quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

As palavras

 O porquê deste almanaque

Sempre gostei das palavras, da sua sonoridade, do sentido que elas contêm, das mensagens que elas transmitem e da importância que elas possuem. 

Menino, entendi o primeiro significado daquelas letras que, agrupadas, faziam “Ivo viu a uva”. Desenhar o som e fazer a letra “a”, foi a minha primeira obra de arte. Mais tarde, já alfabetizado, ler as reportagens da revista “O Cruzeiro”, texto de David Nasser e fotos de Jean Manzon. Devorar as “Cinelândias” que divulgavam os artistas americanos. Aprender a gostar de leituras um pouco mais “literárias” nas Seleções”. 

Adolescente, tomar conhecimento dos primeiros livros da Literatura Brasileira. Ler, encantado, “A Moreninha”, “O Moço Loiro”. “Iracema” (verdes mares bravios da minha terra natal , onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba), “O Ateneu”. Ler e reler para tentar descobrir o adultério de Capitu e não achar, no livro, onde o autor nos revelaria a verdade. Perceber, mais tarde, que o autor deixava para nós, no nosso preconceito pessoal, a verdade que cada um poderia enxergar... 

Li quase tudo de Artur Miller (Nexus, Sexus, Plexus) e notei que nas entrelinhas pequenas verdades estavam escondidas. Notei isto também em “Wherter”, de Goethe. De repente, num diálogo, numa descrição, o autor nos dava um pequeno conceito filosófico, e eu percebia que era aquilo que eu queria dizer em algumas circunstâncias da minha vida. 

Possuo uma pequena biblioteca, são centenas de livros dos mais variados assuntos. Gosto de ler biografias, livros relacionados a humor e de política em geral. Um dia, um amigo duvidou que eu tivesse lido aqueles livros todos. Confessei a ele que não havia lido uma vez aqueles livros... mas mais de uma vez. 

Li a Bíblia e parei. Parecia que havia um dedo apontado para mim. Em cada texto uma verdade, uma confrontação. Desisti, talvez, quem sabe, um dia... 

Em consultórios, lia revistas médicas. Funcionário público, com tempo ocioso, lia jornais todos os dias e toda espécies de revistas. Comecei a recortar e guardar textos, poemas, curiosidades, piadas, filosofias baratas. Enchi pastas, gavetas, sacolas de textos. Nunca tinha coragem de jogá-los fora. talvez um dia... 

E esse dia chegou, finalmente. 

Neste meu “almanaque” está quase tudo que eu guardei e divulguei pela internet. Se eu gostei, muitos dos meus amigos talvez também gostem. São muitas palavras, milhares de palavras que, em alguma fase da minha vida, deu-me uma alegria efêmera: Uma gargalhada, um riso, um sorriso, uma esperança... sei lá, mas me deu um imenso prazer ler palavras que diziam pequenas verdades a conta-gotas. 

Num livro, muitas vezes, a gente lê e marca uma página, uma frase, uma palavra que nos disse alguma coisa ou tocou a nossa sensibilidade. Num texto de jornal ou uma piada contada por um amigo numa roda informal, se alguém não a guardar e não transcrevê-la, ela se perde para sempre. 

Aqui estão as bobagens de que eu mais gostei. Espero que vocês gostem também. Ainda professor, em sala de aula, no início ou no final do turno, eu lia uma pequena passagem de um livro, um poema, uma curiosidade literária, e, às vezes, os alunos me perguntavam o nome do livro ou do autor, pois pela “palinha” já tinham gostado do livro. 

Este é um almanaque de “palinhas”. Quem sabe se por elas vocês não acabem lendo mais livros e se humanizando pela beleza e o conteúdo da leitura. Afinal, não é disso estamos precisando?

(Texto de Nilo da Silva Moraes)

2 comentários:

  1. Também gosto de bobagens e de "palinhas". Seu texto me transportou para minha meninice e adolescência, quando lia as venturas de Mandrake, do Super Homem , do Capitão Marvel e outros. Lia também A Revista do Rádio e a Cena Muda (É de seu tempo?). Aos 12 anos, por minha insistência, meu pai comprou-me as obras de Julio Verne e aos 16 caiu-me nas mãos um livro de Machado de Assis. Enfeitiçou-me. Nunca mais abri mão do Bruxo do Cosme Velho. Jamais parei de ler, "vicio" que carrego até hoje aos 87 anos bem vividos. Parabéns pelo Almanaque, onde encontro o prazer, nunca esquecido, de ler. Continue postando suas "bobagens" e suas "palinhas" para alegria de quem aprecia uma boa leitura. Obrigado. Abraço
    Deraldo Mancini 21.03.2025

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  2. Amigo Deraldo, é com imenso prazer que recebo o teu gentil comentário. Neste ano, 2025, em setembro, completo os meus 80 anos, quero ter o amigo como exemplo de cidadão que gosta de ler e tem prazer de viver. Parabéns pela vitalidade, meu amigo!

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