Muitos e muitos anos atrás,
vivia Iapuna, uma jovem índia do povo Tupi.
Ela
era uma garota alegre, que gostava de passear pela floresta, de brincar com os
animais, de nadar nos rios com seus irmãos. Mas, quando a noite começava a
chegar, gostava de ficar sozinha, deitada na grama, admirando as estrelas, a
Lua, o céu distante.
Certa
noite, a Lua estava mais brilhante do que nunca. Seus raios penetravam entre as
árvores da floresta e envolvia tudo com uma luz intensa, mágica. Iapuna
lembrou-se então das histórias contadas pelos velhos índios da tribo sobre a
Lua. Uma delas dizia que as estrelas eram jovens índias levadas ao céu pela
Lua.
‒ Ah! Como eu gostaria de ser
uma das estrelas do céu! – pensou Iapuna. ‒ Poderia ficar sempre perto da Lua e
abraçá-la!
Aos
poucos, esse desejo foi tomando conta de Iapuna e ela não pensava em mais nada,
a não ser subir ao céu para abraçar a Lua.
Certa
noite, ela foi passear na beira de uma lagoa. Não havia vento a água estava
calma, quase parada. E, bem no meio da lagoa, brilhava o reflexo da Lua cheia!
Quando viu aquilo, Iapuna
ficou enlouquecida de alegria. Era ela, a sua amada Lua que enfim chegara para
levá-la ao céu!
Sem
pensar em mais nada, mergulhou e pôs-se a nadar em direção ao reflexo da Lua.
Mas, quanto mais nadava, mais distante parecia estar o brilho da Lua. Iapuna
foi ficando cansada. Finalmente, conseguiu se aproximar da sua amada Lua e quis
abraçá-la. Mas, sem força nos braços, começou a afundar e seu corpo desapareceu
nas águas da lagoa.
Toda a aldeia chorou a morte
da linda Iapuna.
Lá
no céu, a Lua, que tudo observava, ficou triste com o destino de Iapuna. E já
que não pôde transformá-la em uma estrela do céu, resolveu fazer dela uma
estrela das águas. Por isso, transformou-a e uma linda planta, que passou a ser
chamada de vitória régia.
É
uma planta bonita e grande, que se fecha durante o dia e se abre quando a noite
chega, para receber o abraço da Lua, como sempre sonhou a jovem índia Iapuna.
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Douglas Tufano “Histórias da
terra e do céu:
lendas indígenas do Brasil”