segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

A arte de saber vender



A mulher recebe o amante em casa enquanto o marido trabalha. Seu filho de nove anos chega da escola mais cedo, vê os dois juntos e se esconde no armário do quarto para espiar. O marido também volta para casa inesperadamente, e a mulher resolve esconder o amante no armário, sem perceber que o filho já estava lá. O menininho diz:
- Tá escuro aqui...
O amante responde:
- É... Tá mesmo...
Menino:
- Eu tenho uma bola de beisebol.
Amante:
- Legal...
Menino:
- Quer comprar?
Amante:
- Não, obrigado...
Menino:
- Meu pai está lá fora e ele é brabo!
Amante:
- Ok, quanto?
Menino:
- Duzentos reais...

Algumas semanas depois, lá estão o garoto e o amante presos no armário novamente.
Menino:
- Tá escuro aqui.
Amante:
- É... Tá mesmo...
Menino:
- Eu tenho um taco de beisebol.
O amante, se lembrando da última vez, pergunta ao garoto:
- Quanto é?
Menino:
- Trezentos reais.
Amante:
- Feito!

Dias depois, o pai diz ao garoto:
- Pegue o seu taco e a sua bola de beisebol, vamos lá no quintal para eu te ensinar como se joga.
O menino responde:
- Não posso, vendi o taco e a bola...
O pai pergunta:
- Por quanto você vendeu?
- Quinhentos reais, responde o menino.
O pai, horrorizado, diz ao menino que isso não se faz, cobrar tanto de seus amiguinhos por coisas que custam barato. E leva o filho à igreja para que confesse para o padre. Chegando lá, o pai leva o menino ao confessionário e fecha a porta.
O menino diz:
- Tá escuro aqui...
O padre responde:
- Nem vem que não tem! Eu não vou comprar mais porra nenhuma!


Provérbios e frases feitas



Þ Mateus, primeiros os teus!
Þ Quem primeiro anda, primeiro apanha.
Þ Primeiro a obrigação, depois a devoção.
Þ Os últimos serão os primeiros.
Þ Ela tem cada uma que parece duas.
Þ Homem avisado vale por dois.
Þ Dois bicudos não se beijam.
Þ Mais vale um toma do que dois darei.
Þ Não há dois altos sem um baixo no meio.
Þ Dois proveitos não cabem num saco só.
Þ Matar dois coelhos com uma só cajadada.
Þ Custa mais sustentar um vício do que educar um filho.
Þ Mais vale um pássaro na mão do que dois voando.
Þ Dois sentidos não assam milhos.
Þ Três vezes na cadeia é sinal de forca.
Þ Três coisas mudam o homem: bebida, estudo e mulher.
Þ Segredo de três o diabo fez.
Þ Fortuna de burro três dias dura.
Þ O hóspede e o peixe aos três dias aborrecem.
Þ O escasso cuida que poupa em um e gasta em quatro.
Þ Homem velhaco, três barbas ou quatro.
Þ Não importa, não importa e deu com sete navios à costa.
Þ Por Santo André o sete-estrelo posto é.
Þ Por sete que sabem contar há um que sabe falar.
Þ Aquele que nasceu para dez réis não chega a tostão.
Þ Aquele que conta dez amigos não tem nenhum.
Þ Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão.
Þ Caseiro que faz um cesto, faz um cento.
Þ Cento de vida, cento de renda, e cem léguas de parentes.
Þ Escuta cem vezes e fala uma só.
Þ Faz barato e venderá por cem.
Þ Mais come um boi de uma lambida, do que cem andorinhas.
Þ Quem tem cem e deve cem, nada tem.
Þ Em terra de Murici cada um cuida de si.
Þ Comigo não tem gre gre pra dizer Gregório.


Comercial da Paz



O texto é de um comercial criado por Washington Olivetto e que foi veiculado nos cinemas já faz algum tempo, mas a sua mensagem será sempre atual. No filme, a tela fica toda branca enquanto a narração diz o seguinte:
  
Esse comercial não tem mulher de biquíni, não tem cachorro, não tem criança, não tem bebezinho.

Esse comercial não tem casal, não tem beijo, não tem família tomando café da manhã.

Esse comercial não tem música de sucesso, não tem efeito especial, não tem tartaruga jogando bola.

Esse comercial não tem gente famosa, nem garoto propaganda. Porque esse comercial é para vender um produto que ninguém precisa ser convencido a comprar... que você adora consumir  e que, por sinal, você até já comprou só que não estão entregando.

É um produto que não tem marca, não tem slogan, não tem embalagem, nem faz promoção tipo “leve 3, pague 2”.

Esse comercial é todo branco, e desse jeito ele pode ser entendido aqui e no mundo inteiro. Aliás, seria muito bom se esse comercial pudesse passar no mundo inteiro.

Porque o produto que esse comercial quer vender é a PAZ.

E enquanto o pessoal que precisa comprar a PAZ não compra, faça assim: Pegue o estoque de PAZ que você ainda tem em casa e use no trânsito, use na fila do banco, use no elevador, use no futebol.  PAZ é um produto interessante! Porque quanto mais você usa, mais você tem.

E se todo mundo usar quem sabe chegue o dia em que ninguém mais precise fazer um comercial para vender a PAZ.


domingo, 3 de dezembro de 2017

O violão rouco



Bons tempos aqueles em que a voz rouca das ruas era a do Nelson Cavaquinho e não a metáfora reeleitoreira de FH.* Nelson cantando seus sambas de bar em bar, madrugada adentro, com seu violão, rouco também e que era a extensão da sua voz, calejada por incontáveis talagadas, como o pistom de Satchmo ou sax de Booker Pittman. Que fim terá levado aquele violão de um verde encardido, que ele tocava na vertical, com o braço do instrumento ereto tal e qual o “cheio de varizes” que era como ele nomeava carinhosamente o seu pau.

Nelson foi embora em 86, mas tenho pensado muito nele ultimamente. Roberto Garcia me deu uma foto que tirou do Nelson em 78, no Teatro Opinião. Mostra o “poeta dos cabelos prateados” sentado num banco e tocando, coisa rara, o cavaquinho que valeu o apelido para o soldado PM Nelson Antônio da Silva, que varava as noites na Mangueira, em bebedeiras e cantorias com Cartola, Carlos Cachaça e outros bambas. Ele fazia ronda a cavalo, e o bicho acabava voltando sozinho para o quartel. Como se sabe, cavalos gostam mais de ópera.

Vida que segue, como dizia João Saldanha, o esguio cavaleiro ganhou corpo e o cavaquinho foi trocado pelo violão, mais compatível com o porte e a “voz arenosa” (copirraite do Tárik de Souza).

No pôster ele está cantando, o olho direito fechado enquanto o olho me fita fixo, uma verruma. Olho igual só o do Picasso nas fotos de David Douglas Duncan.

“Beba Nelson Cavaquinho” – de sambista para sambista, o carinho de Chico Buarque para o mestre, dividindo a mesma redondilha de Paratodos com Ary Barroso e Vinicius.

Amigos (in)comuns, Sérgio Cabral, Macalé, Chico PF que, por ironia do destino, tem uma casa na rua Nelson Cavaquinho, em São Pedro da Aldeia – todos têm histórias do Nelson para contar. Que, basicamente, são sempre a mesma história: em alguma hora, em algum lugar, o cara capotava, enquanto o incansável Nelson prosseguia impávido. Diz a lenda e o Macalé dá a cara a tapa se não for verdade, que Nelson emendava dois, três dias sem dormir, cantando e bebendo. Um titã.

A minha história: uma da madrugada, eu voltava de um show de João Nogueira no Imperator, no Méier. Paro num sinal da Rio Branco. No meio de uma roda de mendigos, Nelson com seu violão. Dali, fizemos um rolê por todos os pés-sujos que ainda estavam abertos àquela hora, depois fomos para o Buraco Quente, na Mangueira e, já dia claro, fui a pique no sofá de sua casa na Vila Kennedy. Quando acordei, ele já tinha se mandado.

“Hei de ter um alguém pra chorar por mim/através de um pandeiro e de um tamborim” (Pranto de poeta, dele e de Guilherme de Brito).

E eu, que não toco pandeiro nem tamborim, cumé que fico, Nelson?

(Do livro “Confesso que bebi” de Jaguar)

*Referia-se a Fernando Henrique Cardoso, quando ainda era presidente.


Nelson tocando cavaquinho, em foto de 1978,
no Teatro Opinião, feita por Roberto Garcia,
referida no texto acima.

sábado, 2 de dezembro de 2017

Pavilhão Airton



O leitor Paulo Roberto Surita tinha 18 anos e trabalhava com o pai numa empresa de material para construção na Avenida Protásio Alves quando um funcionário do Grêmio Esportivo Força e Luz entrou na loja e disse: “Preciso comprar umas tábuas para consertar o Airton”.

Que o zagueiro do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense tinha o apelido de Pavilhão − desde a insólita transação entre os dois clubes, quando foi trocado por uma arquibancada de madeira e mais uma grana − todo mundo sabia. Mas que o pavilhão da Rua Alcides Cruz tinha ganho o nome do jogador era novidade.

Airton morreu dia 3 de abril de 2012. Na foto abaixo, ele aparece, assistido pelo jovem Paulo Sant'Ana (de sapato claro), recebendo o terno Bier a que tinha direito como craque da rodada em agosto de 1962.


(Do Almanaque Gaúcho de Zero Hora)

Nascido no dia 31 de outubro de 1935, Airton deixou o time do Força e Luz de Porto Alegre para o Grêmio trocado por um pavilhão. Este foi o preço do passe dele, daí o apelido que o acompanhava.

Considerado superior a Figueroa e até mesmo a Domingos da Guia, Mauro, Bellini, Djalma Dias, Luiz Pereira e Oscar, Airton é uma unanimidade entre os gaúchos. É referenciado até hoje como "o dono da área" e sem fazer faltas, ressalva o jornalista Armindo Antônio Ranzolin em dedicatória na contracapa do livro "Airton Pavilhão, o zagueiro das multidões", de Celso Sant´Anna, que perpetuou Airton Pavilhão em 124 páginas.

Airton Pavilhão marcou época no Grêmio ao lado de Arlindo, Alberto, Altemir, Áureo, Ortunho, Élton, João Severiano, Juarez, Paulo Lumumba, Sérgio Lopes, Milton, Vieira, Alcindo, Marino, Carlos Froner, dentre tanta gente boa. Brilhou também na Seleção Gaúcha, teve passagens pela Seleção Brasileira, como em 1962, ano da Copa do Chile, e só não ficou no Santos, em 1958, porque não quis.

“Joguei com Pelé, Jair Rosa Pinto, Veludo, Geraldo Scotto, Pepe e Zito e não fiquei lá porque sentia muita saudade do churrasco, do chimarrão, do minuano e do Grêmio”, dizia, rindo muito, o excepcional ex-zagueiro.

Após aposentar-se, trabalhou como funcionário da Secretaria Municipal de Esportes da prefeitura da capital gaúcha.

Airton faleceu em 3 de abril de 2012.


sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Um Poeta chamado Solano Trindade



Nascido em 24 de julho de 1908 em Recife-PE foi poeta, cineasta, pintor, homem de teatro e um dos maiores animadores culturais brasileiros do seu tempo, o pernambucano Francisco Solano Trindade foi, para vários críticos, o criador da poesia “assumidamente negra” no Brasil.
Faleceu no Rio de janeiro, em 19 de fevereiro de 1974.

Tem gente com Fome

Trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome

Piiiiii

Estação de Caxias
de novo a dizer
de novo a correr
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome

Vigário Geral
Lucas
Cordovil
Brás de Pina
Penha Circular
Estação da Penha
Olaria
Ramos
Bom Sucesso
Carlos Chagas
Triagem, Mauá
trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome

tem gente com fome
Tantas caras tristes
querendo chegar
em algum destino
em algum lugar
Trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome

Só nas estações
quando vai parando
lentamente começa a dizer
se tem gente com fome
dá de comer
se tem gente com fome
dá de comer
se tem gente com fome
dá de comer
Mas o freio de ar
todo autoritário
manda o trem calar
Psiuuuuuuuuuuu

Fonte: Revista Entrementes


Solano Trindade foi um poeta brasileiro, folclorista, pintor, ator, teatrólogo, cineasta e militante comunista. Filho do sapateiro Manuel Abílio Trindade, foi operário, comerciário e colaborou na imprensa. Wikipédia.  Nascimento: 24 de julho de 1908, Recife, Pernambuco; falecimento: 19 de fevereiro de 1974, Rio de Janeiro; nacionalidade: Brasileira; Livros: “Poemas Antológicos de Solano Trindade, Canto Negro; Filmes: A Hora e a Vez de Augusto Matraga; Pesquisas relacionadas: Carolina de Jesus, Manuel Abílio Trindade, Roberto Santos.


Alunos “inteligentes”



Professor:
− O que devo fazer para repartir 11 batatas por 7 pessoas?
Aluno:
− Purê de batata, senhor professor!

Professor:
− Joaquim, diga o presente do indicativo do verbo caminhar.
Aluno:
Eu caminho... tu caminhas... ele caminha...
Professor:
− Mais depressa!
Aluno:
Nós corremos, vós correis, eles correm!

Professor:
− “Chovia” que tempo é?
Aluno:
− É tempo ruim, senhor professor.

Professor:
− Quantos corações nós temos?
Aluno:
− Dois, senhor professor.
Professor:
− Dois!?
Aluno:
− Sim, o meu e o seu!

Dois alunos chegam tarde à escola e justificam-se:
O 1º Aluno diz:
− Acordei tarde, senhor professor! Sonhei que fui à Polinésia e a viagem demorou muito.
O 2º Aluno diz:
− E eu fui esperá-lo no aeroporto!

Professor:
− Pode dizer-me o nome de cinco coisas que contenham leite?
Aluno:
− Sim, senhor professor. Um queijo e quatro vacas.

Professora:
− Artur, a tua redação “O Meu Cão” é exatamente igual à do teu irmão. Tu copiaste?
Artur:
− Não, professora. O cão é que é o mesmo.

Professora:
− Bruno, que nome se dá a uma pessoa que continua a falar, mesmo quando os outros não estão interessados?
Bruno:
− Professora.

Professora:
− Juquinha, diga-me lá, quanto ossos têm o corpo  humano?
Juquinha:
− Dois, senhora professora!
Professora:
− Veja bem, Juquinha, eu estou perguntando quantos ossos têm o corpo humano?
Juquinha:
− Ah! Ossos? Pensei que fossem ovos!

Professor:
– Hoje estou bem disposto. Quem responder corretamente a minha seguinte pergunta pode sair da aula.
Assim que ouviu isso, o Joãozinho atira o lápis para o canto da sala.
Professor:
– Quem fez isso?
Joãozinho:
– Fui eu, agora posso sair?

Aluno:
− Professora, alguém pode ser castigado por uma coisa que não fez?
Professora:
− Claro que não!
Aluno:
− É que eu não fiz os trabalhos de casa...