−
Senhor fiscal, verifique que esse homem anda viajando com bilhete de terceira
classe.
Este
explicou:
−
Ora é porque se viu uma ponta do bilhete fora da algibeira e eu reparei que era
da mesma cor que o meu.
*****
Uma
senhora de idade assistia a uma conferência sobre Fisiologia. No final do seu
discurso, o conferencista convidou os assistentes a fazerem-lhe as perguntas
que quisessem. A senhora levantou-se:
−
Era obséquio informar-me, disse ela, − se a parte do cérebro a que chamam
“cerebelo” fica dentro ou fora da cabeça.
*****
−
Ó papai, se eu tirar cinco tostões da algibeira de um sujeito, é roubo?
−Está
claro que é.
−
E seu ganhar cinco tostões numa aposta, é jogatina?
−
De certo
−
Ma se eu impingir a alguém por 550 uma coisa que vale cinco tostões?
−
Ah! Isso então é outra coisa, isso é negócio!
*****
Resultado imprevisto
Um
fidalgo, ricaço, resolveu oferecer um lauto jantar aos seus amigos.
Fez
os seus convites e meteu-se no seu automóvel para ir distribuir. Mas já dentro
do carro, reparou que lhe tinham esquecido os convites.
− Manuel! Vai ao meu
escritório e traze-me o maço de cartas que me ficaram sobre a mesa onde eu
costumo fazer as paciências.
Segue o automóvel e o fidalgo
ia indicando ao criado:
−
Aqui, o senhor Visconde de tal; ali, no número 50, o senhor conselheiro de tal;
etc.
Quando
chegou a certa altura perguntou:
−
Manuel, faltam muitas cartas ainda?
−
Não, meu senhor. Falta só o duque de espadas e o valete de copas!...
*****
Lógica
O
médico: − Essas dores nos músculos da perna esquerda, senhor Anacleto, são
devidos à idade avançada que você já vai tendo, sabe?
O
Anacleto: − Sim, senhor doutor? Mas então minha perna direita tem a mesma idade
e ela não me dói!
*****
Vingança cruel
Estavam
muito apaixonados, mas por fim chegou um dia em que tiveram uma grande questão
e se separaram, cada um deles resolvido e nunca mais ver o outro, enquanto
vivessem.
Passaram
anos, e quase se tinham esquecido por completo dessa pequena intriga amorosa,
quando uma noite se encontraram, cara a cara, num baile.
Ele
ficou um tanto embaraçado, mas, todavia, dirigiu-se para ela precipitadamente e
disse, com uma certa afabilidade:
− Estimo
muito vê-la, Elisa.
Ela
olhou-o com indiferença e respondeu friamente:
− Tem
graça! Seria você ou seu irmão que foi dantes um grande admirador meu? Já me
não lembro.
Ele
sentiu-se melindrado, mas manteve-se à altura da situação.
−
Efetivamente, também me não recordo − retorquiu com um sorriso de ironia − mas
é mais natural que tenha sido meu pai.
*****
O caminho a seguir
O
advogado: − Diga-me então lá quais palavras de que o réu se servia no libelo de
que o senhor se queixa.
O
queixoso: − Disse que me desafiava a encontrar um maior ladrão e mentiroso do
que eu era.
O
advogado: − E o que foi que o senhor respondeu?
O
queixoso: − Disse-lhe que vinha ter com o meu advogado.
*****
Ela por ela
O
criado de escritório: − O patrão disse-me que lhe dissesse que ele não estava.
O
visitante: − Ah! Sim? Pois pode dizer ao seu patrão que eu não vim cá.
*****
Tudo menos marido
A
Brígida, a empregada da casa, dirigiu-se à patroa.
−
Eu vinha pedir à senhora se me dava uma semana de licença − disse ela − porque
me queria casar.
A
Brígida tinha sido sempre boa rapariga, por isso a patroa deu-lhe a semana de
licença, e ainda mais um vestido branco, uma mantilha e um pudim.
No
fim de semana, A Brígida voltou.
−Ah!
Minha senhora − exclamou ela. Isso é que eu estava uma noiva bonita! O vestido
ficava-me muito bem, a mantilha era um encanto, e o pudim estava esplêndido.
−
ainda bem, Brígida, gosto de saber que tudo correu bem − disse-lhe a patroa − e
espero que tenha alcançado um bom marido.
A
Brígida mudou logo para um tom indignado.
− Ah!
Minha senhora, não queira saber o que me aconteceu? O grande malvado nunca
chegou a aparecer!
Segurança primeiro que tudo
O eletricista estava
embaraçado.
− Olha lá! −disse ele para o
ajudante, − ponha aqui a sua mão num desses fios.
O ajudante assim fez
− Sente alguma coisa?
− Não senhor.
−
Ainda bem, −disse o eletricista − eu não tinha certeza qual deles era. Não
toque no outro que lhe dá morte instantânea.
(Textos dos Almanaques Bertrand, de 1925 e 1930)