segunda-feira, 31 de março de 2014

Queixar-se ao Bispo

               

A expressão nasceu no Rio de Janeiro em meados do século 19. Na época, os comerciários cariocas faziam vigorosa campanha exigindo que todas as lojas da cidade ficassem fechadas aos domingos. Como na época a religião católica era oficial, eles teriam o dever de guardar o dia do Senhor, nada de trabalho. Promoveram manifestações públicas, passeatas, ameaçaram greve, mas os patrões se mantinham intransigentes.

Como último recurso, publicaram nos jornais um apelo ao próprio bispo do Rio de Janeiro pedindo que ele usasse de sua influência para a criação de uma lei que lhes permitisse cumprir seus deveres de bons católicos. A lei nunca veio e eles acabaram desistindo.

Restou o sentido da inutilidade da expressão. Até hoje, quem quer livrar-se de um importuno, manda-o queixar-se ao bispo.


(O Berço da Palavra – coluna de Márcio Cotrim em “O Sul”)


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