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‒ Sonho sempre em inglês, mas o sonho vem sem legenda e não entendo patavina, doutor.
‒ O senhor é muito vivo, doutor, no Carnaval só se fantasia de paciente.
‒ Minha mulher cismou que é automóvel, doutor, e o pior é que foi rebocada ontem por estacionamento proibido.
‒ Sempre conto carneirinhos na hora de dormir, mas ontem foi o diabo, doutor: quando cheguei a dezenove foi que percebi que tinha deixado a outra porta do quarto fechada.
‒ Aquele doente mental está ficando louco, meu caro, temos de lhe dar alta.
‒ Engoli um parafuso, o senhor ainda acha que tenho um a menos?
‒ Meu caro psicanalista, tenho a mania de comprar divãs. Levo esse?
‒ Me diga sinceramente, doutor, o que é que o senhor acha que eu acho do senhor?
‒ Não sei se estou errado, mas acho que vocês psicanalistas se cumprimentam meio desconfiados um do outro.
‒ Deixe de bobagem, você está bonzinho, sente-se naquele espelho e espere um pouco que preciso conhecer bem os seus reflexos.
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(Do livro “Homem ao Cubo”, de Leon Eliachar)

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