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Não vejo o mar há sete meses. Saudade de sua extravagância, da quantidade imensurável de água refletindo o azul do céu, do ruído que emerge de suas profundezas, produzindo ondas que dialogam com quem está sentado na areia. O mar, sustento de pescadores, desafio de remadores, caminho de navegadores, alegria de banhistas, modelo para fotógrafos, o rei dos cartões-postais, leito para pores do sol. O mar, além disso tudo, é túmulo de poetas suicidas, roteiro de filmes-catástrofe, vista panorâmica que encarece o preço dos apartamentos. O mar, despindo-se de sua grandeza, molha nossos pés nas caminhadas de final de tarde, é quem dá o match perfeito com a música que estamos escutando, ameniza nossa melancolia e serve como cenário para uma paixão recém iniciada. O mar é um aliado, se soubermos nos aproximar e nos mantermos serenos diante de sua superioridade.
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Da crônica: “Vida: embarque imediato”, de Martha
Medeiros,
no jornal Zero Hora, de 6 outubro de 2024.

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