sábado, 29 de março de 2014

Mocidade!




Que idade florida e bela
A dos vinte anos! Não é?
Ornada, embora singela,
De crenças, d´eperança e fé;
Em que dorme a austera e fria
Luz da prosaica razão;
Em que ostenta soberania
Infinita o coração!

Em que o mancebo tem sonhos
De fabulosa extensão,
Altivos, nobres, risonhos...
Que bem-fadada ilusão!

Dos vinte anos a magia
Quem pôde roubar-ma assim?
Que é dos olhos com que eu via
Em cada cerro um jardim?
Em cada gruta encantada,
Linda moira enamorada
Com tesouros para mim?
Em cada fonte uma fada,
Em cada casa um festim?
Em cada peito um abrigo,
Um céu em todo o viver,
Um irmão em cada amigo,
Um anjo em cada mulher,
Alta sina em cada estrela,
E em tudo nobreza e fé?
Que idade florida e bela
A dos vinte anos! Não é?


(Tomás Ribeiro, poeta português, em “D. Jaime”, 1862)



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