quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Expresso 2222

Mário Corso

Nossa estimativa de voo é de três gerações. 

Verifique se seu passaporte intergaláctico está válido. 

Em caso de colisão com microasteroides, máscaras de oxigênio cairão automaticamente na sua frente. Coloque primeiro a sua antes de colocar no seu pet. 

Trave bem seu capacete antes de sair da nave. 

Desligue seus aparelhos eletrônicos até ultrapassarmos o cinturão de Kuiper.   

Último posto de combustível antes de Andrômeda. Aproveite a promoção de energéticos de íons de tório para pagamento à vista. 

Nas dobras do espaço/tempo, evite acenar para seus eus do passado. 

Faça refeições leves antes de atravessar áreas de turbulência eletromagnéticas. 

Não abra o cinto de segurança quando a nave estiver próxima da velocidade da luz. 

Use protetor de raios cósmicos. 

É vedada a entrada de não humanoides na cabine da espaçonave. 

Em caso de pane do sistema de gravidade artificial, agarra-se as boas lembranças. 

Nossos banheiros são equipados com detector de fumaça. Passageiros pego fumando ficará na estação orbital, ou no planeta mais próximo. 

Não use maquiagem dentro da cabine de hibernação. 

Evite soluçar ou espirrar durante o teletransporte, você pode ser duplicado. Em caso de duplicação, deve ser adquirida uma nova passagem. 

A bagagem despachada pode chegar antes de você ter nascido. A empresa não se responsabiliza por paradoxos de entrega. 

Em caso de colisão com buraco de minhoca, mantenha a calma, você chegará antes de ter saído. 

Objetos de mais de três dimensões devem ser despachados. 

Se notar o comandante em pijamas é porque o piloto automático está ativado. Se notares o piloto automático em pijamas, favor acordar o piloto. 

Em caso de morte de passageiro, a família não ganha estorno do bilhete, apenas das refeições não consumidas. É gratuita a ejeção do corpo, desde que preenchido o formulário da escolha: ser arremessado em direção a alguma estrela, ou buraco negro. Lembramos que é proibido enterro em asteroides. 

É proibido circular com pets sem colar gravitacional. 

A companhia não se responsabiliza por danos causados por fraldas de hibernação mal ajustadas. 

Taxa de limpeza será cobrada à parte. 

O comboio parte hoje de Bonsucesso e chega depois do ano três mil. 

(Do jornal Zero Hora, 12 de agosto de 2026)

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Redescobrir a cidade

O bairro da capital que homenageia o Rio de Janeiro 

Giovanna Reis 

Nos anos 1930, o engenheiro Oswaldo Coufal decidiu recriar, na zona Sul de Porto Alegre, um pedaço do Rio de Janeiro. Batizou ruas, avenidas e o próprio loteamento com nomes cariocas, criando às margens do Guaíba a Ipanema gaúcha. 

O projeto urbanístico do bairro fez parte de um movimento maior, que buscava criar o destino ideal para quem não podia viajar até as praias do Litoral na temporadas de verão ou mesmo nos fins de semana, já que, na época, o trajeto podia durar mais de um dia. Não à toa, as ruas do bairro também carregam nomes de praias do litoral do Rio Grande do Sul, como Atlântida, Capão da Canoa e Tramandaí. 

A tradição de aproveitar os dias quentes no Balneário Ipanema persistiu por décadas. Prejudicadas pela distância e pelas dificuldades de acesso às praias oceânicas, milhares de famílias encontravam nas águas do Guaíba sua principal alternativa de lazer. O Correio do Povo retratou esse cenário no início dos anos 1970 ao escrever que “quem não foi ao Atlântico, procurou o Guaíba”. Segundo a reportagem, as praias do bairro recebiam multidões de crianças e famílias nos dias de sol. 

Fotos e registros da época mostram a extensa faixa de areia disputada por banhista. Além do banho de lago e dos pedalinhos, a orla reunia passeios de bicicletas, partidas de vôlei e praticantes de natação que aproveitavam para se refrescar e praticar esportes.

A paisagem que faz de Ipanema um dos principais cartões-postais de Porto Alegre ainda preserva o encanto visual, mas a relação com as águas já não é a mesma. Atualmente, os monitoramentos de balneabilidade realizados pelo Departamento Municipal de Águas e Esgotos (Dmae) classificam a praia como imprópria para banho, embora ela continue sendo frequentada pela população. 

A diferença é lembrada pelo professor, historiador e morador do bairro desde 1940 Harry Rodrigues Bellomo. Em depoimento publicado na dissertação “O Veraneio de Antigamente”, ele recorda que as águas eram limpas o suficiente para ver os peixes, em uma época na qual “o Arroio Capivara ainda não poluía a praia”. 

Com o crescimento urbano, esse arroio passou a receber águas contaminadas por esgoto doméstico antes de desaguar no Guaíba, contribuindo para a degradação ambiental da região e para o fim de uma era para os veranistas porto-alegrenses.

Mas nem sempre o Arroio Capivara esteve associado à poluição. No início da década de 1930, quando a região ainda era conhecida como Passo do Capivara, suas águas irrigavam plantações e abasteciam as propriedades rurais que ocupavam aquela parte da Zona Sul de Porto Alegre. Enquanto bairros vizinhos, como Tristeza, Pedra Redonda e Cavalhada, já se desenvolviam, o bairro Ipanema permanecia pouco ocupado, de acordo com a pesquisa “História dos bairros de Porto Alegre”. 

Entre as propriedades da região estava a chácara de veraneio do comerciante português Antônio Francisco de Castro, conhecido como Comendador Castro. Construído no fim do século XIX, o casarão da família (foto abaixo) ainda resiste na rua que hoje leva seu nome e é um dos poucos remanescente daquele período. Após a morte do comendador, em 1929, parte das terras foi vendida por seus herdeiros a Oswaldo Coufal, que daria início ao loteamento do Balneário Ipanema. 

O Planejamento 

Engenheiro, Oswaldo Coufal pretendia transformar uma área ainda essencialmente rural em um balneário planejado às margens do Guaíba. Baseado no conceito de “Cidade-Jardim”, o projeto previa ruas largas, calçadas e arborizadas, amplas avenida e a “promessa de se transformar na mais agradável estação de veraneio da população”, segundo a historiadora Janete Machado. 

Os terrenos eram vendidos em prestações sem juros, com anúncios publicados nos jornais destacando justamente a proposta de um espaço de lazer moderno para os porto-alegrenses. 

A inspiração vinha da Cidade Maravilhosa, o Rio de Janeiro, onde costumava passar férias com a família. Foi dessa admiração que surgiram o nome Ipanema e a escolha de ruas que homenageiam bairros cariocas, como Leblon, Gávea, Flamengo e Leme.* Em 1938, a prefeitura de Porto Alegre oficializou os nomes escolhidos por Oswaldo Coufal e seus sócios. 

O sucesso do Balneário Ipanema não ficou restrito às temporadas de verão. A partir da década de 1950, muitos veranistas passaram a construir casas para morar definitivamente no bairro, atraídos pela tranquilidade, pela proximidade com o Guaíba e pela qualidade de vida oferecida na Zona Sul. 

Consolidação como bairro valorizado 

Com o crescimento residencial, Ipanema passou a atrair médicos, advogados, empresários e outros profissionais liberais, consolidando-se como um dos bairros mais valorizados de Porto Alegre. O antigo balneário deu lugar a um bairro predominantemente residencial, mas preservou características que o tornaram conhecido ao longo do século passado. Hoje, Ipanema reúne cerca de 13,7 mil habitantes, o equivalente a 0,97% da população de Porto Alegre. É também um dos bairros mais envelhecidos da capital. Com aproximadamente 48% dos moradores com 60 anos ou mais, e figura entre os de maior renda média por domicílio, de 6,94 salários mínimos, de acordo com informações do Observa POA. 

A relação com a natureza, que ajudou a moldar a história de Ipanema, continua presente no cotidiano. A orla do Guaíba segue atraindo caminhantes, corredores e ciclistas, enquanto áreas verdes do entorno permanecem no centro dos debates sobre o futuro do bairro. 

Em junho deste ano (2026), moradores da Zona Sul realizaram uma caminhada na orla de Ipanema em defesa da Mata do Espírito Santo, uma das últimas áreas remanescentes de Mata Atlântica na região. O grupo protesta contra um projeto de loteamento habitacional previsto para uma área de cerca de 13 hectares entre os bairros Ipanema e Espírito Santo, demonstrando que, quase um século depois da criação do balneário, a preservação de sua paisagem natural continua mobilizando a comunidade. 

(Do jornal Zero Hora, 9 de agosto de 2026)

P.S.: A primeira rua para quem tem acesso à praia de Ipanema, quando foi lançado a venda dos terrenos, chamava-se Rua Ipanema. Com a morte da esposa de Oswaldo Coufal, Dea Coufal (1904-1967), uma importante figura benemérita e assistente social de Porto Alegre. Ela fundou em 1939 o Educandário Soa João Batista, criado inicialmente para acolher crianças com deficiências e sequelas de poliomielite, ela dá, atualmente, nome a uma tradicional rua do bairro, de Rua Ipanema para Rua Dea Coufal. 

* Outras praias que dão nomes às ruas do bairro: 

Rua Atlântida, Rua Capão da Canoa, Rua Cassino, Avenida Tramandaí, Rua Cidreira, Rua Porto Calvo, Rua Torres, Avenida Guaíba.


Dea e Oswaldo Coufal


Praia de Ipanema - Porto Alegre RS - 2026


Há pessoas que estão ao nosso lado,

mas não estão do nosso lado. 

Esta frase revela uma grande verdade sobre as relações humanas: a diferença profunda entre a presença física e a lealdade real. Estar geograficamente ou socialmente perto de alguém não significa apoiar, defender ou desejar o bem genuíno daquela pessoa. 

A diferença entre presença e parceria 

● Estar ao nosso lado: Significa ocupar espaço físico, conviver no mesmo ambiente, trabalhar no mesmo lugar ou participar de círculos sociais e familiares. É a proximidade por conveniência, hábito ou circunstância. 

● Estar do nosso lado: Significa ter cumplicidade, lealdade, empatia e apoio ativo. É quando a pessoa torce pelas suas vitórias e te protege nos momentos de dificuldade. 

Sinais de quem está apenas “ao nosso lado” 

● Conveniência: Aproxime-se apenas quando há alguma vantagem, interesse ou divertimento. 

● Omissão: Permanece presente, mas silencia ou se afasta quando você mais precisa de defesa ou apoio real. 

● Falta de reciprocidade: Não demonstra alegria genuína com as suas conquistas ou pode cultivar inveja oculta. 

Refletir sobre isso ajuda a proteger a energia emocional e a valorizar quem realmente caminha em parceria com a nossa essência. 

domingo, 9 de agosto de 2026

Regras Áureas

Regras Áureas, achadas nas ruínas de Persépolis, cidade construída por Dario e incendiada por Alexandre em 331 A.C. gravadas numa pedra com símbolo maçônico. 

Digais sabeis diz sabe dirá não sabe 

Façais podeis faz pode fará não deve 

Acrediteis ouvis acredita ouve acreditará não ouve 

Gastais tendes gasta tem gastará não tem 

Julgueis vedes julga vê julgará não viu 

Não tudo porque tudo muitas o que 

Quanto aquele quanto vezes que 

Compondo as palavras encontramos: 

Não digais tudo quanto sabeis, porque aquele que diz tudo quanto sabe, muitas vezes dirá o que não sabe. 

Não façais tudo quanto podeis, porque aquele que faz tudo quanto pode, muitas vezes fará o que não deve. 

Não acrediteis tudo quanto ouvis, porque aquele que acredita tudo quanto ouve, muitas vezes acreditará o que não ouve. 

Não gasteis tudo quanto tendes, porque aquele que gasta tudo quanto tem, muitas vezes gastará o que não tem. 

Não julgueis tudo quanto vedes, porque aquele que julga tudo quanto vê, muitas vezes julgará o que não viu. 




sábado, 8 de agosto de 2026

Os Manipuladores

 (versão revista)

Para se viver em paz, pouco é preciso. Basta meia dúzia de amigos verdadeiros, daqueles que chegam sem serem chamados, que estendem a mão sem pedirem recompensa e cuja presença ilumina os dias mais escuros. 

Mas nem todos os rostos que sorriem escondem um coração limpo. 

Há quem faça da amizade um palco; da confiança, uma armadilha e do afeto uma moeda de troca. Não procuram amigos; procuram vítimas. Alimentam-se da ingenuidade alheia, estudam os silêncios, observam as fraquezas e esperam, com a paciência dos predadores, o instante certo para atacar. 

Nunca dão tudo. Dão apenas o suficiente para conquistar a confiança. Depois, retiram pouco a pouco aquilo que nunca lhes pertenceu: a paz, a autoestima, a liberdade e, por fim, a própria identidade de quem acreditou neles. 

São artistas da máscara. Representam a bondade com a perfeição dos grandes atores, mas por detrás do sorriso mora o cálculo, por detrás da palavra doce esconde-se o interesse e por detrás do abraço repousa a frieza de quem nunca soube amar. 

O manipulador não empunha uma espada. Usa palavras. Não dispara balas. Dispara culpas. Não prende com correntes. Prende com favores, com promessas, com chantagens emocionais e com a falsa ideia de que tudo faz por amor. 

E o mais cruel é que raramente o percebemos. A manipulação não entra pela porta da frente; infiltra-se como a umidade nas paredes de uma casa. Quando damos conta, já corrói os alicerces da confiança e da dignidade. 

Vivemos tempos em que a aparência vale mais do que o caráter. Multiplicam-se os amigos de ocasião e escasseiam os amigos de verdade. A falsidade veste-se de sinceridade, a ambição disfarça-se de generosidade e a mentira aprende a falar com a voz da verdade. 

Por isso, nem toda a mão estendida deseja levantar-nos. Muitas apenas procuram descobrir onde somos mais frágeis para, um dia, nos fazer cair. 

Confiar continua a ser uma das maiores virtudes do ser humano. Mas confiar sem discernimento é entregar as chaves da alma a quem nunca aprendeu o significado da palavra consciência. 

Que nunca deixemos morrer a capacidade de acreditar nas pessoas. Mas que nunca permitamos que a bondade se transforme em cegueira. 

Porque a verdade tem uma luz própria. Pode ser ofuscada durante algum tempo, pode ser escondida sob o peso da mentira, mas nunca desaparece. Mais cedo ou mais tarde rompe todas as sombras e revela cada rosto tal como ele é. 

E então compreendemos a antiga sabedoria do povo, que nunca envelhece: 

Nem tudo o que reluz é ouro. Há metais que brilham apenas para esconder a ferrugem da alma. 

Quo Vadis 

O termo manipuladores refere-se a pessoas que usam táticas mentais e emocionais para controlar os outros. Eles distorcem fatos para fazer a vítima se sentir culpada, duvidar de si mesma e ceder aos seus desejos. 

Sinais de um Manipulador 

● Controle total: Quer mandar no seu tempo, nas suas ações e nas suas escolhas. 

● Inversão de culpa: Faz você acreditar que o erro e o problema são sempre seus. 

● Mentira constante: Distorce a realidade com muita facilidade para conseguir o que quer. 

● Gentileza falsa: Usa elogios no início para ganhar sua confiança e depois cobrar submissão. 

● Vitimização: Age como coitado para que você sinta pena e peça desculpas primeiro.  

Como se Proteger 

● Defina limites: Diga não e mantenha sua independência emocional e financeira. 

● Não discuta fatos: O manipulador confunde a lógica; não tente vencer uma discussão inventada por ele. 

● Afaste-se: A melhor solução para recuperar a paz é cortar o contato com essa pessoa.

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

O moço velho

 Sílvio César  

Eu sou um livro aberto sem histórias,

Um sonho incerto sem memórias

Do meu passado que ficou. 

Eu sou um porto amigo sem navios,

Um mar, abrigo a muitos rios,

Eu sou apenas o que sou. 

Eu sou um moço velho,

Que já viveu muito,

Que já sofreu tudo

E já morreu cedo. 

Eu sou um velho moço,

Que não viveu cedo,

Que não sofreu muito

E não morreu tudo. 

Eu sou alguém livre.

Não sou escravo e nunca fui senhor.

Eu, simplesmente, sou um homem,

Que ainda crê no amor.

Sylvio Rodrigues Silva, mais conhecido como Silvio César, é um cantor e compositor brasileiro. Começou a cantar profissionalmente em 1960, atuando como crooner das orquestras de Waldemar Spillman e Ed Lincoln. Paralelamente, era aluno da Faculdade Nacional de Direito, onde se graduou em 1964. 

O cantor e compositor mineiro Silvio César, famoso pelo clássico romântico “Pra Você”, mora atualmente em Porto Alegre (RS) e segue ativo na música. Aos 80 e poucos anos, ele interage com o público nas redes sociais, compõe, faz participações em shows na capital gaúcha e atua na defesa dos direitos autorais como ligado à Socinpro. 

P.S.: A música acima está na internet na voz de seu autor: Sílvio César.

Como passaram os anos

 Rocio Durcal

Como passaram os anos,

Como as coisas mudaram.

E aqui estamos lado a lado,

Como dois enamorados,

Como da primeira vez. 

Como passaram os anos,

Que mundo tão diferente.

E aqui estamos frente a frente,

Como dois adolescentes,

Que se olham sem falar. 

Sim, parece que foi ontem à noite,

Que dançamos abraçados,

E juramos um te amo,

Que nos demos por inteiro

E em segredo murmuramos:

Nada vai nos separar. 

Como passaram os anos,

As voltas que a vida deu.

Nosso amor continuou crescendo

E com ele nos foi envolvendo. 

Terão passado os anos,

Mas o tempo não pode fazer

com que acabe nosso amor. 

Sim, parece que foi ontem à noite,

Que dançamos abraçados,

E juramos um te amo,

Que nos demos por inteiro

E em segredo murmuramos:

Nada vai nos separar.

Como passaram os anos,

As voltas que a vida deu.

Nosso amor continuou crescendo,

E com ele nos foi envolvendo. 

Terão passado os anos,

Mas o tempo não pode fazer

com que acabe nosso amor. 

******* 

P.S. Escute este belo bolero, ele está na internet.

Versão original 

Cómo han pasado Llos años 

Rocío Durcal 

Cómo han pasado los años

Cómo cambiaron las cosas

Y aquí estamos lado a lado

Como dos enamorados

Como la primera vez. 

Cómo han pasado los años

Qué mundo tan diferente

Y aquí estamos frente a frente

Como dos adolescentes

Que se miran si hablar. 

Sí, parece que fue anoche

Que bailamos abrazados

Y juramos un te quiero

Que nos dimos por entero

Y en secreto murmuramos

Nada nos va a separar. 

Cómo han pasado los años

Las vueltas que dio la vida

Nuestro amor siguió creciendo

Y con él nos fue envolviendo 

Habrán pasado los años

Pero el tiempo no ha podido

Hacer que pase lo nuestro 

Sí, parece que fue anoche

Que bailamos abrazados

Y juramos un te quiero

Que nos dimos por entero

Y en secreto murmuramos

Nada nos va a separar 

Cómo han pasado los años

Las vueltas que dio la vida

Nuestro amor siguió creciendo

Y con él nos fue envolviendo 

Habrán pasado los años

Pero el tiempo no ha podido

Hacer que pase lo nuestro