terça-feira, 31 de dezembro de 2024

Um pequeno texto poético

 

— Então, o que fazemos agora?

— Amor.

— Tens a certeza?

— Absoluta.

— Está bem, vou despir-me.

— Espere… por que tu estás tirando tua roupa?

— Bem… para fazer, né?

— Quem te disse que é preciso despir-se para fazer amor?

— Mas não é assim que funciona?

— Não, meu bem. Fazer amor não é só com o corpo. É muito mais profundo que isso.

— Então, como se faz?

— Mantenha tuas roupas. Vamos conversar. Falar até que nossas vozes se tornem ecos suaves. Vamos rir sem motivo, até que o riso se transforme em música. Vamos mergulhar no olhar um do outro, buscando pedaços de eternidade no silêncio. Vamos fazer amor com nossas almas, não apenas com nossos corpos.

— E depois?

— Depois, vamos nos observar como quem lê um livro raro. Sem pressa. Até que as palavras se tornem supérfluas e o silêncio diga mais do que qualquer frase. Nesse momento, talvez possamos nos tocar.

— Tocar? Como?

— Não com pressa, mas com a delicadeza de um carinho que flutua, que dança no ar antes de pousar, se dissolvendo na eternidade de um abraço.

— Isso soa tão… lindo.

— Dá-me tua mão.

— Aqui está.

— Sentes isso? Esse calor silencioso? Aqui está a verdadeira essência de fazer amor.

— E então?

— Vamos continuar. Conversar até que o dia se canse de nos ouvir. Deixa-me olhar para ti, observar o arco dos teus cílios, o contorno dos teus lábios. Se um beijo nascer, ele virá por si só, sem convite.

— E se as palavras acabarem?

— Então, nossas almas falarão. Vamos abrir nossos segredos até que não restem barreiras. Vamos contemplar-nos até que o prazer seja puro e absoluto.

— E se meus olhos se recusarem a fechar?

— Então ficarei aqui, olhando para ti a noite inteira.

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Esse texto não possui comprovação real do seu autor.

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