A
fim de / afim: A fim de é invariável e significa “com finalidade de”: escrevo a
fim de informar (mas sempre é melhor usar “para”). “Afim é variável e significa
“afinidade”: ideias a fins.
Alternativa
/ opção / dilema: Na alternativa, há apenas duas opções; na opção, há duas ou
mais escolhas; no dilema, há duas saídas, ambas difíceis ou penosas.
A
moral / o moral: “A moral” é o conjunto de regras de conduta ou conclusão que
se tira de um fato ou de uma obra: a moral pública, a moral da história. “O
moral” é o conjunto de nossas faculdades morais, brio, vergonha: moral elevado,
jogar com muito moral.
Amoral
/ imoral: “Amoral” é indiferente à moral. “Imoral” contrário à moral.
A
nível / em nível de: O certo é “em nível de”. Mas, se puder, evite.
A
par / a ponto: Locuções invariáveis: estar a par do problema (não “ao par”);
descontrolou-se a ponto de chorar (não “ao ponto”). “Ao par” usa-se para
câmbio: o franco suíço está quase ao par do marco.
Apelar:
Apela-se para alguém; faz-se apelo ao poder público ou a alguma pessoa; apela-se
da decisão da Justiça; fez apelo em favor do menor.
Apreender
/ aprender: “Apreender” é assimilar: apreendeu o sentido da coisa. “Aprender” é
estudar, instruir-se, tomar conhecimento de: está aprendendo inglês.
Assistir:
É um verbo transitivo indireto no sentido de ver (assistir ao espetáculo) e
transitivo direto no de prestar assistência (assistir o doente).
À
toa / à-toa: “À toa” é em vão: discursou à toa, pois ninguém prestou atenção.
À-toa é sem valor: deu uma entrevista à-toa, que foi para o lixo.
Bimensal
/ bimestral: “Bimensal” é duas vezes por mês, ou seja, quinzenal. “Bimestral” é
a cada dois meses.
Champanhe:
Sempre masculino e com está grafia: o champanhe.
Coser
/ cozer: “Coser” é costurar. “Cozer” é cozinhar.
De
mais / demais: “De mais” é a mais. “Demais” é muito.
Desapercebido
/ despercebido: “Desapercebido” é desprevenido. “Despercebido” é desatento, não percebido.
Descrição
/ discrição: “Descrição” é ato de descrever. “Discrição” é reserva, modéstia.
Descriminar
/ discriminar: “Descriminar” é inocentar. “Discriminar” é distinguir.
Despensa
/ dispensa: “Despensa” é o lugar onde se guardam mantimentos. “Dispensa” é
desobrigação.
Divisa
/ fronteira / limites: Estados são separados por divisas. Países são demarcados
por fronteiras. Cidades têm limites.
Emergir
/ imergir: “Emergir” é vir à tona. “Imergir” é mergulhar.
Emigrar
/ imigrar: “Emigrar” é sair do país. “Imigrar” é entrar no país.
Entre
um e outro: A preposição “entre” exige a conjunção “e” e não “a”: a temperatura
variou entre 15 e 20 graus centígrados; o público foi calculado entre 5 000 e 6
000 pessoas.
Em
vez de / ao invés de: “Em vez de” é em lugar de. “Ao invés de” é ao contrário
de.
Este
/ Esta / Isto: Referem-se a) à pessoa que fala; b) o tempo presente em relação
à pessoa que fala.
Esse
/ Essa / Isso: Referem-se a) à pessoa a quem se fala; b) o tempo passado ou
futuro com relação à época em que se coloca a pessoa que fala.
Aquele
/ Aquela / Aquilo: Referem-se a) à pessoa de quem se fala; b) um afastamento no
tempo de modo vago.
Estória:
Nós preferimos “história”.
Flagrante
/ fragrante: “Flagrante” é evidente. “Fragrante” é aromático.
Fim
de semana / fim-de-semana: “Fim de semana” é o final da semana. “Fim-de-semana”
é descanso.
Infligir
/ infringir: “Infligir” é aplicar pena ou castigo. “Infringir” é desrespeitar.
Geminadas
/ germinadas: Casas são geminadas. Sementes são germinadas.
Incipiente
/ insipiente: “Incipiente” é principiante. “Insipiente” é ignorante.
Ir
de encontro a / ir ao encontro de: “Ir de encontro a” é chocar-se com. “Ir ao encontro de” é concordar
com.
Mandado
/ mandato: “Mandado” é dirigido aquele a quem mandaram ordem escrita de
autoridade: pau-mandado, mandado de segurança. “Mandato” exercem os que foram
eleitos ou escolhidos: mandato de deputado.
Nem
um / nenhum: “Nem um” é nem sequer um. “Nenhum” opõe-se a algum.
Olimpíada
/ Olimpíadas: “Olimpíada”, no singular, é a competição criada em Olímpia, na
Grécia Antiga, para homenagear os deuses do Olimpo. “Olimpíadas”, no plural,
são os Jogos Olímpicos da Era Moderna: as Olimpíadas de Barcelona, não a
Olimpíada de Barcelona.
Onde
/ aonde: Só use “aonde” com verbos que indicam movimento, como ir, vir, voltar,
chegar: aonde ele vai? “Onde”, como pronome, deve ser empregado apenas em
referência a lugar, que o antecederá imediatamente: ele está morando desde o
ano passado em Porto Alegre, onde já tem vários amigos.
Para
eu / para mim: Quando o pronome é sujeito do infinitivo: é um problema para eu
resolver; isto é para eu escrever. Quando o pronome não é sujeito: para mim,
escrever é profissão (escrever é profissão para mim).
Personagem:
Sempre no masculino.
Pleito / preito: “Pleito” é
eleição, debate, litígio. “Preito” é homenagem.
Possuir:
Não use para objetos: um carro não possui quatro portas, tem quatro portas; um
terminal não possui teclado, tem teclados.
Postar-se
/ prostrar-se: “Postar-se” é colocar-se. “Prostrar-se” é humilhar-se,
abater-se.
Previdência
/ providência: “Previdência” é qualidade de previdente, antevidência.
“Providência” é a suprema sabedoria, o próprio Deus.
Ratificar
/ retificar: “Ratificar” é confirmar. “Retificar” é corrigir.
Ruço
/ russo: “Ruço” é pardacento ou, em gíria, complicado. “Russo” é da Rússia.
Se
não / senão: Quando se pode substituir por “caso não”, é “se não”, separado.
Quando não se pode, é “senão”, junto.
Tachar
/ taxar: “Tachar” é qualificar em sentido negativo. “Taxar” é estipular.
Tampouco
/ tão pouco: “Tampouco” é também não. “Tão pouco” é muito pouco.
Tilintar
/ tiritar: “Tilintar” é soar. “Tiritar” é tremer.
Todo
mundo / todo o mundo: “Todo mundo” é todos. “Todo o mundo” é o mundo inteiro.
Tráfego
/ tráfico: “Tráfego” é trânsito. “Tráfico” é comércio ilícito.
TV
em cores: Não “tv a cores”.
Vaga-lume:
Não “vagalume”.
Viagem
/ viajem: “Viagem” é jornada. “Viajem” é do verbo viajar.
Vívido
/ vivido: “Vívido” é ardente, intenso. “Vivido” é quem viveu muito, tem
experiência.
Vultoso
/ vultuoso: “Vultoso” é elevado. “Vultuoso” é atacado de vultuosidade
(congestão na face).
Zumbido
/ zunido: “Zumbido” é ruído de insetos. “Zunido” é som agudo do vento.
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(Do livro “Manual de Estilo – Editora Abril)