Há exatamente 44 anos (1982) partia, em São Paulo, o
cantor e compositor santista Lúcio Cardim, o qual se eternizou, mormente, com a
belíssima canção, “Matriz ou Filial’’.
Frequentemente,
atribui-se a autoria da aludida composição ao genial Lupicínio Rodrigues, haja
vista representar um autêntico samba-canção ‘dor-de-cotovelo’, tão típico do
famoso artista gaúcho.
Além
da linha melódica, associada ao clima de ‘inferninho’, e a abordagem dramática
da temática (paixão, rivalidade e arrependimento), a canção ainda seria, não
por acaso, lançada em 1964 pelo intérprete definitivo de Lupicínio, o lendário Mestre
Jamelão.
Em
que pese a importância do clássico, a obra de Lúcio Cardim vai além, tendo algo
em torno de 250 músicas gravadas, em apenas 50 anos de vida.
Boêmio
e romântico, Lúcio Cardim teve canções gravadas por grandes nomes de nosso
cancioneiro, tais como Ângela Maria, Cauby Peixoto, Altemar Dutra, Nora Ney,
Nélson Gonçalves, Chitãozinho & Xororó, Maria Bethânia, dentre outros.
Lúcio
Cardim divertia-se ao contar para as pessoas que ganhava uns ‘trocos’ com
apostas feitas a respeito da famosa composição ‒ e você sabe por quê?
As pessoas acreditavam, cegamente, que a música
“Matriz ou filial” fosse de autoria de Lupicínio Rodrigues e só se convenciam
do contrário quando confirmavam o nome de Lúcio Cardim nos encartes dos álbuns
com tal faixa ‒ “Aí já era tarde, tinham que pagar a aposta”.
Curtam
o sucesso ‘’Matriz ou Filial’’ (Lúcio Cardim), em sublime versão ao vivo com o
inesquecível Jamelão, diretamente do icônico programa Sr. Brasil, apresentado
pelo saudoso Rolando Boldrin (TV Cultura).
P.S.:
Lúcio Cardim (Santos, 7 de junho de 1932 – São Paulo, 3 de
junho de 1982) foi um compositor e cantor brasileiro.
Seu
primeiro e único LP, Obra-prima, foi lançado em 1978, com destaque para as
músicas “Ela sorri”, “Eta, dor de cotovelo”, “Matriz ou Filial”, “Tiro minha
vida” e “Somos no Jornal do Brasil”.
Sucesso
na noite paulistana, Lúcio tinha sua composição mais famosa, “Matriz ou Filial”
‒ gravada por Jamelão, Simone, Ângela Maria, Nora Ney, Cauby Peixoto,
Nélson Gonçalves entre outros ‒ frequentemente atribuída a Lupicínio Rodrigues,
devido ao estilo “dor de cotovelo” da letra. O próprio Lupicínio, no entanto,
elogiou a canção e afirmou que gostaria de tê-la escrito.
Além
de cantor e compositor, Lúcio foi também empresário ‒ durante anos teve uma
boate na Avenida Amaral Gurgel, região central de São Paulo,
chamada Matriz ou Filial, em homenagem à sua canção mais famosa.
Matriz ou Filial
Lúcio Cardim
Quem sou eu pra ter direitos
exclusivos sobre ela,
Se eu não posso sustentar os
sonhos dela,
Se nada tenho e cada um vale
o que tem.
Quem sou eu pra sufocar a
solidão da sua boca,
Que hoje diz que é matriz e
quase louca,
Quando brigamos, diz que é a
filial.
Afinal, se amar demais passou
a ser o meu defeito,
É bem possível que eu não
tenha mais direito
De ser matriz por ter somente
amor dar.
Afinal, o que ela pensa
conseguir me desprezando,
Se sua sina sempre é voltar
chorando,
Arrependida, me pedindo pra
ficar.