quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

10 coisas para alguma coisa



10 boas razões porque sexo virtual é melhor


01 - Se a coisa vai mal, trocar seu nick é mais fácil que o seu nome verdadeiro.

02 - Tomar banho, se vestir, criar um clima... Tudo é opcional.

03 - Se você ficar de porre e apagar, o máximo que acontece é acordar junto a um teclado.

04 - Você pode exercitar seus hábitos agressivos e não se sentir culpado depois.

05 - Viagra? Quem precisa de Viagra?

06 - Seu parceiro pode tranquilamente ter mais personalidade que seus parceiros infláveis por exemplo.

07 - Quatro palavras: Casamentos por gravidez. Zero.

08 - Todos os caras se parecem com o Giannechini e todas as meninas com a Bündchen.

09 - Seu parceiro não precisa saber que você mora no porão da casa de seus pais.

10 - Se você pegar um vírus só o seu computador morre.


 Dez frases mais usadas pelos gordinhos


01 - "Eu já jantei, mas vou aceitar só um pedacinho!"

02 - "Que saco! Essa roupa não para de encolher!"

03 - "Eu não como muito... O problema é que tenho tendência pra engordar!"

04 - "Eu só fiquei gordo(a) porque parei de fumar!"

05 - "Essas cadeiras são de péssima qualidade! Quebram por qualquer coisinhaaaaa..."

06 - "O quê? Essa balança está maluca?"

07 - "Vou comer esse doce só pra tirar o gosto do salgado!"

08 -"Essa loja é uma droga! Nunca tem roupa do meu tamanho!"

09 - "Hoje estou me sentindo tão fraco... Vou comer mais uma barra de chocolate!"

10 - "Essas baboseiras que eu leio na internet sempre me abrem o apetite!"



Advertências em produtos




Aqui está uma pequena amostra de avisos idiotas ou, pelo menos, inusitados encontrados em diversos produtos à venda na Europa e Estados Unidos. A coletânea é extensa, aqui apenas alguns exemplos:

  
Acendedor de lareiras Aim-n-Flame: Não use próximo a fogo, chamas ou fagulhas.

Almofada com aquecedor elétrico: Não usar nos olhos.

Aparelho manual de massagem: Não use se estiver dormindo ou inconsciente.

Aspirador de pó: (1) Não use para sugar gasolina ou outros líquidos inflamáveis. (2) Não use para sugar qualquer coisa que esteja queimando.

Aviso em garrafa de solvente: Não reuse esta garrafa para conter bebidas.

Aviso: Nunca passe suas roupas enquanto as estiver vestindo.

Banheira para bebês: Não jogue a água fora com seu neném dentro.

Banheiro de piscina pública: Água reciclada dos vasos sanitários: é imprópria para beber.

Barra de chocolate Hershey's com amêndoas: Aviso - pode conter nozes.

Bola de praia: Cuidado - Isto não é um equipamento salva-vidas.

Broca elétrica Dremel: Este produto não se destina a uso como broca dentária.

Caixa de fósforos: Conteúdo pode pegar fogo.

Caixinha de areia para gatos: Pode ser usada com segurança próximo a animais domésticos.

Câmera: Esta câmera só funcionará com filme dentro.

Caneleira protetora para ciclistas: Este produto não pode proteger partes do corpo não cobertas por ele.

Carrinho de bebê: Remova a criança antes de dobrar o carrinho para guardar.

Carrinho de mão: Não usar em auto-estradas.

Cartucho toner para impressora laser: Não ingerir o toner.

Catchup Heinz: Instruções - ponha na comida.

Cobertor fabricado em Taiwan: Não deve ser usado como proteção contra tornados.

Colchão ortopédico: Não tente engolir.

Comida de peixe Triops: Aviso - não para consumo humano.

Computador: Teclado não detectado. Tecle F1 para prosseguir.

Controle remoto de TV RCA: Não recomendada limpeza em lavador de louça.

Desentupidor de vaso sanitário: Não use próximo a linhas de transmissão de energia.

Desodorante Old Spice Red Zone: Use apenas nas axilas.

Desodorizante para vaso sanitário: Produto seguro para uso próximo a crianças e animais domésticos, no entanto não se deve permitir a nenhum deles beber direto do vaso sanitário.

Embalagem de chupeta: Não deve ser usado como substituto à companhia humana.

Espelho retrovisor montado em capacete para ciclistas: Lembre-se, objetos no espelho estão na verdade atrás de você.

Espuma intra-auricular antiacústica: Estes protetores são não-tóxicos, mas podem afetar a respiração se sugados por um tubo de respiração traqueal de emergência.

Extintor de incêndio: Aviso - não inflamável.

Fantasia infantil de Superman: Importante - este traje não habilita o usuário a voar.

Ferro para alisamento capilar: Aviso - este produto pode queimar os olhos.

Guardanapos de papel: Abra a embalagem e use.

Impresso no fundo da embalagem de sobremesa tiramisu Tesco: Não vire embalagem de cabeça para baixo.

Instruções para trocar pilhas: (1) Abra o aparelho, (2) Retire as pilhas velhas, (3) Coloque as pilhas novas, (4) Feche o aparelho.

Iscas inflamáveis para fogueira e churrasco: Risco de incêndio.

Isqueiro Bic: Acione o isqueiro longe do rosto.

Lâmina de barbear: Não use este produto durante terremotos.

Lata de achocolatado Nabisco: Para melhores resultados, remova a tampa da lata.

Leite de soja Silk: Agite antes de consumir e compre com freqüência.

Limpador facial espumante: Pode conter espuma.

Limpa-vidros: Não borrife nos olhos.

Luzes para árvore de Natal: Para uso apenas em ambientes fechados ou ao ar livre.

Medicamento infantil antitosse: Após uso não dirigir nem operar máquinas.

Medidor de precipitação pluviométrica: Adequado para uso ao ar livre.

Num pacote de sabonete: Use como sabonete comum.

Óleo para bebês: Mantenha longe do alcance de crianças.

Painel antissolar para uso no para-brisa: Não dirija com o painel no para-brisa. Remova-o antes de dar partida no automóvel.

Pílulas para dormir: Aviso - pode causar sonolência.

Placa de estrada: Cuidado - água na pista durante chuva.

Precaução: Evite derrubar aparelhos de ar condicionado janela afora.

Processador de alimentos fabricado no Japão: Não deve ser usado para nenhuma outra finalidade.

Pudim de pão Marks & Spencer: Produto estará quente após ser fervido.

Quebra-cabeças de 500 peças: Pode exigir montagem.

Refeição congelada Swann: Sugestão para servir - descongele.

Refletor para iluminação: Este refletor é capaz de iluminar grandes áreas, mesmo no escuro.

Saco de amendoins em vôo American Airlines: Abra o pacote, coma os amendoins.

Saquinho de batatas "Fritos": Você pode ser um ganhador. Não precisa comprar. Detalhes dentro da embalagem.

Secador de cabelos: Não use quando estiver dormindo.

Serra elétrica: Não tente parar a serra com as mãos.

Xampu canino: O conteúdo desta embalagem não deve ser usado como alimento para peixes.

Chamou colorante: Não usar como cobertura para sorvetes.

Spray neozelandês antiinsetos: Este produto não foi testado em animais.

Spray pimenta para autodefesa: Não acione o spray em direção a seus próprios olhos.

Termômetro clínico: Não use oralmente após utilização retal.

Veneno de rato: Aviso - produto causou câncer em ratos de laboratório.

Zantac 75: Não usar se for alérgico a Zantac.




quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

São Valentim patrono dos namorados



São Valentim ao receber o Santo Rosário das mãos
 da Santíssima Virgem Maria

No dia 14 de Fevereiro, o calendário comemora São Valentim. Entre vários santos de nome Valentim, foi o do dia 14 de Fevereiro que se associou à festa dos namorados e ao seu costume de trocarem bilhetes e presentes.

Dia dos Namorados

No Brasil, o dia 12 de Junho é o Dia dos Namorados e, tal como pelo São Valentim, é a festa dos que se amam. O Dia dos Namorados liga-se à tradição que dá a Santo António a fama de casamenteiro. Por isso se comemora nesse dia, véspera de Santo Antônio.

Perguntas sobre São Valentim

No dia 14 de Fevereiro, o calendário comemora São Valentim. Entre vários santos de nome Valentim, foi o do dia 14 de Fevereiro que se associou à festa dos namorados e ao seu costume de trocarem bilhetes e presentes. No Brasil se comemora no dia 12 de junho.

1. Quem era São Valentim?

2. Qual a origem desta festa dos namorados?

Em 268, vivia em Roma um sacerdote chamado Valentim. O imperador Cláudio II fê-lo prender por ser cristão e interrogou-o, porque tinha grande fama na cidade. Eis a narrativa tradicional recolhida pelos Pequenos Bolandistas:

Valentim tentou levar o imperador a reconhecer Cristo e, diz-se, deixou-o perturbado. Mas, entre os seus conselheiros, Calpúrnio, Prefeito da cidade, interveio para dizer que a nova fé punha em perigo as tradições romanas; Cláudio, receando perturbações na cidade, entregou São Valentim ao Prefeito. Este enviou-o ao juiz Astério, que o interrogou.

São Valentim rezou diante do juiz e dos guardas, pedindo a Deus que os iluminasse, fazendo-os conhecer Jesus Cristo, a verdadeira luz do mundo.

Astério disse: «Admiro muito a tua prudência; mas como podes dizer que Jesus Cristo é a verdadeira luz?»

São Valentim respondeu: «Não só é a verdadeira luz, mas a única luz que ilumina todos os homens neste mundo (cf. prólogo do evangelho de S. João, cap. 1, vers. 4, 5 e 9).

Astério disse: «Vamos tirar a prova: tenho aqui uma filha adotiva que está cega há dois anos; se a puderes curar, acreditarei que Jesus Cristo é a luz do mundo».

Trouxeram a jovem. São Valentim pôs-lhe as mãos sobre os olhos e fez esta oração: «Senhor Jesus Cristo, que és a verdadeira luz, ilumina a tua serva».

Imediatamente a jovem recuperou a vista. Astério e os seus converteram-se. Mas o imperador mandou-os perseguir como cristãos e foram condenados à morte com São Valentim.

Depois de ter sido detido numa prisão onde foi espancado e ferido à paulada, foi decapitado na via Flaminia a 14 de Fevereiro de 268. O local do seu martírio tinha sido conservado com uma igreja que o papa João I mandou construir mais tarde; estava em ruínas quando o papa Teodósio a reergueu. Depois, desapareceu completamente. Nas muralhas de Roma, a porta que hoje se chama Porta do Povo tinha antigamente o nome de Porta de São Valentim.

Algumas relíquias de São Valentim são conservadas em Roma, na igreja de Santa Praxedes, mas as que tinham sido levadas para França, para a igreja de S. Pedro em Melun, desapareceram.

São Valentim é nomeado com o título de ilustre mártir no Sacramentário de São Gregório, no Missal Romano de Tommasi, em diversos martirológios e calendários antigos. Os ingleses mantêm-no no seu calendário.

São Valentim e os namorados

O nome Valentim significa “saudável”. S. Valentim foi representado com uma espada e uma palma, símbolos do martírio, ou curando a filha do juiz Astério.

Esta cura de uma jovem, e provavelmente também a significação do seu nome, “saudável, que dá saúde”, estiveram talvez na origem do fato de os namorados se colocarem sob o patrocínio de São Valentim.

Mas também os doentes o invocavam (peste, epilepsia, desmaios…). Alguns querem ligar a festa dos namorados, pelo São Valentim, à antiga festa romana pagã dos Lupercales, culto aparentemente de origem rural, durante o qual homens semi-nus batiam nas mulheres com correias feitas de pele da cabra, pelas ruas de Roma, o que em princípio lhes devia garantir a fertilidade. É bastante improvável ver relações entre isso e a festa atual, uma vez que nada o atesta historicamente. Para mais, o costume romano não tem nada a ver com a delicadeza dos bilhetinhos amorosos...

Não se encontra qualquer vestígio de São Valentim patrono dos namorados antes do século XIV.

Com efeito, é no século XIV que aparece pela primeira vez, em Inglaterra e em França, o costume de enviar um bilhete galante ao eleito ou à eleita do coração. Este bilhete chamava-se um Valentim… Por essa altura, desenvolveram várias lendas, como a da filha do juiz Astério.

Acreditava-se nessa altura que os pássaros acasalavam no dia de São Valentim, a 14 de Fevereiro. Pode-se ainda ver na origem da tradição de mandar bilhetes amorosos a influência do amor cortês, inventado pelos trovadores provençais e desenvolvido nos romances de cavalaria, em particular nos do Rei Artur e da Távola Redonda.

Nos calendários de antigamente, o dia de São Valentim era assinalado com um sol na mão do santo ou uma forma para fazer fritos – o sol porque nessa época ele retoma as forças (no espaço europeu); a forma de fritos para anunciar o Carnaval.

Hoje, o costume de celebrar São Valentim com a festa dos namorados tem muitos adeptos. Podemos dizer, retomando o significado de Valentim, que ela está de boa saúde!

P.S. Aviso ao namorados, leia, no Almanaque, o texto anterior a esta matéria. É uma reflexão aos verdadeiramente apaixonados...



terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Carreira de cancha reta


Tau Golin*


Carreira de cavalo. Cancha reta. 1820.
Detalhe da aquarela de Emeric Essex Vidal.

A carreira foi o esporte e o jogo de preferência do homem do pampa. Fazia parte tanto de negócios que envolviam grandes somas de dinheiro como das brincadeiras telúricas.

Os ginetes, em pleno campo, se desafiavam. Muitas vezes, no retorno das campeiradas, tiravam cismas de quem possuía o cavalo mais rápido. Todavia, no geral, “atavam” carreiras para datas específicas, geralmente aos domingos.

Nos primeiros tempos, as carreiras eram disputadas com os cavalos de trabalho, os crioulos. Esses equinos, de origem ibérica possuíam grande predominância de sangue árabe. Com o passar dos séculos, foram apurados e terminaram se definindo como raça específica do Cone Sul e muito valorizada nas atividades de pastoreio.

Os carreiristas sempre preferiam a “cancha reta”, de metragem não muito longa. O percurso podia ser de 260 a 400 metros. Com o hábito das carreiras e invariavelmente com o volume de dinheiro envolvido no jogo, a atividade também se transformou em negócio. A paixão de muitos homens pelas carreiras provocou a perda de grandes fortunas: rebanhos e até estâncias. Conta-se que os gaúchos chegavam a apostar as próprias mulheres.

Participar com certa garantia de sucesso significava preparar apropriadamente os cavalos. Dessa forma, apareceram duas especialidades vinculadas às carreiras: a do compositor e a do jóquei.

Carreiras!...Meninos e moços velhos,
Não perdem tal festa, não perdem carreiras!
E a par das apostas pequenas ou grandes,
Apostam-se olhadas às moças faceiras.

(Bernardo Taveira Júnior, Provincinos, 1886)

Até hoje, no pampa, chama-se o treinador de cavalo de “compositor”. Eles definiam os alimentos e os exercícios básicos dos animais. Alimentavam-nos com milho e alfafa fenada. Aplicavam-lhes banhos. Treinavam arrancadas e corridas para deixá-los fortes e velozes.

Os animais destinados às carreiras passaram a ser chamados também de parelheiros porque eram comuns as disputas feitas entre dois animais, em parelhas. Quando corriam em maior número, chamavam a carreira de “penca”, ou califórnia. Ir às pencas, no Sul, significava, ainda, ir até onde ocorriam as carreiras.

Nos dias de “carreira atada”, os crioulos chegavam cabrestrados, cobertos de lindas capas, no geral, coloridas. Todavia, fazia parte da picardia dos jogadores “enfeiarem” os cavalos, sujando-os, desfigurando-lhes os rabos, dando-lhes certo visual de pangarés, para que os adversários não percebessem seus reais valores.

Nas carreiradas, os habitantes da região tomavam conta dos dois lados da cancha. E, ali, passavam o dia. Os bolicheiros armavam ramadas para vender bebidas e comidas. Assava-se churrascos. Aproveitava-se para rever conhecidos, saber das notícias e, nesse ambiente de jogo e convívio social, os jovens aproveitavam para os namoros.

De preferência, as canchas eram trilhadas nas várzeas, com árvores para a sombra e lenha para o fogo, e com um rio ou um arroio correndo perto.

Além das carreiras contratadas com antecedência, os donos de parelheiros se desafiavam em plena cancha. Costumeiramente, alguém quando acreditava na imbatividade de seu cavalo, fazia-o desfilar, gritando: “Sem reserva!”, isto é, na linguagem carteirista ele estava disposto a correr contra qualquer animal naquele momento, e a aposta não tinha limite.

As regras não eram muitas. Geralmente, tinham-se maiores cuidados na arrancada. Como a “pista” era curta, o que melhor arrancasse poderia levar vantagem. Os “juízes da partida” utilizavam um laço ou uma bandeira para dar a largada. No final da cancha, ficavam os “juízes da chegada”. Um cavalo podia vencer por um pequeno detalhe: “de orelha”.

As vantagens eram classificadas conforme a parte do corpo do ganhador ao passar pela baliza de chegada antes do perdedor. Assim, “ganhar de fiador” significava vencer pela diferença da cabeça, pois o “fiador” é a parte do buçal que passa atrás das orelhas e na conjunção com o pescoço. As outras medidas consagradas até hoje são: “de paleta”, “de meio corpo”, “de virilha”. Ganhar “de luz” significava passar à frente do perdedor, sem que este cobrisse qualquer parte do vencedor.

Esses parâmetros ainda hoje são adotados em regiões da campanha.

As carreiras, as apostas eram depositadas em mãos de pessoas respeitáveis ou diretamente feitas em “campo aberto”. Nesses casos os apostadores botavam o dinheiro no chão, e o vencedor juntava.

O povo também se divertia nessas festas. O público se alegrava com carreiras de petiços, animais lerdos, burros empacadores e manhosos.

Só no final do século XIX é que a corrida europeia, de raias em círculo, foi adotada no Rio Grande do Sul. E, assim mesmo, apenas nas cidades.

Na campanha ‒ e em muitos hipódromos especializados na modalidade ‒ permaneceram as carreiras de cancha reta.



Tau Golin é Professor da empresa Universidade de Passo Fundo;
Estudou Pós-Doutorado;
Universidade de Lisboa na instituição de ensino UFRGS;
Estudou História na instituição de ensino Universidade de Passo Fundo;
Estudou na instituição de ensino Universidade de Passo Fundo ;
Estudou na instituição de ensino História e Comunicação;
Frequentou UFRGS;
Mora em Passo Fundo.

Batendo Orelha*


1. *Bater Orelha: diz-se quando, numa carreira, os cavalos contendores vão correndo juntos ou quase juntos até a raia ou qualquer ponto da cancha; igualar-se, proceder do mesmo modo duas ou mais pessoas.

2. Ser igual a outro, da mesma força.

3. Ter destino igual ao de outro.



Nasceu o potrilho, lindo e gordo, filho de égua boa leiteira, crioula de campo de lei.

O guri era mimoso, dormindo em cama limpa e comendo em mesa farta.

Já de sobreano fizeram uma recolhida grande, sentaram-lhe uns pealos, apertaram-no pelas orelhas e pela cola e a marca em brasa chiou-lhe na picanha.

Andaria nos oito anos quando meteram-lhe nas mãos a cartilha das letras e o mestre-régio começou a indicar-lhe as unhas, de palmatoadas.

O potrilho couceou, na marca. O menino meteu fios de cabelo nos olhos da santa-luzia...

Em potranco acompanhava a manada e retouçava com as potrancas, sem mal nenhum.

O rapazinho rezava o terço e brincava de esconder com as meninas... o que custou-lhe uma sapeca de vara de marmeleiro.

Quando o potrilho foi-se enfeitando para repontar, o pastor velho meteu-lhe os cascos e mais, a dente, botou-o campo fora: fosse rufiar lá longe!...

O gurizote, já taludo, quis passar-se de mais com uma prima...; o tio deu-lhe um chá-de-casca-de-vaca, que saiu cinza e fedeu a rato!...

O potro andava corrido, farejando... Mas nem uma petiça arrastadeira d'água e poronguda, achou, para consolo da vida. Té que o caparam.

O mocito, que era pimpão, foi mandado incorporar. Sentaram-lhe a farda no lombo.

Mal sarou da ferida o potro foi pegado: corcoveou, berrou; quebraram-lhe a boca a tirões, dividiram-lhe a barriga com a cincha; quis planchar-se, e lanharam-lhe as virilhas a rebenque e as paletas a roseta de espora. Tiraram-lhe as cócegas... Ficou redomão.

O recruta marcou passo, horas, pra aprender; entrou na forma; aguentou descomposturas; deu umas bofetadas num cabo e gruniu solitária e guarda dobrada, por quinze dias. Cortaram-lhe os cabelos à escovinha e ficou apontado. Era o faxineiro do esquadrão.

Houve uns apuros de precisão... O rocim foi vendido em lote, para o regimento.

Tocou a reunir: era uma ordem de marcha, urgente. O faxineiro recebeu lança, espadão e tercerola.

Quando a cavalhada chegou o primeiro serviço dos sargentos foi assinalar os novos; era simples e ligeiro: um talho de faca na orelha, rachando-a. Bagual assim, virava reiúno.

Quando tocou o bota-sela, o faxineiro estava na porteira, de buçal na mão, esperando a vez. O laçador laçava, chamava a praça e esta enfrenava... e cada um roia o osso que lhe tocava.
‒ Chê! Enfrena!...
Foi o reiúno que caiu pro recruta.

Aí se juntaram os dois parecidos, o bicho e o homem. E a sorte levou os dois, de parceria, pelo tempo adiante. Curtiram fome, juntos, cada um, do seu comer, E sede. E frio. E cansaço, mataduras e manqueiras; cheiros de pólvora e respingos de sangue, barulho de músicas, tronar grosso e pipoquear, nas guerrilhas.

E de saúde, assim, assim... Um teve sarnagem, o outro apanhou muquiranas; se um batia a mutuca, o outro caçava as pulgas.

Quando, no verão, o reiúno pelechava, também o faxineiro deixava de sofrer dores de dentes.

Passados anos o mancarrão já nem engordava mais, e todo ovado estava. O fiscal do regimento, sem uma palavra de ‒ Deus te pague ‒ mandou vendê-lo em leilão, como um cisco da estrebaria. Um carroceiro comprou-o, por patacão e meio, com as ferraduras.

Passados anos o praça aquele teve baixa, por incapaz, com o bofe em petição de miséria; e saiu da fileira sem mais família e sem saber oficio. Saiu com cinco patacas, de resto do soldo, e sem o capote. Foi então ser carregador de esquina.

O reiúno apanhava do carroceiro, como boi ladrão!

Ocarregador levava dos fregueses descompostura, de criar bicho!

Oreiúno deu em empacar.

Ocarregador pegou a traguear.

O carroceiro um dia, furioso, meteu o cabo do relho entre as orelhas do empacador e... matou-o.

A policia uma noite prendeu o borrachão, que resistiu, entonado; apanhou estouros... e foi para o hospital, golfando sangue; e esticou o molambo.

O engraçado é que há gente que se julga muito superior aos reiúnos; e sabe lá quanto reiúno inveja a sorte da gente...


(Do livro “Contos Gauchescos”, 
de J. Simões Lopes Neto)





Como nasce um paradigma*


As coisas não deveriam ser sempre assim...


Cinco macacos foram colocados num compartimento onde havia uma escada e um cacho de bananas pendurado no teto. Sempre que qualquer um deles subia a escada para apanhar frutas, um jato de água atingia os demais, que passaram a associar as três coisas: escada, banana, banho. Assim, após algum tempo, o membro do grupo que chegasse aos degraus era descido pelos outros, que ainda lhe davam uma surra. Posteriormente, foi introduzido na jaula um macaco novo e retirado um dos cinco. Ao ver as bananas, o novato tomou o rumo da escada, sendo apeado e surrado pelos quatro. Até aprender que aquilo não se fazia. Sucessivamente, todos os animais foram sendo substituídos, até não restar um só dos que haviam recebido jatos de água, repetindo-se, contudo, as tentativas e as surras. Se fosse possível perguntar a qualquer um deles a razão pela qual agia assim, a resposta, certamente, seria:

“Não sei, as coisas por aqui sempre funcionaram desse jeito”.

Conclusão de um especialista:

Os paradigmas existem para serem quebrados, e podem ser classificados, não genericamente, como tabus, preconceitos, atrasos de vida, falta de atualização e treinamento, e algumas vezes levam a erros que são simplesmente explicados assim: Sempre foi feito assim, então, não vejo porque mudar!

Sergio Ricardo Rocha é consultor empresarial, palestrante e coach. Responsável por alavancar as vendas de grandes empresas do país.
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*paradigma: modelo, padrão, exemplo a ser seguido em determinada situação.


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Conversa de mineiros



Não foi só o pão de queijo, não. Essas modernidade que tem aí hoje em dia, foi tudo inventado por mineiros. Um exempro é esse tar de Uber. Por que ocê acha que tem uma cidade mineira chamada Uberlândia? Pois, então.
Tem mais um tantão de coisa que foi criada e inventada em Minas. Qué que eu provo tamém? Toda vez que um caboco perguntava pro inventor:
– Posso ouvir música?
A resposta era:
– Uai pod.
Quando a pergunta era:
– Posso pedir esse trem de lê livro?
O camarada ouvia a resposta:
– Uai ped.
Pergunta que era feita a outro inventor mineiro:
– Posso fazer conexão com a internet?
Resposta:
– Uai fai.
Pra quem ainda num tá convencido, é só lembrá o avião, que foi otra baita invenção. E quem foi que inventou? O mineiro Santos Dumont, uai. Qué uma prova que ele era mineiro? Óia só o que ele respondeu quando perguntaram que nome ele deu pras rodinha do avião:
– Trem de pouso.

*****

À beira da piscina de um clube, no interior de Minas, quatro pais conversam sobre seus filhos:
‒ Eu tenho cinco garotos, um time completo de basquete – gaba-se o primeiro.
‒ Pois eu tenho seis, dá pra formar uma equipe de vôlei – rebate o segundo.
‒ Grande coisa: com os onze que eu tenho lá em casa, formo um time de futebol – exagera o terceiro.
Em seguida um deles se volta para o mineirinho, que continua quieto em seu canto:
‒ E você, quantos filhos tem?
‒ Fio, nenhum. Mas muié, tenho dezoito, um campo de golfe oficial…


*No campo de golfe oficial há 18 buracos...

*****

O mineiro estava sentado na rede, na varanda da fazenda, assistindo à TV, quando passa outro mineiro a cavalo e diz:
‒ Firme, cumpadre....
O outro mineiro levantou o chapéu, apontou o dedo para a TV e disse:
‒ Não... É futeborrr.