A Mentira disse à Verdade:
‒ Vamos tomar banho juntas, a água do poço está deliciosa.
A Verdade, cautelosa, mergulhou os pés e sentiu:
Sim, a água era boa. Despiu-se e entrou.
Ambas, nuas, mergulharam nas profundezas daquele poço calmo. Mas, de repente, a Mentira saiu correndo, vestiu as roupas da Verdade e desapareceu pelo mundo.
A Verdade, atônita e furiosa, emergiu para recuperar o que era seu. Mas quando pisou fora do poço, nua, o mundo a olhou com desprezo, raiva e horror.
Desviaram o olhar. Apontaram, julgaram, porque ninguém quer encarar a Verdade nua.
Envergonhada, rejeitada, a Verdade voltou ao poço e lá se escondeu para sempre.
Desde então, a Mentira caminha entre nós, vestida como a Verdade, e o mundo sorri satisfeito, porque a Verdade nua exige coragem demais para ser encarada.

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