domingo, 30 de março de 2014

Proclamação de Independência da República Rio-grandense


Bravos companheiros da 1° Brigada de Cavalaria.


Ontem obtiveste a mais completa vitória sobre os escravos da Corte do Rio de Janeiro, a qual, invejosa das vantagens locais da Província, faz derramar sem piedade o sangue dos nossos compatriotas para, deste modo, fazê-la presa de suas vistas ambiciosas. Miseráveis! Todas as vezes que seus vis satélites se têm apresentado diante das forças livres, têm sucumbido, sem que este fatal desengano os faça desistir de seus planos infernais. São sem número as injustiças feitas pelo governo: seu despotismo é o mais atroz. E sofremos calados tanta infâmia? Não! Nossos compatriotas, os rio-grandenses, estão dispostos como nós a não sofrer por mais tempo a prepotência de um governo tirano, arbitrário e cruel como o atual. Em todos os ângulos da Província não soa outro eco que Independência, Liberdade ou Morte! Este eco majestoso que tão constantemente repetis, como uma parte deste solo de homens livres, me faz declarar que proclamamos nossa independência provincial, para o que nos dão bastante direito nossos trabalhos pela liberdade e triunfo que ontem obtivestes sobre estes miseráveis escravos do poder absoluto!

Camaradas! Nós que compomos a 1° Brigada do Exército Liberal devemos ser os primeiros a proclamar, como proclamamos, a independência desta Província, a qual fica desligada das demais do Império e forma um Estado livre e independente, com o título de República Rio-grandense, e cujo manifesto às nações civilizadas se fará completamente.

Camaradas! Gritemos pela primeira vez: viva a República Rio-grandense! 

Viva a independência! 

Viva o Exército Republicano Rio-grandense!


Campo dos Menezes, 11 de setembro de 1836.

Antônio de Souza Neto



Comandante da 1° Brigada de Cavalaria



(Extraído do livro “Os Varões Assinalados”, 
de Tabajara Ruas. Editora L&PM)


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