segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Giuseppe Ghiaroni

A Máquina de Escrever


(Ghiaroni e sua máquina onde escreveu vários poemas)


Mãe, se eu morrer de um repentino mal,
vende meus bens a bem dos meus credores:
a fantasia de festivas cores
que usei no derradeiro Carnaval.

Vende esse rádio que ganhei de prêmio
por um concurso num jornal do povo,
e aquele terno novo, ou quase novo,
com poucas manchas de café boêmio.

Vende também meus óculos antigos
que me davam uns ares inocentes.
Já não precisarei de duas lentes
para enxergar os corações amigos.

Vende, além das gravatas, do chapéu,
meus sapatos rangentes. Sem ruído
é mais provável que eu alcance o Céu
e logre penetrar despercebido.

Vende meu dente de ouro. O Paraíso
requer apenas a expressão do olhar.
Já não precisarei do meu sorriso
para um outro sorriso me enganar.

Vende meus olhos a um brechó qualquer
que os guarde numa loja poeirenta,
reluzindo na sombra pardacenta,
refletindo um semblante de mulher.

Vende tudo, ao findar a minha sorte,
libertando minha alma pensativa
para ninguém chorar a minha morte
sem realmente desejar que eu viva.

Pode vender meu próprio leito e roupa
para pagar àqueles a quem devo.
Sim, vende tudo, minha mãe, mas poupa
esta caduca máquina em que escrevo.

Mas poupa a minha amiga de horas mortas,
de teclas bambas, tique-taque incerto.
De ano em ano, manda-a ao conserto
e unta de azeite as suas peças tortas.

Vende todas as grandes pequenezas
que eram meu humílimo tesouro,
mas não! ainda que ofereçam ouro,
não venda o meu filtro de tristezas!

Quanta vez esta máquina afugenta
meus fantasmas da dúvida e do mal,
ela que é minha rude ferramenta,
o meu doce instrumento musical.

Bate rangendo, numa espécie de asma,
mas cada vez que bate é um grão de trigo.
Quando eu morrer, quem a levar consigo
há de levar consigo o meu fantasma.

Pois será para ela uma tortura
sentir nas bambas teclas solitárias
um bando de dez unhas usurárias
a datilografar uma fatura.

Deixa-a morrer também quando eu morrer;
deixa-a calar numa quietude extrema,
à espera do meu último poema
que as palavras não dão para fazer.

Conserva-a, minha mãe, no velho lar,
conservando os meus íntimos instantes,
e, nas noites de lua, não te espantes
quando as teclas baterem devagar.



RIO - Aos 89 anos, morreu nesta quinta-feira, 22.02.2008, no Rio de Janeiro o redator Giuseppe Ghiaroni, autor do seriado “Tancredo e trancado”, sucesso na Rádio Nacional no começo dos anos 50; de “O romance da eternidade”, uma adaptação para o rádio, em 300 capítulos do Antigo Testamento; e do “Monólogo das mãos”, sucesso das carreiras de Bibi Ferreira e Lúcio Mauro no teatro e na TV. Ghiaroni, nos anos 80, foi redator da “Escolinha do professor Raimundo”. Ele escreveu também “Mãe”, uma das novelas de maior sucesso da Rádio Nacional.






5 tops dos tops


5 Maiores injustiçados da música brasileira

Por Nelson Motta, jornalista, escritor e produtor

· Wilson Simonal (hors-concours)

· Johnny Alf

· Rosa Passos

· Sérgio Sampaio

· Walter Franco

5 Museus mais interessantes do mundo

Por Daniela Thomas, cenógrafa e diretora  de arte, cinema e teatro

· Museu do Prado, em Madri. Para ver “As Meninas”, de Velásquez e a fase negra de Goya.

· Beaubourg (Centre Georges Pompidou), em paris. Tem as melhores coleções de arte moderna e uma arquitetura que não envelhece.

· Glyptoteket, em Munique. Um museu maravilhoso, com um acervo de estátuas gregas e romanas e uma arquitetura impressionante.

· Naturhistorisches Museum Wien (Museu da História Natural de Viena). Todo feito com armário do século XIX, parece uma sala de curiosidades, como se quisessem mapear o planeta em quadrinhos.

· Museu da História da Medicina (Josephinum), em Viena. Superinteressante, com réplicas de anatomia humana feitas em cera com uma fidelidade impressionante, dispostas em vitrines delicadas do século XIX.

5 Cenários ideais para uma festa no Rio de Janeiro

Por Cabbet Araújo, empresário da noite e usina de ideias

· Jardins da Casa de Rui Barbosa, em Botafogo

· Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), na avenida Brasil

· Estação de trem Central do Brasil

· Estação do metrô Cardeal Arco Verde

· Quinta da Boa Vista

5 Melhores capas de vinil

Por Charles Gavin, baterista fissurado por vinil

· “Secos&Molhados” (Continental), 1973). Simplesmente a capa mais importante e carismática do rock brasileiro

· Zé Ramalho: “A peleja do diabo com o dono do céu! (Epic, 1980). Zé Ramalho queria montar uma cena que ilustrasse bem o título de seu segundo LP. Para isso convidou Xuxa Lopes e Zé do Caixão para posarem ao seu lado na foto da capa. Clássica e culta.

· Nara Leão; “Nara” (Elenco, 1964). Aloysio de Oliveira escolheu Cesar Vilella para elaborar a capa do disco de estreia da musa, e muitas outras da Elenco. O seu design arrojado, moderno e minimalista de Vilella acabou fazendo história na música brasileira.

· “Clube da Esquina” (Odeon, 1972). Essa foto, tirada dentro do carro pelo artista plástico Cafi, no interior de Minas Gerais, acabou se tornando o símbolo visual do projeto capitaneado por Milton Nascimento e Lô Borges. Certamente essa é uma das imagens mais emblemáticas da MPB na década de 70.

· Bezerra da Silva: “Eu não sou santo” (BMG Ariola, 1990). Mais atual do que na época que o disco foi lançado, a colagem da capa desse álbum de Bezerra da Silva é um soco direto no estômago de nossa consciência.

5 Gols mais bonitos da história do Maracanã

Pela equipe de esporte do Globo

· Pelé, em Santos 3 X 1 Fluminense. Campeonato Brasileiro, março de 1961: Pelé atravessou o campo conduzindo a bola, driblou três jogadores pelo caminho e, já na área adversária, chutou no canto direito, sem defesa para o goleiro tricolor Castilho.

· Bebeto, em Brasil 2 X 1 Argentina. Quartas de final da Copa América, julho de 1989. Silas vai à linha de fundo e cruza para Romário, que ajeita para Bebeto emendar de primeira em voleio indefensável.

· Roberto Dinamite, em Vasco 2 X 1 Botafogo. Campeonato Carioca, maio de 1976: pouco antes da pequena área, Roberto mata no peito, dá um lençol no zagueiro botafoguense Osmar e, sem deixar a bola cair, acerta o chute no canto direito do goleiro.

· Rivelino, em Fluminense 1 X 0 Vasco. Campeonato Carioca, junho de 1975: Rivelino para diante do vascaíno Alcir Portela e, segundos depois, dá o drible que passaria a ser conhecido como “Elástico”, passando a bola por debaixo das pernas do marcador. Na sequência, arranca para a área, dribla mais dois jogadores, ameaça tocar no canto direito e conclui, com categoria, no canto esquerdo do goleiro argentino Andrada.

· Ademir Menezes: Ademir, em Vasco 2 X 1 América: Decisão do Campeonato Carioca de 1950. Ademir: conhecido como Queixada, marcou os dois gols na primeira final do estadual disputado no recém-inaugurado Maracanã.

5 Praias mais bonitas do Brasil

Por Fred D¢Orey, Estilista, surfista e rato e areia

· Ponta do Camarão, Sul da Bahia, ao lado da Praia de Caraíva. Pra não ver ninguém.

· Praia de Itaúna, Saquarema. Pelas ondas.

· Posto 8, Ipanema, em frente ao Fasano. Pra ir a pé.

· Riozinho do Campeche, Praia do Campeche, Florianópolis. Gente bonita.

· Praia da Conceição, Fernando de Noronha. Rasta vibe.

5 Peças que toda mulher deve ter no armário

Por Alice Autran Garcia, Coordenadora de moda da Revista O Globo

· Um blazer preto bem cortado.

· Uma bela camisa branca.

· Uma calça jeans com caimento impecável.

· Um sapato de salto de boa qualidade, bem acabado e confortável.

· Muitos acessórios.

5 Peças que todo homem deve ter no armário

Por Júlio Rego, Consultor de estilo masculino

· Calça jeans. É a maior invenção da moda, na minha opinião. Boa para qualquer hora do dia e da noite.
· Um tênis discreto. Que se possa usar também para sair à noite.

· T-shirts básicas. Uma roupa universal, desde Marlon Brando.

· Um bom blazer azul-marinho ou preto. Sem botões dourados, por favor.

· Uma camisa de colarinho para usar à noite.

Obs.:
Para complementar, recomendo duas calças: uma cinza para a noite e uma bege para o dia; dois pares de sapato: um mocassim para o verão e, claro, cabide. Um bom cabide não amassa a roupa e matem o vinco da calça.

5 Melhores desfiles da Marquês de Sapucaí

Por Hiram Araújo, Medico e enciclopédia viva do carnaval

· “Tupinicópólis” (Mocidade Independente, 1987).

· “Ratos e Urubus, larguem a minha fantasia” (Beija-Flor, 1989).

· “Gentileza X O profeta do fogo” (Grande Rio, 2001).

· “Kizomba”, a festa da raça” (Vila Isabel, 1988).

· “Ziriguidum 2001, carnaval nas estrelas” (Mocidade Independente, 1985).

5 Cuidados que toda mulher deve ter a partir dos 30

Por Paula Belloti, Dermatologista da moda

Procurar a orientação de um dermatologista. Parece bobagem, mas muita acaba piorando o estado da pelo usando produtos que são ótimos para uns, mas péssimos para outros.

Transformar em hábito, realmente o uso de filtro solar todo dia. A partir dessa idade, os efeitos nocivos do sol são visíveis. Ele acelera a degradação do DNA celular que fabrica colágeno novo. Normalmente, um filtro com o fator 15 já basta para os dias de sol e chuva.

Fazer a cada seis meses uma sessão de Thermacool. Radiofrequência que contrai a fibra colágena e remodela o colágeno desgastado, prevenindo a flacidez facial

Usar um creme a base de ácido retinoico diariamente à noite. E fazer um pelling de ácido retinoico uma vez por mês para estimular a produção de colágeno novo.

Fazer a cada três ou seis meses uma sessão do sistema Ellos. É um laser com três ponteiras que, de uma só vez, trata manchas, flacidez ou rugas finas.

5 Melhores filmes dos últimos cinco anos

Por Rodrigo Fonseca, Crítico de cinema do Globo

· “Brilho eterno de uma mente sem lembrança”, de Michel Gondry.

· “Old Boy”, de Park Chan-Wook.

· “Tropa de Elite” (I e II), de José Padilha.

· “Conta a parede”, de Faith Akin.

· “Batman – O cavaleiro das trevas”, de Chistopher Nolan.

5 Maiores jogadores da história do campeonato brasileiro

Por Roberto Assaf, jornalista e enciclopédia viva do futebol

· Zico. Ganhou quatro dos cinco títulos conquistados pelo Flamengo.

· Rogério Ceni. Um símbolo das conquistas do São Paulo.

· Roberto Dinamite. É o maior artilheiro da história do campeonato. Fez 190 gols nos brasileiros que disputou.

· Falcão. Um craque. Grande condutor do tricampeonato do Internacional.

· Edmundo. Ganhou três campeonatos, dois pelo Palmeiras e um pelo Vasco. Neste último, ele quebrou vários recordes. Um deles continua de pé: maior número de gols em uma só partida. Foi no jogo Vasco 6 X 0 União São João todos os gols marcados por Edmundo, em 1997.


domingo, 2 de agosto de 2015

Frases motivacionais

    
16 frases motivacionais sobre vendas de Zig Ziglar



(6.11.1926-28.11.2012)

Se você gosta de palestras motivacionais divertidas deveria agradecer a Zig Ziglar, escritor e palestrante motivacional que faleceu aos 86 anos, metade destes dedicados a palestras e livros sobre vendas e motivação.

Ziglar, com mais de 30 livros publicados, serve de grande inspiração para o Pequeno Guru pelo seu trabalho ao abordar assuntos profissionais e pessoais, dentre eles vendas, marketing, sucesso profissional, casamento, e dinheiro.

Como forma de homenagear este grande homem, aqui estão 16 pequenas doses de sabedoria de um homem que sabia vender –e viver– como ninguém.

01. “Vendedores tímidos têm filhos magricelas.”

02. “Falta de direção, não falta de tempo, é o problema. Todo mundo tem dias de 24 horas.”

03. “As pessoas não compram por razões lógicas, elas compram por razões emocionais.”

04. “Uma meta adequada já é meio caminho.”

05. “Se você quer atingir uma meta, você deve primeiro se imaginar alcançando, antes de realmente alcançar.”

06. “Se você aprendeu algo com a derrota, você na verdade nunca perdeu.”

07. “Se você não mirar em nada, sempre acertará.”

08. “Se você não se vê como vencedor, então não agirá como um.”

09. “Toda venda tem 5 obstáculos básicos: sem dinheiro, sem necessidade, sem pressa, sem desejo, sem confiança.”

10. “Não há trânsito naquele 1 kilômetro a mais que você anda.”

11. “Diante de um obstáculo, você muda sua direção, não de objetivo.”

12. “Você terá tudo que quiser na vida se ajudar o suficiente os outros a conseguir o que eles querem.”

13. “Clientes que reclamam representam uma grande oportunidade para fazer novos negócios.”

14. “Para cada venda que você perde por ser muito empolgado, você perde 100 por não ter sido empolgado o suficiente.”

15. “Pare de vender. Comece a ajudar.”

16. “Sua atitude, não aptidão, determinará sua altitude.” 
      

E você pensa que é esperto


        
Está aí um questionário que o obriga a fazer pelos menos uma hora de ginástica mental. Quando terminar estará provavelmente com raiva, mas procure consolar seu amor-próprio submetendo seus amigos à mesma prova.

Quem responder a todas as perguntas pode, sem dúvida, considerar-se um gênio. Com menos de cinco erros está à altura de conversar com Einstein; mas qualquer criatura com uma dose normal de massa cinzenta deve poder responder certo a uma nove ou doze perguntas.

Muitas das perguntas são traiçoeiras e devem ser lidas por palavra, com cuidado. Tome nota de suas respostas num papel e depois procure as respostas abaixo para a decepção.


01) Se 3 gatos matam 3 ratos em 3 minutos, quanto tempo levarão 100 gatos para matar 100 ratos?

02) Se um uísque com soda custa 5 reais e 50 centavos, e o uísque custa 5 reais mais que a soda, quanto custa a soda?

03) Qual é que está certo: 7x8 são 53 ou 7x8 é 53?

04) Permite a lei que um homem se case com a irmã de sua viúva?

05) Um macaco caiu no fundo de um poço com 30 pés de profundidade. Todos os dias ele sobe 3 pés e escorrega 2. Nessa progressão quando chegara em cima?

06) Dentro de uma gaveta estão 10 meias pretas e meias brancas. Procurando no escuro tirar meias da mesma cor, quantas, quantas meias terei que tirar até ter certeza ter um par que combine?

07) Tirando duas maçãs de três maçãs, quantas maçãs terei?

08) Tenho 2 minutos para pegar um trem e a estação fica a 2 Km de minha casa. Se percorrer o primeiro quilômetro com uma velocidade de 30 Km por hora, a que velocidade terei que andar no segundo para chegar a tempo?

09) O número de ovos numa cesta duplica de minuto em minuto. Em 1 hora cesta está cheia. Quando estava pela metade?

10) Um pastor tinha 17 ovelhas. Morreram-lhe todas menos 9. Com quantas ficou?

11) Na amurada de um navio está pendurada uma escada de corda de 5 metros de comprimento. Os degraus têm 30 centímetros de intervalo e o último toca na água do mar. A maré sobe à razão de 25 centímetros por hora. Quando estarão os primeiros dois  degraus cobertos pela água?

12) Dois pais e dois filhos estão caçando. Cada um deles matou uma perdiz e só três perdizes foram mortas. Por quê?

13) Um homem entra numa tabacaria e compra 2 dólares de charutos. Ele dá uma nota de 5 dólares para pagar a compra, mas o dono da loja não tem troco e vai ao vizinho, que lhe troca os 5 dólares por 5 notas de 1 dólar. O freguês sai levando os charutos e 3 dólares de troco. Uma hora mais tarde vem o vizinho correndo dizer que a nota de 5 dólares era falsa. O dono da tabacaria dá-lhe outra nota de 5 dólares. Quanto perdeu ele em dinheiro e em mercadoria?

14) Qual é o menor número de patos que podem nadar arrumados na seguinte ordem: dois patos na frente de um pato, dois patos atrás de um pato, e um pato entre dois outros?

15) Sabemos que há doze selos de um centavo numa dúzia, mas quantos selos de 2 centavos haverá num dizia?

16) Um homem pesando 100 quilos e seus dois filhos, cada um deles pesando 50 quilos, precisavam atravessar um rio; mas o único barco que havia só podia carregar 100 quilos. Que fizeram eles?

17) Uma coleção de livros está arrumada em ordem numa estante. Cada livro tem 100 páginas, perfazendo um total de 1.000 páginas. Um cupim põe-se a comer os livros, e começando na primeira página do primeiro livro vai até a última página do último livro. Quantas páginas comeu ele?

18) O arqueólogo que disse ter encontrado um moeda datada de 647 a.C., estava mentindo ou fazendo troça. Por quê?

19) Certo rei, querendo ver-se livre de seu primeiro ministro, resolveu usar de um estratagema. Pôs dois pedaços de papel num chapéu e chamou um juiz para dar a sentença: o ministro estaria despedido se tirasse o papel onde estava escrito “Sai” e ficaria se tirasse o papel escrito “Fica”. Ora o rei, de esperto, escrevera “Sai” nos dois papéis; mas o ministro foi mais esperto e, mostrando um dos papéis ao juiz, fez com que este se decidisse a seu favor. O que fez ele?

20) Em que livro da Bíblia se lê a história de Abel que mata Caim?


Respostas:













01) Três minutos. Cada gato leva 3 minutos para matar um rato.

02) Vinte e cinco centavos.

03) Nem um nem outro, pois 7x8 = 56.

04) Só depois de estar no outro mundo é que um homem tem viúva.

05) No vigésimo oitavo. No fim de 27 dias ele subiu 27 pés, e só no 28° chegou em cima.

06) Três. A segunda meia talvez combinasse com a primeira, e terceira certamente será de mesma cor que a primeira ou a segunda.

07) Terá as duas que tirou, naturalmente.

08) Não adianta mais correr. Já terá perdido o trem no primeiro quilômetro.

09) No fim de 59 minutos. Se a cesta estava cheia no fim de 1 hora é porque estava no meio no fim de 59 minutos.

10) Com nove

11) Nunca. O navio e escada também subirão com a maré.

12) Era um avô, um pai e um neto. Um deles era pai e filho ao mesmo tempo.

13) Cinco dólares, 2 em mercadoria e 3 em dinheiro.

14) Três patos, um atrás do outro.

15) Doze.

16) Os dois filhos vão juntos, um fica na margem oposta e o outro traz o barco de volta. O pai vai, então, sozinho para o outro lado. O filho, que está lá, vem com o barco buscar o irmão.

17) O cupim comeu 802 folhas. Olhe para uma coleção de livros e veja porque o cupim não comeu 99 folhas do primeiro e 99 folhas do último.

18) Como era possível saber que Cristo apareceria 647 anos depois!

19) O ministro tirou um papel e rasgou, depois mostrou ao juiz o papel que restara no chapéu, o juiz lendo “Sai” concluiu que no papel que o ministro tirara devia estar escrito “Fica”.

20) Em nenhum? Porque foi Caim que matou Abel.


Entreouvidos por aí



Martha Medeiros


“De todas as pessoas que eu conhecia, ela era a candidata menos provável de eu vir a ter uma história. Extremamente carola, cheia de nove horas, o oposto do meu estilo. Sou um cara moderno, livre, desimpedido em todos os sentidos. Sempre gostei de mulheres bem resolvidas, e ela me parecia uma menininha à espera de um anjo salvador. No entanto, quando dei por mim, ela estava sob as minhas asas. Não era o que eu buscava na vida, não era mesmo. Não sei como chamar isso”.

“Se cruzassem nossos perfis em qualquer rede social, daria um curto-circuito. Ele não gosta de nada do que eu gosto, e eu tenho aversão ao jeito que ele se comporta. Mas, desavisados, numa festa trocamos um beijo que fez alguma coisa acender, e desde então é briga atrás de briga. Ambos se perguntam: o que justifica essa nossa insistência?”

“O Caetano tem uma música que diz: mexe qualquer coisa dentro doida. É bem assim que me sinto. É do departamento das loucuras inexplicáveis. Sou bonita, inteligente, bem educada. Sei que agrado, não ficaria sozinha jamais, a não ser que quisesse. No entanto, estou há dois anos namorando um colega de faculdade que me esnoba, mas não me deixa, e eu vou arrastando esse relacionamento na esperança de que ele amadureça. Tem nome um troço desses? Carência, doença, masoquismo?”

“Namoro uma mulher bem mais velha que eu. Minha mãe torce o nariz. Meus amigos me chamam para a balada a fim de que eu conheça umas garotas da minha idade. Ela própria acredita estar empatando a minha vida. Meu terapeuta acha que está tudo bem do jeito que está, e eu também acho, mas ninguém a minha volta parece compreender. Às vezes nem eu compreendo”.

“Meu casamento durou apenas quatro anos. Não conseguíamos viver bem, era um desgaste emocional que fazia ambos sofrerem. Decidimos terminar de comum acordo e nós dois estamos agora respirando melhor, com a vida mais destravada. Até já estou saindo com outro cara, mas quando toca o celular, fico torcendo para que seja meu ex. Queria entender o que se passa comigo”.

“Já fui casado e sei bem o que é uma relação saudável, bacana, estruturada. Estaria com ela até hoje se não tivesse enviuvado. Achei que nunca iria me recuperar do baque, mas anos depois comecei outra relação séria, só que era o oposto do primeiro casamento: um tumulto, parecia que falávamos idiomas diferentes, ninguém se entendia, mas a atração era incontrolável e estamos juntos até hoje, nem eu nem ela temos coragem de sair fora, mesmo sem entender o que nos faz ficar”.

“Sabe relação ioiô? Vai e volta, vai e volta? Nenhum dos dois têm mais paciência pra isso, é ridículo. Se não conseguimos nos acertar até aqui, qual a esperança de um milagre acontecer? Teimosia, é o nome disso. Se não é teimosia, não sei o que é”.

Quando a gente não sabe o que é, é amor.


O que sou eu?



Nesta altura da vida já não sei mais quem sou... 
Vejam só que dilema.

          Na ficha da loja sou cliente,
          no restaurante freguês,
          quando alugo uma casa inquilino,
          na condução passageiro,
          nos Correios remetente,
          no supermercado consumidor.

          Para a Receita Federal contribuinte,
          se vendo algo importado sou contrabandista.
          Se revendo algo, sou muambeiro,
          se o carnê tá com o prazo vencido inadimplente,
          se não pago imposto sonegador.
          Para votar eleitor,
          mas em comícios sou massa.

          Em viagens, turista,
          na rua, pedestre,
          se sou atropelado, acidentado
          e no hospital viro paciente.
          Nos jornais sou vítima,
          se compro um livro, leitor,
          se ouço rádio, ouvinte.
          Para o Ibope sou espectador,
          para apresentador de televisão, telespectador,
          no campo de futebol, torcedor.
          Se sou corintiano, sofredor.
          Agora, já virei galera.
          Se trabalho na ANATEL, sou colaborador.

          E, quando morrer... uns dirão... finado,
          outros... defunto,
          para outros... extinto,
          para o povão... presunto...
          Em certos círculos espiritualistas serei... desencarnado,
          evangélicos dirão que fui... arrebatado...

          E o pior de tudo é que para todo governante sou apenas um imbecil!

          E pensar que um dia já fui mais eu.


Torres malditas



Igreja das Dores - 1908

A igreja de Nossa Senhora das Dores, a mais antiga da cidade de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, é tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional desde 1958. O lançamento de sua pedra fundamental ocorreu há cerca de duzentos anos, em 02 de dezembro de 1807, no alto da então praia do Arsenal, na Rua da Praia, mas sua construção demandou quase um século, ou cerca de 100 anos, pois somente em 1906 foi erguida a última torre do templo, ficando para o ano seguinte a conclusão da longa escadaria que dá acesso a ele.

Essa demora deu origem a uma lenda, e foi inspirado nela que Afonso Morais escreveu e publicou o livro denominado “Torres Malditas”, romance onde no início do texto o autor afirma que ninguém melhor que ele para discorrer sobre o acontecido, já que participara indiretamente do mesmo. Na obra mencionada, Afonso relata que um amigo seu, de nome Rafael, apaixonou-se por certa jovem chamada Corina, que lhe pediu, como prova de amor, o belo colar de brilhantes que adornava a imagem de Nossa Senhora das Dores, na igreja a ela consagrada. A princípio Rafael recusou-se, mas depois, convencido e empurrado pelas promessas que a amada lhe fazia, ele entrou furtivamente na igreja, apossou-se da jóia e a entregou à namorada.

Descoberto o roubo, a culpa foi imediatamente atribuída a um pedreiro negro de nome José, escravo cedido por seu patrão para ajudar nas obras de construção da igreja, e depois disso, diante da incriminação que se tornou generalizada, o pobre acusado foi preso e condenado a morrer na forca pelo grave delito que supostamente cometera. Nesse meio tempo, Rafael, o verdadeiro ladrão, decidiu que deveria confessar sua culpa a fim de evitar que se consumasse a tremenda injustiça já com data marcada para acontecer, mas Afonso Moraes garante em seu livro que foi dele o empenho para evitar que isso acontecesse. Dessa forma, na data marcada, o escravo José e outro condenado foram levados por uma escolta ao pé de uma árvore existente na Praça da Harmonia, escolhida pelas autoridades como local do patíbulo.

Segundo a lenda, no momento em que ia colocar a corda no pescoço do escravo José, o carrasco lhe perguntou se ele sabia que o seu enforcamento era devido ao roubo do colar, e o sentenciado respondeu: – “Vou morrer porque sou escravo, mas sou inocente, e a prova disso é que as torres da igreja de Nossa Senhora das Dores hão de cair três vezes, e nunca ficarão completamente prontas”.

Mas acabou sendo executado, conforme mandava a lei local, e cinco meses depois desse fato, de acordo com registros da época, as duas torres da igreja, já quase concluídas, tombaram praticamente ao mesmo tempo, sem que ninguém esperasse por isso, o que de imediato trouxe à lembrança do povo as últimas palavras do escravo. A partir daí a crença popular provocou uma reação de temeridade tão grande que chegou a acarretar, segundo os comentários, a extinção da pena de morte em todo o Brasil, decretada por D. Pedro II para evitar que outras pessoas corressem o risco de perder a vida injustamente.

Outra versão sobre esse episódio conta que Domingos José. um senhor de muitos escravos, decidiu certo dia que um deles, chamado Josino, trabalharia nas obras de construção da igreja. Certo dia, porém, descobriu-se que tijolos e outros materiais de construção haviam desaparecido misteriosamente, e o referido escravo foi acusado por seu senhor da autoria desse sumiço. O pobre coitado jurava de pés juntos que era inocente, mas como naquele tempo a palavra dos cativos não tinha valor algum quando confrontada com a dos seus donos, a proclamação de inocência não foi sequer ouvida e o infeliz acabou sendo condenado a morrer na forca. Inconformado, ele rogou uma praga que provaria ser verdadeira a sua afirmação, pois o castigo do céu pela crueldade que o fariam passar seria a de que o seu senhor não conseguiria ver a conclusão das obras de levantamento das torres da igreja. Quando em 1904 o último andaime da obra finalmente foi retirado, Domingos José já não mais vivia.

Na verdade, as interrupções no andamento dos trabalhos de construção, motivadas por falta de dinheiro e alguns acidentes, levaram os supersticiosos a acreditar nessa lenda. O que realmente aconteceu foi que em determinado período a Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora das Dores enfrentou dificuldades financeiras por motivos diversos, entre eles o início e desdobramento da Revolução Farroupilha. Quando em 1898 o padre Fernando Gigante assumiu a paróquia e suspendeu os serviços religiosos, seus membros reagiram reativando a irmandade.

O padre C. J. Papen, em seu resumo histórico sobre a igreja, publicado em 1979, afirma que “Enquanto, no século passado, a conclusão do templo dependia dos esforços dos escravos, subjugados e explorados por seus senhores, não se chegou a um êxito feliz. Mas, uma vez abolida a escravidão no fim do século 19, e todos unidos num trabalho espontâneo e livre, conseguiu-se acabar a obra. Parece ser essa a lição da lenda do escravo”.


Desenho de João Faria Vianna