terça-feira, 2 de março de 2021

Despedida

 

E no meio dessa confusão alguém partiu sem se despedir; foi triste. Se houvesse uma despedida talvez fosse mais triste, talvez tenha sido melhor assim, uma separação como às vezes acontece em um baile de carnaval - uma pessoa que se perda da outra, procura-a por um instante e depois adere a qualquer cordão. É melhor para os amantes pensar que a última vez que se encontraram se amaram muito - depois apenas aconteceu que não se encontraram mais. Eles não se despediram, a vida é que os despediu, cada um para seu lado - sem glória nem humilhação. 

Creio que será permitido guardar uma leve tristeza, e também uma lembrança boa; que não será proibido confessar que às vezes se tem saudades; nem será odioso dizer que a separação ao mesmo tempo nos traz um inexplicável sentimento de alívio, e de sossego; e um indefinível remorso; e um recôndito despeito. 

E que houve momentos perfeitos que passaram, mas não se perderam, porque ficaram em nossa vida; que a lembrança deles nos faz sentir maior a nossa solidão; mas que essa solidão ficou menos infeliz: que importa que uma estrela já esteja morta se ela ainda brilha no fundo de nossa noite e de nosso confuso sonho? 

Talvez não mereçamos imaginar que haverá outros verões; se eles vierem, nós os receberemos obedientes como as cigarras e as paineiras - com flores e cantos. O inverno - te lembras - nos maltratou; não havia flores, não havia mar, e fomos sacudidos de um lado para outro como dois bonecos na mão de um titeriteiro inábil. 

Ah, talvez valesse a pena dizer que houve um telefonema que não pôde haver; entretanto, é possível que não adiantasse nada. Para que explicações? Esqueçamos as pequenas coisas mortificantes; o silêncio torna tudo menos penoso; lembremos apenas as coisas douradas e digamos apenas a pequena palavra: adeus. 

A pequena palavra que se alonga como um canto de cigarra perdido numa tarde de domingo.

Extraído do livro “A Traição das Elegantes”, de Rubem Braga.

Crianças...

 

Um autor e conferencista certa ocasião falou de um concurso em que tinha sido convidado como jurado. O objetivo era escolher a criança mais cuidadosa. Eis alguns dos vencedores: 

Um garoto de 4 anos tinha um vizinho idoso ao lado, cuja esposa havia falecido recentemente. Ao vê-lo chorar, o menino foi para o quintal dele, e simplesmente sentou-se ao seu lado. Quando a mãe perguntou a ele o que havia dito ao velhinho, ele respondeu: 

- Nada, só o ajudei a chorar. 

*****

Os alunos de uma professora de primeira série  estavam examinando uma foto de família. Uma das crianças da foto tinha os cabelos de cor bem diferente dos demais. Alguém logo sugeriu que essa criança tivesse sido adotada. Logo uma menina falou: 

- Sei tudo sobre adoção, porque eu fui adotada. 

Logo outro aluno perguntou-lhe: 

- O que significa “ser adotado”? 

- Significa - disse a menina - que você cresceu no coração de sua mãe, e não na barriga! 

*****

Sempre que estou decepcionado com meu lugar na vida, eu paro e penso no pequeno João. 

João estava disputando um papel na peça da escola. Sua mãe me disse que tinha procurado preparar seu coração, mas ela temia que ele não fosse escolhido. 

No dia em que os papéis foram escolhidos, eu fui com ela para buscá-lo na escola. João correu para a mãe, com os olhos brilhando de orgulho e emoção: 

- Adivinha o quê, mãe! 

E disse aquelas palavras que continuariam a ser uma lição para mim: 

- Eu fui escolhido para bater palmas e espalhar a alegria!

 *****

Conta uma testemunha ocular de Nova York: 

Num frio dia de dezembro, alguns anos atrás, um rapazinho de cerca de 10 anos, descalço, estava em pé em frente a uma loja de sapatos, olhando a vitrina e tremendo de frio. Uma senhora se aproximou do rapaz e disse: 

- Você está com pensamento tão profundo, olhando essa vitrina! 

- Eu estava pedindo a Deus para me dar um par de sapatos - respondeu o garoto... 

A senhora tomou-o pela mão, entrou na loja e pediu ao atendente para dar meia dúzia de pares de meias para o menino. Ela também perguntou se poderia conseguir-lhe uma bacia com água e uma toalha. O balconista rapidamente atendeu-a e ela levou o garoto para a parte detrás da loja e, tirando as luvas, se ajoelhou e lavou seus pés pequenos e secou-os com a toalha. 

Nesse meio tempo, o empregado havia trazido as meias. Calçando-as nos pés do garoto, ela também lhe comprou um par de sapatos. Ela amarrou os outros pares de meias e entregou-lhe. Deu um tapinha carinhoso em sua cabeça e disse: 

- Sem dúvida, vai ser mais confortável agora. 

Como ela logo se virou para ir, o garoto segurou-lhe a mão, olhou seu rosto diretamente, com lágrimas nos olhos e perguntou: 

- Você é a mulher de Deus?

***** 

A vida é curta. Quebre regras, perdoe rapidamente, beije lentamente, ame de verdade, ria descontrolavelmente, e nunca pare de sorrir, por mais estranho que seja o motivo. E lembre-se que não há prazer sem riscos. A vida pode não ser a festa que esperávamos, mas uma vez que estamos aqui, temos que comemorar!

segunda-feira, 1 de março de 2021

Algo para refletir:

 

Paulo trabalhava em uma empresa há dois anos. Sempre foi um funcionário sério, dedicado e cumpridor de suas obrigações. Nunca chegava atrasado. Por isso mesmo já estava há dois anos na empresa, sem ter recebido uma única reclamação. Certo dia, ele foi até o diretor para fazer uma reclamação: 

- Senhor Gustavo, tenho trabalhado durante estes dois anos em sua empresa com toda a dedicação, só que me sinto um tanto injustiçado. Fiquei sabendo que o Fernando, que tem o mesmo cargo que eu e está na empresa há somente seis meses, já será promovido? 

Gustavo, fingindo não ouvi-lo, disse: 

- Foi bom você vir aqui. Tenho um problema para resolver e você poderá me ajudar. Estou querendo oferecer frutas como sobremesa ao nosso pessoal após o almoço de hoje. Aqui na esquina tem uma barraca de frutas. Por favor, vá até lá e verifique se eles têm abacaxi. 

Paulo, sem entender direito, saiu da sala e foi cumprir a missão. Em cinco minutos estava de volta. 

- E aí Paulo? − Perguntou Gustavo. 

- Verifiquei como o senhor pediu e eles têm abacaxi sim... 

- Quanto custa? 

- Ah, Isso eu não perguntei... 

- Eles têm abacaxi suficiente para atender a todo nosso pessoal? − Quis saber Gustavo. 

- Também não perguntei isso... 

- Há alguma fruta que possa substituir o abacaxi? 

- Não sei... 

- Muito bem, Paulo. Sente-se ali naquela cadeira e aguarde um pouco. 

O diretor pegou o telefone e mandou chamar o novato Fernando. Deu a ele a mesma orientação que dera a Paulo. Em dez minutos, Fernando voltou. 

- E então? − Indagou Gustavo. 

- Eles têm abacaxi sim, seu Gustavo. E é o suficiente para todo nosso pessoal e, se o senhor preferir, têm também laranja, banana, melão e mamão. O abacaxi custa R$ 5,00 cada; a banana e o mamão custam R$ 8,00 o quilo; o melão custa R$ 9,00 cada e a laranja custa R$ 10,00 a dúzia, já descascada. Mas, como eu disse que a compra seria em grande quantidade, eles nos concederão um desconto de 15%. Deixei reservado. Conforme o senhor decidir, volto lá e confirmo o pedido. - Explicou Fernando. 

Agradecendo pelas informações, o patrão dispensou-o. Voltou-se para Paulo, que permanecia sentado, e perguntou-lhe: 

- Paulo, o que foi que você estava me dizendo? 

- Nada, patrão. Esqueça. Com licença... 

E Paulo deixou a sala... 

Se não nos esforçarmos em fazer o melhor, mesmo em tarefas que possam parecer simples, jamais nos serão confiadas tarefas de maior importância. Todas as vezes que fazemos o uso correto e amplo da informação, criamos a oportunidade de imprimir a nossa marca pessoal. Você pode e deve se destacar, até nas coisas mais simples, como Fernando. 

Viva a diferença! Seja a diferença! 

Vida de mano

  

Mano não briga – treta. 

Mano não bebe – chapa. 

Mano não cai – capota. 

Mano não entende − se liga. 

Mano não fuma − dá uns pega. 

Mano não passeia − dá um rolê. 

Mano não come – ranga. 

Mano não entra − cai pra dentro. 

Mano não mata – destrói. 

Mano não conversa − troca ideia. 

Mano não vai embora – vaza. 

Mano não dorme − apaga / capota. 

Mano nunca tá apaixonado − tá a fim da mina. 

Mano não faz carinho − dá um amasso. 

Mano não mente − dá um migué. 

Mano não ouve música − curte um som. 

Mano quando se dá mal − a casa cai. 

Mano não acha interessante − acha irado / bem loco. 

Mano não tem amigos − tem uns truta / uns camaradas. 

Mano não mora em bairro − se esconde nas quebrada. 

Mano não vai para o Guarujá − cai pro litoral. 

Mano não tem namorada − tem mina. 

Mano não faz algo legal − faz umas parada. 

Mano não faz algo legal − faz umas parada firmeza. 

Mano não namora a mina de outro − fura o zoio do otário. 

Mano quando se dá mal − deu ruim. 

Mano quando está encantado com algo − está irado. 

Mano quando acha algo bom − acha maneiro. 

Mano quando acha algo legal − acha sinistro. 

Mano definindo mulher feia − o bagulho é sinistro 

Vida de mano é frenética, tá ligado?

Pipocas da vida

 

“Enquanto a sociedade feliz não chega, que haja pelo menos
fragmentos de futuro em que a alegria é servida como
sacramento, para que as crianças aprendam que o
mundo pode ser diferente. Que a escola,
ela mesma, seja um fragmento do
futuro...”

Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo, fica do mesmo jeito a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosa. Só que elas não percebem e acham que seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. 

Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos: a dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, o pai, a mãe, perder o emprego ou ficar pobre. Pode ser fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão ou sofrimento, cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso do remédio: apagar o fogo! Sem fogo o sofrimento diminui. Com isso, a possibilidade da grande transformação também.

Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro cada vez mais quente, pensa que sua hora chegou: vai morrer. Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar um destino diferente para si. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada para ela. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo a grande transformação acontece: BUM! E ela aparece como uma outra coisa completamente diferente, algo que ela mesma nunca havia sonhado. Bom, mas ainda temos o piruá, que é o milho de pipoca que se recusa a estourar. 

São como aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. 

A presunção e o medo são a dura casca do milho que não estoura. No entanto, o destino delas é triste, já que ficarão duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca, macia e nutritiva. Não vão dar alegria para ninguém.

 *****

Extraído do livro “O amor que acende a lua” de Rubem Alves.


Um pedaço de bolo

 

Às vezes nos perguntamos: “O que eu fiz pra merecer isso?” ou... “Por que Deus tinha que fazer isso justo comigo?” 

Aqui vai uma belíssima explicação. Uma filha dizia à Mãe como tudo ia errado. Ela não se saíra bem na prova de Matemática, o namorado resolveu terminar com ela e a sua melhor amiga estava de mudança para outra cidade. Em horas de amargura, a mãe sabia que poderia agradar a filha preparando-lhe um bolo. Naquele momento não foi diferente.  Abraçou a filha e levou-a à cozinha, conseguindo arrancar da moça um sorriso sincero. 

Logo que a mãe separou os utensílios e ingredientes que usaria e os colocou na mesa, perguntou à filha: 

- Querida, quer um pedaço de bolo?

 - Mas já, mamãe? É claro que quero. Seus bolos são deliciosos... 

- Então está bem, respondeu a mãe. Tome um pouco desse óleo de cozinha!

Assustada, a moça respondeu:

- Credo, mãe! 

- Que tal então comer uns ovos crus, filha?

- Que nojo, mãe! 

- Quer então um pouquinho de farinha de trigo ou bicarbonato de sódio?

- Mãe, isso não presta!

A Mãe então respondeu: 

- É verdade, todas essas coisas parecem-nos ruins sozinhas, mas quando as colocamos juntas, na medida certa... Elas fazem um bolo delicioso! 

Deus trabalha do mesmo jeito. Às vezes a gente se pergunta por que Ele quis que nós passássemos por momentos difíceis, mas Deus sabe que quando Ele põe todas essas coisas na ordem exata, elas sempre nos farão bem. A gente só precisa confiar n'Ele e todas essas coisas ruins se tornarão algo fantástico! 

Deus é louco por você. Ele te manda flores em todas as Primaveras... O nascer do Sol todas as manhãs... E sempre que você quiser conversar, Ele vai te ouvir! Ele pode viver em qualquer lugar do universo, e Ele escolheu o seu coração!

(Autor desconhecido)

A Loucura

 

A loucura resolveu convidar os amigos para tomarem um café em sua casa. Todos os convidados foram. Após tomarem o café, a loucura propôs: 

- Vamos brincar de esconde-esconde? 

- O que é isso? perguntou a curiosidade. 

- Esconde-esconde é uma brincadeira que eu conto até cem e eu vou procurar, o primeiro a ser encontrado será o próximo a contar. 

Todos aceitaram, menos o medo e a preguiça. 

- 1,2,3..., a loucura começou a contar. A pressa se escondeu primeiro, em qualquer lugar. A timidez, tímida como sempre, escondeu-se na copa de uma árvore. A alegria correu para o meio do jardim, já a tristeza começou a chorar, pois não achava um local apropriado para se esconder. A inveja acompanhou o triunfo e se escondeu perto dele, debaixo de uma pedra. A loucura continuava a contar e os seus amigos iam se escondendo. O desespero ficou desesperado ao ver a loucura que já estava no noventa e nove, cem... 

Gritou a loucura: 

- Vou começar a procurar. 

O primeiro a aparecer foi a curiosidade já que não aguentava mais querendo saber quem seria o próximo a contar. Ao olhar para o lado a loucura viu a dúvida em cima do muro sem saber em qual dos lados se escondia melhor. E assim foram aparecendo, a alegria, a tristeza, a timidez... Quando estavam todos reunidos a curiosidade perguntou: 

- Onde está o amor? 

Ninguém o tinha visto. A loucura começou a procurar. Procurou em cima da montanha, nos rios, debaixo das pedras e nada do amor aparecer, procurando por todos os lados a loucura viu uma roseira, pegou um pauzinho, começou a procurar entre os galhos, quando de repente ouviu um grito. Era o amor, gritando por ter furado o olho com o espinho. A loucura não sabia o que fazer. Pediu desculpas, implorou pelo perdão do amor e até prometeu servir-lhe para sempre. 

O amor aceitou as desculpas. Desde então e até hoje... 

“O amor é cego, e a loucura sempre o acompanha.”