sábado, 6 de maio de 2023

As três grandes lições!

 

                          Primeira importante lição:

Durante meu segundo mês na escola de enfermagem, nosso professor nos deu um questionário. Eu era bom aluno e respondi rápido todas as questões até chegar à última que era: “Qual o primeiro nome da mulher que faz a limpeza da escola?” Sinceramente, isso parecia uma piada. Eu já tinha visto a tal mulher várias vezes. Ela era alta, cabelo escuro, lá pelos seus 50 anos, mas como eu ia saber o primeiro nome dela? Eu entreguei meu teste deixando essa questão em branco e um pouco antes da aula terminar, um aluno perguntou se a última pergunta do teste ia contar na nota. “É claro!”, respondeu o professor. “Na sua carreira, você encontrará muitas pessoas. Todas têm seu grau de importância. Elas merecem sua atenção mesmo que seja com um simples sorriso ou um simples “alô”. Eu nunca mais esqueci essa lição e também acabei aprendendo que o primeiro nome dela era Dorothy.

Segunda lição importante:

Na chuva, numa noite, estava uma senhora negra, americana, do lado de uma estrada no estado do Alabama enfrentando um tremendo temporal. O carro dela tinha enguiçado e ela precisava, desesperadamente, de uma carona. 

Completamente molhada, ela começou a acenar para os carros que passavam. Um jovem branco, parecendo que não tinha conhecimento dos acontecimentos e conflitos dos anos 60, parou para ajudá-la. O rapaz a colocou em um lugar protegido, procurou ajuda mecânica e chamou um táxi para ela. Ela parecia estar realmente com muita pressa, mas conseguiu anotar o endereço dele e agradecê-lo. Sete dias se passaram quando bateram à porta da casa do rapaz. Para a surpresa dele, uma enorme TV colorida estava sendo entregue na casa dele com um bilhete junto que dizia: 

“Muito obrigada por me ajudar na estrada naquela noite. A chuva não só tinha encharcado minhas roupas como também meu espírito. Aí, você apareceu. Por sua causa eu consegui chegar ao leito de morte do meu marido antes que ele falecesse. Deus o abençoe por ter me ajudado. Sinceramente, Mrs. Nat King Cole”. 

Terceira importante lição:

Sempre se lembre daqueles que te serviram. Numa época em que um sorvete custava muito menos do que hoje, um menino de 10 anos entrou na lanchonete de um hotel e se sentou a uma mesa. Uma garçonete colocou um copo de água na frente dele. 

- Quanto custa um sundae? − ele perguntou.

- 50 centavos − respondeu a garçonete.

O menino puxou as moedas do bolso e começou a contá-las.

- Bem, quanto custa o sorvete simples? − ele perguntou. 

A essa altura, mais pessoas estavam esperando por uma mesa e a garçonete perdendo a paciência. 

 - 35 centavos − respondeu ela, de maneira brusca.

O menino, mais uma vez, contou as moedas e disse:

- Eu vou querer, então, o sorvete simples. 

A garçonete trouxe o sorvete simples, a conta, colocou na mesa e saiu. 

O menino acabou o sorvete, pagou a conta no caixa e saiu. Quando a garçonete voltou, ela começou a chorar à medida que ia limpando a mesa, pois ali, do lado do prato, tinham 15 centavos em moedas − ou seja, o menino não pediu o sundae, porque ele queria que sobrasse a gorjeta da garçonete.

sexta-feira, 5 de maio de 2023

Atravessando um rio

 Estamos todos no mesmo barco

Há muitos anos, Tom era funcionário de uma empresa muito preocupada com a educação. Um dia, o executivo principal decidiu que ele e todo grupo gerencial – um total de 12 pessoas – deveriam participar de um curso de sobrevivência, que tinha a forma de uma longa corrida de obstáculos. 

A prova era cruzar um rio violento e impetuoso. 

Para a surpresa de todos, pela primeira vez o grupo gerencial foi solicitado a dividir-se em três grupos menores de quatro pessoas para a superação daquele obstáculo. 

Os grupos eram: A, B e C. O grupo A recebeu quatro tambores de óleos vazios, duas grandes toras de madeira, uma pilha de tábuas, um grande rolo de corda grossa e dois remos. O grupo B recebeu dois tambores, uma tora e um rolo de barbante. Já o grupo C não recebeu recurso nenhum para cruzar o rio; eles foram solicitados a usarem os recursos fornecidos pela natureza, caso conseguissem encontrar algum perto do rio ou na floresta próxima. Não foi dada nenhuma instrução a mais. Simplesmente foi dito aos participantes que todos deveriam atravessar o rio dentro de quatro horas. 

Tom teve a “sorte” de estar no grupo A, que não levou mais do que meia hora para construir uma maravilhosa jangada. Um quarto de hora mais tarde, todo o grupo estava em segurança e com os pés enxutos no outro lado do rio, observando os grupos em sua luta desesperada. 

O Grupo B, ao contrário, levou quase duas horas para atravessar o rio. Havia muito tempo que Tom e sua equipe não riam tanto como no momento em que a tora e dos dois tambores viraram com os gerentes financeiros, de computação, de produção e de pessoal. 

E o melhor estava por vir. Nem mesmo o rugido das águas do rio era suficiente para sufocar o riso dos oito homens quando o grupo C tentou lutar contra as águas espumantes. Os coitados agarraram-se a um emaranhado de galhos, que estavam se movendo rapidamente com a correnteza. O auge da diversão foi quando o grupo bateu em um rochedo, quebrando os galhos. Somente reunindo todas as forças que lhes restavam foi que o último membro do grupo C, o gerente de logística, todo arranhado e com os óculos quebrados conseguiu atingir a margem, 200 metros rio abaixo. 

Quando o líder do curso voltou, depois de quatro horas, perguntou: 

- Então como vocês se saíram? 

O grupo A respondeu em coro: 

- Nós vencemos! Nós vencemos! 

O líder do curso respondeu: 

- Vocês devem ter entendido mal. Vocês não foram solicitados a vencer os outros. A tarefa seria concluída quando os três grupos atravessassem o rio dentro de quatro horas. 

Nenhum deles pensou em ajuda mútua, nem sonhou em dividir os recursos (tambores, toras, corda e remos) para atingirem uma meta comum. Não ocorreu a nenhum dos grupos coordenar os esforços e ajudar os outros. Foi uma lição para todos no grupo gerencial. Todos caíram direto na armadilha. Mas naquele dia, o grupo aprendeu muito a respeito de trabalho em equipe e de lealdade em relação aos outros. 

Moral da história: 

A equipe só sobrevive quando todos estiverem empenhados e comprometidos com os resultados, respeitando indistintamente a tudo e a todos. 

Se parássemos de encarar a vida e as pessoas como um jogo e milhões de adversários, muito provavelmente sofreríamos menos, compreenderíamos mais os problemas alheios e encontraríamos muito mais conforto no abraço de cada um. Mas, infelizmente, nos enxergamos como rivais, como se estivéssemos em busca de um tesouro tão pequeno que só poderia fazer vitorioso a uma única pessoa. Ledo engano: o maior prêmio de nossa existência está na capacidade de compartilharmos a vida! 

Dica: 

Estamos todos no mesmo barco! Experimente acolher ao invés de julgar, perdoar ao invés de acusar e compreender ao invés de revidar! É difícil, sem dúvida!  Mas é possível e extremamente gratificante. A vida fica mais leve, o caminho fica mais fácil e a recompensa, muito mais valiosa. 

A equipe faz a força! 

(Autor desconhecido)

Brasil Anedótico

 

TEIAS DE ARANHA 

Informação do professor Raul Pederneiras 

Fiscal de uma casa de penhores, Emílio de Menezes ia uma vez por mês ao Tesouro receber os magros vencimentos do cargo. E ao entrar ali, encontrava sempre um indivíduo obsequioso, que chorava as suas misérias, as suas moléstias, a sua fome, até que lhe arrancava uma cédula de cinco mil réis. Certa vez, o “mordedor” foi mais longe nas suas lamentações. 

- O senhor não imagina, − gemia, − o que eu tenho passado. Basta dizer-lhe que há quinze dias não como! 

- O quê, homem? − espantou-se o poeta. 

E para os funcionários: 

- Este camarada, com certeza, já está com teias de aranha no céu da boca!... 

FRANQUEZA DE MARIDO 

Osório Duque-Estrada - Discurso da Academia Brasileira de Letras. 

Passava Sílvio Romero, uma tarde, pela Avenida, quando viu grande aglomeração à porta de um cinema. Perguntou O que era, e um cavalheiro explicou-lhe, indicando um violinista: 

- Este homem comprometeu-se a tomar parte no nosso concerto de benefício, e recusa-se agora, por imposição da mulher, de quem tem medo! 

Silvio varou a multidão, indo tomar o “medroso” pelo braço. 

- Coragem, amigo! − Não se importe! − disse-lhe. 

E com a sua costumada bonomia: 

- Aqui está um velho que já casou três vezes, e que só tem feito no mundo o que as mulheres têm querido! 

O CLARIM 

Afrânio Peixoto - Conferência ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro,

a 2 de julho de 1923 

Reunidas em Pirajá, as tropas brasileiras desenvolviam daí, em 1822, o cerco do general Madeira, encurralado na Bahia com o restante das forças portuguesas. A 8 de dezembro Madeira lança um contingente de 2.000 homens contra a ala direita dos sitiantes, levando-os de roldão. Chegam reforços de parte a parte, e os lusitanos vão triunfar, quando o coronel brasileiro Barros Falcão prevendo a derrota e querendo salvar o resto dos seus homens, ordena ao clarim Luiz Lopes, português de nascimento, mas que abraçara, aí, a causa da independência: 

- Toca “retirar!” 

O soldado leva o clarim à boca e o toque que se ouve é: 

- “Avançar, Cavalaria!” 

E logo outro: 

- “Degolar!” 

Apavorados com o que ouviam, os portugueses, quase vitoriosos, recuam, os brasileiros ganham ânimo e avançam de novo. 

Estava ganha a batalha. 

DESARMANDO O INIMIGO 

Múcio Teixeira - “Os Gaúchos”, vol. I, pág. 362. 

Era Salvador de Mendonça diretor do jornal A República, no Rio de Janeiro, quando o governo imperial, não obstante as suas ideias democráticas, o nomeou cônsul do Brasil nos Estados-Unidos. Aceita a nomeação, foi o jornalista, nas vésperas da viagem, despedir-se do Imperador, e pedir as suas ordens para aquele país. 

- Não tenho ordens a dar-lhe, − respondeu-lhe, benévolo, o soberano. 

E sorrindo: 

- Apenas faço votos para que o senhor preste tão bons serviços ao Império, nessa República, quantos prestou à sua República no meu Império. 

PRUDÊNCIA DE POLÍTICO 

J.M.de Macedo - “Ano Biográfico”, vol. I, pág. 11. 

Liberal ardoroso, Manuel Antônio Galvão batia-se valorosamente na Câmara quando, no maior da agitação, em 1826, arrefeceu o entusiasmo, recolhendo-se a um silêncio prudente. Anos depois, quando lhe perguntavam a razão dessa mudança, ele explicava: 

- Tirei, então, a minha acha da fogueira para me não me arrepender na ocasião do incêndio! 

SANGUE E FLORES 

Tobias Monteiro - “Pesquisas e Depoimentos”, pág. 34 

Votava-se no Senado a Lei do Ventre Livre, a 28 de setembro de 1878. Nas tribunas do Senado, repletas, apareciam as figuras mais eminentes do mundo diplomático, entre essas o ministro dos Estados Unidos. A discussão do projeto foi brilhante e vigorosa, sob a presidência de Abaeté. E quando, pela votação, se verificou a vitória de Rio-Branco, o povo que enchia as galerias irrompeu em manifestações ao grande estadista, lançando-lhe sobre a cabeça braçadas e braçadas de flores. Terminada a sessão, O ministro dos Estados Unidos desceu ao recinto para felicitar o presidente do Conselho e os senadores que haviam votado o projeto. E colhendo, com as próprias mãos, algumas flores, das que o povo atirara a Rio-Branco, declarou: 

- Vou mandar estas flores ao meu país, para mostrar como aqui se fez deste modo, uma lei que lá custou tanto sangue! 

O HOMEM E A NATUREZA 

Alfredo Pujol - Machado de Assis, pág. 60. 

Ao iniciar Machado de Assis a publicação, em folhetins diários, do seu romance  “A mão e a luva”, Francisco Ramos Paz, um dos seus poucos amigos e seu confidente literário, lembrou-lhe a conveniência de descrever, em um dos capítulos da obra, o soberbo parque do Conde de São Mamede, no Cosme Velho. 

- A natureza inspirará uma bela página ao teu romance... − disse-lhe. 

Machado recusou, porém, de pronto. 

- A natureza não me interessa... 

E definindo-se: 

- O que me interessa é o homem! 

“OH, LINDA!” 

Frei Vicente do Salvador - “História do Brasil”, pág. 107. 

Andando com outros por entre o mato, em busca de um lugar em que o seu amo fundasse uma povoação, um galego, criado de Duarte Pereira, foi ter a um monte à beira-mar, de onde se divisava um soberbo panorama. E tão encantado ficou com a posição descoberta que, não se contendo, exclamou:

- Oh, linda! 

É essa a origem, vulgarmente admitida, do nome que ainda hoje tem a antiga capital pernambucana. 

Para saber a idade de qualquer um

 

Vamos ensinar um método muito simples para distrair e fazer crer aos outros que possuímos um dom divinatório quase sobrenatural. Pratique bem este processo e saberá facilmente a idade de outra pessoa e até o mês em que nasceu. 

Primeiramente, faça a pessoa sentar-se a uma distância onde será inteiramente impossível ler o que ela estiver escrevendo. Mande-a escrever o número de ordem correspondente ao mês em que ela nasceu. Diga-lhe que multiplique esse número por 2, adicione 5 ao resultado e multiplique o total por 50. Peça-lhe então que a esse total some a idade que tem, subtraindo depois 365 e adicionando 115 à diferença. Terminados esses cálculos, peça-lhe que diga o resultado encontrado; por esse resultado fica-se sabendo o que se deseja. 

Exemplo: suponhamos que a pessoa tenha 61 anos e que nasceu no mês de setembro. Sendo este o nono mês do ano, o cálculo será feito do seguinte modo: 9 multiplicado 2, igual a 18; mais 5, 23; multiplicado por 50, igual a 1150; mais 61, igual a 1211; menos 365, igual a 846; mais 115 igual a 961. 

Os dois últimos algarismos deste número indicam a idade (61 anos) e o primeiro algarismo revela o mês em que nasceu, setembro, 9° mês.

Um Homem de Decisão

“Você pode sonhar, criar, desenhar e construir o lugar mais maravilhoso do mundo... Mas é necessário ter pessoas para transformar seu sonho em realidade...”

Walt Disney

(1901 – 1966)

No dia 5 de dezembro de 1901, na cidade de Chicago, nascia o maior gênio do desenho animado de todos os tempos, Walter Elias Disney, quarto filho de uma família pobre. Walt Disney, como é conhecido no mundo inteiro, foi um homem que sempre acreditou em seus sonhos e fez de tudo para realizá-los. Decisão, vontade, persistência e muita criatividade eram as virtudes mais marcantes daquele homem que construiu um império, tendo como capital inicial apenas o seu talento artístico. Seu lema era: “se nós podemos sonhar, nós podemos fazer”.

E quem não conhece muitos de seus sonhos que viraram realidade e até hoje encantam adultos e crianças, como, por exemplo, o personagem Mickey Mouse, e Disneylândia, o primeiro parque temático do mundo? Walt Disney não pretendia sensibilizar somente os corações infantis, conforme ele mesmo afirmou certa feita: “não faço filmes especialmente dedicados às crianças. Chamemos a criança de inocência. Mesmo o pior de nós não é desprovido de inocência, ainda que ela esteja profundamente enterrada. Em minha obra, tento alcançar e falar a essa inocência”. Walt Disney não se deixou levar pelas circunstâncias desfavoráveis que o rondavam. Um dia resolveu segurar o leme de sua própria embarcação. Eis o que ele escreveu: 

E assim, depois de muito esperar, num dia como outro qualquer, decidi triunfar... 

Decidi não esperar as oportunidades e sim, eu mesmo buscá-las. 

Decidi ver cada problema como uma oportunidade de encontrar uma solução. 

Decidi ver cada deserto como uma possibilidade de encontrar um oásis. 

Decidi ver cada noite como um mistério a resolver. 

Decidi ver cada dia como uma nova oportunidade de ser feliz. 

Naquele dia descobri que meu único rival não era mais que minhas próprias limitações e que enfrentá-las era a única e melhor forma de superá-las. 

Naquele dia, descobri que eu não era o melhor e que talvez eu nunca tivesse sido. 

Deixei de me importar com quem ganha ou perde. Agora me importa simplesmente saber melhor o que fazer. 

Aprendi que o difícil não é chegar lá em cima, e sim deixar de subir. 

Aprendi que o melhor triunfo é poder chamar alguém de “amigo”. 

Descobri que o amor é mais que um simples estado de enamoramento, “o amor é uma filosofia de vida”. 

Naquele dia, deixei de ser um reflexo dos meus escassos triunfos passados e passei a ser uma tênue luz no presente. 

Aprendi que de nada serve ser luz se não iluminar o caminho dos demais. 

Naquele dia, decidi trocar tantas coisas... 

Naquele dia, aprendi que os sonhos existem para tornar-se realidade. 

E desde aquele dia já não durmo para descansar... simplesmente durmo para sonhar. 

Certamente um homem de decisão. Um exemplo de perseverança e força de vontade. 

E você, já resolveu tomar o leme da sua embarcação? Se ainda não, hoje é um bom dia. 

Afinal, “se nós podemos sonhar, nós podemos fazer”.

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Equipe de Redação do site www.momento.com.br, com base em texto atribuído a Walt Disney. 

A farra dos sacos plásticos

 André Trigueiro*

O Brasil é definitivamente o paraíso dos sacos plásticos. Todos os supermercados, farmácias e boa parte do comércio varejista embalam em saquinhos tudo o que passa pela caixa registradora. Não importa o tamanho do produto que se tenha à mão, aguarde a sua vez porque ele será embalado num saquinho plástico. O pior é que isso já foi incorporado na nossa rotina como algo normal, como se o destino de cada produto comprado fosse mesmo um saco plástico. Nossa dependência é tamanha, que quando ele não está disponível, costumamos reagir com reclamações indignadas. 

Quem recusa a embalagem de plástico é considerado, no mínimo, exótico. Outro dia fui comprar lâminas de barbear numa farmácia e me deparei com uma situação curiosa. A caixinha com as lâminas cabia perfeitamente na minha pochete. Meu plano era levar para casa assim mesmo. Mas num gesto automático, a funcionária registrou a compra e enfiou rapidamente a mísera caixinha num saco onde caberiam seguramente outras dez. Pelas razões que explicarei abaixo, recusei gentilmente a embalagem. 

A plasticomania vem tomando conta do planeta desde que o inglês Alexander Parkes inventou o primeiro plástico em 1862. O novo material sintético reduziu os custos dos comerciantes e incrementou a sanha consumista da civilização moderna. Mas os estragos causados pelo derrame indiscriminado de plásticos na natureza tornou o consumidor um colaborador passivo de um desastre ambiental de grandes proporções. Feitos de resinas sintéticas originadas do petróleo, esses sacos não são biodegradáveis e levam séculos para se decompor na natureza. Usando a linguagem dos cientistas, esses saquinhos são feitos de cadeias moleculares inquebráveis, e é impossível definir com precisão quanto tempo levam para desaparecer no meio natural. 

No caso específico das sacolas de supermercado, por exemplo, a matéria-prima é o plástico filme, produzido a partir de uma resina chamada polietileno de baixa densidade (PEBD). No Brasil são produzidas 210 mil toneladas anuais de plástico filme, que já representa 9,7% de todo o lixo do país. Abandonados em vazadouros, esses sacos plásticos impedem a passagem da água - retardando a decomposição dos materiais biodegradáveis - e dificultam a compactação dos detritos. 

Essa realidade que tanto preocupa os ambientalistas no Brasil, já justificou mudanças importantes na legislação - e na cultura - de vários países europeus. Na Alemanha, por exemplo, a plasticomania deu lugar à sacolamania. Quem não anda com sua própria sacola a tiracolo para levar as compras é obrigado a pagar uma taxa extra pelo uso de sacos plásticos. O preço é salgado: o equivalente a sessenta centavos a unidade. 

A guerra contra os sacos plásticos ganhou força em 1991, quando foi aprovada uma lei que obriga os produtores e distribuidores de embalagens a aceitar de volta e a reciclar seus produtos após o uso. E o que fizeram os empresários? Repassaram imediatamente os custos para o consumidor. Além de antiecológico, ficou bem mais caro usar sacos plásticos na Alemanha. 

Na Irlanda, desde 1997 paga-se um imposto de nove centavos de libra irlandesa por cada saco plástico. A criação da taxa fez multiplicar o número de irlandeses indo às compras com suas próprias sacolas de pano, de palha, e mochilas. Em toda a Grã-Bretanha, a rede de supermercados CO-OP mobilizou a atenção dos consumidores com uma campanha original e ecológica: todas as lojas da rede terão seus produtos embalados em sacos plásticos 100% biodegradáveis. Até dezembro deste ano, pelo menos 2/3 de todos os saquinhos usados na rede serão feitos de um material que, segundo testes em laboratório, se decompõe dezoito meses depois de descartado. Com um detalhe interessante: se por acaso não houver contato com a água, o plástico se dissolve assim mesmo, porque serve de alimento para microorganismos encontrados na natureza. 

Não há desculpas para nós brasileiros não estarmos igualmente preocupados com a multiplicação indiscriminada de sacos plásticos na natureza. O país que sediou a Rio-92 (Conferência Mundial da ONU sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente) e que tem uma das legislações ambientais mais avançadas do planeta, ainda não acordou para o problema do descarte de embalagens em geral, e dos sacos plásticos em particular. 

A única iniciativa de regulamentar o que hoje acontece de forma aleatória e caótica foi rechaçada pelo Congresso na legislatura passada. O então deputado Emerson Kapaz foi o relator da comissão criada para elaborar a "Política Nacional de Resíduos Sólidos". Entre outros objetivos, o projeto apresentava propostas para a destinação inteligente dos resíduos, a redução do volume de lixo no Brasil, e definia regras claras para que produtores e comerciantes assumissem novas responsabilidades em relação aos resíduos que descartam na natureza, assumindo o ônus pela coleta e processamento de materiais que degradam o meio ambiente e a qualidade de vida. 

O projeto elaborado pela comissão não chegou a ser votado. Não se sabe quando será. Sabe-se apenas que não está na pauta do Congresso. Omissão grave dos nossos parlamentares que não pode ser atribuída ao mero esquecimento. Há um lobby poderoso no Congresso trabalhando no sentido de esvaziar esse conjunto de propostas que atinge determinados setores da indústria e do comércio. 

É preciso declarar guerra contra a plasticomania e se rebelar contra a ausência de uma legislação específica para a gestão dos resíduos sólidos. Há muitos interesses em jogo. Qual é o seu? 

********** 

* O jornalista André Trigueiro é redator e apresentador do Jornal das Dez, da Globonews, desde 1996. Na Rádio Viva Rio AM (1180 kHz), Trigueiro apresenta o programa Conexão Verde, de segunda a sexta. Nele, aborda temas sobre meio ambiente e desenvolvimento sustentável. O jornalista é pós-graduado em Meio Ambiente pela MEB COPPE/UFRJ (2001).

Palavra cabalística

 ABRACADABRA

De Abraxas. Palavra, cujo emprego vem explicado nos Proecepta Medicinae do médico Sereno Sammonicus. Os antigos atribuem-lhe supersticiosamente a virtude de curar certas doenças, com especialidade as febres. As suas letras dispunham-se em linhas sucessivas de alto a baixo, tendo cada linha uma letra a menos, de maneira que a combinação de todas formasse um triângulo, cujo vértice fosse o A, como segue: 

A  B  R  A  C  A  D  A  B  R  A

A  B  R  A  C  A  D  A  B  R

A  B  R  A  C  A  D  A  B

A  B  R  A  C  A  D  A

A  B  R  A  C  A  D

A  B  R  A  C  A

A  B  R  A  C

A  B  R  A

A  B  R

A  B

A

 Também se dispunham as letras da seguinte forma: 

A  B  R  A  C  A  D  A  B  R  A

A  B  R  A  C  A  D  A  B  R

B..R  A  C  A  D  A  B

R  A  C  A  D  A

A  C  A  D

C  A

A 

 E por último: 

A  B  R  A  C  A  D  A B  R  A

B  R  A  C  A  D  A B  R

R  A  C  A  D  A  B

A  C  A  D  A

C  A  D

A 

Descrita a palavra por qualquer das três formas indicadas sobre um pedaço de papel quadrado, dobrava-se este cuidadosamente e cosia-se em cruz com uma linha branca. Depois o doente suspendia esta espécie de amuleto ao pescoço durante nove dias, e no fim desse prazo devia ir, sem o abrir nem para ele, atirá-lo de manhã cedo a um rio que corresse para o Oriente.