segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Histórias de paraquedistas VII

          

O senhor Casemiro Scepaniuk, foto acima, foi-me apresentado por um colega e amigo seu de longa data, o senhor Nêde Brum Neves, pois cursaram juntos a Escola de Educação Física do Exército. Não sabia que, por trás daquele gringo de Erechim, se escondia um dos mais famosos paraquedistas da Brigada Aeroterrestre.

Nos anos 1964 e 1965, quando lá estive, sempre antes de saltar, todos nós colocávamos o pino de segurança no gancho de ancoragem. Esse pino chamava-se “Chipanique” E para lembramos de o colocarmos no gancho, cantávamos uma canção, parodiando a letra de “Dominique”.

“Chipanique, nique, nique
no gancho vou colocar
quando do avião saltar.”

Mal sabia eu que “Chipanique” é a pronúncia do sobrenome de origem polonesa de Scepaniuk, a quem eu vim a conhecer 20 anos depois como Capitão reformado do Exército, em Porto Alegre.

Vamos a sua história.

(Nilo da Silva Moraes)

                                                     

Major Fagundes com o gancho que era colocado no cabo de ancoragem dentro do avião. Para que não abrise, por descuido, colocava-se nele o pino Chipanique (Scepaniuk).

Pino de segurança... Scepaniuk!

(Do livro “Ser Pára-quedista 
– 50 anos de Pára-quedismo militar no Brasil, 
do Cap Ly Adorno de Carvalho, pqdt 503.)


Casemiro Scepaniuk é um dos pioneiros, 44, e MS 44, formados nos EUA, cuja contribuição para o engrandecimento e destaque do paraquedismo, foi deveras notável. Além de ter sido instrutor da 1ª turma de paraquedistas formada no Brasil, foi também instrutor dos cursos de Cabos e Sargentos realizados no Núcleo de Formação e Treinamento de Paraquedistas.

Em 1954, quando nem se pensava no modismo da ecologia, Scepaniuk já havia plantado muitas árvores em nossos quartéis. Destaque para as mangueiras, hoje frondosas, no Centro de Instrução Paraquedista General Penha Brasil.

Um militar excepcional, sob todos os aspectos. Sempre atento a tudo, não se descuidando da segurança no salto de paraquedas.

Em 31 de junho de 1955, um soldado, aluno do Curso de Paraquedismo, tendo seu paraquedas desenganchado no meio de sua equipe de salto, foi levado a saltar sem saber o que ocorria. Não acionando o reserva, veio a falecer tragicamente. Essa tragédia consternou a todos nós paraquedistas.

Scepaniuk muito habilidoso e preocupado com a segurança dos paraquedistas, como já falamos antes, analisou detidamente o gancho da fita de abertura de um paraquedas T-10, após o que, sugeriu a colocação de um freno, que impediria a abertura fortuita do gancho.

Foi uma sugestão simples; difícil foi o Scepaniuk provar que o gancho de abertura do T-10 poderia abrir-se, acidentalmente, quando lançado no fundo do avião, pois ao chocar-se com o batente do cabo de ancoragem, o olhal do gancho poderia retrair-se, ocorrendo, assim a abertura não esperada do gancho. Isso ele provou na Área de Estágio lançando dentro do falso avião várias fitas de abertura centenas de vezes, até que, finalmente, aos olhos da comissão, um gancho abrira-se, soltando do cabo de ancoragem.

A sugestão simples, sugerida pelo Sargento Scepaniuk, era a colocação de um pequeno pedaço de arame, que assim foi feita. Fechado o gancho, fez-se um furo no seu corpo central, e introduzindo-se, nesse furo, um pino de arame que, em seguida, era dobrado para evitar sua saída do olhal. O pino, preso por um pequeno cadarço de nylon, seria cosido na fita de abertura do paraquedas.

Simples dispositivo, o grampo de segurança! Como as coisas simples, objetivas, práticas, eficientes e funcionais. Sugerido em 1955, perdura até hoje nos saltos de paraquedas, dando-lhes segurança máxima.

Paraquedistas, quando na hora do salto você receber os comandos: Prepara! Levantar!! Enganchar! À porta!, não esqueça de introduzir no gancho da fita de abertura de seu paraquedas, o pino de segurança, há muito, com todo mérito, chamado de “Chipanique”, ou melhor, “Scepaniuk”, hoje de uso por todas as tropas de todo o mundo.


Scepaniuk com o cão batizado com seu sobrenome*,
em dezembro de 2013.

*O nome do cão ficou só com a sonoridade do seu sobrenome: Xipanique.


Acima, em 1949*, o cão Piloto e o Sgt Scepaniuk,
na ZL de Gramacho

*O ano da foto está incorreto, ele foi feita, com certeza, nos anos 50...


Jazigo de Casemiro Scepaniuk* e Dona Ruth Scepaniuk,
no Cemitério da Santa Casa,
em Porto Alegre, RS

*Casemiro Scepaniuk: 28 de novembro de 1921 - 02 de fevereiro de 2016.






2 comentários:

  1. Sou Paraquedista e devo agradecer ao honrado "Chipanik" por ter pensado nesse simples mas, essencial dispositivo de segurança para a segurança de nossas vidas.
    Pqdt Portela.

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  2. Agradeço o comentário do amigo Soane Portela do Nascimento, Pqdt 43164 do 1986/2. São pequenos detalhes, como um pequeno pino, que fazem a nossa história. (Nilo da Silva Moraes)

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