domingo, 18 de outubro de 2026

Para todas as professoras e professores!

Letra da música com tema do Professor, composta para o Show de entrega do Prêmio Victor Civita Professor Nota 10 2001, transmitido ao vivo pela TV Cultura, direto do Teatro Abril.

O Professor 

(Amilson Godoy e Celso Viáfora) 

Quem com pó de giz,

Um lápis e apagador

Deu o verbo a Vinicius,

Machado de Assis, Drummond? 

Quem ensinou piano ao Tom?

Quem pôs um lápis de cor

Nos dedos de Portinari,

Picasso e Van Gogh?

Quem foi que deu asas a Santos Dumont? 

Crianças têm tantos dons

Só que, às vezes, não sabem.

Quantos só se descobrem

Porque um mestre enxergou e incentivou. 

É, só se faz um país com professor.

Um romance, um croqui com professor.

Um poema de amor, “Dindi”.

Um país pra ensinar seus jovens.

É, só se faz um país com professor.

Um romance, um croqui com professor.

Um poema de amor, “Dindi” com professor.

Palavras que confundem

 

À custa / as custas: À custa de muito esforço; as custas do processo. 

A fim de / afim: A fim de é invariável e significa “com finalidade de”: escrevo a fim de informar (mas sempre é melhor usar “para”). “Afim é variável e significa “afinidade”: ideias a fins. 

Alternativa / opção / dilema: Na alternativa, há apenas duas opções; na opção, há duas ou mais escolhas; no dilema, há duas saídas, ambas difíceis ou penosas. 

A moral / o moral: “A moral” é o conjunto de regras de conduta ou conclusão que se tira de um fato ou de uma obra: a moral pública, a moral da história. “O moral” é o conjunto de nossas faculdades morais, brio, vergonha: moral elevado, jogar com muito moral. 

Amoral / imoral: “Amoral” é indiferente à moral. “Imoral” contrário à moral. 

A nível / em nível de: O certo é “em nível de”. Mas, se puder, evite. 

A par / a ponto: Locuções invariáveis: estar a par do problema (não “ao par”); descontrolou-se a ponto de chorar (não “ao ponto”). “Ao par” usa-se para câmbio: o franco suíço está quase ao par do marco. 

Apelar: Apela-se para alguém; faz-se apelo ao poder público ou a alguma pessoa; apela-se da decisão da Justiça; fez apelo em favor do menor. 

Apreender / aprender: “Apreender” é assimilar: apreendeu o sentido da coisa. “Aprender” é estudar, instruir-se, tomar conhecimento de: está aprendendo inglês. 

Assistir: É um verbo transitivo indireto no sentido de ver (assistir ao espetáculo) e transitivo direto no de prestar assistência (assistir o doente). 

À toa / à-toa: “À toa” é em vão: discursou à toa, pois ninguém prestou atenção. À-toa é sem valor: deu uma entrevista à-toa, que foi para o lixo. 

Bimensal / bimestral: “Bimensal” é duas vezes por mês, ou seja, quinzenal. “Bimestral” é a cada dois meses. 

Champanhe: Sempre masculino e com está grafia: o champanhe. 

Coser / cozer: “Coser” é costurar. “Cozer” é cozinhar. 

De mais / demais: “De mais” é a mais. “Demais” é muito. 

Desapercebido / despercebido: “Desapercebido” é desprevenido. “Despercebido” é  desatento, não percebido. 

Descrição / discrição: “Descrição” é ato de descrever. “Discrição” é reserva, modéstia. 

Descriminar / discriminar: “Descriminar” é inocentar. “Discriminar” é distinguir. 

Despensa / dispensa: “Despensa” é o lugar onde se guardam mantimentos. “Dispensa” é desobrigação. 

Divisa / fronteira / limites: Estados são separados por divisas. Países são demarcados por fronteiras. Cidades têm limites. 

Emergir / imergir: “Emergir” é vir à tona. “Imergir” é mergulhar. 

Emigrar / imigrar: “Emigrar” é sair do país. “Imigrar” é entrar no país. 

Entre um e outro: A preposição “entre” exige a conjunção “e” e não “a”: a temperatura variou entre 15 e 20 graus centígrados; o público foi calculado entre 5 000 e 6 000 pessoas. 

Em vez de / ao invés de: “Em vez de” é em lugar de. “Ao invés de” é ao contrário de. 

Este / Esta / Isto: Referem-se a) à pessoa que fala; b) o tempo presente em relação à pessoa que fala. 

Esse / Essa / Isso: Referem-se a) à pessoa a quem se fala; b) o tempo passado ou futuro com relação à época em que se coloca a pessoa que fala. 

Aquele / Aquela / Aquilo: Referem-se a) à pessoa de quem se fala; b) um afastamento no tempo de modo vago. 

Estória: Nós preferimos “história”. 

Flagrante / fragrante: “Flagrante” é evidente. “Fragrante” é aromático. 

Fim de semana / fim-de-semana: “Fim de semana” é o final da semana. “Fim-de-semana” é descanso. 

Infligir / infringir: “Infligir” é aplicar pena ou castigo. “Infringir” é desrespeitar. 

Geminadas / germinadas: Casas são geminadas. Sementes são germinadas. 

Incipiente / insipiente: “Incipiente” é principiante. “Insipiente” é ignorante. 

Ir de encontro a / ir ao encontro de: “Ir de encontro a” é chocar-se com. “Ir                   ao encontro de” é concordar com.   

Mandado / mandato: “Mandado” é dirigido aquele a quem mandaram ordem escrita de autoridade: pau-mandado, mandado de segurança. “Mandato” exercem os que foram eleitos ou escolhidos: mandato de deputado. 

Nem um / nenhum: “Nem um” é nem sequer um. “Nenhum” opõe-se a algum. 

Olimpíada / Olimpíadas: “Olimpíada”, no singular, é a competição criada em Olímpia, na Grécia Antiga, para homenagear os deuses do Olimpo. “Olimpíadas”, no plural, são os Jogos Olímpicos da Era Moderna: as Olimpíadas de Barcelona, não a Olimpíada de Barcelona. 

Onde / aonde: Só use “aonde” com verbos que indicam movimento, como ir, vir, voltar, chegar: aonde ele vai? “Onde”, como pronome, deve ser empregado apenas em referência a lugar, que o antecederá imediatamente: ele está morando desde o ano passado em Porto Alegre, onde já tem vários amigos. 

Para eu / para mim: Quando o pronome é sujeito do infinitivo: é um problema para eu resolver; isto é para eu escrever. Quando o pronome não é sujeito: para mim, escrever é profissão (escrever é profissão para mim). 

Personagem: Sempre no masculino. 

Pleito / preito: “Pleito” é eleição, debate, litígio. “Preito” é homenagem. 

Possuir: Não use para objetos: um carro não possui quatro portas, tem quatro portas; um terminal não possui teclado, tem teclados. 

Postar-se / prostrar-se: “Postar-se” é colocar-se. “Prostrar-se” é humilhar-se, abater-se. 

Previdência / providência: “Previdência” é qualidade de previdente, antevidência. “Providência” é a suprema sabedoria, o próprio Deus. 

Ratificar / retificar: “Ratificar” é confirmar. “Retificar” é corrigir.

Ruço / russo: “Ruço” é pardacento ou, em gíria, complicado. “Russo” é da Rússia. 

Se não / senão: Quando se pode substituir por “caso não”, é “se não”, separado. Quando não se pode, é “senão”, junto. 

Tachar / taxar: “Tachar” é qualificar em sentido negativo. “Taxar” é estipular. 

Tampouco / tão pouco: “Tampouco” é também não. “Tão pouco” é muito pouco. 

Tilintar / tiritar: “Tilintar” é soar. “Tiritar” é tremer. 

Todo mundo / todo o mundo: “Todo mundo” é todos. “Todo o mundo” é o mundo inteiro. 

Tráfego / tráfico: “Tráfego” é trânsito. “Tráfico” é comércio ilícito. 

TV em cores: Não “tv a cores”. 

Vaga-lume: Não “vagalume”. 

Viagem / viajem: “Viagem” é jornada. “Viajem” é do verbo viajar. 

Vívido / vivido: “Vívido” é ardente, intenso. “Vivido” é quem viveu muito, tem experiência. 

Vultoso / vultuoso: “Vultoso” é elevado. “Vultuoso” é atacado de vultuosidade (congestão na face). 

Zumbido / zunido: “Zumbido” é ruído de insetos. “Zunido” é som agudo do vento. 

******* 

(Do livro “Manual de Estilo – Editora Abril)


sexta-feira, 16 de outubro de 2026

O tradicional pãozinho

 

O tradicional pãozinho (conhecido na maior parte do país como pão francês) recebe dezenas de nomes diferentes dependendo do estado ou da região do Brasil: 

Pão francês / Pãozinho / Média: Centro-Oeste, São Paulo e boa parte do país (sendo chamado de média em algumas localidades como a Baixada Santista). 

● Cacetinho: Rio Grande do Sul e parte da Bahia.

● Pão de sal: Minas Gerais, Espírito Santo e grande parte da Bahia.

● Carioquinha: Ceará.

● Pão Jacó: Sergipe.

● Pão careca: Pará, Amapá e Maranhão.

● Pão massa grossa: Maranhão, Piauí, Manaus (Amazonas) e Roraima.

● Pão aguado: Paraíba.

● Filão: Interior de São Paulo e do Paraná.

● Pão de trigo / Pão d'água: Região litorânea de Santa Catarina e partes do Sul. 

Receita do pãozinho 

Ingredientes 

● 760 g de farinha de trigo branca

● 438 g de água

● 109 g de água gelada (para a segunda etapa, na masseira ou batedeira)

● 114 g de levain (fermento natural)

● 20 g de sal 

Modo de preparo 

1.  Misture a farinha com 438 g de água até que toda a farinha esteja hidratada e a mistura fique homogênea. Deixe descansar por 30 minutos. Se fizer a receita à mão, pode utilizar toda a água (547 g) nesta etapa. Na masseira ou batedeira, reserve os 109 g restantes. 

2.  Adicione o levain e misture até que esteja completamente incorporado à massa. 

3.  Acrescente o sal e misture bem. Na batedeira, aumente a velocidade e adicione gradualmente os 109 de água gelada, esperando a massa absorver cada quantidade antes de acrescentar mais. Se fizer à mão, sove a massa até atingir o ponto de véu. Na masseira ou batedeira, continue misturando até obter uma massa elástica, resistente e bem estruturada. 

4.  Transfira a massa para um recipiente com tampa, de preferência mais alto, com espaço para que ela cresça sem ficar excessivamente espalhada. Marque o nível inicial da massa para acompanhar o crescimento. 

5.  Deixe fermentar por aproximadamente 3 horas, em torno de 26ͦ C. Em casa, você pode utilizar o forno desligado, previamente aquecido de maneira leve, ou apenas a luz interna do forno elétrico para criar um ambiente mais aquecido. O tempo é uma referência: a massa deve estar visivelmente crescida, fofa e bem aerada. 

6.  Se ainda não estiver nesse ponto, deixe fermentar por mais tempo, podendo chegar a 5 ou 6 horas, dependendo da temperatura e da atividade do levain. Quando atingir o ponto leve à geladeira.   

7.  Tampe bem o recipiente e deixe a massa na geladeira até o dia seguinte, por pelo menos 12 horas. 

8.  No dia seguinte, preferencialmente pela manhã, enfarinhe levemente a bancada e vire a massa com cuidado. Divida em 12 porções de aproximadamente 120 g cada, procurando dar a cada pedaço um formato retangular. 

9.  Enrole cada pedaço sobre ele mesmo, formando pequenos rolinhos. Cubra e deixe descansar por 40 minutos a 1 hora, evitando que a superfície resseque. 

10. Abra novamente cada rolinho e enrole para dar o formato tradicional de cacetinho. 

11. Disponha os pães em uma assadeira levemente untada com óleo ou azeite. Cubra e deixe fermentar por aproximadamente 2 horas, ou até que os pães estejam fofos e leves. 

12. Antes de assar, faça um corte reto e longitudinal em cada pão, utilizando uma lâmina. Se o forno tiver sistema de vapor, utilize-o normalmente. Caso contrário, borrife bastante água sobre os pães imediatamente antes de levá-los ao forno. 

13. Leve ao forno e asse por aproximadamente 30 minutos, ou até os cacetinhos estejam bem assados e dourados. 

Do jornal Zero Hora, no caderno Destemperados,

de 16.10.2026.

Receita de pagode

 

“Um grupo de amigos dispostos a vadiar em comunidade. Cachaça, cerveja e batida. Mortadela, salaminho e pastel. Um cavaquinho, um tantã, um pandeiro. Alguém que saiba puxar os sambas de Zeca Pagodinho, Almir Guineto, Bezerra da Silva. Uma mesa de botequim, um fundo de quintal.” 

A receita é de quem entende do guisado, mestre Martinho da Vila. 

Encantadas pelos grupos de samba com sucesso na televisão, rotulados de pagodeiros, o que evidentemente os leva a crer que aquilo que eles cantam é um ritmo chamado pagode, as novas gerações estão sendo conduzidas a enganos, já há bastante tempo. 

Não existe um gênero musical chamado pagode. Nem um derivado do samba que tenha sido batizado com tal nome. O termo “pagode” existe, desde os primórdios do samba, para designar uma reunião de amigos, para festejar, divertir-se, cantar samba. Era, e é, comum o convite de um sambista: “Domingo tem um pagode lá em casa. Apareça”. 

Ao redor da mesa, sob árvores de quintais, cerveja gelada, samba batucado na palma da mão, se instrumentos não houvesse. As festas eram sempre animadas, todo mundo cantando samba que o gosto popular consagrava, e alcançavam sucesso, geralmente nos limites das comunidades suburbanas. 

Sempre atenta à máquina de fazer dinheiro, a indústria fonográfica se apercebeu de mais um veio, na mina de ouro da música popular brasileira. Aos poucos foi-se chegando e se assenhoreando dos terreiros e dos pagodeiros, daqueles que tinham mais facilidade em compor e interpretar os sambas, que entusiasmavam o povo festeiro dos quintais, dos botequins e das quadras das escolas de samba. 

Os primeiros discos foram gravados, começavam a aparecer com destaque nos programas de rádio, que amplificaram para a cidade e para o país o som até então restrito às festas suburbanas. As lojas de discos passaram a vender mais aquele tipo de samba, casas noturnas já pipocavam, apresentando grupos vocais e instrumentais que faziam o samba “dos pagodes”. 

Por falta de imaginação, os executivos das gravadoras identificaram como pagode o que para eles era novidade. Gradativamente a designação passou a valer como gênero musical, e hoje milhões de pessoas se orgulham de ser pagodeiros, sem jamais na vida terem participado de um pagode de verdade. São os pagodeiros de poltrona, vendo a contrafação nas telas da televisão. 

Da coleção “Os Grandes Sambas da História” 

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Érico Veríssimo

 

O maior romancista gaúcho nasceu em Cruz Alta, em 1905, e morreu em Porto Alegre, em 1975. Trabalhou na legendária Revista do Globo, e pela extinta editora Globo de Porto Alegre. 

Obra completa 

Nome da obra

Gênero

Ano

Fantoches

Contos

1932

Clarissa

Romance

1933

Caminhos Cruzados

Romance

1934

Música ao Longe

Romance

1935

A Vida de Joana D'Arc

Infanto-Juvenil

1935

Um lugar ao Sol

Romance

1936

As Aventuras do Avião Vermelho

Infantil

1936

Os Três Porquinhos Pobres

Infantil

1936

Rosa Maria no Castelo Encantado

Infantil

1936

Meu ABC

Infantil

1936

As Aventuras de Tibicuera

Infanto-Juvenil

1937

Olhai os Lírios do Campo

Romance

1938

O Urso Com Música na Barriga

Infantil

1938

A Vida do Elefante Basílio

Infantil

1939

Outra Vez os Três Porquinhos

Infantil

1939

Viagem à Aurora do Mundo

Infanto-Juvenil

1939

Aventuras no Mundo da Higiene

Infanto-Juvenil

1939

Saga

Romance

1940

Gato Preto em Campo de Neve

Viagens

1941

O Resto é Silêncio

Romance

1943

A Volta do Gato Preto

Viagens

1946

O Continente (lª parte de O Tempo e o Vento)

Romance

1949

O Retrato (2ª parte de O Tempo e o Vento)

Romance

1951

Noite

Novela

1954

México

Viagens

1957

O Ataque

Contos

1958

O Arquipélago (3ª parte de O Tempo e o Vento)

Romance

1962

O Senhor Embaixador

Romance

1965

O Prisioneiro

Romance

1967

Israel em Abril

Viagens

1969

Incidente em Antares

Romance

1971

Um Certo Henrique Bertasso

Biografia

1972

Solo de Clarineta

Memórias

1973

Solo de Clarineta II

Memórias*

 

* Edição Póstuma organizada por Flávio Loureiro Chaves em 1976;


Resumo de autores gaúchos contemporâneos

 

01. Cyro Martins (1908-1995) 

Trilogia do gaúcho a pé: 

“Sem Rumo” (De piazito abandonado a peão e daí ao desemprego, eis a trajetória de Chiru, vítima de maquinações políticas que não chega a compreender.) 

“Porteira Fechada” (Obra-prima de Cyro Martins, registrada a expulsão do posteiro Guedes da fazenda modernizada. Guedes dirige-se para a cidade e no processo de absoluto empobrecimento, é levado ao roubo e depois à prisão e ao suicídio.) 

“Estrada Nova” (Ainda o processo de expulsão da terra, mas agora atenuado pela perspectiva de uma sociedade mais justa.) 

Características gerais: 

neorrealismo;

valor documental;

denúncia social explícita. 

02. Dyonélio Machado (1895-1985) 

“O Louco do Cati” (Considerado uma obra-prima de Dyonélio, é um dos livros mais insólitos da literatura brasileira do século XX. Aqui, Machado aprofundou sua visão literária dos marginalizados e deslocados, trazendo à cena o anti-herói de uma espécie de epopeia às avessas. Um livro sobre a condição humana.) 

“Os Ratos” (Narrativa que se passa em 24 horas. Os Ratos tem como personagem central um modesto burocrata que precisa arranjar dinheiro para pagar o leiteiro. Dessa história trivial, Dyonélio extraiu drama ao mesmo tempo psicológico e social. Acompanharemos angustiado a luta de Naziazeno, enquanto o autor vai construindo ‒ como pano de fundo ‒ a cidade de Porto Alegre dos anos 30.) 

03. Aureliano de Figueiredo Pinto (1898-1959) 

“Memórias do Coronel Falcão” (1973) (escrito nos anos 30, mas publicado postumamente, Memórias do Coronel Falcão é um romance instigante por analisar a decadência da sociedade tradicional gaúcha, na pecuária. Além disso, traça um quadro convincente da ditadura de Borges de Medeiros, que, sob ideário positivista, durou mais de vinte anos no Rio Grande do Sul.) 

04. Ivan Pedro de Martins (1914-2003) 

“Fronteira Agreste” (1942) (Registro oral lírico, ora contundente de uma fazenda de gado do Rio Grande do Sul, vista pelo olhar de um escritor capixaba. Proibido durante o Estado Novo, seja pela miséria que o autor encontrou no campo, seja pelo ideário liberal que enuncia no texto, Fronteira Agreste vem tendo sucessivas edições. Hoje, no entanto, os senões literários do romance são visíveis. Deverá permanecer como documento social.) 

05. Josué Guimarães (1921-1986) 

“A Ferro e a Fogo” (Dois volumes clássicos sobre a colonização alemã do Rio Grande do Sul.) 

“Os Tambores Silenciosos” (Em uma pequena cidade do interior, durante o Estado Novo, prefeito proíbe a circulação de notícias, gerando o surgimento de situações degradadas como, por exemplo, os tambores fascistas do integralismo.) 

“Camilo Mortágua” (Romance de um personagem oligárquico decadente que triunfa no universo burguês de Porto Alegre e depois decai. Toda a ação da narrativa é vista por Camilo no cinema onde o filme de sua vida substitui o filme de verdade.) 

“Enquanto a Noite não Chega” (Dois velhinhos e mais o coveiro esperam pela morte numa cidade-fantasma da qual são os últimos moradores.) 

Características gerais: 

presença do realismo tradicional;

domínio do romance histórico. 

06. Moacyr Scliar (1937-2011) 

“Carnaval dos Animais” ‒ “A Balada do Falso Messias” ‒  “A Orelha de Van Gogh” (contos onde o humor mescla-se com situações aparentemente absurdas.) 

“O Exército de um Homem Só” – “O Centauro no Jardim” – “A Estranha Nação de Rafael Mendes” (Romances centrados em personagens jovens, divididos entre o ideal e o real, vendo suas utopias destruídas pela realidade brasileira. O gosto pelo fantástico e pela alegoria encontram neles uma perfeita cristalização. Também a ironia se presentifica como característica central do estilo de Scliar.) 

07. Tabajara Ruas (1942-) 

“Os Varões Assinalados” (Romance desmistificador sobre a Revolução Farroupilha.) 

“Perseguição e Cerco a Juvêncio Gutierrez” (Novela sobre o drama de um adolescente que sabe da morte anunciada de um tio que ama e idolatra.) 

08. Charles Kiefer (1958-) 

“O Pêndulo do Relógio” ‒ “Valsa para Bruno Stein” – “Quem faz gemer a terra”. (Romances sobre os excluídos e os derrotados pela modernização agrícola no Rio Grande do Sul ‒ a partir dos anos 80. O último deles é sobre os colonos sem terra.) 

09. Luiz Antônio de Assis Brasil (1945-) 

“Um Quarto de Légua em Quadro” (Dramas dos açorianos que povoaram Porto Alegre, no século XVIII, vistos sob a ótica de médico que acompanha a expedição.) 

“A Prole do Corvo” (Visão desmistificadora da Revolução Farroupilha através da trajetória de um pobre diabo arrebanhado à força para lutar no confronto.) 

“Manhã Transfigurada” ‒ “As Virtudes da Casa” (Romances sobre paixões interditas e exacerbadas pela rigidez moral das épocas passadas.) 

“Cães da Província” (Relato situado em Porto Alegre, 2ª metade do século XIX, justapõe duas histórias de “loucuras”: a do famoso professor e teatrólogo Quorpo Santo e do açougueiro da Rua do Arvoredo que assassinou vários homens interessados na sua mulher.) 

“Videiras de Cristal” (Visão romanceada do confronto conhecido como a “Guerra dos Muckers” que ensanguentou a zona colonial alemã.) 

“Um Castelo no Pampa” (Perversas famílias ‒ Pedra da Memória ‒ Os Senhores do Século). (Trilogia sobre as velhas elites oligárquicas que dominaram o Rio Grande, sob uma perspectiva duramente crítica, vezes satírica do autor.) 

Características gerais: 

predominância do romance histórico;

estrutura neo-realista;

linguagem tradicional;

visão crítica e desmistificadora do passado. 

10. José Clemente Pozenato (1938-2024) 

“O Quatrilho” (Romance da imigração italiana em que casais errados ‒ como no jogo que dá origem ao título do livro ‒ reagrupam-se em novos pares.) 

11. Laury Maciel (1924-2002) 

“Noites do Sobrado” ‒ “Rosas de Papel Crepom” (Romances de tendência histórica onde o autor reconstitui a vida cotidiana na antiga cidade de Mundo Novo ‒ Taquara.) 

12.  Sérgio Faraco (1940-) 

“Hombre” – “Manilha de Espadas” – “Doce Paraíso” (Belos e tensos contos ‒ passados em sua maioria no pampa fronteiriço onde velhos valores como honra, coragem e solidariedade são postos à prova.)

 13. Lya Luft (1938-2021) 

“As Parceiras” – “Reunião de Família” – “Quarto Fechado” – “Asa Esquerda do Anjo” (Novelas introspectivas onde mulheres buscam desesperadamente seus papéis na vida afetiva e social.) 

14. João Gilberto Noll (1946-2017) 

“Hotel Atlântico” – “Rastros de Verão” – “Harmada” (Narrativas pós-modernas onde personagens vagam por Porto Alegre ou pelo país sem passado, sem futuro, nem alternativas. Desabadas todas as crenças e utopias, o mundo perde o sentido e a existência torna-se absurda.) 

15. Caio Fernando Abreu (1948-1996) 

“Pedras de Calcutá” – “Morangos Mofados” – “Os Dragões não Conhecem o Paraíso” (Contos de alto refinamento psicológico onde o autor trata de forma cética o mundo urbano brasileiro, centrando-se em tipos que vivem à margem do sistema burguês.) 

16. Luis Fernando Veríssimo (1936-2025) 

“O Analista de Bagé” – “Ed Mort” ‒ “O Gigolô das Palavras” – “O Popular” – “Comédias da vida Privada” (Crônicas de fino humor, onde o absurdo e o imprevisto da existência são desvelados.)

Neste final de ano

 

01) Por mais que lhe falem da tristeza,

... prossiga sorrindo.. 

02)  Por mais que lhe demonstrem rancor,

... prossiga perdoando. 

03) Por mais que lhe tragam decepções,

... prossiga confiando. 

04) Por mais que lhe ameacem de fracasso,

... prossiga apostando na vitória. 

05) Por mais que lhe apontem erros,

... prossiga com os seus acertos. 

06) Por mais que discursem sobre a ingratidão,

... prossiga ajudando. 

07) Por mais que noticiem a miséria,

... prossiga crendo na prosperidade. 

08) Por mais que lhe mostrem destruições,

... prossiga na construção. 

09) Por mais que lhe acenem doenças,

... prossiga vibrando saúde. 

10) Por mais que exibam ignorância,

 ... prossiga exercitando sua inteligência. 

11) Por mais que o assustem com a velhice,

... prossiga sentindo-se jovem. 

12) Por mais que plantem o mal,

... prossiga semeando o bem. 

13) Por mais que lhe contem mentiras,

... prossiga na sua verdade. 

§ § § § § 

Por mais difícil que pareçam essas 13 tarefas, prossiga, neste ano, acreditando na capacidade que Deus lhe deu para cumpri-las. 

... E se lhe disserem que 13 é um número de azar, lembre-se que sua sorte não depende de um número, mas sim, do quanto você acredita nela.