sexta-feira, 28 de março de 2014

Da sociedade dos poetas mortos


Walt Whitman


Não deixes que o dia acabe sem ter crescido um pouco;
sem ter sido feliz, sem ter aumentado teus sonhos.
Não te deixes vencer pelo desalento.
Não permitas que alguém tire teu direito de te expressar,
o que é quase um dever.
Não abandones o anseio de fazer de tua vida algo extraordinário.
Não deixes de acreditar que as palavras e as poesias
sim podem mudar o mundo.
Aconteça o que aconteça, nossa existência está intacta.
Somos seres cheios de paixão.
A vida é deserto e oásis.
Derruba-nos, machuca-nos, ensina-nos,
converte-nos em protagonistas de nossa própria história.
Ainda que o vento sopre contra, a poderosa obra continua:
Tu podes acrescentar uma estrofe.
Nunca deixes de sonhar,
porque em sonhos livre é o homem.
Não caias no pior dos erros:
O silêncio. A maioria vive num silêncio espantoso.
Não te resignes.
Foge.
“Emito meus alaridos pelos tetos deste mundo”,
diz o poeta.
Valora a beleza das coisas simples.
Pode se fazer bela poesia sobre pequenas coisas,
mas não podemos remar contra nós mesmos.
Isso converte a vida num inferno.
Desfruta do pânico que te provoca ter a vida pela frente.
Vive-a intensamente, sem mediocridade.
Pensa que em ti está o futuro
e encara a tarefa com orgulho e sem medo.
Aprende daqueles que possam te ensinar.
As experiências de quem nos precederam,
De nossos “poetas mortos”,
ajudam-te a caminhar pela vida.
A sociedade de hoje somos nós,
os “poetas vivos”.
Não permitas que a vida passe por ti
sem que a vivas...



Walt Whitman (Huntington, 31 de maio de 1819 – Camden, 26 de março de 1892) foi um poeta, ensaísta e jornalista norte-americano, considerado por muitos como o "pai do verso livre". Paulo Leminski o considerava o grande poeta da Revolução americana, como Maiakovsky seria o grande poeta da Revolução russa.




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