domingo, 14 de janeiro de 2018

Maysa, a cantora intimista

1936-1977

“A Deusa da fossa”


A única vez que vi Maysa ao vivo, foi no começo dos anos 60 no Programa Mauricio Sobrinho, da Rádio Gaúcha, que era apresentado todos os domingos, no Cinema Castelo (3.500 lugares), na Avenida Azenha, em Porto Alegre, das 10 ao meio-dia.

O apresentador, que era o César de Alencar ou o Paulo Gracindo do Sul, Maurício Sobrinho, com seu estilo brincalhão e comunicativo, tentou interagir com a cantora, que estava visivelmente irritada, sonolenta e deslocada daquele contexto: multidão e programa matinal.

Ele deveria saber que Maysa era uma cantora intimista, notívaga e de pouco público. Ela era imensamente emocional e só cantava movida a muito álcool.

As luzes feéricas do palco, a gritaria das famosas “macacas de auditório” fez com ela se apresentasse de forma medíocre. Eu tinha quinze anos, mas entendi logo que aquele lugar, naquela hora, não era ideal para a sua apresentação.

Maysa é para ser ouvida em CD, tomando alguma coisa, sacando as letras dor-de-cotovelo.

Viveu seus amores intensamente, bebeu intensamente e morreu, indo para alguma praia do litoral norte do Rio de Janeiro, sabe-se lá em que condições, à procura do seu paraíso terrestre que nunca encontrou em vida.

Nilo da Silva Moraes

As letras de Maysa

Ouça

Ouça,
vá viver a sua vida com outro alguém.
Hoje eu já cansei de pra você
não ser não ser ninguém.
O passado não foi o bastante
pra lhe convencer
que o futuro seria bem grande
só eu e você.
Quando a lembrança
com você for morar,
e bem baixinho de saudade você chorar,
vai lembrar que um dia existiu,
um alguém que só carinho pediu,
e você fez questão de não dar,
fez questão de negar.

Meu mudo caiu*

Meu mundo caiu,
e me fez ficar assim.
Você conseguiu,
e agora diz que tem pena de mim.
Não sei se explico bem,
eu nada pedi.
Nem a você nem a ninguém,
não fui eu que caí.
Sei que você me entendeu,
sei também que não vai se importar,
se o mundo caiu,
eu que aprenda a levantar.

* Dizem que ela fez essa música para o ex-marido, André Matarazzo, ao se separar dele...

O dia em que Maysa aprontou para Ronaldo Bôscoli

A capacidade que a Maysa tinha para passar trotes me fascinava. Eu a acompanhava neles. E me divertia muitíssimo com as brincadeiras.

Certa vez, para minha desgraça, ela armou um trote para mim.

Já fazia algum tempo que eu estava separado de Maysa, quando veio ao Brasil uma amiga de minha irmã Lila, Maria Eugênia Ouro Preto, agora Mimi D`Arcange, condessa do condado de Arcange. Era um arraso de mulher, elegantésima (sic), charmosérrima (sic). Tinha sido modelo da Channel. E aqui no Rio ela aparecia em tudo quanto é coluna social.

Eu e Mimi nos apaixonamos e vivemos uma breve, mas intensa, história de amor. Ela queria conhecer Cabo Frio, eu a levei ara lá onde passamos um tempo (depois, obviamente, ela voltou pra Europa e pro seu condado). Naturalmente, a imprensa a descobriu em Cabo Frio e fez uma matéria. O jornalista percebeu que estávamos juntos e me entrevistou. Eu, na intensidade da nova paixão, fui espirituoso.

- Troquei uma condessa de araque por uma condessa de verdade.

A condessa de araque era Maysa. Maysa, principalmente no tempo em que esteve na Argentina, era chamada, por conta da família Matarazzo, de “la condessa cantante”. Ela detestava que a chamassem de condessa Matarazzo, mas à vezes a imprensa se referia a ela assim. Eu a chamava de condessa de araque.

Maysa deve ter lido a matéria no jornal e esperou um tempo. O tempo devido para me pegar.

Uma noite, por volta da uma da madrugada, estávamos eu e Miéle na Fiorentina. Numa merda de dar gosto. Os shows do Beco davam fama e prestígio, dinheiro nunca. Estávamos tomando uma canja a duas colheres: a tigela no meio e cada um metia a colher de um lado.

O garçom vem me chamar:

- Seu Ronaldo Bôscoli, Maysa no telefone, de São Paulo.

 Fiquei espantadíssimo. Pô, há quanto tempo que eu não falava com Maysa!

No telefone, Maysa foi aquela maravilha. Ela me cantou, me seduziu. A voz inteirinha, ela realmente parecia estar de bem sóbria. Cheia de clichês, saiu falando que eu era a paixão da vida dela etc.

- Ronaldo, eu quero muito que você e Miéle façam meu último show no Brasil.

Ela ia morar na Espanha.

- Grana não é problema.

Não era problema pra ela. Pra mim...

Resultado: Maysa me convenceu a fazer o último show, num esquema fabuloso em clubes, televisão. Grana rolando solta. Miéle ficou meio hesitante, mas ela falou com ele e também o convenceu. Não foi difícil porque estávamos muito ferrados. Aí eu disse:

- Então tá, amanhã eu ligo, agente acerta tudo.

- Não, não, agora. Vem pra cá, agora.

Pra São Paulo, imagina! Maysa falou como se fosse aqui do lado.

- Pega um táxi e vem. Eu pago. Faz parte da produção, não se preocupe.

Eu e Miéle, naquela perspectiva de grana, fomos mesmo. Na hora. Convencemos um motorista de táxi, que ficou meio cabreiro, mas acabou indo, passamos em casa, pegamos nossa “bagagem” e nos mandamos. No meio do caminho, furou o pneu do carro. Aí foi brabo, porque demos o último (e pouco) dinheiro que tínhamos pro conserto. Ficamos completamente lisos.

Mas eu estava tão confiante que não raciocinava sobre a loucura da viagem. Eu ia contando minhas bravatas com a Maysa pro Miéle, o motorista ouvia e ria, meio desconfiado.

- Esse cara todo ferrado aí com a maysa? Tá querendo me enrolar!

Era difícil mesmo de acreditar. A Maysa tinha fama nacional e internacional nessa época.

Mas, enfim, chegamos. Tocamos a campainha. Maysa não estava. Deixou apenas um bilhete:

Ronaldo,

A condessa de araque partiu pra sempre. 

Tchau!

Maysa

(Do livro “Elas e Eu – Memórias de Ronaldo Bôscoli”, 
de Luiz Carlos Maciel e Ângela Chaves)

O instante certo


Cercada de brancos hostis, a estudante negra Elizabeth Eckford, de 15 anos, recebe pelas costas o insulto racista da também adolescente Hazel Bryan. O momento preciso é registrado assim por Dorrit Harazim no livro O Instante Certo: “Vai pra casa, negrona! Volta para a Á – clique – “frica!”


O instante que uniu o destino de Elizabeth e o de Hazel é uma das imagens-símbolo da luta pelos direitos civis dos negros americanos. Foi feito em 1957 por Will Counts, jovem fotógrafo que cobria para um jornal local o tenso primeiro dia de aula de nove estudantes negros em uma escola segregacionista de Little Rock, capital do Arkansas, forçada a aceitá-los por decisão da Suprema Corte.

Em maio de 1947, uma bela residente de Nova York chamada Evelyn McHale, de 23 anos, atirou-se do Empire State Building, então o edifício mais alto do mundo, e imprimiu no capô de uma limusine estacionada 86 andares abaixo um ninho de metal onde seu corpo estranhamente composto não perdeu a elegância. Estampada em página inteira na revista Life, a foto do estudante de fotografia Robert C. Wiles, que passava pelo local, é espantosa. Nada mais se soube dele, como pouco se sabe de Evelyn.


Execução em Saigon

Eddie Adams foi o autor das fotos mais emblemáticas da Guerra do Vietnã. Quando o general sul-vietnamita aproxima o revólver da cabeça de um vietcongue que chora de pavor, o momento decisivo é aquele que, no cinema, ficaria um fotograma antes do disparo. Adams ganhou o Pulitzer com essa imagem, mas a odiava. “O chefe de polícia, general Nguyen Ngoc Loan, matou um vietcongue e eu matei o general com minha câmera”, torturou-se até morrer, em 2004, em 2004, aos 71 anos. “Duas vidas foram destruídas, e eu era um herói.”


(Parte da matéria da revista Veja, junho de 2016,
 “Instante de Humanidade”, de Sérgio Rodrigues)
  
A foto acima, que mostra a execução do capitão vietcongue Nguyen Van Leme pelo general vietnamita Nguyen Ngoc Loan, no dia 1º de fevereiro de 1968, rendeu-lhe o prêmio Pulitzer Prize 1969 de fotografia e mais de 500 prêmios. Eddie Adams estava cobrindo a Guerra do Vietnã quando fez esta foto. O capitão vietcongue Nguyen Van Lem caiu nas mãos do general Loan, aliado dos Estados Unidos, e foi executado por ele numa rua de Saigon.

O que impressiona é a frieza do fotógrafo que dá o primeiro clique com sua câmera, registrando a cena e, imediatamente, ouve o segundo saindo da pistola do general. Será que Loan fez pose para a foto ou foi o repórter quem capturou a cena?

Essa foto representa tudo o que havia de mal no Vietnã. O exército dos EUA não era capaz de controlar seus aliados do Vietnã do Sul, tão sanguinários quanto o inimigo, o Vietnã do Norte. Uma completa situação política contida numa única foto. Dois personagens: o executor e a vítima. Movimentos pacifistas tomaram a imagem como a representação da brutalidade de uma guerra sem sentido.”.

(Adendo final do Blog Vírus da Arte & Cia)




Turismo Imperial

Dom Pedro II adorava passear pelo planeta


O Imperador brasileiro, o sexto sentado da esquerda para a direita,
aparece minúsculo diante das maravilhas do antigo Egito.

Dom Pedro II era um homem do mundo. Falante de 13 línguas, entre 1871 e 1888 ele passaria três anos e sete meses fora do Brasil, viajando pela Europa, Oriente Médio e América. Numa dessas viagens, em 1876, famosamente ajudou Alexander Graham Bell a divulgar seu invento: o telefone.

A oposição não gostava muito – a imagem acima é de sua primeira viagem, em 1871, e renderia uma caricatura dele como a esfinge (abaixo), publicada pelo republicano Ângelo Agostini.


Na foto ao alto da página, Dom Pedro aparece em trajes civis, quem sabe incógnito, cercado pela comitiva egípcia e, sentado ao lado da esposa, a imperatriz Teresa Cristina. A pirâmide de Gizé e a esfinge (foto abaixo) ainda aparecem semienterradas na areia. O processo de escavação, começado no início daquele século, se estenderia até o seguinte.


O imperador colecionaria um acervo de mais de 21 mil fotografias, dele próprio e dos locais que visitou. Algumas delas usaram a técnica de estereoscopia, que produz imagens tridimensionais.

(Da revista Aventuras na História – janeiro de 2017)


sábado, 13 de janeiro de 2018

Encontros e Colisões



Martha Medeiros

Ir ao encontro é abertura, ir de encontro é colisão.
  
Tenho uma quedinha pelos significados antagônicos das expressões “ao encontro de” e “de encontro ao”. Perceba a sutileza, até parece poesia: ao encontro de/de encontro ao. Arnaldo Antunes já terá se debruçado sobre isso? Adélia Prado? Antonio Cícero? Claro que não, eles não têm a obrigação de escrever um artigo edificante sobre o fim do ano. Mesmo que não pareça, é o que estou tentando fazer.

Uma pequena troca de posição (“de” no lugar de “ao”, e vice-versa) e temos um mundo novo, outro olhar, tudo se transforma.

Ir ao encontro é abertura. Ir ao encontro de um novo amor, ou de um ex-amor, de um amor para sempre. Alguém que você sabe que está esperando sua chegada, que irá jogar tudo para o alto ao ver você entrar pela porta, que lhe dará a certeza confortante de que está sendo aguardado e de que nada, nada impedirá o happy end desta história.

Ir ao encontro de um sonho que estava criando mofo na sua imaginação. De repente, o sonho se realiza e uma chuva de papel picado cai sobre sua cabeça e você nem percebe o quanto isso é cafona, de tão inatingível que tudo parecia, mas aconteceu.

Ir ao encontro de um desafio que irá justificar sua passagem por este planeta. Escalar o Aconcágua? Apoiar uma organização humanitária? Fazer um teste para atriz? Ir ao encontro do que você intuiu antes mesmo de planejar, ir ao encontro daquilo que você queria ser antes mesmo de entender a fundo o que é ser alguém.

Ir ao encontro da serenidade, da angústia zero. Permitir que as perguntas fiquem sem respostas e não sofrer nem um pouco por isso. Ir ao encontro das surpresas que redefinirão quem você é, mesmo que você pense que já sabe quem é (não, nunca se sabe com certeza). Ir ao encontro do pânico e do êxtase que às vezes (quase sempre) reúnem-se no mesmo acontecimento.

Ir ao seu próprio encontro, ao encontro daquela faceta secreta que você ainda não trouxe à tona por medo de se conectar com as partes ignoradas da sua identidade. Há muitos “eus” dentro deste você que você é, mas que ainda não se permitiu ser por inteiro. Ir ao encontro deles, de todos esses eus desconhecidos, é um abraço gigantesco em si mesmo.

Que 2018 seja um esplendoroso “ao encontro de”, e não um indesejado “de encontro ao”. Crash! “De encontro” é colisão. Bater de frente com a namorada, brigar com amigos por causa de política, ficar estremecido pela divergência de opiniões, mergulhar no estresse. Tivemos fartura dessas colisões em 2017, algumas necessárias, mas todas desgastantes. Ainda que 2018 seja um ano eleitoral (o que propiciará muitos “de encontro”), vale sonhar com um candidato que nos levará “ao encontro” de um ideal comum, de uma sensatez administrativa, de uma visão pluralista e de uma consciência social que beneficiará a todos. Estamos merecendo ir ao encontro desta utopia.

“De encontro” é conflito, choque, obstrução da caminhada. O que eu desejo para 2018? Que não seja atravancado por fake news, agressões, baixarias. Que seja leve e desimpedido. Que elegantemente flua.

(Revista Donna, dezembro de 2017, em ZH)


Agostinho... do... Santos



Tive a sorte de conhecer, bem no início de minha carreira, o incrível cantor que foi Agostinho dos Santos. Era pra mim um mito de infância, aquela voz majestosa no filme Orfeu Negro, cantando maravilhas como Manhã de Carnaval e A Felicidade. Ao conhecê-lo, descobri que ele era também gente finíssima, engraçado e bem humorado, levando numa boa situações surrealistas, como uma em que se meteu em Sampa. Agostinho entrou num táxi, e o motorista era um fã seu incondicional, conhecia todo o seu repertório, e estava de fato encantado em atendê-lo. Não só não permitiu que ele pagasse a corrida, como conseguiu convencê-lo a ir até a sua (dele motorista) casa, para apresentá-lo à esposa: “ela vai ficar felicíssima, é doida por você, não vai acreditar que você andou no meu táxi”. A vaidade de artista falou mais alto, e Agostinho aceitou o convite, com a promessa de que seria levado de volta em seguida. Chegaram à casa do taxista, que abriu a porta e disse para a mulher, triunfante: “Olha só quem eu trouxe pra você conhecer!”. Ela olhou, desconfiada, não dizia uma palavra: em silêncio constrangedor. Impaciente, o marido insistiu: “É ele, pô, é o Agostinho dos Santos!” A mulher se desculpou, sem graça: “Sabe o que é, seu Agostinho, é que eu não tenho visto o Santos jogar ultimamente...”

(Do livro “Fotografei você na minha Rolleyflex”, de Joyce)


Garoto das meias vermelhas

Carlos Heitor Cony


Ele era um garoto triste. Procurava estudar muito.
Na hora do recreio ficava afastado dos colegas,
como se estivesse procurando alguma coisa.
Todos os outros meninos zombavam dele,
por causa das suas meias vermelhas.
Um dia, o cercaram e lhe perguntaram
por que ele só usava meias vermelhas.
Ele falou, com simplicidade:
“No ano passado, quando fiz aniversário,
minha mãe me levou ao circo.
Colocou em mim essas meias vermelhas.
Eu reclamei. Comecei a chorar.
Disse que todo mundo iria rir de mim,
por causa das meias vermelhas.
Mas ela disse que tinha um motivo muito forte
para me colocar as meias vermelhas.
Disse que se eu me perdesse,
bastaria ela olhar para o chão
e quando visse um menino de meias vermelhas,
saberia que o filho era dela.”

“Ora”, disseram os garotos. “Mas você não está num circo.
Por que não tira essas meias vermelhas e as joga fora?”
O menino das meias vermelhas olhou para os próprios pés,
talvez para disfarçar o olhar lacrimoso e explicou:
“É que a minha mãe abandonou nossa casa e foi embora.
Por isso, eu continuo usando essas meias vermelhas.
Quando ela passar por mim, em qualquer lugar em que eu esteja,
ela vai me encontrar e me levará com ela.”

Muitas almas existem, na Terra, solitárias e tristes,
chorando um amor que se foi.
Colocam meias vermelhas,
na expectativa de que alguém as identifique,
em meio à multidão, e as leve para a intimidade do próprio coração.
São crianças, cujos pais as deixaram, um dia, em braços alheios,
enquanto eles mesmos se lançaram à procura de tesouros,
nem sempre reais.
Lesadas em sua afetividade,
vivem cada dia à espera do retorno dos amores,
ou de alguém que lhes chegue e as aconchegue.
Têm sede de carinho e fome de afeto.
Trazem o olhar triste de quem se encontra sozinho e anseia por ternura.
São idosos recolhidos a lares e asilos, às dezenas.
Ficam sentados em suas cadeiras, tomando sol, as pernas estendidas,
aguardando que alguém identifique as meias vermelhas.
Aguardam gestos de carinho, atenções pequenas.
Marcam no calendário, para não se perderem, a data da próxima visita,
do aniversário, da festividade especial. Aguardam...
São homens e mulheres que se levantam todos os dias, saem de casa,
andam pelas ruas, sempre à esperta de alguém que partiu, retorne.
Que o filho que tomou o rumo do mundo e não mais escreveu,
nem deu notícia alguma, volte ao lar.
São namorados, noivos, esposos que viram o outro sair de casa,
um dia, esperam o retorno.
Almas solitárias. Lesadas na afetividade. Carentes.

Pense nisso!
O amor, sem dúvida, é lei da vida.
Ninguém no mundo pode medir a resistência de um coração
quando abandonado por outro.
E nem podem aquilatar da qualidade das reações que virão daqueles
que emurchecem aos poucos, na dor da afeição incompreendida.
Todos devemos respeito uns aos outros.
Somos responsáveis pelos que cativamos ou nos confiam seus corações.
Se alguém estiver usando meias vermelhas, por nossa causa,
pensemos se esse não é o momento de recompor
o que se encontra destroçado,
trabalhando a terra do nosso coração.
A maior de todas as artes é a arte de viver juntos.

*****

“Nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão!”


Carlos Heitor Cony


sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

A sabedoria da velhice



Um filho, após o falecimento do pai, colocou a sua mãe num asilo, e a visitava de vez em quando.

Um dia, recebeu uma ligação do asilo, informando que ela estava morrendo.

Ele foi correndo para ver a sua mãe, antes que ela falecesse.

Perguntou para ela:

− O que quer que eu faça por você, mãe?

A mãe Disse:

− Quero que você coloque ventiladores no asilo, porque eles não os têm e quero que você compre geladeiras também, para que a comida não se estrague. Muitas vezes dormi com calor e sem comer nada!

O filho disse, surpreso:

− Por que, agora, a senhora está pedindo essas coisas, enquanto está morrendo? Por que não reclamou antes?

A mãe respondeu triste:

− Eu me acostumei com a fome e o calor, mas o meu medo é de você não se acostumar, se os seus filhos colocarem você aqui, quando estiver velho!

Moral da historia:

Uma mãe cuida de dez filhos, mas dez filhos, muitas vezes, não cuidam de uma mãe!

O avanço da idade vem para todos nós, e um dia chegamos ao fim da vida. Isso ocorre a todos os seres que vivem neste mundo. O corpo já não se move como queremos, mas o sentimento da época da juventude sempre se mantém vivo. O coração de um jovem sempre se manterá intacto.

Vivemos em meio a uma vida muito atribulada, será que não estamos esquecendo das pessoas que são de fato importantes para nós? Que tal fazer uma visita a um velhinho que está morando sozinho ou vive numa casa de repouso?