quinta-feira, 2 de junho de 2016

A Canção da Terra


 Duílio Caldeira*




“Quem planta seus males espanta”.
Plantar por prazer, para ver depois que a terra é boa
e se entrega à força vital da semente,
aceitando o conselho de evoluir.
Na competição da matéria,
na corrida da Natureza para atingir sempre as formas mais elevadas,
na busca contínua de vislumbrar o mistério máximo,
quem planta é aquele que mais ajuda.
É o que socorre a Terra nas suas súplicas...
A terra bruta quer evoluir, tornar-se em vegetais.
Quem a cultiva vai ao encontro dos seus desejos.
Quanto maior a dedicação, mais generosas serão as colheitas.
Talvez se possa até, nas madrugadas, ouvir a canção da Terra:

Cuida-me bem, cultiva-me.
Eu quero evoluir para mais tarde,
Transformada em legumes, frutos, flores e perfumes,
Ser algum dos teus pensamentos, ações e emoções.
Se não me amparas e me tratas, não posso dar-te alimentos.
Sem a tua orientação, só poderei me transformar
Em ervas daninhas, evoluir desordenadamente e esterilmente...
Não terei objetivos, nem justos nem precisos.
Tu que já estás no ponto mais alto da escala
Que nós, matéria, vamos construindo
Para atingir a verdade da vida,
Baixa a cabeça para mim e dá-me a tua mão...
Não te lembras que já foste o que ainda sou?...
E a voz da Terra continua pelos tempos...
Sua canção simples e sincera vai ecoando pelas madrugadas,
Em sons banhados pela luz das últimas estrelas...



*Militar paraquedista, ecologista numa época em que ninguém usava esse termo no Brasil 

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