(Sergipe)
Havia um homem que gostava muito de uma moça e queria casar com ela. Um dia ele foi chamado pras guerras e disse à moça que não casasse com outro, que quando ele voltasse casaria com ela. Para ninguém desconfiar o rapaz tratava a moça por – Melancia – e a moça o tratava por – Coco Mole.
Um dia se despediram muito chorosos e ele partiu para as guerras. Todo dia aparecia casamento para esta moça, porém ela não queria, com sentido no seu querido. Passados alguns anos e, aparecendo um dia um casamento, o pai da moça decidiu que ela havia de aceitar. Ela fez o gosto do pai, e, quando foi no dia do casamento, o seu namorado chegou das guerras, indagou logo pela moça e soube que ela casava-se naquele mesmo dia. O rapaz ficou muito triste e não quis comer. Um caboclo, que era pajem dele, perguntou-lhe por que estava tão triste. Sabendo da história, disse-lhe: “Não tem nada, meu amo. Deixe estar que eu arranjo tudo!”
Havia uma árvore no fundo do quintal da casa da moça, onde ela costumava ir conversar com o antigo namorado. O caboclo ensinou ao amo que fosse para debaixo da árvore, que lhe garantia que a moça iria lá ter. Ele fez o que o caboclo recomendou, e este se dirigiu para casa da noiva. Chegando lá encontrou já todos os convidados, o noivo e a noiva já preparados, só faltando o padre para os casar. O caboclo pediu licença para fazer uma saúde à noiva, chegou-se para junto dela e disse:
“Eu venho lá de tão longe
Corrido de tanta guerra.
Melancia, Coco Mole
É chegado nesta terra.”
Todos bateram palma e disseram: “Bravo! Caboclo, faça outra saúde”. O caboclo retrucou:
“Não há bebida tão boa
Como seja o aluá.
Melancia, Coco Mole
Vos espera no lugar.”
Todos bradaram: “Muito bem! Caboclo!… faça outra saúde!”
O caboclo entusiasmado continuou:
“Moça,
que estais tão bonita,
Não vos lembrais do passado.
Melancia, Como Mole
Vos manda muito recado.”
Aí a moça levantou-se e disse que ia beber água.
Saiu caladinha pela porta do quintal e foi direitinho à árvore onde ela
costumava ir conversar com seu antigo namorado, que era o do peito. Chegando
aí, encontrou-o e ao mesmo tempo a um padre que já ali se achava apalavrado
para os casar.
(Sílvio Romero. Contos populares do Brasil)

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