segunda-feira, 3 de novembro de 2025

A mulher no analista

‒ Meu caso, doutor, não é propriamente um analista. Preciso de um homem que me entenda, o senhor me entende? 

‒ O meu verdadeiro “eu” está escondido no decote, quer ver? 

‒ Sonho sempre com o mesmo homem, o senhor não podia receitar um remédio pra variar? 

‒ O que me desagrada na sua profissão é que o senhor só lida com débil mental. 

‒ Tenho vergonha de confessar que às vezes não tenho vergonha. 

‒ O senhor não faz permuta? Eu entro com o subconsciente e o senhor com o consciente. 

‒ É normal, doutor, que eu continue anormal? 

‒ Sempre que saio de casa esqueço o mordomo no armário. 

‒ Descobri que nasci para ser mãe: tenho oito filhos, um de cada marido. 

‒ No cinema sempre sento no colo dos outros, mas só percebo quando acende a luz. 

‒ Antes eu só mudava de roupa com a janela aberta para os vizinhos, agora abro até as portas. 

‒ O doutor não faz ideia como me sinto sozinha neste divã. 

‒ Não tenho dinheiro suficiente para lhe pagar a consulta, o senhor não poderia me restituir uns dois ou três complexos? 

Do livro “O homem ao meio” de Leon Eliachar

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