta. 

‒ Engoli um parafuso, o senhor ainda acha que tenho um a menos? 

‒ Meu caro psicanalista, tenho a mania de comprar divãs. Levo esse? 

‒ Me diga sinceramente, doutor, o que é que o senhor acha que eu acho do senhor? 

‒ Não sei se estou errado, mas acho que vocês psicanalistas se cumprimentam meio desconfiados um do outro. 

‒ Deixe de bobagem, você está bonzinho, sente-se naquele espelho e espere um pouco que preciso conhecer bem os seus reflexos. 

******* 

(Do livro “Homem ao Cubo”, de Leon Eliachar)

Nenhum comentário:

Postar um comentário