Aparício Torelly, o Barão de Itararé, mestre e glória do humorismo brasileiro, saiu do colégio dos jesuítas em sua cidade natal (São Leopoldo, RS, onde, ainda estudante, fundou o jornal manuscrito O Capim Seco), para satirizar a ditadura no Rio de Janeiro. Em 1938, estava diante dos juízes do Tribunal de Segurança.
‒ O senhor sabe por que está preso?
‒ Sei sim. Porque desobedeci a minha mãe.
‒ Não entendi.
‒ Muito simples, doutor juiz. Eu sempre gostei muito de café. Minha mãe reclamava: Meu filho, não tome tanto café que um dia você vai se dar mal. Eu desobedeci e continuei tomando café. No mês passado, estava com alguns amigos tomando um cafezinho na Galeria Cruzeiro, chegaram os homens da polícia e me levaram. Minha mãe tinha razão: eu ainda ia me dar mal por causa de café. E me dei.
O interrogatório foi encerrado.
(Do livro “Folclore Político”, de Sebastião Nery)

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