domingo, 10 de agosto de 2025

Gurufim

Gurufim, ritual de origem africana e que se manifesta em velórios festivos, marcados pela música, dança, comida e bebida. O objetivo é celebrar a vida de quem partiu e amenizar a dor da perda, transformando o luto em homenagem e alegria.

Segundo o historiador Luiz Antônio Simas, o gurufim mistura luto e festa, onde o som do samba divide espaço com homenagens e memórias afetivas. 

“É uma forma de dizer adeus com alegria, mantendo viva a essência de quem partiu”, explica. 

Simas afirma ainda que o ritual era uma maneira de driblar a morte: enquanto as pessoas cantavam e festejavam no velório, a morte “passava reto”, enganada pela energia da vida que pulsava no ambiente.

Gurufim, segundo Luís da Câmara Cascudo, seria golfinho. E o golfinho, em diversas tradições, é um animal que conduz as pessoas ao reino dos mortos. Nas comunidades antigas do Mediterrâneo, isso era muito comum. Então, o golfinho está ligado ao condutor do reino da morte”, diz o historiador. 

O gurufim é, portanto, um velório festivo, marcado por música, comida e memórias, especialmente comum entre sambistas e personalidades ligadas ao gênero. 

Meu Gurufim 

Arlindo Cruz, Camunguelo e Dudu Nobre

Eu vou fingir que morri

Pra ver quem vai chorar por mim

E quem vai ficar gargalhando no meu gurufim.

Quem vai beber minha cachaça,

E tomar do meu café,

E quem vai ficar paquerando a minha mulher. (bis)

 

Quando o caixão chegar,

Eu me levanto da mesa

E vou logo apagar

As quatro velas acesas,

E vou dizer pra minha mãe:

Não chora, amigo a gente vê é nessa hora.


P,S. A melhor interpretação dessa música é na voz de Cláudio Camunguelo.

Cantor e compositor Arlindo Domingos da Cruz Filho (14.09.1958 ‒ 08.08.2025) será velado na quadra do Império Serrano com presença da bateria da agremiação. Gurufim, tradição trazida pelos escravizados, é cerimônia funerária festiva, com música e bebida. É uma forma de homenagear quem partiu, celebrando sua trajetória com alegria.

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