terça-feira, 11 de novembro de 2014

Incrível! Fantástico! Extraordinário!




Jô Soares por Baptistão

Þ A famosa Torre de Pisa, em Pisa, na realidade é absolutamente reta. A cidade é que é inclinada.

Þ Em 1921, o inglês Allison Thorolby morava na Nova Zelândia. Hoje, mais de noventa anos depois, Allison mora na Velha Zelândia.

Þ O lugar onde nascem mais irmãos siameses no mundo fica no Sião. O segundo, o terceiro e o quarto lugar também ficam naquele país.

Þ Juriti da Silva, juiz de futebol profissional há mais de quarenta anos, nunca foi insultado ou xingado pelos torcedores ou pelos jogadores em toda a sua vida. Até hoje, Juriti não apitou nenhuma partida.

Þ O jóquei que mais perdeu corridas no mundo foi o boliviano Ramon Cuencas. Ramon morreu devido ao descarrilamento de um trem e seu corpo foi o último a ser localizado. Sua mulher comentou: “Coitado do Ramon, nem depois de morto conseguiu chegar em primeiro.”

Þ A cantora lírica Maria Ballas Teobaldi jurou que nunca se apresentará no Scala de Milão ou no Metropolitan de Nova York enquanto não a convidarem para lá cantar.

Þ Lars Gneden, cidadão sueco, ganhou o prêmio de maior vendedor do mundo. Lars enriqueceu vendendo guarda-chuvas no Nordeste.

Þ A maior profundidade marítima registrada até agora fica exatamente no fundo do mar.

Þ Aldely Manuela fez 13 pontos na Loteria Esportiva e não ganhou nem um tostão. Aldely fazia 1 ponto por semana.

Þ O jardineiro holandês Friuff Van Vanem inventou um processo que transforma orquídeas em margaridas. Esse processo, além de despertar a inveja dos outros floristas, levou sua floricultura à falência.

Þ Num trecho da estrada Rio-Salvador foi encontrado, num posto de gasolina, um banheiro de “Cavalheiros” absolutamente limpo. O fenômeno vem atraindo curiosos e pesquisadores e as autoridades locais já pensam em transformar o referido local em museu.

Þ A verdadeira Torre Eiffel não fica mais em Paris. O monumento que é visitado por milhares de
turistas anualmente na França é uma cópia. A original foi roubada sub-repticiamente, por um anão,
numa noite de primavera em 1945, logo depois da guerra.


A Parábola e a Verdade

Judaísmo


Uma vez, os discípulos de um rabino, famoso por sua erudição e finura, perguntara-lhe por que costumava esclarecer a verdade contando uma história.

− Isto eu posso explicar melhor – disse ele – contando uma história – uma parábola sobre a própria Parábola:

“Um dia, a Verdade andava visitando os homens, sem roupas e sem adornos, tão nua como seu nome. E todos que a viam viravam-lhe as costas, de medo ou de vergonha, e ninguém lhe dava as boas vindas.

Assim, a Verdade percorria os confins da Terra, rejeitada e desprezada.

Uma tarde, muito desconsolada e triste, encontrou a Parábola, que passeava alegremente, num traje belo e muito colorido.

− Verdade, por que estás tão abatida? – perguntou a Parábola.

− Porque sou tão velha e feia que os homens me evitam – replicou a Verdade.

− Que disparate – riu a Parábola. – Não é por isso que os homens te evitam. Toma, veste algumas das minhas roupas e vê o que acontece.

Então, a Verdade pôs algumas das lindas vestes da Parábola e, de repente, por toda parte onde passava, era bem-vinda.”

O rabino sorriu:

− Pois a verdade é que os homens não gostam de encarar a Verdade nua; eles a preferem disfarçada.


A Polêmica Noel Rosa X Wilson Batista



A polêmica musical entre Noel Rosa e Wilson Batista começou quando Wilson Batista lançou a música “Lenço no Pescoço”. Tal música gerou réplica por parte de Noel Rosa, tréplica de Wilson Batista e assim por diante, ofertando à MPB vários sambas geniais.

Lenço no Pescoço

(Wilson Batista)

Meu chapéu do lado,
tamanco arrastando,
lenço no pescoço,
navalha no bolso
eu passo gingando
provoco e desafio,
eu tenho orgulho
em ser tão vadio.
Sei que eles falam
deste meu proceder.
Eu vejo quem trabalha
andar no miserê.
Eu sou vadio
porque tive inclinação,
eu me lembro, era criança,
tirava samba-canção.
Comigo não
Eu quero ver quem tem razão.
E eles cantam
(Breque)
e você canta
e eu não dou.

Rapaz Folgado

(Noel Rosa)

Deixa de arrastar o teu tamanco,
pois tamanco nunca foi sandália,
e tira do pescoço o lenço branco
compra sapato e gravata,
joga fora essa navalha
que te atrapalha.
Com chapéu do lado deste rata,
da polícia quero que escapes
fazendo samba-canção
já te dei papel e lápis,
arranja um amor e um violão.
Malandro é palavra derrotista
que só serve pra tirar
todo o valor do sambista.
Proponho ao povo civilizado
não te chamar de malandro
e sim de rapaz folgado.

Mocinho da Vila

(Wilson Batista)

Você que é mocinho da Vila,
fala muito em violão,
barracão e outras coisas mais,
Se não quiser perder o nome,
cuide do seu microfone,
e deixe quem é malandro em paz.
Injusto é seu comentário,
fala de malandro que é otário,2
mas falando não se faz.
Eu de lenço no pescoço,
desacato e também tenho o meu cartaz.

Feitiço da Vila

(Noel Rosa)

Quem nasce lá na Vila
nem sequer vacila
ao abraçar o samba,
que faz dançar os galhos
do arvoredo
e faz a lua nascer mais cedo.
Lá em Vila Isabel
quem é bacharel
não tem medo de bamba.
São Paulo dá café,
Minas dá leite
e a Vila Isabel dá samba.
A Vila tem
um feitiço sem farofa,
sem vela e sem vintém
que nos faz bem.
Tendo nome de princesa,
transformou o samba
num feitiço decente
que prende a gente.
O sol na Vila é triste,
samba não assiste,
porque a gente implora.
Sol, pelo amor de Deus,
Não venha agora
que as morenas vão logo embora.
Eu sei tudo que faço,
sei por onde passo
paixão não me aniquila.
Mas, tenho que dizer,
modéstia à parte, meus senhores,
eu sou da Vila!

* Novos versos

 (para o rádio)

Quem nasce pra sambar,
chora pra mamar
em ritmo de samba.
Eu já saí de casa olhando a lua
E até hoje estou na rua.
A zona mais tranqüila
é a nossa Vila,
o berço dos folgados.
Não há cadeado no portão,
pois lá na Vila não há ladrão!

Conversa Fiada

(Wilson Batista)

É conversa fiada
dizerem que o samba
na Vila tem feitiço.
Eu fui ver para crer
e não vi nada disso.
A Vila é tranqüila,
porém eu vos digo: cuidado!
Antes de irem dormir
dêem duas voltas no cadeado.
Eu fui na Vila ver o arvoredo se mexer
e conhecer o berço dos folgados,
a lua nessa noite demorou tanto
me assassinaram um samba
veio daí o meu pranto.

Palpite Infeliz

(Noel Rosa)

Quem é você que não sabe o que diz?
Meu Deus do céu, que palpite infeliz!
Salve Estácio, Salgueiro, Mangueira,
Oswaldo Cruz e Matriz,
que sempre souberam muito bem
que a Vila não quer abafar ninguém,
só quer mostrar que faz samba também.
Fazer poemas lá na Vila é um brinquedo,
ao som do samba dança até o arvoredo.
Eu já chamei você pra ver,
você não viu porque não quis
quem é você que não sabe o que diz?
A Vila é uma cidade independente
que tira samba mas não quer tirar patente.
Pra que ligar a quem não sabe
onde tem o seu nariz?
Quem é você que não sabe o que diz?

Frankenstein da Vila

(Wilson Batista)

Boa impressão nunca se tem
quando se encontra um certo alguém
que até parece o Frankenstein.
Mas, como diz o rifão,
por uma cara feia
perde-se um bom coração.
Entre os feios estás na primeira fila,
eu te batizo “Fantasma da Vila”.
Essa indireta é contigo
e depois não vás dizer
que eu não sei o que digo
(sou teu amigo).

Terra de cego

(Wilson Batista – 1ª versão)

Perde a mania de bamba
todos sabem qual é
o teu diploma no samba.
És o abafa da Vila, eu bem sei,
mas na terra de cego
quem tem um olho é rei.
Pra não terminar a discussão
não deves apelar
para um barulho à mão.
Em versos podes bem desabafar,
pois não fica bonito
um bacharel brigar.

Noel achou a melodia da música acima interessante e, para terminar a polêmica, Noel faz nova letra para “Terra de cego”.

Terra de cego

(Noel Rosa e Wilson Batista – 2ª versão)

(Para Ceci que foi amante dos dois)

Deixa de ser convencida
todos sabem qual é
teu velho modo de vida.
És uma perfeita artista, eu bem sei,
também fui do trapézio
até saldo mortal no arame eu já dei
(muita medalha eu ganhei!)
E no picadeiro desta vida
serei o domador,
serás a fera abatida.
Conheço muito bem acrobacia
por isso não faço fé
em amor de parceria.

Dos livros:

“Noel Rosa - uma biografia”, de João Máximo e Carlos Didier,
“Wilson Batista e sua época”, de Bruno Ferreira Gomes,
“Wilson Batista”, de Luís Pimentel e Fernando Vieira.

CD:

Obs.: Existe um CD chamado Polêmica de um disco de 10 polegadas da Odeon, cantados por Roberto Paiva (músicas de Wilson Batista) e Francisco Egídio (músicas de Noel Rosa), vendido na Livraria Saraiva, das principais capitais brasileiras.


Acima, Wilson batista e Noel Rosa; abaixo, A capa do LP e do CD





Ouvido de Músicos



Em 1956/57 o conjunto Os Gaudérios era um dos grandes sucessos da Rádio Farroupilha, inovando na música regionalista, com arranjos belíssimos e usando instrumentos até então alijados daquele segmento musical. Jarbas, vocalista e violonista; Moraes Filho, vocalista; Fernando Miranda - o Neneco -, acordeonista e o maestro José Gomes, arranjador e violonista, traziam em cada apresentação maior brilho às raízes musicais dos gaúchos.

O conjunto explodiu em sucesso não só no Rio Grande do Sul, mas em todo o Brasil e, até, na Argentina e Uruguai. E isto significava viagens. Viagens que Neneco, com seu pânico em viajar de avião, detestava.

Frequentemente ele fugia do voo, trocando uma passagem aérea por uma de ônibus. Mas o problema ficou incontornável quando Os Gaudérios teve uma apresentação em Paris.

Sobrevoar o Atlântico durante quase 24 horas, dentro de um Super G Constellation, era demais para Neneco. Tentou todos os argumentos, oferecendo substitutos e, até, ameaçando adoecer. Mas não houve como escapar. Doses maciças de calmantes, acompanhadas de uísque, trouxeram a coragem necessária para subir a bordo. Neneco sentou junto à janela, a lado dos motores. Suando frio, não desviava os olhos arregalados das hélices que começavam a girar. Durante o taxiamento na pista e a decolagem ele não ousava se mexer, como se um movimento seu pudesse desequilibrar o avião.

Quando o enorme Constellation ganhou altura e estabilizou o voo, Neneco levantou e chamou aos gritos:

- Aeromoça! Aeromoça! Venha urgente! Agora!

José Gomes, a seu lado, tentava, inutilmente, acalmá-lo:

- Calma, Neneco. Está tudo bem.

- Tudo bem, uma ova! Aeromoooçaaa!

Os passageiros, já meio alvoroçados, apressaram a chegada da comissária de bordo.

- Pois não, cavalheiro. Algum problema?

- Problemão! O que está acontecendo com estes dois motores? - falou apontando pela janela.

Uma olhadela e a resposta tranquila:

- Nada, senhor. Os motores estão normais.

- Normais, coisa nenhuma! Estou cuidando desde a decolagem. Estes motores estavam, em Si bemol e agora estão em Ré maior! Por que mudaram?

* * * * *


Músico da Rádio Farroupilha, Arthur Elzner, foi atropelado por um carro à noite, quando se dirigia para o restaurante Treviso, atravessando a Avenida Borges de Medeiros, entre a Prefeitura e o Mercado Público.

O acidente não foi grave, mas ele caiu junto ao meio-fio. O carro fugiu e alguns notívagos vieram ajudá-lo.

- Está machucado? - perguntou um deles.

- Não, estou bem. Tudo bem.

- O senhor viu a placa ou a marca do carro? - perguntou outro.

- Não, meu filho. Não vejo nada. Sou cego.

Fez-se um silêncio constrangido.

- Mas a buzina do carro era em Si bemol, completou Arthur, acreditando que prestava uma ajuda inestimável para identificar seu atropelador.


Do livro “Making Off”,
 Histórias bem-humoradas dos primeiros anos do Rádio e da TV,
de Sérgio Reis



PRK-30 - Noticiários



Lauro Borges e Castro Barbosa

“Notícias de Matusalém informam que dona Páscoa de Tal, depois de retirar as cinzas do marido, que estavam no cemitério da baixada do Sossego, comprou ramos de flores e ia para casa quando escorregou numa casca de banana, caiu e quebrou duas das pernas. O fato de dona Páscoa, carregada de cinzas e de ramos, ter caído de uma só vez causou grande estranheza, pois que nunca se tinha visto até agora Páscoa, cinzas e ramos caírem no mesmo dia.”


“Da Espanha. O conhecido médico espanhol Dr. Júlio de las Caimbras acaba de descobrir que a insônia é provocada na maior parte das vezes pelo ronco da própria pessoa que está dormindo. Disse ele que toda pessoa que ronca de noite deve dormir num quarto pegado ao seu para não ouvir o seu próprio ronco.”


“Santiago do Chile. A Liga Chilena de Futebol resolveu que, a partir do mês passado em diante, não só a bola deve ser pintada de branco como, para facilitar a atuação do juiz, também devem ser pintados de branco todos os jogadores de cor preta.”


“No luxuoso teatro Recreio das Pulgas, foi levada ontem à cena uma peça francesa. A estrela, Uai de Azevedo, apesar de não saber pronunciar os ‘r’, saiu-se muito bem no seu papel, procurando com habilidade não dizer as palavras que tinham ‘r’, substituindo-as por outras sem a referida vogal. Assim, numa frase em que tinha que tinha que dizer ‘Meu irmão Roberto partiu para Roma’, disse – aliás, com muito desembaraço: ‘Meu cunhado Santiago viajou a Constantinopla.”


“Casamento. Era para ser realizado ontem o enlace matrimonial da gentil e prendada senhorita dona Epaminondas Barbarada de Moraes com o senhor Cisne Imundo Palmivres. Porém, como o noivo fugiu na véspera para o Acre, a pranteada noiva previne seus amigos e fregueses que seu casamento fica transferido sine die até que ela consiga arranjar outra vítima.”


“Velha York. O senhor John Karkalos, diretor da Estrada de Ferro Tartarugue Company, considerando que, nos desastres verificados ultimamente nessa ferrovia, os últimos vagões são os que mais prejuízos têm sofrido, ordenou que daqui por diante todos os trens façam suas viagens sem o último vagão.”


“Áustria meridional Chinesa. O Grande engenheiro senegalês Sornegrande Nabucodonosor acaba de inventar um novo tipo de fortaleza-voadora considerada uma verdadeira maravilha. A primeira experiência, realizada ontem, foi coroada de êxito. Posta em movimento a hélice da possante fortaleza, tudo funcionou às mil maravilhas. Apenas uma pequena lacuna foi notada: o aparelho, apesar de ter quatro asas – três de um lado e duas do outro – não conseguiu levantar voo. Atribui-se esse pequenino detalhe ao fato do engenheiro ter construído o alicerce da fortaleza-voadora de cimento armado e enterrado no solo. Diz ele que de outro jeito não seria fortaleza.”

(Do livro “No ar PRK-30 – o mais famoso programa humorístico
 da era do Rádio de Paulo Perdigão – Casa da Palavra)


Histórias do General Flores da Cunha



Homenagem

No auge do poder e glória, o general Flores da Cunha vai a Uruguaiana, ser “alvo de uma homenagem” como sempre temeu o Mário Quintana.
Foi escalado para saudá-lo o então acadêmico de direito Mirandolino Comaru. O rapaz deitava elogios ao interventor estadual.
- Bravo general Flores, corpo de espartano, cérebro ateniense, coração de pomba, alma de dama.
Flores chama o organizador do comício.
- Tira daqui esse demente, antes que me chame de fresco.

Prudência

Flores da Cunha era apaixonado por jogo. Qualquer tipo.
Entrou no cassino de Rivera, perdeu tudo. Já nascia o dia e lhe sobrara uma miserável nota de cem mil-réis. Numa última investida, largou-a no 17, com o revólver em cima.
Suando frio, olho grudado na arma, o crupiê gira a roleta, canta o número.
- Rojo 36... y negro 17 para el general!

Peru

Numa roda de pôquer no Clube dos Caçadores, Flores recebe de mão um four de damas.
Às suas costas um puxa-saco delira.
Impassível, o general dispensa o four e pede outras quatro cartas. O puxa-saco se surpreende: “Oh!”
E o general se volta, deliciado:
- Sofre, peru filho da puta!

Farroupilha

Apareceu na mesa um paulista bom de pôquer. Em coisa de uma hora já ia pelando o general. Numa dessas, sai uma rodada forte. O centro da mesa está forrado de fichas. O homem aposta grande, Flores paga e dobra. Até que o visitante desconfia e paga para ver. Flores abre o jogo – não tem carta que combine com outra. O paulista avança a mão para as fichas, enquanto ri.
- O que é isso, general?! Cachorrão!...
- O que é isso pergunto eu. Le ganhei a mão.
- Mas como, general?
- Flores tira o revólver e o coloca sobre a mesa, enquanto explica, muito sério:
- Aqui no Rio Grande, cinco cartas uma diferente da outra chamamos de farroupilha. É o jogo mais alto.
E recolheu as fichas. Olho na arma, o assustado paulista engoliu quieto.
Quase de manhãzinha, o parceiro apresenta, triunfante, um farroupilha na mesa. Ri contente. Porém, novamente é alcançado no caminho das fichas pelo revólver do Flores.
- Não, seu moço. Farroupilha é jogo tão importante que só vale um por noite.

Vivências

Surpreso, um jovem político conhece o general Flores já aposentado, no Rio, sem fortuna, depois de tanto poder. Ele explica:
- Minha vida foi generosa. Meu problema foi cavalos lerdos e mulheres ligeiras.


Flores da Cunha, já velho, no Jockey Club Brasileiro,
no Rio de Janeiro.

(Do livro “Tenho Dito!”, de Paulo de Tarso Riccordi)


segunda-feira, 10 de novembro de 2014

O prazer e a cultura dos almanaques

Por Acácio Boring


Não sei se sucede o mesmo com os meus amáveis leitores, mas eu adoro todas aquelas curiosidades e coisas triviais publicadas pelos almanaques. É uma pena que os almanaques estejam cada vez mais raros e que as novas gerações, tão apressadas e sem curiosidade, nunca ouviram falar neles. Digo isso porque meu velho amigo Silvino, conhecido na nossa turma do bar do "seu" Aurélio como "Vininho Tesoura", por ser um esplêndido alfaiate, se espantou outro dia quando o neto dele, de 22 anos, perguntou se almanaque era um tipo de terno! É engraçado e também muito triste, não acham? Para aqueles que pensam que, nós, da terceira idade, não nos modernizamos, eis algumas informações e curiosidades que eu consegui no site do Clube dos Chatos, o Dullmen's Club dos EUA, com quem nosso vibrante Sacolão Brasil tem um convênio.E honra seja feita, até o ano passado eu achava o computador o mais assustador monstro dos tempos modernos. Quem me fez perder o medo e me ensinou a mexer nesta máquina louca e incrível, o computador, foi meu neto Rodrigo, de 15 anos.Valeu, querido Digo.Vamos então aos almanaques.

Quando a Nasa começou a enviar astronautas ao espaço, logo descobriu que as esferográficas não funcionavam na gravidade zero. Para resolver o problema, os cientistas da agência espacial dos Estados Unidos levaram uma década inteira e gastaram 12 bilhões de dólares para criar esferográficas que escrevessem na gravidade zero, de cabeça para baixo, dentro da água,em qualquer superfície e sob temperaturas que iam de zero até 300 graus. Os russos resolveram o problema de outra maneira, e não tão custosa: usaram lápis.

E vejam esta outra curiosidade: Se você espirrar com muita força pode fraturar uma costela. Se tentar segurar o espirro pode romper um vaso sanguíneo na cabeça ou pescoço e morrer, e se forçar os olhos abertos eles podem saltar da órbita. Por isso as pessoas dizem "Saúde!" ou "Deus te proteja!" quando a gente espirra porque nesse momento o coração pára por um milésimo de segundo.

Não é incrível, meus amigos e amigas? Gostaram? Querem mais? Aí vão mais algumas:

→ O coração do camarão fica na cabeça.

→ É possível levar uma vaca escada acima, mas não escada abaixo.

→ Em 10 minutos, um furacão solta mais energia do que todas as armas nucleares do mundo juntas.

→ Cerca de 10% da renda do governo da Rússia vem da venda de vodca.

→ Existem mais carros conversíveis no Reino Unido do que na França, Espanha e Portugal reunidos.

→ Em media, 100 pessoas morrem todos os anos engasgadas com pontas de esferográficas. Portanto, muito cuidado. E até a próxima, pacientes leitores e leitoras.

Você sabia que...

→ o mais antigo Almanaque traduzido em português data da primeira metade do século XIV, com o título de Almanaque Perdurável, com observações astronômicas, tábuas astrológicas e latitudes de algumas cidades da Europa, da Ásia e norte da África.

→ em 1496 imprimiu-se, em Leiria (Portugal), o Almanach Perpetum, de Abraão Zacuto, com observações astronômicas usadas pela marinha portuguesa.

→ o Almanaque de Ghota, anuário genealógico e diplomático, é publicado em francês e em alemão, desde 1763.

→ a origem do vocábulo Almanaque vem do árabe al-manakh: lugar onde os nômades se reuniam para conversar, rezar e trocar notícias.

→ a palavra almanaque, segundo o dicionário de língua portuguesa Aurélio, significa "publicação que, além de um calendário completo, contém matéria recreativa, humorística, científica, literária e informativa".