domingo, 21 de julho de 2024

O céu mais belo,

 da janela de um hospício 

Juliana Bublitz

No filme Goyo (filme argentino recém-lançado na Netflix)*, o protagonista é um aficionado por Van Gogh, a ponto de enxergar os traços do pintor se movendo e tentar reproduzi-los. 

A tela cima, chamada A Noite Estrelada, talvez seja o melhor exemplo da técnica que se tornaria uma marca do artista (com centenas de pinceladas rápidas dando  movimento e profundidade à cena). 

Concluída em 1889 no interior da França, a obra tem uma história um tanto peculiar: foi inspirada na vista da janela de um “hospício”. 

À época, atormentado por uma crise que o levou a mutilar a orelha, o Van Gogh ficou internado no asilo psiquiátrico de Sain-Paul-de-Mausole, em Provença, por cerca de um ano.

Hoje, o quando está exposto no Museu de Arte Moderna de Nova York (o famoso MoMA) e é um dos mais procurados pelo público. Ah, e até o asilo virou ponto turístico, com uma ala dedicada ao artista. 

(Do Caderno ZH2, do jornal Zero Hora, 21 de julho de 2024) 

PS: O autorretrato com a Orelha Enfaixada ou Autorretrato com a Orelha Cortada é uma obra feita a partir da técnica de óleo sobre tela, por Vincent Van Gogh, em um autorretrato, como o título da pintura sugere. Em 23 de dezembro de 1888, antevéspera de Natal, Paul Gauguin e Vincent Van Gogh tiveram uma discussão. O primeiro passou a noite em um hotel, enquanto o segundo, que é o retratado em questão, cortou um pedaço do lóbulo da própria orelha esquerda. Para fazer os dois autorretratos depois desse evento, posicionou-se em frente a um espelho, o que dá a impressão de ele ter cortado a orelha direita. O pedaço do membro arrancado ele embrulhou em um lenço e o levou para uma prostituta de Arles ‒ Rachel, com quem ele mantinha relações sexuais e que conhecia Gauguin ‒ com um bilhete que dizia: “Guarde com cuidado”. 

Após sair do hospital, em 6 de janeiro de 1889, o pintor elaborou este autorretrato. Ao fundo, à direita, pode-se enxergar um quadro com japonesas à frente do Monte Fuji e a parte superior de um cavalete com uma tela em branco à esquerda. A inscrição que acompanha a obra no museu em que está exposto, o Instituto Courtauld de Arte, diz que a justaposição de imagens pode sugerir a perda de poder criativo e artístico do pintor. Supõe ainda que Van Gogh tenha recebido influência da pintura japonesa, por ostentar uma obra daquele país em sua casa e retratá-la em um quadro dele.

* Filme imperdível por sua temática humana.

Nenhum comentário:

Postar um comentário