Peba na Pimenta
João Vale e Zé Batista
Seu Malaquias preparou
cinco pebas na pimenta,
só do povo de Campinas,
Seu Malaquias convidou mais
de quarenta.
Entre todos os convidados
pra comer peba foi também Maria Benta.
Benta foi logo dizendo:
‒ Se ardê, não quero não.
Seu Malaquias então lhe disse:
‒ Pode comê sem susto,
pimentão não arde não.
Benta começou a comê,
a pimenta era da braba,
danou-se a ardê.
Ela chorava, se maldizia:
‒ Se eu soubesse, desse peba
não comia.
Ai, ai,
seu Malaquias!
Ai, ai,
você disse que não ardia.
Ai, ai,
tá ardendo pra daná.
Ai, ai, tá me dando uma agonia.
Ai, ai,
você disse que não ardia.
Depois houve arrasta-pé,
O forró tava esquentando,
o sanfoneiro, então, me disse:
‒ Tem gente aí que tá
dançando soluçando.
Procurei pra ver quem era,
pois era Benta
que inda estava reclamando.
Ai, ai, ai,
seu Malaquias.
Ai, ai,
você disse que não ardia.
Ai, ai,
que tá bom eu sei que tá.
Ai, ai,
mas tá fazendo uma arrelia.
*Peba é um tatu. A gente caça e pra comer com pimenta, pois fica mais delicioso.

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