História verídica.
Quando eu jogava bola, eu me movimentava por todo o campo com muita facilidade, tanto pelo meio quanto pelas pontas. Deslocava-me por todos os lados, estava sempre no lugar certo, tinha uma tremenda visão de jogo, estava sempre desmarcado, e na cara do goleiro. Jogava de cabeça erguida, enxergava quem estava se deslocando no espaço vazio e quem queria receber a bola, reclamava do juiz, cobrava empenho dos companheiros. Olhava com cara feia para quem vaiasse os jogadores. Tinha um enorme espírito de equipe. O meu uniforme estava sempre limpinho. Mas, de tanto correr em campo, assim que terminava o jogo, eu estava sempre muito suado e terrivelmente cansado.
No vestiário, desabava de tão exausto que estava. Era sempre o primeiro a pedir massagem e água. Porra, eu corria pra caramba!
Com tantas qualidades, eu só tinha em campo um único defeito: me atrapalhava todo quando pegava na bola. Se não fosse a bola, hoje eu seria um craque. Creio até que muito melhor que o Ronaldinho Gaúcho.
Maldita bola! Quem foi o safado que inventou essa merda? E ainda mais redonda!
Se pelo menos ela fosse quadrada...
P.S. Parei de jogar por problemas nas pernas. Um médico falou que eu tinha “Wooden Leg”. Como não sei inglês, não fiquei sabendo o que eu tinha realmente. O gozado é que ele não me receitou nenhum remédio, ele mandou que eu apenas passasse Jimo Cupim nas pernas que, talvez, eu melhorasse em um pouco.
(A bola, essa ingrata!)
De um quase craque.


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