sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Antes da fama

Antes de se tornar uma das musas do cinema do século XX, a atriz Greta Garbo foi assistente de salão de beleza. E Rodolfo Valentino – o maior astro do cinema mudo -, o que fez antes da fama? E o mestre do suspense Stephen King, como sobrevivia antes de se tornar famoso? Nas próximas linhas, você saberá o que eles e muitos outros mestres, gênios e mitos fizeram antes de se tornarem conhecidos.


Quando nem sonhava em ser um astro da nascente indústria cinematográfica, Rodolfo Valentino (foto acima) levou a vida como jardineiro e lavador de pratos.

Foi como frentista de posto de gasolina que Stephen King trabalhou antes de se tornar conhecido como escritor. O autor de O Iluminado também passou roupas numa lavanderia.

Na época em que se tornar cantor era apenas um sonho, o mito Francisco Alves trabalhou como taxista, engraxate e operário de uma fábrica de chapéus.

Não era só de música que Carlos Gomes entendia. O compositor brasileiro, autor de O Guarani, música prefixo da abertura da Voz do Brasil, sabia costurar paletós e calças, função aprendida nos tempos em que trabalhava como alfaiate.

Quando nem imaginava que seria chamado de Rei do Rock, Elvis Presley ganhava a vida como motorista de caminhão. Além disso – o que pouca gente sabe -, Elvis foi coveiro.

Louis Armstrong, um dos maiores ídolos da música afro-americana, foi limpador de túmulo e mais tarde, músico de uma banda que tocava em funerais.

Antes da fama, Andy Warhol − talvez o maior mestre da pop art −, trabalhou como estilista de moda.

Antes de se consagrar como escritor, Herman Melville trabalhou como marinheiro. Suas aventuras pelos mares do sul inspiraram boa parte de seus livros, entre eles o célebre Moby Dick.

Outra grande personalidade da cultura universal que chegou a ganhar a vida como marinheiro foi o compositor russo Nicolai Rimski-Korsakov.

Outro que singrou pelos mares antes de se tornar conhecido foi o escritor de origem polonesa Joseph Conrad.

Além de corretor de valores, o pintor Paul Gauguin foi marinheiro. A paixão do francês Gauguin pelas ilhas do Pacífico era tamanha que ele, em determinado ponto da vida, abandonou a civilização para viver no Taiti.

Fernando Sabino foi baterista de um grupo musical e nadador. Sua especialidade era o nado costas, categoria que lhe valeu vários prêmios.

O escritor Paulo Coelho, além de autor de teatro e jornalista, foi compositor. É de sua autoria, em parceria com Raul Seixas, músicas famosas como Gita e Eu nasci há 10 mil anos atrás.

O escritor brasileiro Érico Veríssimo exerceu a função de farmacêutico.

Antes de se imortalizar como escritor, Guimarães Rosa exerceu duas profissões: diplomata e médico.

Pedro Nava, outro grande homem de letras nascido no Brasil, também exerceu a profissão de médico durante anos.

Antes de escrever sua primeira peça, o dramaturgo Plínio Marcos foi jogador de futebol, e, imaginem, palhaço de circo.

O compositor Chico Buarque foi topógrafo.

A grande atriz de teatro, cinema e televisão, Fernanda Montenegro, já foi locutora de rádio. O nome do programa era Central do Brasil.

O escritor Rubem Fonseca foi delegado de polícia.

Roberto Carlos, o Rei, foi auxiliar administrativo do Ministério da Fazenda.

O cantor e compositor Erasmo Carlos teve a seguintes profissões: office-boy, vendedor e porteiro.

Dona Ivone Lara, a grande dama do samba, foi enfermeira de hospital.

Em uma idade precoce, Tom Cruise se juntou a um seminário para se tornar um sacerdote. Cruise também passou um curto período de tempo em Kentucky, onde foi um paperboy para o Louisville Courier-Journal.

Richard Gere frequentou a Universidade de Massachusetts em Amherst em uma bolsa de ginástica, onde estudou filosofia.

Antes de Clark Gable se tornou o rei de Hollywood, ele trabalhava como vendedor de gravatas na loja de departamento Meier & Frank.

Trecho do livro Coisas de Gênio - Fatos pitorescos e curiosidades
sobres os maiores gênios da cultura universal)

(Da Revista Hierophant)



Afazeres de Dom Pedro II

(Provavelmente na sua infância e adolescência)


D. Pedro II jovem

REGULAMENTO baixado pelo Marquês de Itanhaém (Manuel Inácio de Souto Maior Pinto Coelho), para estabelecer os afazeres de D. Pedro II e das princesas:

“S.M.I.* deve-se levantar impreterivelmente às 7 horas da manhã, depois do que deve fazer a sua toilette e dar graças a Deus, rezando. Às 8 horas deve almoçar em presença do médico que deverá examinar a sua comida se é boa e com suficiente calor e evitar que S.M.I. coma demais. Deve descansar até às 9 horas, em que deve começar a estudar, até às 11 1/2.

Depois da lição, poderá S.M.I. divertir-se em qualquer jogo, e passear pelo Paço até uma hora e meia, tempo em que deve retirar-se a fazer sua toilette para jantar.

Às duas horas em ponto, deve começar a jantar em presença do médico e do camarista, e bom será que da Exm.ª Dama que serve de camareira-mor, devendo estes entreter a conversação, tendo cuidado de que ela verse sempre sobre objetos científicos ou de beneficência. Fica proibido a todo criado de particular para baixo, inclusive, começar conversa com o imperador; mas não de responder-lhe todas as vezes que lhe dirigir a palavra. Fica proibido demorar-se negro algum nos quartos de S.M.I., devendo cada um entrar e sair somente nas ocasiões indispensáveis. Depois do jantar, deve-se fazer todo o esforço para que o imperador não salte nem durma nem se aplique.

S.M.I. deve passear todos os dias no jardim, exceto quando chover ou estiver muito úmido. O passeio começará às 4 e meia ou às 5 horas, conforme a estação, e deve-se recolher ao entrar o sol, de sorte que o dia ainda exista.

Quer S.M.I. vá a cavalo, quer a pé, deve fazer exercícios moderados, isto não impede que corra alguma vez, mas não a fatigar. Depois do passeio (se estiver suado), deve mudar o fato, lavar-se e ler, por ora pequenos contos, e à medida que for ganhando em forças físicas e intelectuais, objetos mais profundos. Às 8 horas, fará oração.

Às 9, ceará, e às 9 e meia, e melhor será às 10, se deitará. Fica a cargo do seu criado efetivo Richer o proporcionar o vestuário do Imperador à temperatura.

O médico regulará os banhos, suas horas e a temperatura da água.

S.M.I. só poderá ir aos quartos das princesas depois que elas tiverem almoçado e que aqueles estejam arranjados.”

*S.M.I. Sua Majestade Imperial

Caridade de Dom Pedro II


QUATRO dias após a proclamação da República, foi baixado o seguinte decreto:

“Considerando que o senhor Dom Pedro II pensionava de seu bolso a necessitados e enfermos, viúvas e órfãos, para muitos dos quais esse subsídio se tornava o único meio de subsistência e educação;

Considerando que seria crueldade envolver na queda da monarquia o infortúnio de tantos desvalidos;

Considerando a inconveniência de amargurar com esses sofrimentos imerecidos a fundação da República:

Resolve o Governo Provisório de República dos Estados Unidos do Brasil:

Artigo 1º - Os necessitados, enfermos, viúvas e órfãos, pensionados pelo Imperador deposto continuarão a perceber o mesmo subsídio, enquanto durar a respeito de cada um a indigência, a moléstia, a viuvez ou a menoridade em que hoje se acharem.

Artigo 2º - Para cumprimento dessa disposição se organizará, segundo a escrituração da ex-mordomia da casa imperial, uma lista discriminada quanto à situação de cada indivíduo ou à quota que lhe couber.

Artigo 3º - Revogam-se as disposições em contrário.

Sala das sessões do Governo Provisório, em 19 de Novembro de 1889. Manuel Deodoro da Fonseca – Aristides da Silveira Lobo – Rui Barbosa – Manoel Ferraz de Campos Sales – Quintino Bocaiúva – Benjamin Constant Botelho de Magalhães – Eduardo Wandelkolk”.

(Pesquisa: No Mundo das Excentricidades: 
ESPÍNDOLA, Itamar de Santiago)

O valor da competência



Dizem que não se cobra pelo que se faz, mas pelo que se sabe!
  
Um especialista foi chamado para solucionar um problema com um computador de grande porte e altamente complexo... Um computador que vale 12 milhões de reais. Sentado em frente ao monitor, pressionou algumas teclas, balançou a cabeça, murmurou algo para si mesmo e desligou o computador. Tirou uma chave de fenda de seu bolso e deu volta e meia em um minúsculo parafuso. Então ligou o computador e verificou que tudo estava funcionando perfeitamente. O presidente da empresa se mostrou surpreendido e ofereceu pagar a conta no mesmo instante.

- Quanto lhe devo? − perguntou.

- São mil reais, por favor.

-  Mil reais? Mil reais por alguns minutos de trabalho? Mil reais por apertar um parafuso? Eu sei que meu computador vale 12 milhões de reais, mas mil reais é um valor absurdo! Pagarei somente se receber uma nota fiscal com todos os detalhes que justifique tal valor.

O especialista balançou a cabeça e saiu.

Na manhã seguinte, o presidente recebeu a nota fiscal, leu com cuidado, balançou a cabeça e saiu para pagá-la no mesmo instante sem reclamar.
A nota fiscal dizia:

Serviços prestados:

•          Apertar um parafuso...........................1 real
•          Saber qual parafuso apertar..........999 reais

Competência não tem preço!


quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Um fato inusitado do Pan-Americano de 1956


O massagista Moura


Na foto acima, o time campeão do Pan-Americano de 1956, no México, representados por atletas gaúchos: Em pé, da esquerda para a direita: Sérgio (G), Oreco (I). Florindo (I), Odorico (I), Ênio Rodrigues (G) e Duarte (P). Agachados, na mesma ordem:  Luisinho (I), Bodinho (I), Larry (I), Ênio Andrade (R) Raul Klein (F), Biscardi (G), massagista e Moura (I), massagista.

(G) atletas do Grêmio; (I) atletas do Internacional; (P) Pelotas. (R) Renner e (F) Floriano.

*****

Moura, como braço-esquerdo de Teté, foi o protagonista do episódio mais antológico e pitoresco de todo o Pan-americano de 1956, no México. O Brasil jogava contra o Peru que, à época, tinha um ataque fenomenal: Moschera, Félix Castillo, Draco, era um timaço que disputava cada jogada palmo a palmo do campo. Depois do gol de Larry, aos vinte do primeiro tempo, a pressão peruana se tornava sufocante. Castillo, driblador e veloz, batia Duarte com facilidade a cada ataque. Qualquer descuido do lateral brasileiro poderia ser fatal.

Em determinado lance, pelo fundo do campo, Odorico acabou se lesionado, e ficou estirado na linha de fundo, sendo atendido por Moura, com sua maleta de madeira. Foi quando tudo aconteceu: enquanto verificava as condições do meio-campista colorado, o massagista sentiu a inexorável aproximação de Félix, que dribla Duarte, depois Ênio Rodrigues e corre sozinho pela linha de fundo com a bola, pronto para fuzilar Sérgio Moacir. Moura não pensa duas vezes, e atirando a pesada maleta aos pés do ponta peruano, fazendo o atleta cair estrepitosamente no gramado.


Moura contido pelo bandeirinha

- Foi uma coisa, queriam prender o Moura − lembra Larry. − Foi uma coisa horrível, os jogadores do Peru queriam matar ele, e nós tivemos que entrar no bolo para afastar. Foi uma coisa terrível!

Já Florindo entende que a atitude do massagista foi mais do que fundamental:

- Foi um bafafá, expulsaram o Moura, e ele, naquele instante, ele teve uma coisa que eu posso dizer o seguinte: se não fosse ele, o jogador da Peru iria fazer o gol.

Na final, contra a temida Argentina, Chinesinho fez 1 a 0, e Yaudica empatou, no primeiro tempo. Aos 13 minutos do segundo, de falta, Ênio Andrade fez 2 a 1. Cinco minutos antes do fim, Sívori empatou. Como o resultado garantia o título, os gaúchos só tocaram a bola até a festa. O time campeão teve Valdir; Florindo e Figueiró (Duarte); Odorico, Oreco e Ênio Rodrigues; Luisinho, Bodinho, Larry, Ênio Andrade e Chinesinho.

Na volta, Porto Alegre parou para receber os campeões. Simbolicamente ou não, a epopeia gaúcha com a camisa amarela da Seleção, além de calar os céticos, de certa forma também abriu caminho para que o Brasil amealhasse o seu primeiro título mundial, dois anos depois (1958).


Florindo, já campeão, 
sai de campo abraçado pelo massagista Moura.



A imprensa noticia um crime no Acre



Plácido de Castro

Rio, 16 – Ultimamente, como em tempo noticiei, era intensa a agitação dos espiritos no Acre. Grupos pertencentes ás duas facções que ali predominam armaram conflictos, julgando certa a deposição do coronel Gabino Bezouro, com quem trocou varias cartas o coronel Placido de Castro. Serenados os animos, em 1º de agosto, o coronel Placido de Castro seguiu para Xurupy, renovando-se então os boatos de deposição. A calma que se notava era apenas aparente.

No dia 8 do corrente o coronel Placido, em companhia de quatro amigos a cavallo, seguiu para o seu seringal, em Catapara, quando uma descarga, partida da matta, o feriu no baixo ventre e nas costellas. Apezar de ferido, Placido de Castro avançou para o ponto donde partira a descarga, e então novos tiros o alvejaram. Sentindo que perdia as forças desceu elle do animal, sendo carregado em braços, pelos seus amigos, para a sua residencia, que fica proxima ao local em que se deu o facto. Chegando á casa, Placido de Castro mandou logo chamar um tabellião, fazendo testamento, pelo qual lega a terça de seus bens á sua mãe e o restante de sua fortuna a seus irmãos. No seu testamento, declarou elle que morria victima de uma emboscada. O coronel Placido de Castro falleceu no dia do corrente, ás 4 horas da tarde. O coronel Gabino Bezouro, prefeito do Acre, mandou abrir inquerito sobre o facto.

A grafia de época está preservada no texto acima.
  
(Correio do Povo de 16 de setembro de 1908 e 17 de setembro de 2008)


Plácido de Castro* em sua fazenda no Acre.

*José Plácido de Castro (São Gabriel, RS, 9 de setembro de 1873 − Seringal Benfica, AC, 11 de agosto de 1908) foi um político, militar idealista brasileiro, líder da Revolução Acreana e que governou o Estado Independente do Acre.


Túmulo de Plácido e Castro, Cemitério da Santa Casa,
em Porto Alegre.

Dois grandes sustos de Antônio Carlos Jobim

(Contado por Carlos Lyra)


Tom e Vinicius de Moraes

Depois de separado de sua quarta mulher, Vinicius vinha mantendo um romance secreto com Nelita, cujos pais se recusavam terminantemente a acolher o poeta. Um dia, em minha casa, sentados à mesa da cozinha tomando café, me preocupou a melancolia de meu parceiro em relação a seu amor proibido: “Por que você não a rapta?”, perguntei de chofre. Ele ficou mudo por um instante e logo foi atacado por um risinho nervoso: “Raptar, é, parceirinho? Sabe que é uma boa ideia!” Daí em diante, foi um tal de irem levando lá pra casa as bagagens da noiva e o enxoval de que os pais não poderiam sequer desconfiar da existência. Vinicius conseguira, às pressas, um posto diplomático em Paris, e comprou as duas passagens para o mesmo dia em que eu viajava para Nova York. Assim foi que Tom Jobim acabou sorteado para me substituir na escolta dos noivos ao aeroporto. Suas primeiras palavras, ao chegar em minha casa, foram: “Aquele tiro que seria pra você, vai sobrar pra mim...”

Dois dias após o rapto, os pais da noiva anunciavam nos jornais:

“Temos o prazer de comunicar o casamento de nossa filha Nelita com o poeta Vinicius de Moraes.”

*****

(...) Quando a cortina do Carnegie Hall se abriu, foi para uma plateia lotada e a câmeras de televisão da Costa Leste à Costa Oeste a postos para registrar o evento. O concerto de Bossa Nova teve início com uma mulher que adentrou o palco brandindo maracás freneticamente, no mais tradicional estilo latino de Hollywood. Seguiu-se um violonista armado de guitarra (elétrica!) que apresentou números do mais insuspeito teor malabarístico, até tocando o instrumento nas costas! Como se tudo isso não bastasse, num dado momento saltou para o palco um personagem de origem nitidamente caucasiana, mas que, ao ruído de um baticum imitando bateria de escola de samba, executou intrincado passos e movimentos que mais sugeriam as convulsões de um mestre-sala em delírio (...).

Naquele momento me dei conta do equívoco resultante de nossa inexperiência e saí pelos bastidores disposto mesmo a subverter a ordem. A um canto, encontrei Tom Jobim arriado em um tamborete, os cabelos caindo lisos sobre a testa e uma expressão de sofrimento só igualado ao meu. “Tom, você está vendo isso?”, perguntei. “Estou”, respondeu quase sem voz. “Então”, arrematei, “vamos chamar o Bonfá, o João, o Menescal, todo mundo que veio pra cá fazer isso a sério, pegamos o avião e voltamos já pra casa!” Tom me olhou desolado, suspirou fundo e perguntou: “Você assinou aquele papel?” (o contrato de apresentação) Cerrei os olhos, pressentindo o que vinha e respondi: “Assinei, Tom.” “Então, Carlinhos”, gemeu ele, “aqui não se pode fazer isso não. Aqui tem cadeira elétrica!”

(Do livro “Carlos Lyra: Eu & a Bossa – Uma história da Bossa Nova”)


Carlos Lyra


Padre Cacique

(1831 – 1907)


Padre Joaquim Cacique de Barros

Em data de 5 de setembro de setembro 1882, o venerável Padre Joaquim Cacique de Barros sai a pedir donativos, de porta em porta, para a realização do sonho de criar para os mendigos um asilo especial. Distribuindo a todos uma planta do prédio que pretendia construir, dizia que assim procedia para que “ficassem conhecendo o edifício que os poderia, no futuro, abrigar das privações”.

Era tão grande a sua atividade no recolher recursos, que a publicidade em torno do Asilo ultrapassou as fronteiras do país, sendo noticiado que o Governo da Província de Buenos Aires dava a quantia de oitenta mil pesos para o Asilo de mendigos.

Em 12 de maio de 1892, o Padre Cacique, sabendo que era urgente construir uma Sociedade, com organização própria para substituir dentro da República, convoca os mais ilustres nomes de rio-grandenses e funda a Sociedade Humanitária Padre Cacique, cuja primeira Diretoria é assim constituída:

Presidente: Padre Joaquim Cacique de Barros
Secretário: José Pedro Alves
Tesoureiro: Cônego Dr. José Gonçalves Vianna
Conselheiros: Dr. Rodrigo d'Azambuja Vilanova, Achylles José Gomes Porto Alegre, Dr. Fausto de Freitas e Castro e José Luiz Moura de Azevedo

Asilo Padre Cacique
 a missão de um religioso baiano em Porto Alegre


Asilo Padre Cacique-1909

Texto: Themis Marçal

Em 1862 desembarcava em Porto Alegre o padre baiano Joaquim Cacique de Barros, mais conhecido como Padre Cacique, com uma missão: servir ao próximo, principalmente aos velhos e às crianças desvalidas. A luta pelas crianças foi a primeira etapa de sua trajetória. Em 1881, ele iniciou a construção dos alicerces do Asilo de Mendicidade no terreno doado pelo então Imperador D.Pedro II. A construção acabou interrompida algumas vezes e somente foi inaugurado em 19 de julho de 1898.


Passaram-se décadas, e o asilo, hoje chamado de Padre Cacique, é mantido pela Sociedade Humanitária Padre Cacique, ONG sem fins lucrativos. Conforme o presidente do Conselho da mantenedora, Gildo Milman, o Asilo Padre Cacique é o último elo da cadeia de assistência, não tem renda, um investimento sem retorno. Lamenta que o terceiro setor excluísse toda a geração da terceira idade. Para a instituição, toda a doação é bem-vinda - como gêneros alimentícios, medicamentos, fraldas descartáveis e agasalhos. Segundo ele, o asilo é mantido com renda de imóveis alugados, que foram doados, e contribuições financeiras espontâneas. Atualmente, o conselho da Sociedade Humanitária possui 42 componentes, alguns mais engajados, e voluntários.


Asilo Padre Cacique-1902