segunda-feira, 8 de junho de 2026

Nossa Língua Portuguesa

 

Profº Pasquale Cipro Neto 

No popular se diz: “Esse menino não para quieto, parece que tem bicho carpinteiro.” 

Correto: “Esse menino não para quieto, parece que tem bicho no corpo inteiro.” 

“Batatinha quando nasce, esparrama pelo chão.” 

Enquanto o correto é: “Batatinha quando nasce, espalha a rama pelo chão.” 

“Cor de burro quando foge.” 

O correto é: “Corro de burro quando foge!” 

Outro que no popular todo mundo erra: “Quem tem boca vai a Roma.” 

O correto é: “Quem tem boca vaia Roma." (isso mesmo, do verbo vaiar). 

Outro que todo mundo diz errado, “Cuspido e escarrado” quando alguém quer dizer que é muito parecido com outra pessoa. 

O correto é: “Esculpido em Carrara.” (Carrara é uma cidade que exporta um tipo de mármore.) 

Mais um famoso... ‘Quem não tem cão, caça com gato.” 

O correto é: “Quem não tem cão, caça como gato... ou seja, sozinho!”

domingo, 7 de junho de 2026

Focinhos

 

Ah, se as pessoas soubessem o que há por trás de um focinho,
Focinho úmido, geladinho,
Preto, marrom, desbotadinho,
Simples e lindos focinhos.

Ah, se as pessoas soubessem o valor de um focinho,
Focinho medroso ou metido,
Focinho manhoso, carinhoso,
Simples amigos focinhos.

Ah, se as pessoas tivessem ao menos um focinho,
Não sobre o próprio rosto,
Mas em carne, pelo e osso,
Fonte pura de carinhos.

Ah, se as pessoas protegessem os focinhos,
Focinhos que vivem sozinhos,
Amores desperdiçados; focinhos amargurados,
Focinhos pra todo lado.

Ah, se as pessoas conhecessem os focinhos,
Quanto amor, quanto carinho,
Anjos peludos, sem narizinhos.
Anjos fofos atrás de focinhos.

Ah, se eu pudesse ver todos os focinhos,
Amados e acolhidos,
Crianças da criação, anjos de bem querer,
Focinhos em plena evolução.

Ah, se as pessoas soubessem,
Quanto amor e dedicação,
Quanta vida, quanta paixão,
Quanto vale o amor de um cão (ou de um gatão).

Ah, se eu pudesse mostrar para todos,
o valor de um focinho,
A gratuidade de um carinho,
O que existe de verdade,
Por trás de um simples focinho.
 

Claudia Zippin Ferri

Piadas musicais

 

Num bar, uma cliente inquire o pianista... 

‒ Parabéns, o senhor toca muito bem. Toca por partitura ou por ouvido? 

‒ Não, madame, eu toco mesmo é por necessidade... 

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O produtor dos Beatles liga para o George Harrison...

Alô, o George está?

Não, ele saiu para Paul McCartney no correio, mas o Ringo Starr. 

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Conversa de músicos 

‒ Vamos a um bar, mas eu vou tomar só um Chopin.

Mas não vamos ao Bartók, esse vai de Mahler a pior. 

Vamos ao Barrios que esse é Bohm.

Você Comes lá?

Não, mas tomo um caldo Verdi.

Eu vou Dvorak um filé, adoro carne! O Carlos Gomes, só salada.

Vamos de Karr ou de Omnibus?

Melhor ir de Omnibus, Aida tudo bem, mas na volta tem muito Barber na rua... 

O pessoal vem?

Não, só o Beethoven. 

Perguntas e respostas... 

P. O que você faz se seu filho não consegue tocar nenhum instrumento?
R. Dê a ele dois pauzinhos e chame-o de percussionista. 

P. E se ele não for um bom percussionista?
R. Dê a ele só um pauzinho e chame-o de maestro.
 

P. Qual a diferença entre um contrabaixo e um violoncelo?
R. O contrabaixo demora mais para queimar.
 

P. Quando um músico de jazz tem um milhão de dólares?
R. Quando ele começa com dois milhões.
 

P. Qual a diferença entre um músico e um corretor de seguros?
R. Às vezes o corretor de seguros progride e ganha dinheiro.
 

P. Quando você sabe que um guitarrista está batendo na sua porta?
R. Quando Vai ficando mais alto.
 

P. Quando você sabe que um baterista está batendo na sua porta?
R. Quando Vai ficando mais rápido.
 

P. Quando você sabe que um baixista está batendo na sua porta?
R. Não sabe.
 

P. Até que horas essa banda toca?
R. Eles terminam um pouco depois do baterista.
 

P. Qual a diferença de um grupo de trompas e um carro velho?
R. O carro velho você consegue afinar.
 

P. Qual a primeira coisa que o músico diz no trabalho?
R. O senhor vai querer fritas para acompanhar?
 

P. Por que os músicos têm que acordar às 6 horas?
R. Por que muitas lojas fecham às 6h30min.
 

Essa tem que ser em inglês... 

P. How do you know when there's a singer at the door?
R. They can't find the key and they don't know when to come in.
 

 E as de lâmpadas...

P. Quantos contrabaixistas são necessários para trocar uma lâmpada?
R. Nenhum, o tecladista consegue só com a mão esquerda.
 

P. Quantos tecladistas são necessários para trocar uma lâmpada?
R. Nenhum. É só ligar em MIDI.
 

P. Quantos músicos de Heavy Metal são necessários para trocar uma lâmpada?
R. Dois. Um para trocar e outro para comer a usada.
 

P. Quantos músicos de jazz são necessários para trocar uma lâmpada?
R. Quatro... Um troca e os outros três reclamam que é elétrico.
 

P. Quantos produtores são necessários para trocar uma lâmpada?
R. Não sei... Que cê acha?
 

P. Quantos técnicos de som são necessários para trocar uma lâmpada?
R. Ah, pra mim soa bem... 

P. Quantos cantores são necessários para trocar uma lâmpada?
R. Um. Ele segura a lâmpada e o mundo gira em torno dele.
 

E para finalizar... 

Uma cantora convida um pianista para acompanhá-la numa apresentação. Ia tudo bem até que alguém pede para ela cantar “Corcovado”. Ela sussurra para o pianista: “Eu sei a música, mas não sei inteira!”. O pianista responde: “Não esquenta, começa que eu te ajudo”. Ela fica meio desconfiada, mas começa: “um cantinho um violão...” e olha para o pianista em busca de auxílio, que confidencialmente sussurra para ela: Am6, G#dim7, Gm7... 

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(Do site Marcos Borelli – Música Brasileira)

sexta-feira, 5 de junho de 2026

O grande Lúcio Cardim

Há exatamente 44 anos (1982) partia, em São Paulo, o cantor e compositor santista Lúcio Cardim, o qual se eternizou, mormente, com a belíssima canção, “Matriz ou Filial’’. 

Frequentemente, atribui-se a autoria da aludida composição ao genial Lupicínio Rodrigues, haja vista representar um autêntico samba-canção ‘dor-de-cotovelo’, tão típico do famoso artista gaúcho. 

Além da linha melódica, associada ao clima de ‘inferninho’, e a abordagem dramática da temática (paixão, rivalidade e arrependimento), a canção ainda seria, não por acaso, lançada em 1964 pelo intérprete definitivo de Lupicínio, o lendário Mestre Jamelão. 

Em que pese a importância do clássico, a obra de Lúcio Cardim vai além, tendo algo em torno de 250 músicas gravadas, em apenas 50 anos de vida. 

Boêmio e romântico, Lúcio Cardim teve canções gravadas por grandes nomes de nosso cancioneiro, tais como Ângela Maria, Cauby Peixoto, Altemar Dutra, Nora Ney, Nélson Gonçalves, Chitãozinho & Xororó, Maria Bethânia, dentre outros. 

Lúcio Cardim divertia-se ao contar para as pessoas que ganhava uns ‘trocos’ com apostas feitas a respeito da famosa composição ‒ e você sabe por quê? 

As pessoas acreditavam, cegamente, que a música “Matriz ou filial” fosse de autoria de Lupicínio Rodrigues e só se convenciam do contrário quando confirmavam o nome de Lúcio Cardim nos encartes dos álbuns com tal faixa ‒ “Aí já era tarde, tinham que pagar a aposta”. 

Curtam o sucesso ‘’Matriz ou Filial’’ (Lúcio Cardim), em sublime versão ao vivo com o inesquecível Jamelão, diretamente do icônico programa Sr. Brasil, apresentado pelo saudoso Rolando Boldrin (TV Cultura). 

P.S.: Lúcio Cardim (Santos, 7 de junho de 1932 – São Paulo, 3 de junho de 1982) foi um compositor e cantor brasileiro. 

Seu primeiro e único LP, Obra-prima, foi lançado em 1978, com destaque para as músicas “Ela sorri”, “Eta, dor de cotovelo”, “Matriz ou Filial”, “Tiro minha vida” e “Somos no Jornal do Brasil”. 

Sucesso na noite paulistana, Lúcio tinha sua composição mais famosa, “Matriz ou Filial” ‒ gravada por Jamelão, Simone, Ângela Maria, Nora Ney, Cauby Peixoto, Nélson Gonçalves entre outros ‒ frequentemente atribuída a Lupicínio Rodrigues, devido ao estilo “dor de cotovelo” da letra. O próprio Lupicínio, no entanto, elogiou a canção e afirmou que gostaria de tê-la escrito. 

Além de cantor e compositor, Lúcio foi também empresário ‒ durante anos teve uma boate na Avenida Amaral Gurgel, região central de São Paulo, chamada Matriz ou Filial, em homenagem à sua canção mais famosa. 

Matriz ou Filial 

Lúcio Cardim 

Quem sou eu pra ter direitos exclusivos sobre ela,

Se eu não posso sustentar os sonhos dela,

Se nada tenho e cada um vale o que tem. 

Quem sou eu pra sufocar a solidão da sua boca,

Que hoje diz que é matriz e quase louca,

Quando brigamos, diz que é a filial. 

Afinal, se amar demais passou a ser o meu defeito,

É bem possível que eu não tenha mais direito

De ser matriz por ter somente amor dar. 

Afinal, o que ela pensa conseguir me desprezando,

Se sua sina sempre é voltar chorando,

Arrependida, me pedindo pra ficar.

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Molambo

 Augusto Mesquita e Jaime Florence (Meira)

Eu sei que vocês vão dizer

Que é tudo mentira, que não pode ser,

Porque depois de tudo que ela me fez,

Eu jamais deveria aceitá-la outra vez. 

Bem sei que assim procedendo

Me exponho ao desprezo de todos vocês.

Lamento, mas fiquem sabendo

Que ela voltou e comigo ficou. 

Ficou pra matar a saudade,

A tremenda saudade que não me deixou,

Que não me deu sossego um momento sequer

Desde o dia em que ela me abandonou. 

Ficou pra impedir que a loucura

Fizesse de mim um molambo qualquer.

Ficou desta vez para sempre,

Se Deus quiser. 

******* 

A música aborda a vulnerabilidade emocional, a dependência afetiva e o conflito entre o julgamento social e a necessidade de afeto. A letra narra o drama de alguém que aceita um amor de volta para curar uma saudade devastadora e evitar sua própria ruína psicológica. 

Temáticas Centrais da Música 

Vulnerabilidade e dependência emocional: O título “Molambo” é usado de forma metafórica para descrever o estado de fragilidade do narrador. Ele teme se tornar um “trapo” humano caso não tenha o ser amado por perto. 

Conflito com o julgamento social: O eu-lírico reconhece que suas escolhas são criticadas, chegando a admitir: “Me exponho ao desprezo de todos vocês”. Mesmo assim, ele prioriza seu próprio alívio e bem-estar, desafiando as expectativas dos outros. 

A força da saudade: A música descreve a saudade não como algo nostálgico, mas como uma força avassaladora que supera qualquer resquício de orgulho. 

Para uma interpretação marcante da música, você pode conferir o registro clássico na voz de grandes nomes, como: Cauby Peixoto, Nélson Gonçalves e numa versão dançante com “Os Incríveis”. 

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Alice e seu encontro com o gato

 

(...) “se ao menos alguém soubesse a maneira correta de transformá-las” teve um ligeiro sobressalto ao ver o Gato de Cheshire sentado no galho de uma árvore a alguns metros de distância. 

Ao ver Alice, o Gato só sorriu. Parecia amigável, ela pensou; ainda assim, tinha garras muito longas e um número enorme de dentes, de modo que achou que devia tratá-lo com respeito. “Bichano de Cheshire”, começou, muito tímida, pois não estava nada certa de que esse nome iria agradá-lo; mas ele só abriu um pouco mais o sorriso. “Bom, até agora ele está satisfeito”, pensou e continuou: 

Poderia me dizer, por favor, que caminho devo tomar para ir embora daqui? 

− Depende bastante de para onde quer ir, respondeu o Gato. 

Não me importa muito para onde, disse Alice. 

Então não importa que caminho tome, disse o Gato. 

Contanto que eu chegue a algum lugar, Alice acrescentou à guisa de explicação. 

Oh, isso você certamente vai conseguir, afirmou o Gato, desde que ande o bastante. 

******* 

Essa clássica resposta do Gato de Cheshire para Alice, no livro Alice no País das Maravilhas, define bem a situação! Se quiser ir embora de onde está agora, basta me dizer qual é o seu destino final. 

“Devemos determinar, por isso, em primeiro lugar, o que desejamos e, em seguida, por onde podemos avançar mais rapidamente nesse sentido. Dessa forma, veremos ao longo do percurso, sendo este o adequado, o quanto nos adiantamos cada dia e o quanto nos aproximamos de nosso objetivo. No entanto, se perambularmos daqui para lá sem seguir outro guia senão os rumores e os chamados discordantes que nos levam a vários lugares, nossa curta vida se consumirá em erros, ainda que trabalhemos dia e noite para melhorar o nosso espírito.” 

Sêneca 

As palavras de Sêneca remetem ao diálogo de Alice e do Gato ecoar forte! Não há que apenas seguir, buscar conhecimento, “ser melhor”; há que se ter uma direção, um rumo, “sem seguir ovelhas no rebanho” (acrescenta Sêneca). 

Devemos entender que a nossa história não é uma “imitação” de outra pessoa. 

Devemos caminhar e descobrir as coisas no nosso ritmo, no nosso mapa. 

Tracemos o nosso destino e tapemos os ouvidos para os chamados discordantes.

A nova tecnologia e os idosos

 

O valor de uma sociedade não está na sofisticação de sua tecnologia, mas na forma como ela trata aqueles que têm mais dificuldade de acompanhá-la. 

Uma sociedade que obriga uma pessoa de 70, 80 ou 90 anos a usar um smartphone para acessar os próprios direitos não é moderna; é uma sociedade que começou a abandonar seus idosos. 

Em 2026, tudo virou aplicativo, senha, código ou portal digital. Mas muitos daqueles que construíram este país com o próprio trabalho, hoje se veem analfabetos diante de uma tela dentro da própria casa. 

Para marcar uma consulta, acessar um benefício ou pagar uma conta, muitas vezes é preciso depender de um filho ou de um neto ‒ quando existe alguém para ajudar. O sistema, que deveria servir às pessoas, passa a excluí-las. 

Isso não é inovação. É exclusão. 

A tecnologia deve ampliar a dignidade humana, não determinar quem pode ou não exercer seus direitos. O progresso não pode ser medido apenas pela velocidade dos sistemas, mas pela capacidade de incluir aqueles que mais precisam deles. 

Quando deixamos para trás aqueles que vieram antes de nós, não estamos evoluindo. Estamos apenas nos tornando mais cômodos e mais egoístas. 

Uma sociedade verdadeiramente avançada não substitui o humano pela tecnologia; usa a tecnologia para cuidar melhor do humano. 

(Augusto Gomes)