quinta-feira, 2 de junho de 2016

Dois compositores brasileiros



Armando Cavalcanti (19.04.1914 a 15.05.1964), general, e Klecius Caldas (06.05.1919 a 21.12. 2002), coronel, foram dois militares graduados do Exército Brasileiro que também foram dois bons compositores da Música Popular Brasileira. Entre as suas músicas, destacamos as que vão transcritas abaixo:

Neste mesmo lugar

(Klecius Caldas e Armando Cavalcanti)

Aqui neste mesmo lugar
Neste mesmo lugar de nós dois
Jamais poderia pensar
Que voltasse sozinho depois.
O mesmo garçom se aproxima
Parece que nada mudou
Porém qualquer coisa não rima
Com o tempo feliz que passou.

Por uma ironia cruel,
Alguém começou a cantar
Um samba-canção de Noel
Que viu nosso amor começar.
São falta agora
A porta se abrir
E ela ao lado de outro chegar
E por mim passar
Sem me olhar.

A lua é camarada

(Klecius Caldas e Armando Cavalcanti)

A noite é linda
Nos braços teus
É cedo anda
Pra dizer adeus.
Vem,
Não deixes pra depois, depois.
Vem,
Que a noite é de nós dois, nós dois.
Vem,
Que a lua é camarada
Em teus braços quero ver
O sol nascer.

Boiadeiro

(Klecius Caldas e Armando Cavalcanti)

De manhãzinha quando sigo pela estrada,
Minha boiada pra invernada eu vou levar.
São dez cabeças, é muito pouco, é quase nada
Mas não tem outras mais bonitas no lugar.

Vai, boiadeiro, que o dia já vem
Leva o teu gado e vai pensando no teu bem.

De tardezinha, quando eu venho pela estrada
A fiarada tá todinha a me esperar
São dez fiinhos, é muito pouco, é quase nada
Mas não tem outros mais bonitos no lugar.

Vai, boiadeiro, que o dia já vem
Leva teu gado e vai pensando no teu bem.

E quando eu chego na cancela da morada
Minha Rosinha vem correndo me abraçar
É pequenina, é miudinha, é quase nada
Mas não tem outra mais bonita no lugar.

Vai, boiadeiro, que a noite já vem
Guarda o teu gado e vai junto do teu bem.

Maria Candelária*

(Klecius Caldas e Armando Cavalcanti)

Maria Candelária
É alta funcionária
Saltou de pára-quedas
Caiu na letra “O”, oh, oh, oh, oh
Começa ao meio-dia
Coitada da Maria
Trabalha, trabalha, trabalha
De fazer dó, oh, oh, oh, oh

A uma vai ao dentista
As duas vai ao café
As três vai à modista
As quatro assina o ponto e dá no pé
Que grande vigarista ela é.

*Esta marchinha era uma sátira muito bem-humorada às funcionárias “empistoladas”, que impunemente abusavam de regalias no serviço público federal, e teve seu nome inspirado (segundo Klecius) no ponto de ônibus da Candelária, onde muitas funcionárias esperavam condução todas as tardes, no tempo em que o Rio era capital federal.




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