Tradução de Rebouças Macambira
Se te condenam quando és
inocente
E conservas a calma todavia;
Se não te abala o riso
irreverente,
Nem tampouco o rebates com ironia;
Se podes esperar e não te
cansas,
E não difamas quando és difamado,
Ou se te odeiam foges a
vinganças,
E contudo és modesto e reservado;
Se não vives tão só de pensamentos,
Ou sonhas, mas o sonho não te
embota;
Se o triunfo não te muda os
sentimentos
Nem sucumbes ao peso da derrota;
Se podes ver o bem que proferiste
Corrompido em proveito de
tratantes,
Ou ver por terra tudo o que
construíste
E logras que da poeira te levantes;
Se juntas o que tens e,
temerário,
Em decisivo lance o arriscas
tudo,
E perdes, e não teces comentário,
E à luta voltas com maior denodo;
Se forças o teu corpo a que
te ajude,
Alquebrado por lutas e
fadigas,
Quando só resta em meio à
luta rude
A Vontade a dizer-te que prossigas;
Se com nobres e párias te defrontas
E continuas como dantes eras;
Se te elevas acima das afrontas
E os homens igualmente consideras;
Se os anos que o teu curso
ainda encerra
Em minutos fecundos se
consomem,
Como prêmio a teus pés terás
a Terra,
E ‒ o que é mais do que a
Terra ‒ serás Homem!

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