três dias antes do fim.
No final de abril de 1937, uma notícia chocou o Rio: a rádio Cruzeiro do Sul anunciou que Noel Rosa havia morrido.
Mas era mentira.
Noel ainda respirava ‒ fraco, isolado num chalé em Friburgo, cercado de esboços de sambas e lembranças de um Brasil boêmio. Vestia pijama de flanela até o pescoço, tremia, mas sorria. Tentava disfarçar a gravidade da tuberculose que o consumia aos 26 anos.
A Revista Carioca foi até lá. Encontrou um Noel magro, mas espirituoso:
‒ “Como vai essa força?”
‒ “Não sei... Mas acho que dessa vez endireito”, respondeu, entre risos e tosses.
Essa visita rendeu a última entrevista e fotografia de Noel em vida. A matéria saiu no dia 1º de maio de 1937.
Três dias depois, ele partiu.
Noel Rosa morreu no dia 4 de maio, mas sua música nunca mais parou de tocar.
Num país que esquece seus gênios cedo demais, essa imagem permanece como um adeus silencioso…
(De Eva A Raiz do Samba)
P.S. Noel Rosa passou seus últimos dias em um chalé em Nova Friburgo, buscando recuperação da tuberculose. Ele morreu em sua casa, no Rio de Janeiro, na noite de 4 de maio de 1937, aos 26 anos, e foi sepultado no Cemitério do Caju.
Noel Rosa passou por um período de internação em Nova Friburgo, onde se refugiou em busca de tratamento para a tuberculose, doença que o vitimou. Apesar de ter sido dado como morto em uma notícia falsa, ele ainda estava vivo, mas debilitado, em um chalé na cidade serrana. Sua morte, no entanto, ocorreu no Rio de Janeiro, em sua casa no bairro de Vila Isabel, e ele foi sepultado no Cemitério do Caju, com uma cerimônia que refletiu seu desejo de uma despedida sem choro e vela, com música e alegria, como descreveu em uma de suas canções.
Fita Amarela
Noel Rosa
Quando
eu morrer
Não
quero choro, nem vela,
Quero
uma fita amarela
Gravada
com o nome dela. (bis)
Se
existe alma,
Se
há outra encarnação,
Eu
queria que a mulata
Sapateasse
no meu caixão.
Quando
eu morrer
Não
quero choro, nem vela,
Quero
uma fita amarela
Gravada
com o nome dela. (bis)
Não
quero flores,
Nem
coroa com espinho,
Só
quero choro de flauta
Com
violão e cavaquinho.
Quando
eu morrer
Não
quero choro, nem vela,
Quero
uma fita amarela
Gravada
com o nome dela. (bis)
Meus
inimigos,
Que
hoje falam mal de mim,
Vão
dizer que nunca viram
Uma
pessoa tão boa assim.
Quando
eu morrer
Não
quero choro, nem vela,
Quero
uma fita amarela
Gravada com o nome dela.

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