sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

“O efeito Churchill”



Uma vida imensa também se escreve por linhas tortas. Sir Winston Churchill bebia diariamente desde o café da manhã (um de seus cardápios no breakfast: ovos, linguiça, bacon, café, seguido de uísque com soda e um charuto), era glutão (achava o jantar a hora mais importante do dia), fumava charutos o dia e a noite inteiros, a vida toda se sentiu rejeitado pelo pai e pela mãe, não praticava esportes (jogou polo a cavalo, mas não de forma assídua, e, diferentemente da maioria dos ingleses, detestava futebol), travou batalhas imensas sob a pior das tensões (uma guerra mundial cujo destino estava em suas mãos), viajou incansavelmente durante a Segunda Guerra (180 mil quilômetros pelo mar e pelo ar entre setembro de 1939 e outubro de 1943, por rotas totalmente inseguras, podendo ser abatido a qualquer momento), carregava nos ombros curvos a responsabilidade pela vida de outras pessoas como poucos carregaram na história e... morreu com 90 anos. Seu caso é considerado na medicina como “O efeito Churchill”.

Foi um dos raros políticos a permanecer cinquenta anos na Câmara dos Comuns. Como Hitler, gostava de acordar tarde. Trabalhava até as três ou quatro da manhã e tirava uma soneca depois do almoço. Muitos diziam que uma de suas principais armas era a concentração absoluta no trabalho. Ditava seus artigos, livros e discursos. Pronunciou 5,2 milhões de palavras em seus discursos e escreveu 13 milhões de palavras em livros e artigos. Foi o campeão em lutar com as palavras − contra tanques, bombardeiros e granadas. Ganhou o prêmio Nobel de Literatura em 1953.


Churchill talvez tenha sido o maior bebedor de champanhe da história. E se não foi o maior pelo menos foi quem disse mais frases memoráveis sobre a bebida:

“Eu bebo champanhe em todas as refeições e, entre elas, baldes de claret com soda.” (O claret cup é um drinque tradicional inglês.)

“Do que eles precisam? De charutos, champanhe e de uma cama de casal.” (Sobre os presentes para o casamento de seu filho Randolph.)

“Nós vivemos de maneira frugal − mas com um bom abastecimento das coisas essenciais da vida: banho quente, champanhe gelada, ervilhas novas e conhaques velhos.”

“Eu não poderia viver sem champanhe: nas vitórias, eu mereço, nas derrotas, eu preciso.”

(...)


Gostei muito do livro O fator Churchill, escrito pelo ex-prefeito de Londres Boris Johnson. Ele conta que havia um ministro homossexual no Partido Conservador com uma conduta pouca condizente com o chamado decoro do cargo. Um dia a polícia o flagrou transando com um soldado da guarda do rei (aqueles da troca da guarda em frente ao palácio, usam o dólmã vermelho e longo chapéu cilíndrico preto e peludo) em praça pública (no Hyde Park), em pleno rigor do inverno. A imprensa escandalosa londrina já tinha a história e foi difícil abafar o caso. O Chief Whip (líder da bancada) não teve saída senão ir relatar o caso a Churchill. O primeiro-ministro o ouviu atentamente, pensou um pouco, deu uma baforada no charuto e então perguntou:

− Ouvi corretamente o senhor me dizer que esse fulano foi flagrado com um soldado do regimento?

− Sim, senhor primeiro-ministro.

− Em um banco de praça?

− Sim, senhor primeiro-ministro.

− Às três da manhã?

− Correto, senhor ministro.

− Neste mau tempo? Meu bom Deus, isso dá na gente um orgulho danado de ser inglês!


Uma das histórias mais famosas da Segunda Guerra Mundial dizia que, numa das vezes em que Winston Churchill ficou hospedado na Casa Branca, estava enrolado na toalha depois do banho, quando o presidente americano Roosevelt entrou inadvertidamente no banheiro. Churchill deixou a toalha cair aos seus pés dizendo:

− Como o senhor vê, nada tenho a lhe esconder...


... Churchill tomou duas atitudes na Segunda Guerra que mostram a dimensão época de sua figura. A primeira foi ter apelado (e sido amplamente atendido) para os donos de barcos civis ajudarem na retirada das tropas de Dunquerque, no litoral norte da França. Parece cena de mitologia grega. A segunda atitude foi quando, depois dos ultimatos para o comandante francês se render na base francesa de Mers-el-Kébir, ter tido a coragem de bombardear os navios (aliados) da França a fim de evitar sua integração à esquadra alemã. Parece até provação bíblica. É preciso ter muita convicção de seus atos para, mesmo na guerra, tomar uma decisão terrível como essa. É como se ele tivesse se atirado de um desfiladeiro, sem proteção, para o julgamento futuro da história. Acabada a Segunda Guerra, Churchill disse que uma “cortina de ferro” (foi o primeiro a usar a expressão) baixava sobre a Europa e previu a Guerra Fria. Talvez ninguém tenha feito mais pela causa da democracia. Ela entrou humilhada na Segunda Guerra e, ao final, saiu mais fortalecida do que nunca como valor universal, em grande parte por causa de Winston Churchill.

(Do livro “O Livro de Jô uma autobiografia desautorizada
Volume 2, de Jô Soares e Matinas Suzuki Jr.)



quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Santos Dumont X Irmãos Wright



Alguns países reconhecem Santos Dumont como o Pai da Aviação. Já outros defendem que o título pertence aos irmãos Wright. Saiba mais sobre essa polêmica.

Data de nascimentos:

Santos Dumont nasceu em 1873, em Minas Gerais, Brasil.

Wilbur Wright em 1867, Indiana – Orville Wright em 1871, Ohio, USA.

Primeiro voo:

Santos Dumont: Foi com o 14-Bis, em 1906, Paris, França

Irmãos Wright: Foi com o Flyer, em 1903, Carolina do Norte, USA.

Distância em altura atingidas:

Santos Dumont: 2 a 3 metros de altura – 60 metros de distância.

Irmãos Wright: 3 metros de altura – 30 metros de distância.

Características dos aviões:

Santos Dumont: 290 kg – Motor de 50 cv – Trem de pouso composto de 2 rodas – Roda interna pra controlar a direção horizontal – Leme para coordenar a direção vertical – Ailerons para regular o giro do avião – Decolagem feita sem assistência de dispositivos – Feito com seda japonesa, bambu e alumínio.


Acima, o avião de Santos Dumont.

Irmãos Wright: 274 kg – Motor 12 cv – Ausência de rodas – Sistema de torção de asas para manter o aeroplano estável – Leme frontal para fazer o controle vertical – Leme traseiro para controlar as curva no ar – Decolagem feita com a ajuda de trilhos e vento forte – Feito com madeira, tecido e correntes de bicicleta.


Acima, o avião dos irmãos Wright.

Testemunhas:

Santos Dumont: No primeiro voo do 14-Bis, centenas de pessoas estava presentes.

Irmãos Wright: O voo do Flyer teve apenas 5 testemunhas.

Polêmica:

Santos Dumont: O 14-Bis levantou voo de uma superfície plana sem ajuda de outros dispositivos.

Irmãos Wright: O Flyer decolou de uma colina com auxílio de trilhos e ventos fortes.

Outras invenções de Santos Dumont:

→ Balão a gás de pequeno porte;
→ Hangar;
→ Chuveiro de água quente;
→ Dirigível.

E para você, quem inventou o avião?

(Blog da Linhas Aéreas Azul)


Uma noite, Alberto Santos Dumont disse a Cartier que não tinha como ler a hora em pleno voo em seu relógio de bolso; com o auxílio do mestre relojoeiro Edmond Jaeger, Cartier apresentou uma solução para Santos Dumont, um protótipo do relógio de pulso, em 1914, o qual permitia ver as horas mantendo as mãos nos comandos. Santos Dumont, portanto, não inventou o relógio de pulso.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Histórias reais de velórios



Uma coisa que aqueles artistas* faziam bastante era ir ao velório e enterro dos outros artistas. Além de ser uma maneira de prestar homenagem aos colegas, era uma forma de experimentar o sentimento de pertencimento a uma classe que vivia do riso, mas que, na imensa maioria dos casos, vivia de mal a pior. Viviam mal, mas gostavam uns dos outros e levavam sempre o último adeus. Também era uma ocasião em que todos se reviam e punham a conversa em dia. No funeral do irmão do Silva Filho** − o pai era o Silva, um conhecido alfaiate de artistas, daí o Filho no seu nome artístico −, sócio do comediante na companhia, ele se lamentava à beira do caixão:

− Meu querido irmão, o que vai ser da minha companhia agora? Como eu vou produzir os espetáculos? Sem você, a vida pra mim não tem sentido...

Nesse momento, entrou uma das lindas vedetes de teatro de revista. Todo mundo parou pra olhar para ela, que ficou ao pé do caixão, de óculos escuros, tristonha, vez ou outra enxugando uma lágrima com o lenço. O Silva Filho se virou pro Francisco Milani*** e falou baixinho:

− Eu conheço aquele mulherão ali...

O Milani, constrangido, não disse nada. Então, ele continuou:

− Meu irmão amado! Como eu vou viver agora?!

Aí voltou a murmurar pro Milani:

− Eu conheço aquela vedete, tenho certeza que conheço...

Novamente pro irmão:

− E agora, quem vai fazer os borderôs da bilheteria? Quem vai controlar os pagamentos?

Pro Milani:

− Eu já comi aquela vedete, ela é um estouro, mas não me lembro o nome dela, não consigo me lembrar...

Pro irmão:

− Meu irmão amado...

De repente, ele fez uma cara de iluminado, de quem teve o vislumbre de algo importante, e gritou do fundo da alma:

 − Jandira, filha da puta!
  
*****

*     Artistas da revistas da Praça Tiradentes, centro do Rio de Janeiro dos anos 50, 60, 70...

**  José da Silva era filho de Antônio da Silva e de Eugênia da Silva, portugueses, também pais de Perpétuo da Silva e Bela da Silva. Por ser muito conhecido como filho do Silva, famoso alfaiate dos artistas, todos lhe chamavam Silva Filho (foto abaixo) e este nome ficou sendo seu nome artístico. Nome que o tornou famoso como ator, empresário, autor e diretor de teatro. Tinha um talento incrível para criar tipos que o tornaram um dos maiores artistas do teatro de revista do Brasil. Considerado o segundo grande empresário da Praça Tiradentes, depois de Walter Pinto.

*** Francisco Ferreira Milani (São Paulo, 19 de novembro de 1936 − Rio de Janeiro, 13 de agosto de 2005) foi um ator, dublador, humorista e político brasileiro.


Silva Filho

A troca


Oscarito

O Oscarito morreu, correram à casa do Silva Filho pra avisá-lo. Ele se vestiu às pressas e foi para o velório na então Assembleia Legislativa do Estado da Guanabara. Todo o pessoal de teatro e de cinema compareceram em peso, o Silva Filho chegou esbaforido e não se conteve ao se aproximar do corpo do grande comediante:

− Oscarito, você foi o maior. Jamais haverá outro como você. O que vai ser do nosso cinema agora? Você nos ensinou tudo, você foi o nosso guia...

De repente, baixou a cabeça e, olhando pros pés, gritou:

− Porra, tô com uma meia preta e outra marrom e ninguém me avisa, caralho!

******

Do livro:

 “O Livro de Jô uma autobiografia desautorizada Volume 2”,
de Jô Soares e Matinas Suzuki Jr.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Aumente seus músculos

Por Camila Kosachenco


Os exercícios

→ Todos nós temos músculos, mesmo quem é sedentário. O que devemos fazer é estimular esses músculos para que eles aumentem. Para isso, nada melhor do que a musculação.

− Nada se compara à musculação para aumento de massa magra − diz Alessandro Gamboa, do Conselho Regional de Educação Física da 2ª Região.

Mas não é qualquer musculação que gera bons resultados: para efetivamente aumentar os músculos, é preciso deixar de lado a zona de conforto e investir em exercícios intensos, daqueles que provocam exaustão.

− A pessoa precisa sair do treino esgotada e pensando: “Dei o meu máximo, não conseguiria fazer mais três ou quatro exercícios” − recomenda o treinador e nutricionista Éverton Bottega.

Apenas a musculação dá esse efeito? Não. É possível melhorar a quantidade de massa magra fazendo pilates, crossfit e funcional, por exemplo. A desvantagem é que esse tipo de exercício demora mais para gerar ganho muscular. Caminhadas, corridas e outras atividades semelhantes são excelentes para a saúde cardiovascular e a manutenção do peso adequado, mas não são efetivos para o ganho de músculos.

A alimentação

→ Quando o assunto é dieta para ganhar massa magra, a grande estrela é a proteína. Mas não adianta viver só à base de carne ou outras fontes de macronutriente: sozinha, a proteína não opera milagres. É preciso adicionar carboidratos às refeições, conforme explica a nutricionista esportiva funcional Anne Porto Dalla Costa:

− Antes do treino, o carboidrato é responsável por gerar energia. Depois, ele atua na reposição do glicogênio muscular, que é o “estoque de combustível” dos músculos. A proteína, tanto pré quanto pós-treino, garante os aminoácidos necessários para evitar o catabolismo, quando o corpo usa músculos como fonte de energia.

Uma proporção interessante para quem deseja ganhar músculos, recomenda Anne, é consumir quatro partes de carboidrato para uma de proteína. Ou seja: dá para consumir 60 gramas de aveia e dois ovos, por exemplo.

Além dos ovos (com gema!), outras proteínas amigas dos músculos são as carnes magras e as leguminosas, como feijão, lentilha, amendoim e grão de bico.

O sono

→ Treinar regularmente e comer bem é fundamental, mas não dá para exagerar: descansar também é decisivo para o ganho de músculos.

− As três esferas do resultado são: nutrição, treino intenso e bom descanso, o que inclui um sono reparador − elenca o treinador e nutricionista Éverton Bottega.

Uso de hormônios

→ Seria ótimo ganhar músculos sem muito esforço, certo? Para obter os primeiros resultados nas medidas, é preciso, no mínimo, de três a quatro semanas de musculação. Agora, para obter resultado aparente, é preciso dedicar-se de seis a oito semanas, afirma Bottega.

Por causa desta demora, muitas pessoas acabam recorrendo a certas substâncias para acelerar o processo. Uma das mais populares é o hormônio do crescimento, o GH.

− É contraindicado o uso de hormônios para ganho de massa magra. A curto prazo, a pessoa pode perceber benefícios estéticos e melhora na perfomance. Mas, a médio e longo prazo, isso pode trazer danos − salienta e endocrinologista Melissa Barcellos Azevedo, chefe do Serviço de Endocrinologia do Hospital Mãe de Deus.

Entre as consequências mais graves das “bombas”, como muitos chamam esse tipo de hormônios, está o desenvolvimento de câncer. O uso de testosterona por mulheres também não é recomendado para esse fim. Sem indicação, pode provocar aumento do clitóris, queda de cabelo, mudança na voz, infertilidade e alterações cardíacas.

− O uso de testosterona em mulheres na menopausa já é controverso, imagina em uma jovem − completa a endocrinologista.

A suplementação

→ Mesmo cumprindo todas as recomendações em relação a dieta, exercícios e descanso, algumas pessoas podem precisar de suplemento para conquistar mais massa magra. Mas atenção: mesmo que muitos produtos sejam naturais, toda suplementação precisa ser prescrita e orientada por um nutricionista. Veja as principais alternativas.

Whey protein

→ Trata-se do mais popular dos suplementos para conquistar músculos. É um produto à base de proteína indicado para pessoas que não ingerem a quantidade ideal desse macronutriente por meio da alimentação − que varia de 0,8 grama a 2 gramas para cada quilo do indivíduo.

− O primeiro passo é organizar a alimentação. O suplemento deve ser utilizado quando não é possível atingir tudo o que o individuo precisa, seja por falta de apetite, por capacidade gástrica ou ainda para deixar o plano alimentar mais prático: pode ser mais fácil consumir ou carregar 20 gramas de whey do que três ovos ou 65 gramas de frango, por exemplo − diz a nutricionista Anne Porto Dalla Costa.

Se esse não for seu caso, a melhor dica é investir nas refeições, pois, sozinho, o whey não promove ganho de músculo − e, em excesso, pode pesar na balança.

− Qualquer fonte de caloria, se for consumida além do necessário, pode engordar. O whey protein é recomendado para qualquer pessoa, praticante de exercício ou não, quando ela não consegue atingir a quantidade diária ideal de proteína − pondera a nutricionista, acrescentando que já há estudos importantes que sugerem o uso orientado desse produto aos idosos, que sofrem com a perda de massa magra.

BCAA

→ Outra suplementação bastante conhecida é o BCAA. Trata-se da combinação de três aminoácidos que atuam no ganho de massa magra: valina, leucina e isoleucina. Contudo, ele é pouco indicado.

− Raramente há a necessidade de suplementar, já que todas as fontes protéicas, como carnes, ovos e whey protein, contêm altos níveis desses aminoácidos − destaca Anne.

Outras fontes de proteína

→ Alérgicos, intolerantes e veganos também podem se valer dos benefícios das proteínas em pó, caso tenham indicação. Existem no mercado opções de whey sem lactose e versões protéicas como a de proteínas de amêndoas, ervilha e arroz. Há, ainda, a proteína isolada da carne, a chamada beef protein.

Saiba mais

} Massa magra e massa gorda → Ganhar músculos não significa necessariamente perder gordura − não há “troca” de uma pela outra. O que ocorre é que, com uma dieta adequada e a prática regular de exercícios, as fibras musculares tendem a aumentar, e as células de gordura, a diminuir.

− Conseguimos reduzir gordura e aumentar músculos, porém, em um determinado momento, é preciso escolher, pois fazer as duas coisas ao mesmo tempo é difícil − argumenta Éverton Bottega.

} Muito treino, pouco resultado. Por quê? → Quando isso ocorre, é preciso fazer algumas ponderações. A primeira é se você está levando seu corpo ao extremo.

− Para aumento de massa magra, o segredo é intensidade. Precisa colocar pesos no limite e tentar ir além − diz o educador físico Alessandro Gamboa.

A segunda são os fatores genéticos: algumas pessoas têm mais facilidade em ganhar músculos do que outras. Assim como algumas perdem gordura em menos tempo.

Há, ainda, a consciência corporal: durante a execução do exercício, conseguir utilizar somente os músculos que devem ser cuidados.

} Na terceira idade → Com o passar dos anos, é normal que haja perda de massa magra. Estima-se que, a cada década, após os 40 anos, perde-se em média 10% dos músculos. Isso significa metabolismo mais lento e outros problemas.

− Musculação para o idoso é fundamental. Quanto mais cedo começar, melhor. Qualquer regressão na perda de massa magra é muito importante. Perder musculatura prejudica a autonomia dos idosos e ainda pode aumentar os riscos de fraturas, como as de fêmur − alerta Gamboa.

Do caderno Vida – Zero Hora – dezembro de 2018



domingo, 16 de dezembro de 2018

A Verdade

(Mais uma história de pescador…)


Uma donzela estava um dia sentada à beira de um riacho, deixando a água passar por entre seus dedos muito brancos, quando sentiu o seu anel de diamante ser levado pelas águas. Temendo o castigo do pai,  a donzela contou em casa que fora assaltada por um homem no bosque e que ele arrancara o anel de diamante do seu dedo e a deixara desfalecida sobre um canteiro de margaridas. O pai e os irmãos da donzela foram atrás do assaltante, encontraram um homem dormindo no bosque e o mataram, mas não encontraram o anel de diamante. A donzela lhes disse:

- Agora me lembro, não era um homem, eram dois!

E o pai e os irmãos da donzela saíram atrás do segundo homem, e o encontraram, e o mataram, mas ele também não tinha o anel. A donzela disse:

- Então está com o terceiro!

Pois se lembrara que havia um terceiro assaltante. E o  pai e os irmãos da donzela saíram no encalço do terceiro assaltante. E o encontraram no bosque. Mas não o mataram, pois estavam fartos de sangue. Trouxeram-no para a aldeia, e o revistaram-no, e encontraram no seu bolso o anel de diamante da donzela, para espanto dela.

- Foi ele que assaltou a donzela, e arrancou o anel de seu dedo e a deixou desfalecida -  gritaram os aldeões. Matem-no!

- Esperem! gritou o homem, no momento em que passavam a corda da forca pelo seu pescoço. - Eu não roubei o anel. Foi ela que me deu!

E apontou para a donzela, diante do espanto de todos.

O homem contou que estava sentado à beira do riacho, pescando, quando a donzela se aproximou dele e pediu um beijo. Ele deu o beijo. Depois tirara a roupa e pedira que a possuísse, pois queria saber o que era o amor. Mas como era um homem honrado, ele resistira, e dissera que deveria ter paciência, pois conheceria o amor do marido no seu leito de núpcias. Então a donzela lhe oferecera o anel, dizendo: “Já que meus encantos não o seduzem, este anel comprará seu amor”. E ele sucumbira, pois era pobre e a necessidade é o algoz da honra.

Todos se viraram contra a donzela e gritaram:

- Rameira! Impura! Diaba! E exigiram seu sacrifício.

Por ironia do destino, o próprio pai passou a forca pelo pescoço da filha. Mas, antes de morrer, ela disse ao pescador:

-  Sua mentira era maior que a minha. Eles mataram pela minha mentira e vão me matar pela sua. Onde está, afinal, a verdade?

O pescador deu de ombros e disse-lhe, baixinho, no seu ouvido:

-  A verdade é que achei o anel na barriga de um peixe. Mas quem acreditaria nisso? As pessoas querem violência e sexo, não histórias de pescador!

*****

Luis Fernando Veríssimo
As mentiras que os homens contam.

sábado, 15 de dezembro de 2018

Coisas para se dizer para sua mulher



Neste Natal, dê uma palavra de presente para sua mulher.

Não diga que ela é autoritária, diga que ela é uma liderança.

Não diga que ela é fofoqueira, diga que ela é bem informada.

Não diga que ela é indiscreta, diga que ela é curiosa.

Não diga que ela mente, diga que ela possui uma imaginação poderosa.

Não diga que ela é atrapalhada, diga que ela é perfeccionista.

Não diga que ela é irritante, diga que ela é persistente.

Não diga que ela é consumista, diga que ela sabe escolher.

Não diga que ela é manipuladora, diga que ela é influente.

Não diga que ela é dramática, diga que ela é emotiva.

Não diga que ela é vulgar, diga que ela ama a simplicidade.

Não diga que ela é imprudente, diga que ela é ousada.

Não diga que ela é ciumenta, diga que ela é interessada.

Não diga que ela é medrosa, diga que ela é sensível.

Não diga que ela cozinha mal, diga que sua comida é rústica.

Não diga que ela exagerou ao cortar o cabelo, diga que ela transpira independência.

Não diga que ela grita, diga que todos precisam ouvi-la.

Não diga que ela é orgulhosa, diga que ela tem personalidade.

Não diga que ela é possessiva, diga que ela é cuidadosa.

Não diga que ela sempre se atrasa, diga que admira sua calma.

Não diga que ela é confusa, diga que ela é misteriosa.

Não diga que ela é ambiciosa, diga que ela é sonhadora.

Não diga que ela entendeu errado, diga que você explicou muito rápido.

Não diga que ela é obcecada, diga que ela não desiste.

Fabrício Carpinejar


Histórias de Paraquedistas XXXI

Todos fomos pés-pretos...
Conseguimos e se não tivéssemos conseguido?...


Talvez eu nunca tenha dado a devida atenção aos pés-pretos*, militares que não conseguiram sair paraquedistas. Eu, por não ser um instrutor profissional, nunca me preocupei com o assunto, agora comecei a me preocupar. Houve injustiças, sim, houve e muitas. Sei que os militares graduados sofriam até mais que os soldados, principalmente os sargentos. Todos sofriam, alguns muito mais que os outros: os pés-pretos!

*Todos os militares de qualquer unidade do Exército brasileiro usam um coturno preto. A Tropa Paraquedistas, por ser uma da forças de elite do Brasil, usa um bute marrom. Além disso, pode ostentar um brevê prateado e uma boina bordô.

O pé-preto**, seja de qualquer graduação, sofria... e muito. Tinha que fazer com tenacidade todos os exercícios na Área de Estágios. Sua capacidade física e psicológica era testada diariamente no limite máximo de suas forças. O cansaço, a dor, a pressão, o medo, tudo estava presente durante todo o período do curso. O fantasma de sair pé-preto era o que aterrorizava mais, principalmente para os que vinham de longe. “Sou gaúcho, vim do Sul, como é que vou voltar para a minha terra!”. Meu Deus, seria a maior dor da minha vida, a maior vergonha que um ser humano poderia passar, pelo menos na minha ótica machista.

Então, você tenta fazer tudo o mais perfeito possível, e parecia que quanto mais você se esforçasse, tudo estava cada vez mais errado. Havia muitos exageros por aquilo que era pedido. Você estava sempre pronto a explodir e mandar tudo pra puta que pariu. Quantas vezes tive vontade de dar uma porrada num instrutor e mandar tudo à merda. Mas você tem um propósito, uma missão e um sonho a conquistar. Você afina, cala a boca e faz tudo que lhe mandam fazer.

Lembro da dor que se sente num equipamento suspenso, vulgo quebra-culhão, se o instrutor não for com a sua cara, ou achar que você está muito folgado, dando sinais que está levando tudo na flauta. Então, ele aperta mais as tiras das suas pernas, imprensando mais os seus testículos. Você tem um período para aguentar isso. Se aguentar, é apenas um sofrimento que você ultrapassou. Há outros... Sessão de toros, tudo normal, tudo concatenado, tudo certinho, aí começa a aparecer o cansaço, a descoordenação, ele vai acima, desce sem amparo e o toro bate com força no seu ombro, como se fosse uma paulada.

As provas do pavor, a famigerada torre, o terror de quem até então não sabia que tinha medo de altura. Saltar confiando num equipamento que você nunca viu na vida. A primeira impressão é a pior possível. Você não se joga, você cai da torre, o medo está na sua capacidade natural de sobrevivência. Você é um ser humano, você não é um louco varrido. Aos poucos, por incentivo dos instrutores, você vai saindo da torre com mais determinação. O triste, o que incomodava mesmo era olhar o rosto de quem não saltava da torre. Caras fortes, marrentos, descerem da torre de cabeça baixa, envergonhados, caminhando para o desligamento. Muitas vezes era um amigo seu, entusiasmado, louco para ser um PQD, e na torre ele fica sabendo o limite da sua confiança, do medo até então desconhecido para ele. A sua tristeza, vendo tal cena, era a mesma do companheiro desligado.

E havia os ajustes de contas com algum instrutor. Num exercício mal feito no quartel, uma palavra brusca, um desentendimento banal, um rancor acumulado, uma inveja qualquer, um racismo disfarçado... Há o encontro na Área de Estágios. Não interessa como você faz o exercício, como você aterra, como você sai da torre. Tudo que você faz, faz mal e pronto. Você será um pé-preto, que terá outra chance, em outra oportunidade sem “aquele” instrutor.

Por isso, tenho que rever alguns (pré)conceitos que tinha e muito de nós, provavelmente, também tenha, em relação a algum pé-preto que passou pela nossa vida. Quantos sonhos foram desfeitos; quantos não ficaram para sempre com a sua auto-estima abalada; quantos suicídios não ocorreram pela perda de um sonho desfeito?

Sempre agradeci a Deus por ter conseguido o brevê, o bute e a boina. O sucesso que tive na vida foi fruto do que passei na Área de Estágio e no RSD. Sou, em tudo que faço, um vencedor. E se eu não tivesse conseguido? Se eu fracassasse? O que seria da minha vida? No que eu teria me tornado? E os que não conseguiram? A dor, o desencanto, o sonho tão perto, e, por alguma bobagem, por uma vingança, ter fracassado... É fogo, meu irmão!

Nilo da Silva Moraes – Pqdt 11.779 – C-82, C-119, C-130

** “Pé-preto”, “Pé-de-urubu”, “Pé-de-cão”: Expressões para se referir a militares que usam coturnos pretos, que não são paraquedistas.


Pé-preto

A emoção e o temor de cada um de nós:

Plagiando-te, confirmo tudo que disseste e acrescento: ficar pé-preto é um peso que o sujeito carrega para o resto da vida, talvez não muito àquele que se acidente durante a fase pré-básica, como colegas que fraturaram tornozelo, adoeceram fortemente e outros infortúnios; estes, sabíamos, tinham condições de sair pqdt. Mas àqueles que negavam a torre, que se encagaçavam, deve ser sido muito doloroso. Quando eu era monitor da Área de Estágio, me lembro de um soldado que fizemos de tudo para ele saltar da torre. Explicamos que ele estava seguro, que os tirantes suportavam peso muito maior que o dele, o convencíamos a subir e tentar e... nada. Chorava com raiva dele mesmo. “Todo mundo salta, menos eu?” Dizia chorando. Dava pena. Há o caso, também, de um companheiro nosso, antigão, dos “ótimos”, que também carrega uma frustração enorme, acho que até hoje. Levou seu irmão para a Brigada, para a Companhia dele e o irmão ficou pé-preto, pois não saltou da torre de jeito nenhum, causando um mal-estar e uma decepção imensa. Ele levou aquele ano todo com a maior vergonha, até mesmo tratando mal o irmão. Por uma consideração especial, não digo seu nome, pois ele é bem conhecido. Repetindo. É fogo!

Sergio de Oliveira Mattos – Pqdt 10.919

Sem dúvida, um texto profundo, irretocável. Descreve simplesmente o que ocorreu com todos nós: o medo de perder.

Nossos parentes e vizinhos sabiam o que estávamos fazendo, embora não soubessem das dificuldades. Vendo-nos de volta, com as mãos vazias, ficariam surpresos e nos culpariam de incapacidade, falta de tenacidade, de força de vontade, etc.

Eu temia isso.

Na quarta-feira, sofri um estiramento e o resto da Área de Estágios foi uma tortura, pois a dor era indescritível. Alguns exercícios demandavam força de vontade inimaginável. É como se eu estivesse procurando a dor. Fazer sabendo da dor que viria em seguida. Tenho grande orgulho de ter conseguido.

Sim, foi um ótimo texto. Real.

Clarival Vilaça – Pqdt 10.313

Militei por onze anos na Área de Estágios, em todos os cursos que possuo, tenho orgulho de dizer que nunca perdi um aluno por recusar a torre ou dificuldade na aterragem da plataforma ou plano inclinado (antigo) ou balanço. Em 1954, um aluno com 16 anos (ele aumentara a idade para 17), recusou a torre, fui convocado pelo Cap. Dirceu do curso para convencer o garoto. Deu cinco saltos, deu baixa, e, anos mais tarde, voltou a servir na Colina Longa como Oficial Pqdt. Foi o meu ápice de vitória como profissional. Acreditem se quiserem, paro por aqui.

Ly Adorno – Pqdt 503

Ly, é disso que às vezes falo aqui. Da nossa satisfação emocional, dessas conquistas que temos conseguido ao longo da vida, no encaminhamento de rapazolas que, sem nós, sem instrutores calmos e lúcidos, desistiriam por simples falta de incentivo.

Clarival Vilaça – Pqdt 10.313.

Parabéns, Nilo! Lendo esse excelente e realista texto, transportei-me apara os idos da década de 60. Após vários anos lidando na formação de paraquedistas, orgulho-me de não está incluído no rol dos que, possuidores de má índole, despejavam nos “pés-pretos” seus recalques subalternos.

Mais uma vez, meus parabéns.

JB Rodrigues – Pqdt 5.113

Nobres Companheiros!

Extraordinariamente oportuna a bem circunstanciada descrição. Parabéns ao mestre Nilo.

Agora que já passou a fase de distribuição do “nosso” modesto trabalho, estou debruçado em novos Perfis/Depoimentos  como já informei  e tenho colhido alguns de “pés-pretos”, levando em conta o alto significado no contexto da Área de Estágios e de toda a História da GU Pqdt.

Domingos Gonçalves – Pqdt 2.696

Combatentes, bom dia!

Em nome da classe dos “pés-pretos” agradeço...

Deixem-me relatar um “assucedido”. Em dezembro passado, participei de um treinamento de desenvolvimento ao ar livre na área de RH na cidade de Gramado... Até aí tudo bem, palestras soporíferas, conversa para levantar a auto-estima... altamente sedativas, mas o melhor ficou para o período da tarde!

Dentre as atividades ao ar livre, tivemos uma de arvorismo, ou seja, escalar um tronco de árvore e ficar na plataforma metálica, devidamente preso por cintos e cabos de segurança. A surpresa era que tínhamos que saltar de uma altura próxima dos 15 metros e bater em um sino distante uns 3 metros de onde ficávamos... Bueno, lhes digo, saltei uma, duas, três vezes e, se o instrutor não tivesse me obrigado a sair, creio que estaria saltando até agora!

Minimizou o grande desejo de saltar de uma aeronave, não é muita coisa, mas as fotos ficaram para a posteridade. É uma sensação indescritível!

Gracias a todos!

André Matzembacher - Grafonense

Posso desabafar?

Diferente de outras classes, as turmas de 82 a 86 foram convocadas no III Exército. Éramos sulistas sim, Gaúchos, Barrigas-Verdes e Coxas-Brancas. Quando chegamos à Brigada, fomos recebidos como animais, fomos lesados em patrimônio e sofremos lesões, eram eles (travestidos de paraquedistas) revoltados contra nós, havia oficiais, sargentos, cabos e, principalmente, soldados obcecados em fazer nosso pessoal desistir. Éramos quase 200, chegaram à boina apenas 142. Quem perdeu?

Temos pessoas a lembrar: Capitão Caçadini, Capitão Luiz Celso, Tenente Viana, Sargentos Borlani, Dubois, Lara; Cabos Neto, Pedro, André, entre um monte de grandes pqdts, mas sabíamos que eles (aqueles obcecados) tinham, como principal objetivo, não deixar a gente sair pqdt. Na serra de Madureira, lá estavam os renegados, violentos e boçais soldados do Santos Dumont (26 BIPqdt) de antigo, que com varas na mão agrediam nossas costas e nos davam na cara.

Após a vitória, tristes com os desligados, mas mesmo assim vitoriosos. Queriam nos abraçar e nos chamar de irmão: Pro inferno eles! Conseguimos vencê-los engajando na própria unidade, fazendo os cursos de graduação. A melhor forma de recebê-los em 5 de dezembro é... com um abraço.

Nós vencemos, pessoal. Somos homens do Grafonsos!

Sérgio de Mello Queiroz – Pqdt 38.937
C-95-B, C-115, C-130, MAC 130-USA

Mestre Nilo, você tem sensibilidade. Quando se tratava de um 1º Sargento, antigão, era de estarrecer. Este pé-de-urubu vai tirar minha vaga de promoção, é aventureiro só quer é nos prejudicar, e outras sandices.

No meu curso, o 1º Sargento Flávio Ribeiro Santos, Febiano, herói ferido em combate, na sua unidade em Curitiba, PR, não me lembro qual, mas era de Engenharia, numa conversa entre os colegas, ele declara que para completar sua vida de militar, só lhe faltava ser paraquedista. Os seus colegas, gargalhando, disseram:

- Você jamais vai conseguir, aquilo lá é uma panelinha e um Sargento igual a você, com tantos pontos para promoção, não tem chance.

- Mas eu não quero tirar a vaga de ninguém, só pretendo ser PQD. Tiro o curso e volto para a minha unidade e acabou!

- Duvidamos que os paraquedistas acreditem em você.

- Bem, acreditando ou não, vou fazer minha inscrição agora e voltarei PQD para queimar a língua de vocês.

Quero ressaltar que foi no ano de 1951, não havia Curso Especial para os militares acima de 35 anos. Muito justo este curso idealizado pelo Major Demócrito e seu oficial, Capitão Granja, se não me trai a memória.

Em maio de 1951, tem início do Curso Básico de Pqdt 1951/03, estamos matriculados Sgt Ly Adorno, Sgt Flávio Ribeiro Santos e outros Sgts. Bem, o restante do curso é só lerem no livro Ser Pára-quedista, página 99 e saberão a intensidade do nosso curso.

Em 04/06/1951, somos brevetados Pqdt 503, Sgt Ly Adorno e 1º Sgt Flávio, Pqdt 513. Na semana seguinte, o Cel. Penha Brasil manda chamar Sgt Flávio e insiste para ele ficar na Escola, pois a Cia Eng tinha deficiência no quadro de Sargentos, o que era verdade; em 1952, eu dei instruções de ordem unidade e organização do terreno para os soldados naquele ano... O Cel Penha Brasil insiste e até pergunta se era problema de avião...

- Meu Coronel, para nós dois, que lutamos na Itália, enfrentando os tedescos, saltar de avião é um simples meio de transporte para a luta! Disse aos meus colegas, no Paraná, que só queria ser paraquedista para completar minha vida militar.

E o meu digno colega, que pagou um preço alto, cumpriu sua palavra. Igual a qualquer audaz Pqdt.

Ly Adorno - Pqdt 503/03 - 1951, C-46, C- 47 e C-82

Caríssimo amigo Fagundes:

Gostei muito do e-mail sobre os “pés-pretos”. É a pura realidade. O nosso amigo Nilo disse tudo e nos anos sessenta é que era pior.

A maioria dos contingentes incorporados era de recrutas vindos de longe como do RS, SC, PR, SP, MG e de outros Estados ou cidades, como no meu caso, vindo de Nova Friburgo-RJ. Fiquei três meses sem ir em casa, morando no quartel, sofrendo todo tipo de humilhação. Pergunta ao Sérgio Chaves e ao Clarival Vilaça. Nós éramos da mesma CAR/RSD. E, se falhássemos...
Sinceramente, esta matéria deveria ser enviada ao Comando da Brigada para uma profunda reflexão.

Um forte abraço: Paulo Sérgio Salerno,
Pqdt 10.207, 1963/3 MS do 1966/2,
dos aviões: C-82, C-119, C-115, C-95 e C-130.

Caro Salerno, saudações Aeroterrestre/Pqdt.

Permita-me, a guisa de enriquecimento quanto às origens dos bravos paraquedistas, acrescentar nossos irmãos sergipanos que, em grande número, incorporaram no BSD (Batalhão Santos Dumont) quando ainda era nas dependências do 2º RI, onde, “lata de goiabada” (vazia) servia para suas alimentações.

Lembro-me, com saudades, dos companheiros Gervásio Dantas Sobrinho, Hércules Capibaribe e Raimundo Machado, este último apelidado de “Três Quinas” (todos nordestinos).

Abraços, JB Rodrigues, Pqdt 5113, 58/6 TIBAét.
C-82, C-130 (1960), C-119 e C-115.
  
Os obstáculos de um pé-preto


Apresentação Área de Estágios: o sonho perto e distante...


Equipamento suspenso: o terrível quebra-culhão.


Sessão de cordas, uma parte do problema.


Sessão de barras: subir e descer ao comando do instrutor.


Os incontáveis pulos-de-galo, para fortalecer os tornozelos.

[

Sessão de toros, o sofrimento sem limites.


O arrasto, lição para domar o paraquedas no solo.


A torre, o limite do medo desconhecido.


Por fim, com os pais, o dia da brevetação!