sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

Emprego correto de letras 4

 

EMPREGA-SE X: 

01. Após ditongo: 

Ex.: baixo, caixa, ameixa, desleixo, feixe, seixo, frouxo, trouxa. 

02.    Após en: 

Ex.: enxame, enxaguar, enxaqueca, enxergar, enxerto, enxofre, enxoval, enxada. 

Exceções:   palavras derivadas de primitivas que contenham ch no radical: 

encharcar, encharcadiço (charco); 

encher, enchente, enchimento, preenchimento (cheio); 

enchiqueirar (chiqueiro); 

enchapinado (chapim); 

enchova (= anchova); 

enchumaçar (chumaço); 

enchouriçar (chouriço); 

enchumbar (chumbo). 

03.    Após me: 

Ex.: mexer, mexerico, México, mexilhão, mexerica. 

Exceções: mecha (de cabelo): (e derivados) mechar, mechagem, mecheiro. 

04. Nas palavras de origem indígena e africana: 

Ex.: Xaxim, Erexim, Xavante, Xingu, xexéu (ave), Xangô, Xapanã, Oxum, Oxalá. 

Obs.: Palavras do inglês aportuguesadas trocam o sh original por x. 

Ex.: xampu (de shampoo), xerife (de sheriff). 

Observação: A palavra inglesa show (chou) está praticamente incorporada ao nosso idioma, bem como as palavras shopping (Chópin) center) e short (calça curta). Vide Þ Novo Dicionário Aurélio. 

EMPREGO DO CH: 

01. O dígrafo CH aparece em vocábulos de origem latina, francesa, espanhola, italiana, alemã, inglesa e árabe, não havendo, por isso, regra prática para o seu emprego. Convém assinalar sua presença, entre outros, nos seguintes vocábulos, todos de uso frequente: 

Ex.: achaque, achincalhar, agachar, archote, bacharel, beliche, bochecha, bolacha, borracha, brecha, broche, brochura, bucha, cabrocha, cachaça, cachimbo, cachola, capacho, caramanchão, chacina, chafariz, chambre, chaminé, chanceler, chantagem, charanga, charlatão, charque, chafurdar, chaleira, chávena, chiar, chibata, chimarrão, chimpanzé, chinfrin, chique, chiqueiro, chispa, chita, chocalho, chocar, chocho, chofer, chofre, chope, chouriço, chuchu, chulé, chulo, chumaço, churrasco, chula, chusma, chutar, cocheira, cochicho, cochilo, colcha, comichão, concha, conchavo, coqueluche, deboche, desabrochar, ducha, esguicho, espichar, fantoche, fechar, ficha, flecha, galocha, gancho, garrucha, guincho, lancha, lanche, linchar, machado, macho, marechal, mochila, nicho, pachola, pachorra, pecha, pechincha, piche, racha, rechaçar, sacho, tacho, troncho, ucha.

Emprego correto de letras 3

 

EMPREGA-SE J:

01. Nas seguintes palavras de origem latina:

Ex.: jeito (ajeitar, desajeitado, rejeitar, enjeitar, sujeito); 

Majestade (majestoso, majestático). 

02. Nas palavras de origem indígena: (tupi-guarani ou africana)

Ex.: jiboia, jirau, jerivá, pajé, jequitibá, canjerê, Moji, mojiano. 

Exceção no RS: Bagé (mas bajeense)

03. Nas formas dos verbos terminados em jar: 

Ex.: arranjar:  arranjei, arranjem;

encorajar: encorajamos, encorajei;

viajar: viajei, viajem, viajemos;

enojar: enojei, enojamos.

04. Nas palavras derivadas de primitivas com j no radical:

Ex.: gorja: gorjeio, gorjeta;

laranja: laranjinha, laranjal, laranjeira;

loja: lojista;

sarja: sarjeta;

lisonja: lisonjeiro, lisonjear;

manjar: manjedoura;

cerveja: cervejeiro, cervejista,

varejo: varejista. 

EMPREGA-SE G: 

Obs. O G só pode ser empregado, com som de J, antes das vogais E e I. 

01. Nas terminações: agem, igem, ugem e ege: 

Ex.: viagem (substantivo), garagem, malandragem, fuligem, ferrugem e bege. 

Exceções: lajem: (laje, Lajeado, lajeadense, lajear, lajeiro, Lajes, lajense, lajista, lajota, lajedo, lajiano); 

pajem: (pajear); lambujem: (lambujeiro). 

02. Nas terminações: ágio, égio, ígio, ógio e úgio (e derivados): 

Ex.: estágio, pedágio, colégio, egrégio, vestígio, relógio, refúgio. 

03. Após r (geralmente): divergir, convergir, submergir, aspergir. 

04. Nas palavras derivadas de primitivas que se escrevem com G: 

Ex.: vertigem: (vertiginoso) 

ferrugem: (ferruginoso) 

contágio: (contagioso) 

exigir: (exigente) 

virgem: (virginiano, virginal) 

passagem:  (passageiro) 

bagagem:  (bagageiro) 

ágio: (agiota, agiotagem) 

colégio: (colegial)

quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

Emprego correto de letras 2

 

EMPREGA-SE SS:

01) Na desinência sse, do pretérito imperfeito do Modo Subjuntivo: 

Ex.: quisesse, fizesse, estudasse, escrevesse, amasse, vendesse. 

02) No sufixo íssimo, do superlativo absoluto sintético: 

Ex.: amicíssimo, felicíssimo, ferocíssimo, riquíssimo, crudelíssimo. 

03) Nas palavras derivadas cujas primitivas se escrevem com ss: 

Ex.: classe: clássico, classicismo; 

passo: passante, passagem, passageiro;

compasso; cassar = anular: cassação, cassado. 

04) Nas correlações: 

a) ced - cess: 

ceder - cessão (= cedência); 

conceder - concessão, concessionário; 

interceder - intercessão, intercessor; 

retroceder - retrocesso; 

exceder - excesso - excessivo. 

b) gred - gress: 

agredir - agressão, agressor, agressivo; 

regredir - regresso, regressivo; 

progredir - progressão, progresso, progressivo. 

c) tir - ssão: 

permitir - permissão - permissivo, permissível; 

admitir - admissão - admissível; 

repercutir - repercussão; 

discutir - discussão. 

d) prim - press: 

imprimir - impressão, impresso, impressora; 

oprimir - opressão, opressivo; 

reprimir - repressão, repressivo. 

EMPREGA-SE Ç: 

01) Nas correlações: 

a) to - ç:

isento - isenção; 

discreto - discrição;

torto - torção, 

produto - produção; 

ereto - ereção;

ato - ação; 

canto - canção. 

b) ter - tenção: 

ater - atenção, desatenção; 

reter - retenção; 

deter - detenção; 

abster - abstenção; 

conter - contenção. 

c) Após ditongos: 

eleição, feição, traição, beiço, etc. 

02) Nas palavras de origem indígena (tupi-guarani, africana) ou árabe: 

Ex.: muçum, Iguaçu, Juçara, Itacuruçu, Paraguaçu, Paiçandu, Canguçu, araçá, açúcar, açucena, caçanje, paçoca, muçurana, etc. 

03) Nas palavras em cuja formação entram os sufixos AÇÃO, AÇA e AÇO. 

Ex.: acentuação, evocação, carcaça, pontaço, barcaça, ricaço, etc.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

Emprego correto de letras 1

 

EMPREGA-SE S

01. No sufixo ês, em adjetivos que indicam nacionalidade, origem ou procedência: japonês, japonesa; inglês, inglesa; português, portuguesa, montanhês, montanhesa; burguês, burguesa; camponês, camponesa, montês, montesa. 

02. Nos sufixos esa e isa, quando feminino de substantivos concretos: poetisa, baronesa, duquesa, princesa, profetisa, sacerdotisa, consulesa. 

03. Após ditongo: Neusa, Cleusa, Sousa, lousa, náusea, pausa, coisa. 

04. Nas formas dos verbos pôr (e seus compostos) e querer: pus, puseste, dispus, repuser, impusessem; quis, quiseste, quisemos. 

05. No sufixo oso, formador de adjetivos: orgulhoso, caloroso, pomposo, exitoso, vaidoso, cheiroso, volumoso, brioso, gostoso, charmoso. 

06. Nas palavras derivadas cujas primitivas contêm s no radical: 

atrás: atraso, atrasado ‒ paralisia: paralisar, paralisação ‒ liso: alisar, lisamente ‒ improviso: improvisar, improvisação ‒ cortês: cortesia, cortesmente ‒ análise: analisar, analisado ‒ gás: gasoso, gasolina, gasômetro ‒ lápis: lapiseira, lapisinho ‒ burguês: burguesia – artes: artesão, artesanato. 

07. Nas correlações: 

a) d - s: decidir ‒ decisão, decisivo, indeciso, decisório, indecisão; aludir ‒- alusão, alusivo; colidir ‒- colisão. 

b) nd - ns - s: ‒ repreender ‒ repreensão, pretender ‒ pretensão, pretensioso, pretensiosamente; estender ‒ extensão, extensivo; suspender ‒ suspensão, suspensivo. 

c) rg - rs: submergir ‒ submersão, submerso; imergir ‒ imersão, imerso. 

d) rt - rs: converter ‒ conversão; inverter ‒ inversão. 

e) pel - puls: repelir ‒ repulsão, repulsivo; compelir ‒ compulsão. 

f) corr - curs: correr ‒ curso, excursão.

EMPREGA-SE Z 

01. Nos sufixos ez e eza em substantivos abstratos derivados de adjetivos: límpido = limpidez, frio = frieza, gentil = gentileza, esperto = esperteza, bonito = boniteza, delicado = delicadeza, rápido = rapidez.

02. Nos sufixos izar e ização, formadores, respectivamente, de verbos e substantivos: social: socializar, socialização; racional: racionalizar, racionalização; legal: legalizar, legalização; rubor: ruborizar. 

Exceções: palavras derivadas cuja primitiva tem s no radical. 

improviso: improvisar; análise: analisar; liso: alisar 

Exceção da exceção: catequese: catequizar. 

03. Antes dos sufixos: inho, ito, al: 

cafezinho, cafezal, papelzinho, piazito, bambuzal, capinzal, paizinho. 

Exceções:   palavras derivadas cuja primitiva se escreve com s no singular: lápis = lapisinho, mesa = mesinha, vaso = vasinho. 

04. Nas palavras derivadas cuja primitiva contém z no radical: 

cruz: cruzeiro, cruzamento; vez: revezar, revezamento; paz: apaziguar; raiz: enraizar; baliza: abalizado; juiz: ajuizado; verniz: envernizado. 

Um agradecimento materno

 

Recebi a minha mãe em minha casa para viver conosco de forma permanente. Sem planos prévios, ela chegou um dia com uma mala. 

Nesse saco havia collants, chinelos com a frase “A melhor avó do mundo” (uma prenda dos meus filhos), um roupão quente, uma camisa e, por alguma razão, uma fronha. Foi ela própria que fez a mala. 

Nas últimas três semanas, uma rapariga mais velha, com cerca de quatro anos, tem vivido em minha casa. Magra, com um carrapito branco na cabeça, usa collants de algodão que se enrugam ligeiramente nos tornozelos. 

Caminha pelo corredor, calando os chinelos. Para cuidadosamente nos limiares, levantando as pernas bem alto, como se estivesse a ultrapassar obstáculos invisíveis. 

Sorri para o cão no corredor. Ouve pessoas invisíveis e me dão todos os dias novas mensagens delas. É tímida e dorme muito. 

Morde delicadamente um pedaço de chocolate (deixo-lhe sempre o chocolate no quarto) e bebe o chá, segurando a chávena com as duas mãos ‒ uma delas a tremer.

Tem muito medo de perder o anel na sua mão magra e está sempre a verificá-lo. 

De repente, percebo-me de como ela é velha e vulnerável. Deixou-se ir, descontraiu-se e deixou de fingir que era adulta. Confiou-me a sua vida em todos os pormenores. 

O mais importante para ela é que eu esteja em casa. Ela respira de tal forma de alívio quando eu regresso que tento não me ausentar por muito tempo. 

Voltei a fazer sopa todos os dias, como costumava fazer para os meus filhos. Uma tigela de biscoitos voltou a aparecer na mesa. 

O que é que eu sinto? Primeiro, horror. A mãe sempre foi independente, durante três anos, depois da morte do pai, quis viver sozinha. Eu compreendia-a ‒ pela primeira vez na sua vida, aos oitenta e oito anos, ela estava a fazer o que queria. Mas a velhice tem o seu preço. 

Agora sinto compaixão por este mundo frágil, amor e ternura. Compreendo o caminho que estamos a percorrer juntos. 

Quero muito que esse caminho seja feliz para ela ‒ no calor, no conforto, com a sua querida filha, com bolinhos e costeletas caseiras. Para a mãe, já nada mais importa. 

Agora, aos oitenta e oito anos, tenho uma filha em casa. Estou grata por poder fazer a sua velhice feliz e dar-me paz de espírito, sem remorsos. 

Mãe, obrigada por teres estado presente. Por favor, fica comigo o máximo de tempo possível...

(Autor desconhecido)

segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

Regras do emprego da vírgula

 

S − P − C = Sujeito − Predicado − Complemento → (Tudo que vier depois do verbo.) 

A) Dentro da oração (uma só oração − um só verbo = período simples) 

1. Isolando o ► aposto 

Ex. Nós, professores, queremos o progresso dos alunos. S,  ,P C. 

2. Isolando o ► vocativo 

Ex. Vós, moços, sois o futuro do país. S,  ,P C. 

Ex. Moços, vós sois o futuro do país.   , S P C. 

Ex. Vós sois o futuro do país, moços. S P C,  

3. Isolando o ► adjunto adverbial deslocado 

Ex. Joana, temporariamente, recusou a proposta. S,  ,P  C. 

Ex. Amanhã, eu viajarei à Bahia a negócios.  , S P C. 

4. Isolando as ► conjunções deslocadas 

Ex. Ele teve, contudo, certos interesses. S P,   ,C. 

Ex. Isso, entretanto, não foi útil. S,   , P C. 

5. Isolando os termos ou as expressões ► explicativas ou corretivas. 

Ex. Sairemos amanhã, aliás, depois de amanhã. S P,   , C. 

Ex. Marina, digo, Maria adormeceu em seguida. S,   ,S P C. 

Ex. O carro parou, isto é, enguiçou. S P,   , C. 

6. Isolando o ► nome do lugar nas datas. 

Ex. Porto Alegre, 10 de setembro de 2010. 

7. Separando os ter­mos coordenados e ► dispostos em enumeração. 

Ex. Convidamos o mestre, a esposa, alunos, alunas, amigos e filhos. 

Ex. A pera, a maçã, a goiaba são frutas gostosas. 

B) Dentro do período (mais de uma oração / mais de um verbo = período composto) 

1. Isolando as orações ► subordinadas adjetivas explicativas. 

Ex. Os velhos, que são seres humanos, merecem respeito. S, (SPC), P C. 

Ex. O leão, que é feroz, é um animal da África. S, (SPC), P C. 

2. Isolando as orações ► intercaladas. 

Ex. Eu, disse o mestre, não concordo. S, (SPC), P C. 

Ex. Isto, gritei bem alto, é mentira! S, (SPC), P C. 

Ex. Marina, creiam, é torcedora do Internacional! S, (SPC), P C. 

3. Separando as orações ► subordinadas adverbiais. Ex. Desde que não aceitem o pedido, sairemos daqui. SPC, S P C. 

4. Separando as orações ► coordenadas sindéticas (*) 

Ex. Eu quero tua companhia, mas eu não preciso dela. S P C, (c) S P C 

(*) (com síndeto = com conetivo = com conjunção) 

5. Separando as orações ► coordenadas sindéticas (ligadas por e) (menos com sujeitos iguais) 

Ex. O menino caiu, e os amigos vieram ajudá-lo. (sujeitos diferentes) S P C, (e) S P C. 

Obs.: (O menino caiu e gritou.) → (sujeitos iguais − sem vírgula) 

6. Separando as orações ► coordenadas assindéticas (*) 

Ex. Eu cheguei, entrei, olhei, sentei. S P C, S P C, S P C, S P C. 

(*) (sem síndeto = sem conetivo = sem conjunção) 

7. Indicando a ►elipse* do verbo (verbo subentendido) 

Ex. Tu preferes cinema; e eu, (prefiro) teatro. S P C; S, C. 

Ex. Mário joga dominó; e Marina, (joga) xadrez.  S P C; S, P C. 

P.S. O ponto e vírgula se justifica, pois as duas orações têm sujeitos diferentes: na primeira oração: Mário. Na segunda, Marina. A vírgula indica a elipse do verbo. 

*Elipse, num enunciado, é a supressão de um termo que pode ser facilmente subentendido pelo contexto linguístico ou pela situação. 

Por um erro de pontuação

 

Um famoso centurião romano iria para uma importante batalha. Temendo pelo seu futuro, resolveu consultar uma pitonisa para prever qual seria o desfecho da sua sorte. Após consultar as cartas, a mulher disse-lhe uma frase que ele interpretou assim: 

“Irás, vencerás, nunca morrerás nas armas!” 

O guerreiro, após colocar a frase numa lápide, foi confiante para a guerra e, na primeira batalha, recebeu uma flechada, morrendo em seguida. A sua viúva, ao perceber o erro da previsão da frase, foi à procura da cartomante para reclamar de seu erro. A pitonisa, ao ver a frase, retrucou dizendo que nunca a dissera, como o soldado a entendera, pois, na sua opinião, as palavras até que estão corretas, mas a pontuação, não. A frase correta, segundo ela, seria a seguinte: 

“Irás, vencerás nunca, morrerás nas armas!” 

E o pobre centurião, por não saber pontuar corretamente uma mensagem recebida, perdeu sua vida numa tola e inútil guerra.