Sandra Cavalcanti
José é mecânico. Qualquer coisa que acontece nas máquinas José conserta. Mas José seria incapaz de fazer um vestido, ou mesmo cozinhar um almoço. Até a meia sola do sapato quem põe é o sapateiro da esquina.
Outro dia, José conversava com o sapateiro. Este lhe disse: ‒ “Graças a Deus a freguesia tem aumentado. Já sou um homem independente.” Quando acabou de dizer isso, a máquina de costurar o couro enguiçou. A agulha não saía do lugar. Bernardo, o sapateiro, ficou assustado. E agora?
Sem aquela máquina, que seria dele? Ainda bem que o José estava ali. Virou, mexeu, torceu uns parafusos... e a máquina funcionou!
Bernardo enxugou o suor, e, virando-se para o José, disse: “Que sorte você estar aqui, José. Sem você eu estaria frito.” José sorriu e só para implicar com Bernardo, perguntou: “Mas, Bernardo, você não estava dizendo aí que, graças a Deus, você já é um homem independente?”
Bernardo ia falar. Chegou a abrir a boca, mas pensou melhor e ficou mudo. Sim, José tinha razão! Qual independência, qual nada!
Eu dependo do José para a máquina, pensava o Bernardo. José de pende de mim para o sapato. Nós dependemos dos agricultores para comer. Das indústrias que fazem a fazenda da roupa que vestimos. Enfim, todos dependemos uns dos outros. Não devo um vintém a ninguém, mas dependo de toda essa gente e muita gente depende de mim! Ficaram os dois ali conversando até tarde sobre a “descoberta que tinham feito”.
Os homens são todos ligados uns aos outros. E não só os homens: os países também. Um produz borracha; outro, petróleo; outro, milho. Um tem bois, o outro tem curtumes. Um tem bicho-da-seda, o outro tem fábricas.
Essa coisa que liga os homens é a solidariedade. Quando os homens brigam uns com os outros, estão prejudicando a si próprios.
A solidariedade é a lei da vida.
É preciso que as nações se estimem como se fossem pessoas. Só assim as guerras se acabarão.
Se os países necessitam uns dos outros, por que não hão de estar brigando? A paz é a única forma humana de viver na Terra.

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