Denise Galvão
Mamãe e papai estavam assistindo TV quando mamãe disse: “Estou cansada, é tarde, vou para a cama”.
Colocou o grão-de-bico de molho, tirou a carne do congelador para o jantar do dia seguinte, verificou se havia cereais suficientes, encheu o açucareiro, colocou colheres e pratos do café da manhã na mesa e preparou a cafeteira.
Colocou a roupa molhada no secador e costurou um botão. Pegou os brinquedos espalhados pela sala, colocou o telefone a carregar. Regou as plantas, amarrou o saco do lixo e estendeu uma toalha. Ela bocejou e foi para o quarto. Parou um momento para escrever uma nota para a professora, preparou o dinheiro para a excursão da criança e pegou um livro que estava debaixo da cadeira. Mamãe, então, lavou o rosto, colocou creme e escovou os dentes.
Papai gritou:
‒ Você não estava indo para a cama?
‒ Estou indo, disse ela.
Colocou um pouco de água no bebedouro do cachorro. Trancou a porta e apagou a luz da entrada. Deu uma olhada nas crianças, apagou-lhes as luzes e a televisão, pegou uma camiseta e umas meias deitadas no chão jogando-as no cesto de roupa suja. Falou com uma das crianças, que ainda estava fazendo os trabalhos de casa.
No quarto dela, colocou o despertador, preparou a roupa para o dia seguinte. Ela adicionou três coisas à lista de coisas urgentes.
Nesse momento, papai desligou a TV e anunciou “Vou dormir”. E ele fê-lo, sem outros pensamentos.
Por que as mulheres vivem mais tempo?
Porque foram feitas para longos percursos e não podem morrer antes, têm muitas coisas para fazer.

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