A vida não te tira as coisas; ela te liberta delas. Tudo o que se vai, não é perda, mas alívio, para que possas voar mais alto e alcançar a plenitude.
Do berço ao túmulo, vivemos em uma escola. O que chamamos de problemas, na verdade, são lições disfarçadas.
Você não perdeu ninguém. Aqueles que partiram apenas se adiantaram, porque todos seguiremos para o mesmo destino. E o mais precioso deles, o amor, permanece vivo em teu coração.
Não existe morte, apenas transformação. E, do outro lado, te esperam almas grandiosas: Gandhi, Michelangelo, Madre Teresa, teu avô, minha mãe. Pessoas que acreditavam que a simplicidade aproxima do essencial, enquanto o excesso nos distrai e nos distancia do verdadeiro amor.
Há tanto para se celebrar nesta breve passagem pela Terra! A neve do inverno, as flores da primavera, o sabor do chocolate, do vinho, do pão quente. As obras imortais: As Mil e Uma Noites, Dom Quixote, Pedro Páramo. A música de Mozart e Beethoven, as cores de Caravaggio e Picasso.
E, mesmo diante das adversidades, há sempre dois caminhos, ambos bons: se fores vencido por uma doença, serás liberto do peso do corpo, essa máquina frágil e exigente. Se a venceres, serás mais humilde, mais grato, mais vivo.
Você não está deprimido; está desocupado. Ocupe-se com o bem. Ajude uma criança, um idoso, plante uma árvore, ame sem medida. O serviço é a felicidade mais certa. Ame tanto que te tornes o próprio Amor.
E lembra-te: o bem é maioria, mas é silencioso. Uma bomba faz barulho, mas milhões de carícias alimentam a vida todos os dias.
Quando a vida te trouxer mil razões para chorar, mostra a ela que tens mil e uma razões para sorrir.
Vale a pena, não é?
(Sobre literatura?)
* Rodolfo Henrique Cabral (Facundo Cabral), La Plata, Argentina, 22 de maio de 1937 – Assassinato na Cidade da Guatemala, Guatemala em 9 de julho de 2011) foi um compositor, cantor e escritor argentino.
Facundo Cabral
La Plata (Argentina), 1937 – Cidade da Guatemala (Guatemala), 2011
Por Fernanda Gdynia Morotti
Cantor e poeta, que se tornou um ícone da música argentina.
Nascido Rodolfo Enrique Cabral, aos nove anos fugiu de casa com um plano: encontrar o presidente Juan Domingo Perón e pedir um emprego para si próprio e para a mãe, pois viviam em situação de extrema pobreza. Dormiu na rua por dias até chegar à Casa Rosada, a sede do governo em Buenos Aires. Aproveitando um evento público com a presença de Perón, conseguiu furar o cerco da segurança e ser ouvido pelo presidente. O inusitado pedido resultou em emprego para a mãe de Facundo e para seu irmão mais velho. Aos catorze anos, sem estudo, alcoólatra, vivendo na marginalidade, foi levado para um reformatório. Ali permaneceu sob a proteção de um sacerdote jesuíta, que o ensinou a ler e a escrever, e que lhe apresentou a literatura mundial, a filosofia e a religião.
Ao sair do reformatório, iniciou a carreira artística, tocando violão, cantando músicas folclóricas e compondo. Seu primeiro nome artístico foi El Índio Gasparino, que logo trocou por Facundo Cabral.
Durante a ditadura, foi perseguido por ser considerado “cantor de protesto” e exilou-se no México. Fez inúmeros shows pela América espanhola e quando retornou à Argentina, em 1984, era um artista consagrado. Suas apresentações combinavam música, humor e poesia. Pacifista e livre pensador, pregava a tolerância social. Em 2006, foi nomeado Mensageiro Mundial da Paz pela Unesco e, em 2008, indicado ao Nobel da Paz.
Em julho de 2011, depois de fazer um show na Cidade da Guatemala, Facundo aceitou uma carona de Henry Fariñas, empresário local, até o aeroporto. No trajeto, o carro em que estavam foi emboscado e alvejado por 25 tiros. Três deles mataram o cantor. Ele tinha 74 anos. O atentado teria sido encomendado por desafetos do empresário ligados ao narcotráfico.

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