domingo, 10 de agosto de 2025

A última entrevista de Noel Rosa…

 três dias antes do fim.

No final de abril de 1937, uma notícia chocou o Rio: a rádio Cruzeiro do Sul anunciou que Noel Rosa havia morrido. 

Mas era mentira. 

Noel ainda respirava ‒ fraco, isolado num chalé em Friburgo, cercado de esboços de sambas e lembranças de um Brasil boêmio. Vestia pijama de flanela até o pescoço, tremia, mas sorria. Tentava disfarçar a gravidade da tuberculose que o consumia aos 26 anos. 

A Revista Carioca foi até lá. Encontrou um Noel magro, mas espirituoso: 

‒ “Como vai essa força?” 

‒ “Não sei... Mas acho que dessa vez endireito”, respondeu, entre risos e tosses. 

Essa visita rendeu a última entrevista e fotografia de Noel em vida. A matéria saiu no dia 1º de maio de 1937.                  

Três dias depois, ele partiu. 

Noel Rosa morreu no dia 4 de maio, mas sua música nunca mais parou de tocar. 

Num país que esquece seus gênios cedo demais, essa imagem permanece como um adeus silencioso…

 E como prova de que a poesia dele ainda vive entre nós. 

(De Eva A Raiz do Samba) 

P.S. Noel Rosa passou seus últimos dias em um chalé em Nova Friburgo, buscando recuperação da tuberculose. Ele morreu em sua casa, no Rio de Janeiro, na noite de 4 de maio de 1937, aos 26 anos, e foi sepultado no Cemitério do Caju.  

Noel Rosa passou por um período de internação em Nova Friburgo, onde se refugiou em busca de tratamento para a tuberculose, doença que o vitimou. Apesar de ter sido dado como morto em uma notícia falsa, ele ainda estava vivo, mas debilitado, em um chalé na cidade serrana. Sua morte, no entanto, ocorreu no Rio de Janeiro, em sua casa no bairro de Vila Isabel, e ele foi sepultado no Cemitério do Caju, com uma cerimônia que refletiu seu desejo de uma despedida sem choro e vela, com música e alegria, como descreveu em uma de suas canções. 

Fita Amarela 

Noel Rosa 

Quando eu morrer

Não quero choro, nem vela,

Quero uma fita amarela

Gravada com o nome dela. (bis)

 

Se existe alma,

Se há outra encarnação,

Eu queria que a mulata

Sapateasse no meu caixão.

 

Quando eu morrer

Não quero choro, nem vela,

Quero uma fita amarela

Gravada com o nome dela. (bis)

 

Não quero flores,

Nem coroa com espinho,

Só quero choro de flauta

Com violão e cavaquinho.

 

Quando eu morrer

Não quero choro, nem vela,

Quero uma fita amarela

Gravada com o nome dela. (bis)

 

Meus inimigos,

Que hoje falam mal de mim,

Vão dizer que nunca viram

Uma pessoa tão boa assim.

 

Quando eu morrer

Não quero choro, nem vela,

Quero uma fita amarela

Gravada com o nome dela. 


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