quinta-feira, 19 de março de 2026

Cuidado com psicopata!

 

(...) 

Esse distinto sentimento, o da compaixão, é subestimado. Poucas vezes é levado em consideração quando as pessoas vão avaliar outras pessoas. Quando você, leitor, escolheu seu cônjuge, chegou a cogitar se ele tem compaixão? Ele é capaz de sentir a dor do outro? Comove-se com a desgraça alheia? Ou para ele tanto faz? Cuidado: você estar dormindo ao lado de um psicopata. 

Esse pode ser, também, um critério sábio para a escolha de políticos. O seu candidato se importa com as outras pessoas? Ele realmente se comove com a infelicidade do outro? Ou ele só quer se manter no poder e destruir seus adversários? 

Compaixão. Pense nisso na próxima eleição. 

(Parte de uma crônica de David Coimbra, junho de 2021)

quarta-feira, 18 de março de 2026

A Nova Igreja

 

Um belo dia, um ignorante inteligente veste um manto ou põe um livro embaixo do braço e vai para as praças públicas proclamar aos quatro ventos que é um enviado de Deus. 

Em tom eloquente, o mensageiro anuncia que um anjo lhe apareceu em sonhos e deu-lhe a missão de avisar a todos que em breve, do céu, virão grandes castigos, dos quais só estarão a salvo aqueles que o seguir, contribuindo para formação do reino de Deus aqui na terra. 

Que o salvador virá na cauda de um cometa e arrebatará os eleitos, levando os batizados para o céu. Dentro de pouco tempo, essa nova igreja já arrasta uma multidão para os seus cultos e muito dinheiro para seus cofres. 

A congregação cresce tão rápido que um só pastor já não atende às necessidades da nova comunidade. Aí, o primeiro se proclama bispo e sagra o segundo, que ordena o terceiro, que promove o quarto, que nomeia o quinto. 

Assim, se forma o clero de homens e mulheres que regerão os destinos da nova comunidade, inclusive com poderes para sagrar e ordenar novos clérigos e pastores que serão os arautos da palavra de Deus, os quais irão expulsar demônios, fazer curas, batizar e servir de intermediários entre deus e os pecadores. 

Se você se perguntar, quem lhes deu a missão de pregar o Santo Evangelho e o poder para batizar? Certamente vão responder que foi o próprio Deus. 

Com o dinheiro arrecadado, o grupo compra carros de luxo para os membros, alugam ou compram canais de televisão e rádio. Constroem ou alugam barracões cada vez maiores para acomodar número dos seguidores que aumenta dia a dia. 

A nova igreja vai muito bem, até que alguém descobre que os lucros não estão sendo distribuídos em partes iguais conforme o combinado. A desigualdade no rateio provoca o cisma, os lesados abandonam a congregação e cada um dos dissidentes funda a sua própria igreja. 

Jhon Macker 

Recanto das letras

terça-feira, 17 de março de 2026

Biografia do Mestre Cartola

 

Nascido na rua Ferreira Vianna, no Catete, em 11.10.1908, era o primogênito dos oito filhos do casal Sebastião e Aída. Apesar de ter recebido o nome de Agenor, foi registrado como Angenor de Oliveira. Mas esse fato ele só viria a descobrir muitos anos mais tarde, ao tratar dos papéis para seu casamento com Dona Zica, nos anos de 1960. A partir de então, para não ter que providenciar a mudança do nome no cartório, passou a assinar oficialmente seu nome como Angenor de Oliveira. Ainda na infância, mudou-se com a família para o bairro das Laranjeiras, onde entrou em contato com os ranchos União da Aliança e Arrepiados. Neste último, tocava um cavaquinho que lhe fora dado pelo pai quando tinha somente 8 ou 9 anos de idade. Seu entusiasmo por esse rancho era tanto que, mais tarde, ao participar da fundação da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, em abril de 1929, sugeriu que aquela agremiação tivesse as mesmas cores do rancho Arrepiados: verde e rosa. Desde então, essas duas cores passaram a formar um símbolo dos mais reverenciados no mundo do samba. 

Na verdade, soube depois por Carlos Cachaça, que existira no Morro da Mangueira um antigo rancho de carnaval com o nome de Caçadores da Floresta, cujas cores eram exatamente o verde e o rosa. Em 1919, foi morar no Morro da Mangueira, aos 11 anos de idade. Sua família passava, então, por dificuldades financeiras. Pouco depois, começou a travar amizade com um outro morador da Mangueira, Carlos Cachaça, seis anos mais velho, e que se tornaria, além de amigo por toda a vida, o seu parceiro mais constante em dezenas de sambas. 

Fez o curso primário. Após a morte de sua mãe, abandonou os estudos para trabalhar, ao mesmo tempo em que se inclinava para a vida boêmia. Durante a adolescência trabalhou numa tipografia e também como pedreiro. Vem daí o apelido com que se tornaria reconhecido como um dos grandes nomes da Música Popular Brasileira: enquanto trabalhava nas obras de construção, para que o cimento não lhe caísse sobre o cabelo, resolveu passar a usar um chapéu- de- coco que os colegas diziam parecer mais uma cartolinha. Assim, começou a ser chamado de “Cartola”. Nessa época, conheceu Deolinda, mulher sete anos mais velha, casada e com uma filha de dois anos. Certa vez, se sentiu doente e Deolinda, vizinha do barraco ao lado, se oferece para cuidar dele. Os dois acabam se envolvendo. Tinha na época apenas 18 anos e estava morando sozinho. Decidem viver juntos e Deolinda deixa o marido, levando a filha que o compositor irá criar como sua. Sob seu teto e de Deolinda, Noel Rosa foi se abrigar algumas vezes, à procura de um refúgio tranqüilo, como contam João Máximo e Carlos Didier em “Noel Rosa, uma biografia”. 

Participou da formação do Bloco dos Arengueiros, em 1925, que viria a ser o embrião da Mangueira. Em 1946, aos 38 anos de idade, contraiu meningite e ficou impossibilitado de continuar a trabalhar por um longo tempo. Com a morte de Deolinda, deixou o Morro da Mangueira, afastando-se do mundo do samba, por cerca de dez anos. Conseguiu trabalhos modestos, como o de lavador de carros e vigia de edifícios. Era esse o seu ofício, em meados dos anos 1950, num edifício em Ipanema, Zona Sul do Rio de Janeiro. Numa noite de 1956, em que resolveu beber um café num botequim próximo ao edifício onde trabalhava, encontrou o escritor Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta) que imediatamente o reconheceu. Ao ver o compositor naquele macacão, molhado, o escritor decidiu ajudá-lo. Na ocasião, era dado como desaparecido ou mesmo morto, por muitos de seus conhecidos e admiradores. O reencontro com Sérgio Porto foi definitivo para a retomada de sua carreira como músico e compositor. 

Começou a participar de programas na rádio Mayrink Veiga e depois foi trabalhar como contínuo no jornal Diário Carioca, por recomendação do cronista e pesquisador Jota Efegê. Empregou, anos depois, como contínuo do Ministério da Indústria e Comércio e teve uma casa em terreno doado pelo Governo do Estado da Guanabara. No início dos anos 1960, vivendo com Eusébia Silva do Nascimento, a Zica, abriu com ela o restaurante Zicartola, num casarão na Rua da Carioca, no Centro do Rio. A iniciativa contou com o apoio financeiro de empreendedores considerados “mangueirenses de coração”, como o empresário Renato Augustini. A receita para o sucesso do estabelecimento, que se tornaria uma página importante na história da música popular brasileira, era das mais simples e saborosas. Na cozinha, D. Zica comandava o tempero do feijão que lhe tornou famosa, enquanto ele fazia as vezes de mestre de cerimônias, propiciando o encontro entre sambistas do morro e compositores e músicos de classe média. No Zicartola, por exemplo, Paulinho da Viola começou a cantar em público. 

Em 1978, transferiu-se da Mangueira para uma casa em Jacarepaguá, mas sempre voltava para visitar os amigos no morro onde crescera e se tornara famoso. Em 1979, descobriu que estava com câncer, doença da qual viria a morrer no ano seguinte, aos 72 anos de idade, em 30.11.1980. Após o velório na quadra da Estação Primeira de Mangueira, seu corpo foi sepultado no Cemitério do Caju. Durante os anos seguintes, viriam homenagens póstumas, discos e biografias que o confirmariam como um dos maiores nomes da música popular brasileira. Quando soube que o compositor se encontrava doente o poeta Carlos Drummond de Andrade escreveu crônica no Jornal do Brasil na qual dizia: “A delicadeza visceral de Angenor de Oliveira (e não Agenor, como dizem os descuidados) é patente quer na composição, quer na execução. Como bem me observou Jota Efegê, seu padrinho de casamento, trata-se de um distinto senhor emoldurado pelo Morro da Mangueira. A imagem do malandro não coincide com a sua. A dura experiência de viver como pedreiro, tipógrafo e lavador de carros, desconhecido e trazendo consigo o dom musical, a centelha, não o afetou, não fez dele um homem ácido e revoltado. A fama chegou até sua porta sem ser procurada. O discreto Cartola recebeu-a com cortesia. Os dois conviveram civilizadamente. Ele tem a elegância moral de Pixinguinha, outro a quem a natureza privilegiou com a sensibilidade criativa, e que também soube ser mestre de delicadeza.

segunda-feira, 16 de março de 2026

Oração da Mulher

 

Senhor, me ajude a nunca desistir de ser mulher.

Coloque um espelho no meio do meu caminho entre a lavanderia,

o supermercado, o sapateiro...

E que, ao me olhar, eu goste do que vejo. 

Não deixe que eu passe uma semana sem usar batom bem vermelho,

uma bota bem alta ou um jeans bem justo.

Proteja meus cabelos do vento, os brinco e anéis dos olhares invejosos.

Nunca deixe faltar na minha vida comédias românticas e boas depiladoras. 

Se eu tiver vontade de chorar, faça com que eu chore um dilúvio.

E que tenha saído de casa sem pintar o olho.

Para cada dia triste, me dê uma vitrine com sapatos lindos. 

Já que eu nunca pedi milagres,

faça que minha celulites sejam ao menos discretinhas.

Dê-me saúde, tempo livre, e silêncio...

E que nunca falte perfume na minha bolsa. 

Nos engarrafamentos,

faça com que eu ligue o rádio e esteja tocando minha música preferida.

Dê-me forças para comer mais saladas, mais frutas.

Cegue meus olhos para as sujeiras dos cantos.

Ajude para que eu chegue do trabalho inteira. 

Em dias difíceis, dê-me persistência para seguir na dieta.

Dê também firmeza para os seios...

Proteja minhas poucas horas de sono

e não me julgue mal caso eu não acorde na hora. 

Não deixe que minha testa fique tão franzida

a ponto de parecer uma saia plissada.

E eu, uma louca estressada.

Faça com que o sol seja meu personal trainer,

meu complexo de vitaminas, meu carregador de bateria...

Mas quando eu pedir um diazinho de chuva, não pergunte por quê. 

Para cada batata quente no trabalho, me dê um café recém-passado.

Entenda que, quando rezo para cancelarem uma reunião

(não é gastar reza à toa, pode ter certeza).

No meio de tudo isso, faça com que eu ache tempo para:

Virar namorada de novo, Ir ao cinema, Jantar fora,

Dormir abraçadinha... 

Ilumine o espelho do banheiro e proteja meus cremes e segredos...

Ajude a não faltar gasolina e não furar o pneu e,

por favor, afaste os motoqueiros do meu retrovisor. 

Senhor, por pior que seja o meu dia...

Faça com que ele termine,

e não eu.

Amém!

Amizade é outra coisa!

 

Amizade não é algo que o faz sair do chão e o transporta para lugares que você nunca viu.  

O nome disso é avião. Amizade é outra coisa. 

Amizade não é uma coisa que você esconde dentro de si e não mostra para ninguém. 

Isso se chama vibrador. Amizade é outra coisa. 

Amizade não é uma coisa que te faz perder a respiração e a fala. 

O nome disso é bronquite asmática. Amizade é outra coisa. 

Amizade não é uma coisa que chega de repente e o transforma em refém. 

Isso se chama sequestrador. Amizade é outra coisa. 

Amizade não é uma coisa que voa alto no céu e deixa sua marca por onde passa. 

Isso se chama pombo com diarreia. Amizade é outra coisa. 

Amizade não é uma coisa que você pode prender ou botar pra fora de casa quando bem entender. 

Isso se chama cachorro. Amizade é outra coisa. 

Amizade não é uma coisa que lança uma luz sobre ti, te leva pra ver as estrelas e te traz de volta com algo dele dentro de ti. 

Isso se chama alienígena. Amizade é outra coisa. 

Amizade não é uma coisa que desapareceu e que, se encontrado, poderia mudar o que está diante de você. 

Isso se chama controle remoto de TV. Amizade é outra coisa. 

Amizade? 

Amizade é outra coisa! 

É amor, é respeito, é parceria!

domingo, 15 de março de 2026

Elegância insultuosa

 ou o Palavrão alternativo

Presença de espírito e sutileza transformam injúrias cabeludas em tiradas memoráveis. 

Fisiológico: 

Você é um esteatopígico. ► Cidadão que tem a bunda grande. 

Você está muito graveolento. ► Fedorento. 

Você é um ozostômico. ► Pessoa com mau hálito. 

Linguagem: 

Você é um enxacoco. ► Não fala bem uma língua estrangeira, inserindo palavras do próprio idioma numa frase em outra língua. 

Ele escreve bem, apesar de ser um epígono. ► Autor de obra sem inovações, que dilui ou copias outros autores. 

Não aguento mais esse vaníloquo. ► Que fala pelos cotovelos e não diz nada. 

Desvios de caráter: 

Ele é um tremendo ancípite. ► Que tem duas caras, falso, inconstante. 

Há muitos políticos ímprobos. ► Que não é probo. Desonesto. 

Para mim, você não passa de um janicéfalo. ► Pessoa de duas caras, pouco confiável. 

Na política há muito sicofanta. ► Delator, difamador. 

Todo milionário é um somítico. ► Avarento, sovina. 

Ele, no fundo no fundo, é um valdevino. ► Oportunista que vive à custa dos outros. 

Incompetência: 

Ele não faz nada certo, é um ababelado. ► Quem nunca termina o que começa, como os construtores da Torre de Babel. 

Não devia dizer, mas você é um acárpico. ► Pessoa incapaz de gerar frutos e produzir. 

Por ser jovem, ele ainda é um catecúmeno. ►- Funcionário recente e despreparado para as armadilhas do ambiente d trabalho. 

Burrice: 

Pelo que ele faz, para mim ele um acrânio. ► Sem cérebro. 

Essa loura é uma apedeuta. ► Ignorante. 

No fundo, todo eleitor é um patego. ► Pessoa simplória, simples. 

Aquele professor é um saberete. ►– Sabe-tudo, pretensioso. 

Na internet há muitos urumbebas. ► Otários. 

Equilíbrio mental: 

Acusam o ex-presidente de ser um abléptico. ► Que perdeu a visão das coisas, desequilibrado. 

Há muitos jovens destraquês por aí. ► Amalucados. 

Recebo muitos e-mails de pessoas presbiofrênicas. ► caducas que inventam histórias sem fundamentos. 

Pior é o internauta zuruó. ► Biruta. 

Chatice: 

Como você é acatruzo. ► Pentelho, chato, amolador. 

Também pudera, é filho de um acataléptico. ► Sujeito vacilante, burro.

E o irmão, então, não passava de um anopluro. ► Piolho. 

A irmã tinha pensamento anelídeo. ► Da família das minhocas e sanguessugas. 

Mas o avô, esse é era um cambrião. ► Um chato em alto grau. 

Vaidade: 

Elegante, sim, mas não passava de um especioso. ► Bonito por fora, feio por dentro. 

Ela quer parecer simples, mas no fundo é uma jactanciosa. ► Pessoa vaidosa. 

Rompi com ela, pois percebi que ela era inane. ► Pessoa frívola, vazia. 

Puxa-saquismo: 

Eu tinha um colega que era um grande janízaro. ► Protetor dos tiranos, que morre defendo o chefe. 

O ruim mesmo é o colega súcubo. ► Dominado, subalterno lambe-botas, o que se deita sob o outro. 

Mas o pior de todos é o colega tesserário. ► Aquele que fica entre o chefe e os subalternos, leva-e-traz que não manda, não decide, mas faz o que mandam. 

§ § § § §

 Adaptado do artigo A injustiça do insulto, 

de Luiz Costa Pereira Júnior

para a Revista Língua Portuguesa, número 5

sábado, 14 de março de 2026

Os sete pecados do troca-troca de letras

 Dad Squarisi

O número preferido da Bíblia? É o cabalístico sete. Ele representa a completude. Eis por que Deus criou o mundo em sete dias. Definiu sete pecados capitais. Enumerou sete virtudes. Expulsou sete demônios do corpo de Maria Madalena. Mandou que perdoássemos sete vezes 70. E contou a história de amores. É o caso da paixão de Jacob por Raquel. Ele serviu o pai da moça durante sete anos. Passado o tempo de servidão, cadê? Em vez da amada, recebeu a irmã. Não desanimou. Ofereceu outros sete anos de labor para ter a mulher querida. O drama do casal inspirou poetas e pintores. Entre eles, Camões. Eis o soneto:

Sete anos de pastor Jacob servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prêmio pretendia.

Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe dava Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fora assim negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida;

Começa de servir outros sete anos,
Dizendo: ‒ Mais servira, se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida!

Entre dois amores

A língua aprendeu a manha de Labão. Oferece duas opções. A gente escolhe uma ou outra. Acerta sempre. É o caso de catorze ou quatorze. Ouro ou oiro. Loiro ou louro. Cota ou quota.

Diabete ou diabetes. Caminhante ou caminheiro. Mas há as que bancam o pai da bela. Fingem ter duas grafias, mas não têm. São sete.

Cinquenta

Desavisados pra lá de confiantes escrevem cincoenta. Bobeiam. A trissílaba, morta de rir, sai por aí cantando: “Enganei o bobo na casca do ovo”. Cruzes! Fuja da gozação. Guarde isto: cinquenta só tem uma forma.

Curinga

Você gosta de um baralhinho? Buraco, pôquer, mata-mata, sete e meio, tanto faz. Mas saiba: a carta de jogar se chama curinga, com u. Muitos, temerosos com a separação das sílabas, escrevem coringa. Ops! Com o, a palavra dá nome à vela de embarcação.

Boteco

Que tal beber umas e outras? Os belo-horizontinos adoram. A paixão é tanta que eles promovem o Festival do Boteco. Assim, com o. Escrever buteco? Nem pensar. Como o vocábulo não tem vez no dicionário, a festa desapareceria. Valha-nos, Baco!

Jabuticaba

Sabia? Jabuticaba só existe no Brasil. A jabuticabeira é generosa que só. Enche o tronco e os galhos com a frutinha gostosa. A gente começa a comer e não consegue parar. Que delícia! Ops! Escrever jaboticaba? Nãooooooooooooooooo! Dá indigestão.

Camundongo

O roedor esperto que faz estragos em armários e despensas? É ele mesmo, o camundongo. Assim, com u.

Tabuada

Aprender a tabuada é como aprender a conjugação verbal. Em ambos os casos, flexionam-se dois verbos. Um: repetir. O outro: decorar. Com um cuidado: tabuada vem de tábua - com u.

Mendigo, reivindicar

Leia as duas palavras em voz alta. Repita-as sete vezes. Guarde a posição do n. Muita gente muda a nasalzinha de lugar. Maltrata mentes e ouvidos. Olho vivo! Língua afiada!