domingo, 11 de setembro de 2016

“Meu reino por um cavalo!”



Rei Ricardo III

O rei Ricardo III estava se preparando para a maior batalha de sua vida! Um exército liderado por Henrique, Conde de Richmond, marchava contra o seu. A disputa determinaria o novo monarca da Inglaterra.

Na manhã da batalha, Ricardo mandou um cavalariço para verificar se seu cavalo preferido estava pronto.

‒ Ferrem-no logo – disse ao ferreiro. ‒ O rei quer seguir em sua montaria à frente dos soldados.

‒ Terás que esperar – respondeu o ferreiro. ‒ Há dias que estou ferrando todos os cavalos do exército real e agora preciso ir buscar mais ferraduras.

‒ Não posso esperar! ‒ gritou o cavalariço, impacientando-se. ‒ Os inimigos do rei estão avançando neste exato momento e precisamos ir ao seu encontro no campo. Fazes o que puderes agora com o material de que dispões.

O ferreiro, então, voltou todos os esforços para aquela empreitada. A partir de uma barra de ferro, providenciou quatro ferraduras. Malhou-as o quanto pôde até dar-lhes formas adequadas. Começou a pregá-las nas patas do cavalo. Mas, depois de colocar as três primeiras, descobriu que lhe faltavam alguns pregos para a quarta.

‒ Preciso de mais um ou dois pregos ‒ disse ele ‒ e vai levar tempo para confeccioná-los no malho.

‒ Eu disse que não posso esperar! ‒ falou, impacientemente, o cavalariço. ‒ Já se ouvem as trombetas! Não podes usar o material que tens?

‒ Posso colocar a ferradura, mas não ficará tão firme quanto as outras.

‒ Ela cairá? ‒ perguntou o cavalariço.

‒ Provavelmente não ‒ retrucou o ferreiro ‒ mas não posso garantir.

- Bem, usa os pregos que tens - gritou o cavalariço. - E andas logo, senão o Rei Ricardo se zangará com nós dois.

Os exércitos se confrontaram e Ricardo participava ativamente, no coração da batalha. Tocava a montaria, cruzando o campo de um lado para outro, instigando os homens e combatendo os inimigos. “Avante! Avante!”, bradava ele, incitando os soldados contra as linhas de Henrique.

Lá longe, na retaguarda do campo, avistou alguns de seus homens batendo em retirada. Se os outros os vissem, também iriam fugir da batalha. Então, Ricardo meteu as esporas na montaria e partiu a galope na direção da linha desfeita, conclamando os soldados de volta à luta.

Mal cobrira metade da distância quando o cavalo perdeu uma das ferraduras. O animal perdeu o equilíbrio, caiu, e Ricardo foi jogado ao chão.

Antes que o rei pudesse agarrar de novo as rédeas, o cavalo assustado levantou-se e saiu em disparada. Ricardo olhou em torno de si. Viu seus homens dando meia volta e fugindo, e os soldados de Henrique fechando o cerco ao redor. Brandiu a espada no ar e gritou:

- Um cavalo! Um cavalo! Meu reino por um cavalo!

Mas não havia nenhum por perto. Seu exército estava destroçado e os soldados ocupavam-se em salvar a própria pele. Logo depois, as tropas de Henrique dominavam Ricardo, encerrando a batalha.

E desde então as pessoas dizem:

Por falta de um prego, perdeu-se uma ferradura;
Por falta de uma ferradura, perdeu-se um cavalo;
Por falta de um cavalo, perdeu-se uma batalha;
Por falta de uma batalha, perdeu-se um reino;
E tudo isso por falta de um prego na ferradura!

Adaptado do original de James Baldwin


A Batalha de Boswoth
Arqueólogos liderados pelo britânico Glenn Foard acabam de tornar o cenário menos confuso ao finalmente identificar o local onde Ricardo tombou durante a batalha de Bosworth, evento que elevou a então relativamente obscura família galesa Tudor ao trono da Inglaterra e encerrou a chamada Guerra das Rosas em 22 de agosto de 1485.


Com a ajuda de detectores de metal, a equipe achou uma série de artefatos dos exércitos que participaram da batalha em Fen Lane, Leicestershire, entre eles 28 balas de canhão e pequenos javalis de prata que eram o emblema dos partidários de Ricardo III. O rei, morto em combate, mas imortalizado na peça homônima de Shakespeare, perdeu a vida nas mãos das forças de Henrique Tudor, futuro Henrique VII, pai de Henrique VIII e avô da poderosa Elizabeth I.


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