domingo, 11 de setembro de 2016

Novos nomes do corpo humano




O que muda da cintura para cima...

De preferência, os novos nomes do corpo humano indicam o que o órgão faz e não apenas a sua forma. Aliás, muitos formatos estavam descritos de um jeito errado, assim como as funções. Veja alguns casos:

Zigoma: em grego, quer dizer “união de dois”. É o osso que liga as estruturas da face. Ex-malar (de “maçã” em latim). Muitos anatomistas antigos também eram botânicos e, por isso, comparavam as regiões do corpo com frutas, como no caso da “maçã do rosto”, onde fica esse osso.

Mandíbula: “que morde”, em latim. Osso do queixo onde os dentes inferiores se fixam. Era conhecido por maxilar inferior (derivado de “queixo”, em latim). Está certo que ele fica no queixo, mas, como a meta é dar nomes indicando a função, o comitê preferiu o termo mandíbula.

Artéria torácica: na origem latina, “vaso da região intermediária do corpo” É uma artéria que irriga vários órgãos do tórax, não só as mamas, como o ex-nome, mamária interna, dava a entender. Agora as cirurgias de ponte mamária no coração serão de ponte torácica.

Sistema digestório: na origem latina, “que transforma os alimentos”. É o conjunto dos órgãos responsáveis pela digestão. Ex-aparelho digestivo (“que facilita a digestão”). O final da palavra muda o sentido e, claro, o estômago e seus parceiros são mais do que meros facilitadores. Sistema, grupo de órgãos com tarefas parecidas, ficou no lugar de aparelho, que é a união de dois ou mais sistemas.

Hipófise: de origem grega, significa “embaixo da região onde o cérebro é maior”. É uma glândula comandante, que governa várias glândulas do corpo. Também podia ser chamada de pituitária (relativo à mucosa das narinas, em latim), porque até o século XVII achava-se que ela produzia o muco nasal. O conhecimento avançou, mas o antigo nome persistiu até agora.

Tonsila: do latim, quer dizer “massa arredondada de tecido”. É o aglomerado de células de defesa na garganta. Ex-amígdala (“aquilo com forma de amêndoa”, para os gregos). A mudança diferencia a estrutura da garganta de outra amígdala, que é parte do cérebro.

Proeminência laríngea: a primeira palavra vem do latim e significa “saliência”. É a região onde a laringe se alarga. Antigo pomo-de-adão (pomu, em latim, é fruta carnosa) por causa do mito de que a maçã do pecado original teria ficado presa na garganta de Adão e seus descendentes. O nome muda para evitar discriminação. Afinal, as mulheres também têm essa saliência, embora menor.

Cúbito: cubitu: em latim, é o osso da articulação entre o braço e o antebraço. Ex-cotovelo (medida usada pelos romanos, equivalente a três palmos), pois a articulação fica, mais ou menos, a essa distância da ponta dos dedos.

Ulna: braço, em latim. Na verdade é um dos ossos do antebraço. Ex-cúbito, palavra mais apropriada para o velho cotovelo, a articulação do braço.


E o que muda da cintura para baixo...

Nenhuma parte do corpo levará o nome de seu descobridor. A mania só complicava, pois nem a função nem a forma do órgão ficavam evidentes. E ainda havia casos nos quais a fama ficou para outros e não para o verdadeiro autor da descoberta. Tela subcutânea: do latim, quer dizer “trama de fios diferentes sob a pele”. Na realidade, é uma trama de tecidos diferentes. Por isso ficou no lugar de hipoderme (do grego, simplesmente “sob a pele”). Esse termo não passava a idéia de que ali existe uma mistura de tecidos diferentes.

Complexo golgiense: É a única exceção. Trata-se de uma organela dentro das células, que sempre foi conhecida por complexo de Golgi, localizada pelo fisiologista italiano Camillo Golgi (1843-1926). Os anatomistas tinham que arrancar o nome próprio. E como queriam manter a homenagem ao médico que ganhou o Prêmio Nobel em 1906, a saída foi inventar um adjetivo.

Patela: disco chato, em latim. É a articulação na altura dos joelhos. Ex-rótula (rodinha, na mesma língua). Para o comitê encarregado das mudanças, o osso estava mais para disco chato do que para rodinha.

Nódulos linfáticos: nodulu, em latim, significa nó pequeno. Aglomerado de células defensoras. Antes também eram chamadas de gânglios linfáticos (gágglion, em grego, é uma estrutura pequena). A troca é para evitar confusão. Agora todo gânglio é do sistema nervoso. E os nódulos ficam para o sistema de defesa.

Fíbula: o alfinete que fechava a toga dos romanos. O osso da perna que era perônio (do diminutivo de peroné, em francês, peça que prende as cordas do violino). Fíbula venceu porque sua função é ligar as extremidades do osso tíbia do mesmo modo como o alfinete ligava as pontas da toga.

Tendão calcâneo: tendão, de origem latina, quer dizer “o que se estende”. É o tecido fibroso no final da musculatura da perna que fica preso ao osso do calcanhar, o calcâneo. Seu nome anterior, tendão de Aquiles, apelava para o mito grego de Aquiles, herói cujo ponto fraco era bem ali.




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