sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Zumbis


... e Zumbis

Texto de Luís Fernando Veríssimo


Li que faz sucesso um livro chamado “Orgulho, Preconceito... e Zumbis”, uma versão do romance “Orgulho e Preconceito”, da Jane Austen, com, aparentemente, alguns personagens a mais. Não sei se isto é o começo de uma tendência literária, paralela à nova moda dos vampiros, mas, se for, aqui estão algumas sugestões para outros títulos.

“Guerra e Paz... e Zumbis” - As tropas de Napoleão, invadindo a Rússia, são cercadas por estranhos seres com o olhar parado que riem quando são espetados por baionetas e enterram os soldados de ponta-cabeça na neve. O próprio Napoleão recebe a visita de zumbis na sua tenda e enlouquece, convencendo-se de que é outro Napoleão.

“Romeu, Julieta... e Zumbis” - Depois de se matarem, os namorados voltam como zumbis e começam a atormentar as suas famílias, passando temporadas ora na casa dos Montequios, ora na casa dos Capuletos, assustando os empregados, recusando-se a arrumar o seu quarto, etc.

“Dona Flor e Seus Dois Maridos... e Zumbis” - Dona Flor é obrigada a comprar uma cama maior.

“Os Três Mosqueteiros, Os Irmãos Karamazov, Os Sete Samurais, Os Maias... e Zumbis” - Um romance compilatório em que os diversos personagens se encontram e se desencontram, brigam e se amam em uma Lisboa imaginária, e em que os zumbis só entram para aumentar a confusão.

“Ulisses... e Zumbis” - Zumbis seguem um personagem em Dublin durante um único dia. No fim encurralam o personagem, pedem que ele diga para onde tudo aquilo está levando e ouvem a resposta: “O quê? Eu estou perdido desde a primeira linha!”.

“Dom Quixote de La Mancha... e Zumbis” - Dom Quixote convoca os zumbis para serem a sua guarda pessoal e o seguirem numa carga contra um rebanho de bois, que confundiu com guerreiros vikings. Os zumbis se entreolham, dão uma desculpa e se afastam, lentamente, comentando: “E dizem que nós é que somos estranhos...”.

“O Ser, o Nada... e Zumbis” - Um grupo de zumbis invade o café Les Deux Magots, cerca a mesa do Jean-Paul Sartre e propõe uma nova filosofia, baseada no não-ser ou no ser nada, que Sartre aprova e que toma conta de Paris durante 20 minutos.

“O Velho, o Mar, Moby Dick... e Zumbis” - Outra compilação. A história de um velho pescador, Santiago, que pega uma baleia cinzenta. Quando a baleia vê os zumbis, que nunca fica bem explicado porque estão no barco com o pescador, fica branca.


Texto publicado na Donna, de ZH, de 26 de setembro de 2010


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