quarta-feira, 9 de outubro de 2024

SE ‒ Poema de Rudyard Kipling

 Tradução de Rebouças Macambira

Se te condenam quando és inocente

E conservas a calma todavia;

Se não te abala o riso irreverente,

Nem tampouco o rebates com ironia; 

Se podes esperar e não te cansas,

E não difamas quando és difamado,

Ou se te odeiam foges a vinganças,

E contudo és modesto e reservado; 

Se não vives tão só de pensamentos,

Ou sonhas, mas o sonho não te embota;

Se o triunfo não te muda os sentimentos

Nem sucumbes ao peso da derrota; 

Se podes ver o bem que proferiste

Corrompido em proveito de tratantes,

Ou ver por terra tudo o que construíste

E logras que da poeira te levantes; 

Se juntas o que tens e, temerário,

Em decisivo lance o arriscas tudo,

E perdes, e não teces comentário,

E à luta voltas com maior denodo; 

Se forças o teu corpo a que te ajude,

Alquebrado por lutas e fadigas,

Quando só resta em meio à luta rude

A Vontade a dizer-te que prossigas; 

Se com nobres e párias te defrontas

E continuas como dantes eras;

Se te elevas acima das afrontas

E os homens igualmente consideras; 

Se os anos que o teu curso ainda encerra

Em minutos fecundos se consomem,

Como prêmio a teus pés terás a Terra,

E ‒ o que é mais do que a Terra ‒ serás Homem!

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