Gurufim, ritual
de origem africana e que se manifesta em velórios festivos, marcados pela
música, dança, comida e bebida. O objetivo é celebrar a vida de quem partiu e
amenizar a dor da perda, transformando o luto em homenagem e alegria.
Segundo o historiador Luiz Antônio Simas, o gurufim mistura luto e festa, onde o som do samba divide espaço com homenagens e memórias afetivas.
“É uma forma de dizer adeus com alegria, mantendo viva a essência de quem partiu”, explica.
Simas afirma ainda que o ritual era uma maneira de driblar a morte: enquanto as pessoas cantavam e festejavam no velório, a morte “passava reto”, enganada pela energia da vida que pulsava no ambiente.
“Gurufim, segundo Luís da Câmara Cascudo, seria golfinho. E o golfinho, em diversas tradições, é um animal que conduz as pessoas ao reino dos mortos. Nas comunidades antigas do Mediterrâneo, isso era muito comum. Então, o golfinho está ligado ao condutor do reino da morte”, diz o historiador.
O gurufim é, portanto, um velório festivo, marcado por música, comida e memórias, especialmente comum entre sambistas e personalidades ligadas ao gênero.
Meu Gurufim
Arlindo Cruz, Camunguelo e Dudu Nobre
Eu vou fingir que morri
Pra ver quem vai chorar por
mim
E quem vai ficar gargalhando
no meu gurufim.
Quem vai beber minha cachaça,
E tomar do meu café,
E quem vai ficar paquerando a
minha mulher. (bis)
Quando o caixão chegar,
Eu me levanto da mesa
E vou logo apagar
As quatro velas acesas,
E vou dizer pra minha mãe:
Não chora, amigo a gente vê é nessa hora.
P,S. A melhor interpretação dessa música é na voz de Cláudio Camunguelo.
Cantor e compositor Arlindo Domingos da Cruz Filho (14.09.1958 ‒ 08.08.2025) será velado na quadra do Império Serrano com presença da bateria da agremiação. Gurufim, tradição trazida pelos escravizados, é cerimônia funerária festiva, com música e bebida. É uma forma de homenagear quem partiu, celebrando sua trajetória com alegria.

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