segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Dyonelio Machado



(Quarai, RS, 1895 − Porto Alegre, RS, 1985)

Publicado há 90 anos, o livro de contos “Um Pobre Homem”, que marcou a estreia de Dyonélio Machado, está ganhando uma reedição. A neta do escritor escreveu a apresentação do volume, em texto que ZH (de 23.12.2017) reproduz a seguir.

Meu Vô

Por Andréa Soler Machado*

Sou neta do Dyonélio Machado. Sei disso desde pequena, porém, só ao longo da minha vida é que fui entendendo a delícia e a dor dessa genealogia. Escritor famoso, político importante, presidiário comunista, maldito, odiado, amado e sempre verdadeiro. E o melhor, antes de tudo, meu vô: o primeiro a me pegar no colo, a apreciar meus desenhos, a me oferecer um copo de vinho, a me indicar os clássicos da literatura e, mesmo hesitante, a me emprestar um livro de orientação sexual.

Nossa amizade surgiu da vivência, não da literatura. Contar coisas nossas beira intimidade e talvez não interesse a muita gente, mas é isso que revela e humaniza o personagem autor de Os Ratos (1935).

Quero crer que sempre fui sua neta preferida, já que preferência é afinidade, empatia, algo que se sente, que não tem explicação. Comigo ele conseguia ser criança. Eu adorava as suas travessuras. Enquanto uns se entediavam com sua declamação de poemas em algum almoço de família, eu babava. E, quando tudo estava chato, nos refugiávamos, eu e ele, na cozinha e conversávamos com as empregadas.

Como ele gostava de plateia para narrar suas histórias, eu era a melhor companhia, e também testemunha e cúmplice de suas proezas de artesão. Lembro-me muito bem daqueles dedos longos restaurando livros antigos. “Mequinha, sabes que fui encadernador?” Era esse meu apelido, entre nós apenas, pois nunca tive apelidos; aliás, odeio apelidos, mas desse eu gostava, e até hoje desconheço se tem algum significado.

Mais tarde soube que esses mesmos dedos esculpiram, lá nos anos 1930, no cárcere político, peças de um jogo de xadrez em cabos de vassoura, relíquia que segue guardada em um saquinho feito com um pedaço de uniforme listrado de presidiário e que consegui resgatar recentemente com uma prima. Dedos que me ensinaram a embaralhar cartas de uma forma diferente – ele apreciava jogar truco −, técnica que somente quando tive mãos de adulta pude realmente colocar em prática.

Nos fundos da casa da praia do Imbé tinha uma casinha amarelinha, uma espécie de oficina, batizada Vila Andrea... Eu amava isso, era uma homenagem! E demorou anos até eu descobrir Palladio – Andrea di Pietro della Gondola −, na faculdade de Arquitetura, e entender o sentido da villa. Na vila Andrea havia tudo o que precisávamos para montar uma pandorga: ferramentas, varetas e papéis de seda coloridos. Sim, ele fazia e empinava pandorgas.

E as ironias? Hilárias para mim. “Inglês não interessa muito, português é uma língua obscena, aprenda francês.” Obedeci.

Futricando sua mesa de trabalho, que na época se chamava birô (“bureau”, em francês), descobri as fotos! Muitas fotos de fachadas e vistas de Porto Alegre, lindas, registros de longas caminhadas. Será que nasceu daí minha paixão pela arquitetura... e pelas caminhadas?

Os Ratos traduz essa visão cinematográfica, a vida em movimento, ao descrever imageticamente a perambulação pela floresta urbana, barulhenta, labiríntica, de céu recortado, inferno e paraíso da civilização.

Meus 15 anos nos foram brindados com um poema: “Tens o silêncio no gesto, grande sinal de nobreza”. E logo veio a abertura política e a reedição de seus livros. O velho amigo então me outorgou o cargo de sua “base de massa”, uma convocação que, nessa época, eu ainda não sabia como honrar.

Quando defendi meu doutorado, escutei atentamente as observações da banca, mas recordando que ele contava que, em sua defesa, esbravejou para a plateia após comentários absurdos de um dos membros: “Ele não leu a tese!”. Esse era Dyonelio Machado!

Durante minha vida fui entendendo melhor sua faceta pública e também suas histórias pessoais, aquelas que realmente impulsionam o mundo e que desvendam o homem por trás do escritor, ou melhor, entranhado no escritor. As histórias do menino solitário do Quaraí, o início do namoro com minha avó, Adalgiza, companheira de toda a vida, que nunca perdia a elegância, nem mesmo quando tinha de ouvir: “Mequinha, que bom quando vens almoçar, só assim tem comida boa, porque, tu sabes, eu sou o bicho da casa”. E ele fazia cara de bicho. E ria.

A Adalgiza era pianista, lia, costurava, e preparava um doce de leite e uma massa inesquecíveis. Mas vivia mesmo era para ele. E, quando o Velho – assim ela carinhosamente o chamava – se foi, organizou as cartas, os manuscritos, tudo. Terminado o trabalho, deitou-se no sofá e se foi também.

Em minha família, as histórias vão sendo contadas aos poucos. E se misturaram às lembranças que tenho do meu vô.


*Arquiteta, doutora em História, professora da UFRGS.


Dyonélio Tubino Machado nasceu em Quarai, RS, em 21/08/1895. Político, médico escritor, jornalista e poeta, foi um dos expoentes da segunda geração do Modernismo no Brasil. Aos 12 anos já trabalhava no semanário O Quaraí, onde teve seus primeiros contatos com a imprensa. Em 1911 fundou um jornal com o titulo O Martelo, anunciando suas inclinações pelo comunismo. Em 1929 formou-se médico, foto abaixo, e ingressou na psicanálise, constituindo-se num dos responsáveis pela sua divulgação no Rio Grande do Sul. Em 1934 traduziu a obra Elementos de psicanálise, de Eduardo Weiss, livro fundamental na área.


O interesse pela literatura surge por esta época, tendo seu primeiro livro de contos – Um pobre homem – publicado em 1927. Sua obra não é vasta, porém é bastante significativa: Os ratos (1935), tido como sua obra-prima e O louco do Cati (1942) são romances enigmáticos estudados até hoje e considerados como clássicos da literatura brasileira. Sua obra foi apenas reconhecida tardiamente, tendo recebido destaque nos meios acadêmicos apenas a partir da década de 1990. O psicológico está bastante enraizado em sua obra, como deixam transparecer O louco do Cati e Os ratos.

Foi ainda um dos fundadores da Associação Rio-grandense de Imprensa (ARI) e, mais tarde, colaborador dos jornais Correio do Povo e Diário de Notícias, da capital gaúcha. Em 1946, com Décio Freitas, fundou o jornal Tribuna Gaúcha, porta-voz do Partido Comunista Brasileiro.


A militância política tornou-se uma extensão de suas atividades como médico e escritor. Membro dedicado do PCB, em 1935 foi acusado de atentar contra a ordem política e social ao trabalhar para a realização de uma greve de gráficos. Solto mediante sursis, voltou a ser preso no mesmo ano, por ocasião da Intentona Comunista. Suas posições ideológicas custaram-lhe dois anos de sua vida, passados em prisões políticas. Mas suas convicções de homem de esquerda não ficaram abaladas com estes fatos. Tanto é que, em 1947, com o PCB na legalidade, ele se elegeu deputado estadual pelo partido e se tornou líder da sua bancada na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul. Outros livros: Desolação (1942), Passos perdidos (1946), Deuses econômicos (1966), Endiabrados (1980), Sol subterrâneo (1980), Fada (1981) e O estadista (1982). Faleceu em 19/06/1985

(Do Blog Tiro de Letra)


Dyonélio Machado na velhice


Um fato inusitado da História do Brasil


Assassinato ou suicídio?


Getúlio Vargas, morto, com o furo da bala em seu peito.

A morte de Getúlio Vargas continua despertando interesse e polêmica. Volta e meia, alguém me pergunta se o presidente se matou ou foi assassinado. Tudo aconteceu em 24 de agosto de 1954, há exatos 56 anos. A teoria do assassinato sempre teve defensores. Nunca encontrou, no entanto, evidências. Apaixona. Vargas tinha muitos inimigos. Estava no meio de um “mar de lama”. Mas, dificilmente, poderia ser assassinado em seu quarto, no Palácio do Catete, cercado de amigos, familiares e seguranças, ao final de uma noite histórica na qual aceitara pedir um afastamento temporário do governo. As teorias conspiratórias sempre fascinam. Em meu livro "Getúlio", esse fantasma está presente. Falando nisso, se me permitem a gabolice, meu "Getúlio" vai sair no Japão, com tradução de Hamaoka, um apaixonado pelo Brasil.

Quando reescrevi esta passagem de “Getúlio”, no Rio de Janeiro, numa madrugada de Carnaval, fui às lágrimas:

- Um tiro! - exclama Barbosa.

- Foi aqui?, pergunta o major Hélio Dornelles.

- Foi.
                                 
- Alzira, seu pai, grita uma voz quase estranha, talvez pelo pânico, sacudindo, pelos ombros a filha de Vargas.

Precipitam-se todos para o quarto. Estendido na cama, braços abertos, uma perna para fora do leito, Getúlio agoniza. Dornelles é um dos primeiros a vê-lo assim. Quando Alzira entra, Getúlio ainda lhe sorri, enquanto o sangue que salta do orifício no pijama de listras inunda-lhe a blusa. A filha repete como um autômato: “Não pode ser, não pode ser, tu me prometeste”. Adalgisa chega com Dona Darcy e ainda sente os últimos espasmos do corpo. Getúlio busca, com os olhos congestionados, o rosto de Darcy. Caiado de Castro irrompe e desmaia. Horas depois, dirá: “Getúlio Vargas morreu de um coice de Bejo Vargas”. Amaral Peixoto socorre a sua mulher. Lutero, acordado por Zarattini, em prantos, examina o corpo do pai, toma-lhe o pulso, pede ao doutor Flávio que ausculte o moribundo. Acabou.

Guilherme Arinos olha para o cadáver e sente a pior dor da sua vida, a dor da perda do homem que lhe mudara para sempre a vida. Lá fora, a multidão já reza. Arísio Viana, diretor do Dasp e amigo de Getúlio, grita que não podiam ter deixado o presidente sozinho. Depois, prático, começa a tirar-lhe o pijama. Chegam o médico e os legistas. Lutero quer uma autópsia. Toca o telefone na Redação da Última Hora. Luís Costa, titular da coluna “O Dia do Presidente”, berra para um Samuel Wainer repentinamente incapaz de ouvir bem: “O presidente acaba de se dar um tiro no coração”. O Profeta corre à oficina do jornal, recupera a página composta do dia anterior e prepara uma “cartola”, um simples “chapéu” para o título da edição morta: “Ele cumpriu a promessa - Só morto sairei do Catete”. Depois, senta-se e chora convulsivamente. A Tribuna da Imprensa preferiu um quase discreto e neutro “Suicidou-se Getúlio Vargas”.

Contei essa história a um amigo de esquerda. Ele me gozou: “Você chorou por um ex-ditador”, disse. Que coisa!”

Juremir Machado da Silva

Correio do Povo de 24 de agosto de 2010.

“cartola” – “chapéu” gíria jornalística para títulos de última hora para a edição de um jornal.


domingo, 24 de dezembro de 2017

10 dicas para evitar a trombose venosa nas viagens aéreas



→ Embora tenhamos conhecimento sobre muito conhecimento sobre Trombose Venosa Profunda (TVP), relacionada a viagens de avião, pesquisas continuam intensas sobre a doença. Conhecida como flebite ou tromboflebite, trata-se de uma ameaça em potencial à vida, pois um coágulo se forma em uma veia profunda durante um voo. Mas há medidas práticas que você pode tomar para se proteger.

→ A TVP relacionada a viagens de avião foi relatada pela primeira vez em 1954 quando um cirurgião americano John Homas diagnosticou a doença em um homem que havia voado por 14 horas. De fato, um estudo de 1940, que relatou o aumento em seis vezes da morte súbita associada à TVP, já havia revelado sua causa básica ­­− imobilidade prolongada. Mais recentemente, a suposta trombose eletrônica tem sido diagnosticada tem sido diagnosticada em pessoas sentadas em frente ao computador por no mínimo 12 horas. A TPV ameaça a vida se o trombo, ou coágulo, for desalojado porque pode viajar rumo aos pulmões e bloquear − de forma potencial e fatal − o suprimento de oxigênio. Isso é conhecido como Embolia Pulmonar (EP).

→ A doença repercutiu nas mídias em 2000, depois de uma britânica de 28 anos morrer de EP após um voo de Sidney para Londres. Em 2001, a OMS estabeleceu a Pesquisa sobre os perigos globais das viagens (Projeto WRIGHT, em inglês). A Fase 1 dos estudos, publicada em 2007, descobriu que:

– Viagens aéreas de mais de quatro horas duplica o risco de TVP/EP.

– Outros fatores de risco: obesidade, uso de contraceptivo oral, ser baixo ou alto demais, além de anormalidades sanguíneas relativas à coagulação.

→ Estudos estabelecem que gravidez, idade avançada, cirurgia e AVC recentes, insuficiência cardíaca e uso da terapia de reposição hormonal também aumentam o risco. De modo surpreendente, atletas de resistência podem ser suscetíveis. Sua capacidade física lhes confere uma frequência cardíaca de repouso baixa que, quando combinada a inatividade, decorrente de viagem ou lesão, aumenta a probabilidade da formação de coágulo. Embora não exista evidência clara, sobre a incidência clara sobre a incidência de TVP entre quem viaja de avião com frequência, em especial a tripulação de voo, os comissários de bordo tendem a permanecer ativos enquanto a aeronave está no ar, minimizando os riscos. E os pilotos se submetem a check-ups médicos frequentes que identificam a predisposição a problemas de saúde, o que tende a oferecer um grau de proteção extra. Para pessoas saudáveis vale lembrar que a incidência geral de TVP/EP e, na verdade, bem baixa, de apenas um caso em seis mil voos de quatro horas ou mais.

Controle seu voo

→ Vale a pena considerar onde você irá sentar-se e o que irá fazer durante um voo. Se possível, escolha a poltrona do corredor para facilitar o deslocamento. Um estudo alemão de mais de 11 mil pessoas em voos com duração acima de quatro horas descobriu que os passageiros das poltronas da janela duplicaram o risco de TVP, principalmente se estavam acima do peso. Aqueles que dormiram aumentaram em 1,5 vez o risco. Descobriu-se ainda que passageiros ansiosos apresentavam o risco 2,5 vezes maior. Os especialistas sugerem as seguintes medidas:

01. Consulte o médico antes de um voo mais longo, se você apresentar qualquer um dos fatores de risco descritos anteriormente.

02. Use uma roupa folgada, e confortável.

03. Compre meias próprias para viajar de avião, ou meias de compressão para usar no voo. Mais apenas meias ¾ de compressão classe um, que exercem pressão suave ao redor dos tornozelos para estimula a circulação sanguínea. É vital que as meias avaliadas e usadas de forma correta, pois as inadequadas podem aumentar o risco de TVP. Peça ajuda ao seu médico.

04. Escolha a poltrona ideal. Você ficará mais propenso a se movimentar caso se sente perto do corredor. Opte por uma poltrona na primeira fila, na frente, onde há mais espaço.

05. Guarde a bagagem no compartimento acima da poltrona de modo a não restringir a sua capacidade de mexer as pernas.

06. Cuidado com bebidas. Se quiser tirar proveito das bebidas alcoólicas, não consuma mais do que uma. Beba bastante água. Não há provas de que a água proteja contra a TVP. Mas, com certeza, ajuda a prevenir a desidratação, que pode ser um fator de risco.

07. Evite dormir e as pílulas para dormir durante um voo. Um dos principais fatores de risco para a TVP é a imobilidade. E, se você dormir durante o voo, a tendência é ficar imóvel por completo. Ao dormir na cama, é natural que você se mexa, o que mantém o sangue circulando. Em um avião, você está sentado, em uma posição de dormir não natural, e o movimento das pernas é restrito. Se precisar dormir, faça isso por um curto período, não mais de 30 minutos − acione um despertador para ter certeza de acordar e fazer exercícios para prevenir a TVP.

08. Caminhe pelos corredores, toda vez que puder.

09. Faça exercícios a cada meia hora. Levante os calcanhares, mantendo os dedos dos pés no chão, e volte a abaixá-los. Faça isso dez vezes. Depois, levante e abaixe e abaixe os dedos dos pés dez vezes.

10. Mantenha a calma se tiver medo de voar. Fazer alguns exercícios respiratórios irá ajudá-lo. Você também, pode colocar um pouco de óleo de lavanda em um lenço para inalar durante o voo.


(Dicas do Blog da Seleções do Reader′s Digest)


A música que foi censurada por causa uma palavra.


“Sou da universidade da vida.”


Waldick Soriano

Os versos dessa canção narram as dores de uma história de amor; no entanto o regime militar a censurou, em 1974, por não gostar da palavra “tortura”.

“Não entendo por que fui censurado. Se você ler Tortura de Amor, é uma música romântica, não tem nada sobre tortura. E sempre fui amigo dos militares, nunca fui contra os militares, sempre me dei muito bem com eles. Agora, Chico e essa turma entravam pesado contra eles... Mas eu nunca fiz música política.”

Em shows pelo Nordeste, o cantor Waldick Soriano conta uma de suas técnicas para decifrar a alma de uma cidade. O método consiste em perguntar onde fica a igreja matriz. Pois bem. Do lado oposto, está o cabaré − e Waldick.
  
Tortura de Amor

Letra e Música de Waldick Soriano

Hoje que a noite está calma
E que minha alma esperava por ti.
Apareceste, afinal,
Torturando este ser que te adora.

Volta, fica comigo só mais uma noite.
Quero viver junto a ti,
Volta, meu amor,
Fica comigo, não me desprezes,
A noite é nossa e o meu amor pertence a ti.

Hoje eu quero paz,
Quero ternura em nossas vidas.
Quero viver, por toda vida, pensando em ti.


* Esta música, Tortura de Amor, você pode escutar pela internet.

Waldick Soriano morreu em 4 de setembro de 2008, aos 75 anos, no Rio de Janeiro.


Agatha Christie,

o fim sem mistério da Rainha do Crime.


A escritora britânica Agatha Christie foi batizada de Agatha Mary Clarissa Miller. O sobrenome Christie veio do primeiro marido, o coronel Archibald Christie, com quem teve uma filha e se separou em 1928.

Agatha Christie é até hoje conhecida em todo o mundo como Duquesa da Morte ou Rainha do Crime.

A escritora foi mãe de personagens famosos da literatura policial. Foi Agatha quem criou o detetive belga Hercule Poirot e a simpática Miss Marple, personagens presentes em diversos livros da escritora.

Hercule Poirot aparece em 33 livros da escritora. Miss Marple foi inspirada na avó de Agatha.

O primeiro romance “O Misterioso Caso Styles”, foi resultado de um desafio lançado pela irmã, que acha que ela era incapaz de escrever um romance policial. A obra foi publicada em 1920, depois de ser recusada por seis editoras.

Agatha escreveu mais ou menos 70 romances e mais de uma centena de contos. Para quem acha que ela era produtiva, isso não é nada: além de romances e contos, ela escreveu cerca de 17 peças de teatro. Seus livros venderam mais de um bilhão de cópias em inglês, além de outro bilhão em outros idiomas.

Entre as manias da escritora estava comer maçãs na banheira e colecionar macaquinhos de pelúcia. Também gostava de nadar em mar aberto, inclusive em dias de tempestade.

Assim como muitas personalidades do mundo das artes (com Bertold Brecht, Jean Cocteau e Max Beckmann), Agatha Christie trabalhou como enfermeira durante a Primeira Guerra Mundial.

Agatha morreu no dia 12 de janeiro de 1976, de causas naturais em sua residência, nos arredores de Londres e aos 85 anos.


Instituto Butantan



As origens do Instituto Butantan remontam a 1889. Naquele ano, se propagava no porto de Santos um surto de peste bubônica. Para combater a doença, o governo do Estado de São Paulo adquiriu a Fazenda Butantan, onde instalou um laboratório de produção de soro antipestoso, vinculado ao Instituto Bacteriológico (atual Instituto Adolpho Lutz). Em fevereiro de 1901, o laboratório ganhou autonomia, sob a denominação de Instituto Seroterápico, depois Instituto Butantã, e seu primeiro diretor foi Vital Brazil. Graças ao idealismo desse médico sanitarista de 35 anos de idade, nascido Vital Brazil Mineiro da Campanha, na cidade de Campanha, interior de Minas Gerais, o instituto, além de produzir soros e vacinas, desenvolvia pesquisas que lhe garantiriam o reconhecimento da comunidade científica internacional. A expansão crescente das pesquisas, estudos e produção exigiam instalações mais amplas e modernas. Em 1914 foi inaugurado o prédio principal, adequado às novas necessidades. Entre suas inúmeras atividades, o Instituto desenvolve estudos e pesquisa básica na área de Biologia e de Biomedicina, relacionadas, direta ou indiretamente, com a saúde pública. Produz vacinas e soros para uso profilático e curativo. Realiza missões científicas no país e no exterior.


O nome dele era Vital Brazil Mineiro da Campanha por causa do lugar do seu nascimento: Brasil (que na época se escrevia com z), Minas Gerais, Campanha (cidade no sul de Minas). Vital era o nome do santo do dia. Sua mãe, D. Mariana Carolina Pereira de Magalhães era prima de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Seu pai, José Manoel dos Santos Pereira Júnior resolveu colocar em cada um dos seus oito filhos um nome diferente a fim de não dar continuidade ao nome da sua família, com a qual estava brigado.

Ele nasceu em 28 de abril de 1865 e passou a infância nas cidades mineiras de Campanha, Itajubá e Caldas, trabalhando desde os 9 anos para ajudar a família. Com 15 anos foi para São  Paulo com a família, onde passou o resto da sua juventude entre o trabalho e os estudos preparatórios. Seu objetivo era entrar para a Faculdade de Medicina e na época só existiam duas: uma na cidade de Salvador (Bahia) e outra na do Rio de Janeiro (Rio de Janeiro). Assim, com 21 anos ele foi para o Rio, onde trabalhou como escrevente da polícia e professor, para sustentar-se e custear seus estudos na Faculdade. Durante o curso, fez seleção e passou a ser o colaborador e preparador das aulas de Fisiologia. Formou-se em 1891, com 26 anos, Doutor em Medicina, defendendo a tese: "Funções do Baço" e logo depois se casou com sua prima, Maria da Conceição Philipina de Magalhães.

Trabalhou como médico na Força Pública e no Serviço Sanitário em São  Paulo e na cidade de Botucatu. Durante as epidemias de febre amarela, varíola e cólera, chefiou a comissão sanitária em Cachoeira, no vale do Paraíba e combateu a peste bubônica na cidade de Santos, contraindo a doença durante o trabalho. Foi em Botucatu que ele, impressionado com os acidentes causados por serpentes venenosas, resolveu estudar o assunto, abandonando a clínica e indo trabalhar no Instituto Bacteriológico de S.Paulo, hoje Instituto Adolfo Lutz. Foi lá, com o apoio do Dr. Lutz e com o conhecimento dos estudos do Dr. Calmette no Instituto Pasteur da Índia, sobre soros antiofídicos, que ele fez os primeiros experimentos com os venenos das serpentes. Nesta época ocorriam quase 3.000 acidentes por ano só no Estado de S.Paulo.

Seu nome ficou conhecido - Dr. Brazil -, pela sua dedicação à saúde pública e pelo seu entusiasmo pelos estudos experimentais que representavam na época o começo das pesquisas no Brasil. Por causa disso, foi chamado pelo Governo do Estado de S.Paulo, para ajudar a criar um Instituto Soroterápico, que produzisse soros e vacinas que combatessem as epidemias que vinham assolando a população.

Foi então, comprada uma fazenda chamada Butantan e lá Vital Brazil começou em 1901, em instalações provisórias como um estábulo adaptado, as imunizações dos cavalos para fazer a vacina contra a peste e continuou com as pesquisas sobre os venenos das serpentes. Nesse mesmo ano ele publicou seu primeiro trabalho sobre o envenenamento ofídico e demonstrou que o soro para o tratamento dos acidentes tinha que ser específico. Também produziu as primeiras ampolas de soro contra o veneno de jararaca e cascavel.

O Instituto Serumtherapico passou a se chamar Instituto Butantan e junto com Vital Brazil, seu diretor, ganhou prestígio e importância graças ao trabalho pioneiro de Vital Brazil e seus colaboradores. Em 1915, durante a estadia de Vital Brazil em Nova York, o soro brasileiro salvou da morte um empregado do Jardim Zoológico do Bronx Park, após ter sido picado por uma Crotalus atrox e não ter tido sucesso com outros tratamentos já empregados. Em 1919, ele foi convidado pelo governo do Estado do Rio de Janeiro a criar um centro de pesquisas biológicas em Niterói e foi fundado então o Instituto Vital Brazil.

Viúvo desde 1913, casou-se novamente, em 1920, com Dinah Carneiro Vianna. Vital Brazil Mineiro da Campanha tinha por lema "Veritas super omnia", era espiritualista, conhecia profundamente a Bíblia e viveu segundo os Versos de Ouro de Pitágoras; morreu em 8 de maio de 1950, no Rio de Janeiro, aos 85 anos, ainda na direção do Instituto Vital Brazil.


 Referências Bibliográficas

Donato, H. Vital Brazil. Grandes Brasileiros, nº 23. Edições Melhoramentos, 1959. 70 p.

Brazil, L.V. A família Vital Brazil. Resumo histórico genealógico. 1992

Brazil, O V. Contribuição para a Ciência no Brasil, 1989. 132 p.

Instituto Vital Brazil Vital Brazil. Traços biográficos, 1983

Instituto Butantan Histórico do Instituto Butantan e Biografia de Vital Brazil. Série didática 3. Divisão de Extensão Cultural.

P.S. O Instituto Butantan fica no bairro paulista Butantã. 

Primeiros Socorros

O que você pode fazer se vir alguém com suspeita de infarto.

Por André Biernath
Ilustrações da massagem cardíaca por Henrique Campeã


1. Procure ajuda → Antes de tudo, sempre ligue para o serviço de emergência, como o Samu (192) ou os bombeiros (193).

2. Na pressa → Caso a ambulância vá demorar a cima de 20 minutos, é melhor correr para o hospital mais próximo de carro ou táxi.

3. Sem exercícios → Não permita que a pessoa com sintomas faça qualquer esforço físico, muito menos dirija até o pronto-socorro.

4. Sem comer → Não ofereça alimentos ou bebidas à vítima. Além de ser um desperdício de tempo, isso traria até problemas.

5. Trato prévio → Se o indivíduo não tiver alergia à aspirina, dê dois comprimidos desse remédio, que tem poder anticoagulante.

6. Sem aperto → Em situação de desmaios, deite o corpo em posição confortável. Afrouxe as roupas, os sapatos e os acessórios.

7. Tranco elétrico → Confira se há um desfibrilador. Por lei, lugares com grande circulação precisam ter o aparelho.

8. Hora da ação → Se o infartado estiver sem batimentos e respiração, inicie a massagem cardíaca. Veja como proceder no esquema baixo.

Massagem salva-vidas

  
1. Posicione o corpo, (figura 1) com as costas no chão. Se ajoelhe ao lado e fique bem perto do tronco da pessoa.

2. Coloque uma mão sobre a outra (figura 2). Elas ficarão no meio do peito, na altura dos mamilos.

3. Deixe os braços esticados (figura 3). Lembre-se, a força deve ser feita com os ombros, não com os cotovelos.

4. Aplique uma pressão vigorosa (figura 4), de modo que a caixa torácica desça até 5 centímetros.

5. repita o movimento sem parar 120 vezes por minuto (figura 5), ou duas vezes a cada segundo.

6. Se você cansar (o que acontecerá logo), chame alguém para continuar a ação (figura 6).

7. Não faça a respiração boca a boca (figura 7): as diretrizes atuais desaconselham o procedimento.

8. Mantenha a massagem cardíaca até a chegada da ambulância (figura 8).
  
  
(Da revista Saúde, abril de 2017)