sábado, 20 de junho de 2026

A cigarra

 

A cigarra não come suas plantas. 

Ela canta porque só tem cinco semanas para viver. 

Deixa ela cantar. 

Passou de dois a cinco anos embaixo da terra se alimentando de raízes, mudou de casca quatro vezes, subiu à superfície, se agarrou ao primeiro tronco que encontrou e rompeu seu exoesqueleto. O que você escuta nesses meses é tudo o que verá dela acima da terra. 

Só os machos cantam e cantam para chamar parceira. Cinco semanas para encontrar fêmea, acasalar e morrer. As fêmeas depositam ovos em ranhuras finas de galhos jovens ‒ a árvore fecha a ferida sem problema. 

Não são praga. 

Enquanto isso, as cigarras alimentam sabiás, bem-te-vis e lagartixas. 

Seus túneis de ninfa oxigenam o solo. 

Se você encontrar uma presa numa janela, numa piscina ou no chão do quintal, segure-a com cuidado pelas laterais das asas e coloque-a num galho na meia-sombra. 

Só isso é o que ela precisa.

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