‒ Meu caso, doutor, não é propriamente um analista. Preciso de um homem que me entenda, o senhor me entende?
‒ O meu verdadeiro “eu” está escondido no decote, quer ver?
‒ Sonho sempre com o mesmo homem, o senhor não podia receitar um remédio pra variar?
‒ O que me desagrada na sua profissão é que o senhor só lida com débil mental.
‒ Tenho vergonha de confessar que às vezes não tenho vergonha.
‒ O senhor não faz permuta? Eu entro com o subconsciente e o senhor com o consciente.
‒ É normal, doutor, que eu continue anormal?
‒ Sempre que saio de casa esqueço o mordomo no armário.
‒ Descobri que nasci para ser mãe: tenho oito filhos, um de cada marido.
‒ No cinema sempre sento no colo dos outros, mas só percebo quando acende a luz.
‒ Antes eu só mudava de roupa com a janela aberta para os vizinhos, agora abro até as portas.
‒ O doutor não faz ideia como me sinto sozinha neste divã.
‒ Não tenho dinheiro suficiente para lhe pagar a consulta, o senhor não poderia me restituir uns dois ou três complexos?
Do livro “O homem ao meio” de Leon Eliachar

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