segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Teste interessante



Teste que realizam na Universidade de Salamanca, Espanha,
para quem vai ingressar no curso de Linguística.
Tente ler sem errar...

O gato assim fez.

O gato é fez.

O gato como fez.

O gato se fez.

O gato mantém fez.

O gato um fez.

O gato folgado fez.

O gato ocupado fez.

O gato por fez.

O gato quarenta fez.

O gato segundos fez.


Segue...


Agora leia somente a terceira palavra , de cada linha, de cima para baixo, de cada uma das frases e...não resistirás à vontade de reenviá-lo.

Diga que não é verdade?


Balada do aposentado



Depois de trabalhar toda uma vida
E descontar por mês do seu salário,
Ao ver aquela soma recolhida,
Saindo do seu bolso para o erário,
Reflete o brasileiro conformado:
“No fundo esse dinheiro volta um dia,
Isso é pra quando eu for aposentado”.
Mas saibam da verdade nua e fria:

Hoje, não há mais quem se aposente
Como se aposentava antigamente.

Por onde andam os bancos de praça
Onde os velhinhos contavam vantagem?
Já perderam de vez a sua graça,
Viraram camas para a vadiagem.

Se agora vai à rua o aposentado
E escapa aos golpes de uma patinete,
Acaba seu passeio, injuriado,
Sendo assaltado por algum pivete.

Hoje, não há mais quem se aposente
Como se aposentava antigamente.

Onde andarão as mesas das esquinas
Tão frequentadas por nossos avós,
Que, enquanto olhavam pernas das meninas,
Jogavam damas, cartas, dominós?
Viraram bocas de fumo, e o bondoso
Senhor que ali ficar na contramão,
Além de ser carente e bem idoso,
Ainda leva fama de doidão.

Hoje, não há mais que se aposente
Como se aposentava antigamente.

E as praias em que a areia, o sol e o sal,
Num mágico e perfeito sintetismo,
Curavam de uma forma natural
Lumbago, asma, tosse, reumatismo?
Agora, ao frequentar um balneário,
Corre risco de vida o ancião:
Lá vai ao longe o afoito octogenário
Levado pela turba do arrastão.

Hoje, não há mais quem se aposente
Como se aposentava antigamente.

E quando além de tudo ele ainda pensa
Que a aposentadoria é uma benesse,
Descobre em sobressalto pela imprensa
Que vai ter que brigar com o INSS,
Pois quando tudo indica que é direito
Os cento e quarenta e sete por cento,
Lhe dizem logo na raça e no peito
Que nunca ele verá tamanho aumento.

Hoje, não há mais quem se aposente
Como se aposentava antigamente.

É certo que ministro, funcionário,
Deputado com oito anos de plenário,
Senador ou chefes de secretaria
Têm outro tipo de aposentadoria,
Que vai ser paga, é claro, com o dinheiro
Do pobre aposentado verdadeiro.

São os únicos, não há dúvida, minha gente,
Que se aposentam igualzinho a antigamente.


(Jô Soares em revista Veja, de 29.04.1992)



Receita para lavar palavra suja



Mergulhar a palavra em água sanitária.
Depois de dias de molho, quarar ao sol do meio dia.
Algumas palavras, quando alvejadas ao sol,
adquirem consistência de certeza.
Por exemplo, a palavra vida.
Existem outras, e a palavra amor é uma delas,
que são muito encardidas pelo uso,
o que se recomenda esfregar
e bater insistentemente na pedra,
depois enxaguar em água corrente.
São poucas as que resistem a esses cuidados,
mas existem aquelas.
Dizem que limão e sal tiram sujeira difícil, mas nada.
Toda tentativa de lavar piedade foi sempre em vão.
Agora nunca vi palavra tão suja como perda.
Perda e morte na medida que são alvejadas
soltam um líquido corrosivo
que atende pelo nome de amargura,
que é capaz de esvaziar o vigor da língua.
O aconselhamento nesse caso é mantê-lo sempre de molho
em um amaciante de boa qualidade.
Agora, se o que você quer é somente
aliviar as palavras do uso diário,
pode usar simplesmente sabão em pó e máquina de lavar.
O perigo, neste caso, é misturar palavras que mancham
no contato umas com as outras.
Culpa, por exemplo, a culpa mancha tudo que encontra
e deve ser sempre alvejada sozinha.
Outra mistura pouco aconselhada é amizade e desejo,
sendo uma palavra intensa, quase agressiva,
pode, o que não é evitável,
esgarçar a força delicada da palavra amizade.
Já a palavra força cai bem em qualquer mistura.
Outro cuidado importante é não lavar demais as palavras
sob o risco de perderem o sentido.
A sujeirinha cotidiana, quando não é excessiva,
produz uma oleosidade que dá vigor aos sons.
Muito importante na arte de lavar palavras
é saber reconhecer uma palavra limpa.
Conviva com a palavra durante alguns dias.
Deixe que se misturem em seus gestos,
que passeie pela expressão dos seus sentidos.
À noite, permita que se deite,
não ao seu lado mas sobre seu corpo.
Enquanto você dorme, a palavra, plantada em sua carne,
prolifera em toda sua possibilidade.
Se puder suportar essa convivência
até não mais perceber a presença dela,
então você tem uma palavra limpa.
Uma palavra limpa é uma palavra possível.

(Viviane Mosé – em “O Globo”, de 05.07.2003)
Viviane Mosé é professora de filosofia, psicanalista e poeta.
Apresentou no Fantástico o quadro “Ser ou Não Ser”.


Oração dos velhos



Meu Senhor, estou ficando velho.

Ajude-me a evitar que me torne muito falador, desagradável e veemente a respeito das coisas.

Evite que eu comece a ficar contra tudo e contra todos.

Ajude-me a saber quando já falei o que devia. Ensine-me a escutar tanto quanto falar.

Ajude-me a chegar rapidamente ao ponto principal da história que estiver contado.

Ajude-me a evitar fornecer a biografia de todas as pessoas que eu mencionar. Que eu nunca fale da ingratidão alheia e que nunca fale de minhas dores físicas, a não ser para o meu médico.

Ajude-me a fim de que eu possa manter meus velhos amigos e encontrar novos. E que eu possa ser amistoso com as pessoas, útil a todos e agradável aos que comigo conversarem. Que eu possa dar e receber estímulos mentais de meus amigos.

Ajude-me a sentir interesse nos que me visitarem.

Ajude-me a manter correspondência com os parentes e amigos.

Ajude-me a cuidar apenas dos meus assuntos, evitando que eu me intrometa nos assuntos alheios.

Acima de todas as coisas, Senhor, ajude-me a permanecer amável.

Ajude-me a manter meu velho senso de humor e toda a minha autocrítica.

Ajude-me a perdoar meus amigos, porque eles assim poderão perdoar os defeitos que encontrarem em mim.

Amém.

(Autor desconhecido)


Palíndromos

Palin em grego é repetição.

Palíndromos são frases ou palavras que se repetem 
quando lidas ao contrário.


01.   Tucano na CUT?

02.   Irene ri.

03.   Ali vai fama da máfia vilã.

04.   Laço bacana para panaca boçal.

05.   O Cid é médico.

06.   E até o papa poeta é.

07.   Ótimo, seu Tiago, rogai. Tu és o mito.

08.   A grama é amarga.

09.    A mala nada na lama.

10.   Roma me tem amor.

11.    Até Reagan sibarita tira bisnaga ereta.

12.   Assim a aia ia a missa.

13.   Socorram-me! Subi no ônibus em Marrocos.

14.   Anotaram a data da maratona.

15.   Rir, o breve verbo rir.

16.   Seco de raiva, coloco no colo caviar e doces.

17.   Saíram o tio e oito marias.

18.   A torre da derrota.

19.   O romano acata amores a damas amadas e Roma ataca o namoro.

20.   Oi, rato otário.

21.   Oto come mocotó.

22.   O lobo ama o bolo.

23.   Sá dá tapas e sapatadas.

24.   O voo do ovo.

25.   O galo no lago.

26.   A babá baba.

27.   Ódio do doido.

28.   Aula é a lua.

29.   A droga da gorda.

30.   Amadeu é dama.

31.   Somar só os ramos.

32.   Nair ama Rian.

33.   A base desatola calotas e desaba.

34.   A base do teto desaba.

35.   A bola da loba.

36.   A breve verba.

37.   A camarada ia dar a maca.

38.   A cara rajada da jararaca.

39.   A cutucada cutuca.

40.   A cera causa a sua careca.

41.   A cobaia vai a boca.

42.   A dama cai acamada.

43.   Acorde, Pedroca.

44.   A dama amada.

45.   O terrível é ele vir reto.

46.   A vara varava.

47.   Avaro orava.

48.   A vilã Sara saliva.

49.   Ela voava o vale.

50.   A torre da derrota.

51.   A trama da Marta.



Sabedoria canina

          

"Se o homem apenas pensasse que somos energia espírito igual à areia da praia, a uma árvore, a um móvel de sua sala, ao planeta mais longínquo, certamente pensaria duas vezes antes de maltratar um animal. Pensariam certamente, com carinho, que somos responsáveis pela evolução dos animais. E quanto mais empregarmos amor para com nossos irmãos menores, mais estaremos contribuindo para sua evolução, e a nossa também, consequentemente de todo o planeta."

(Adeilde Marques - Pres. da Federação Nacional dos Terapeutas)

01.  Nunca deixe passar a oportunidade de sair para um passeio.

02. Experimente a sensação do ar fresco e do vento na sua face por puro prazer.

03. Quando alguém que você ama se aproxima, corra para saudá-lo.

04. Quando houver necessidade, pratique a obediência.

05. Deixe os outros saberem quando invadiram o seu território.

06. Sempre que puder, tire uma soneca e se espreguice antes de se levantar.

07. Corra, pule e brinque diariamente.

08. Coma com gosto e entusiasmo, mas pare quando estiver satisfeito.

09. Seja sempre leal.

10. Nunca pretenda ser algo que você não é.

11. Se o que você deseja está enterrado, cave até encontrar.

12. Quando alguém estiver passando por um mau dia, fique em silêncio, sente-se próximo e, gentilmente, tente agradá-lo.

13. Quando chamar a atenção, deixe alguém tocá-lo.

14. Evite morder quando apenas um rosnado resolve.

15. Nos dias mornos, deite-se de costas sobre a grama.

16. Nos dias quentes, beba muita água e descanse embaixo de uma árvore frondosa.

17. Quando você estiver feliz, dance e balance todo o seu corpo.

18. Não importa quantas vezes for censurado, não assuma a culpa que não tiver e não fique amuado... corra imediatamente de volta para seus amigos.

19. Alegre-se com o simples prazer de uma caminhada.

20. Mesmo que o seu melhor amigo não seja uma pessoa legal, ame-o assim mesmo, sem pedir muita coisa em troca. Afinal, ele é apenas um ser humano.




Pequenas histórias

Os sapos

(Arriscar, às vezes, é a melhor coisa a se fazer.)

Existem três sapos na beira de um lago, e um deles decide pular da beira para a água. Quantos sapos restam na beira do lago?

A resposta certa é: Restam três sapos. Porque o sapo apenas decidiu pular na água. Ele não fez isso.

Nós não somos como sapo muitas vezes? Que decide fazer isso, fazer aquilo, mas, ao final, acabamos não fazendo nada? Na vida, temos que tomar muitas decisões. Algumas fáceis; algumas difíceis.

A maior parte dos erros que cometemos não se deve às decisões erradas, mas sim, às indecisões. Temos que viver com as consequências das nossas decisões. E isto é arriscar. Tudo é arriscar. Ser feliz é a consequência de muitos riscos.

 O Último Voo

“Quando um companheiro morre assim, a sua morte ainda parece um ato que está na ordem normal do ofício. A princípio fere menos, talvez, que qualquer outra morte. Certamente está afastado. Sofreu sua última transferência de escala, mas sua presença não nos falta ainda, em profundidade, como poderia faltar o pão... Mas, pouco a pouco, descobrimos que nunca mais ouviremos o riso claro daquele companheiro; descobrimos que aquele jardim está fechado para sempre. Então começa nosso verdadeiro luto, que não é desesperado, mas um pouco amargo. Nada, jamais, substituirá o companheiro perdido. Ninguém pode criar velhos companheiros, nada vale o tesouro de tantas recordações comuns, de tantas horas más vividas juntos, de tantas desavenças, de tantas reconciliações, de tantos impulsos afetivos...”

 Antoine de Saint-Exupéry, in “Terra dos Homens”

Quatro enfoques sobre o camelo

Um francês, um inglês, um alemão e um brasileiro foram encarregados de um estudo sobre o camelo.

O francês foi ao jardim zoológico, lá ficou uma meia hora, interrogou o guarda, jogou pão ao camelo, atiçou-o com seu guarda-chuva e, voltando para casa, escreveu, para seu jornal, um folhetim cheio de observações picantes e espirituosas.

O inglês, levando suas provisões e um confortável material de acampamento, instalou sua tenda nos países do Oriente e trouxe, depois de uma estada de dois ou três anos, um grosso volume repleto de fatos, sem ordem nem conclusão, mas de um real valor documental.

Quanto ao alemão, cheio de desprezo pela frivolidade do francês e pela falta de ideias gerais do inglês, trancou-se no seu quarto para redigir uma obra em vários volumes, intitulada A ideia de camelo deduzida da concepção do Eu.

O brasileiro adia indefinidamente seu estudo, vai para a praia, se encontra com os seus amigos, conversa com eles sobre os camelos e, depois de vários dias de praia e conversas informais com os amigos, compõe um samba-enredo, “Eu não sou camelo não”, que depois será tema de uma escola de samba no Carnaval.
  
(Do livro “As Raízes do Riso”, de Elias Thomé Saliba)
Companhia das Letras